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Guia completo de alertas e notificações em monitoramento e observabilidade de dados

Guia completo de alertas e notificações em monitoramento e observabilidade de dados

Introdução

Alertas e notificações estão em toda parte: Slack, e-mail, PagerDuty, dashboards, SMS. Em muitos times de dados e SRE, o volume explodiu a ponto de paralisar a capacidade de resposta.

Um relatório recente da Unit 42, da Palo Alto Networks, mostra que o número médio de alertas de segurança em nuvem por organização cresceu mais de 300% em 2024. É um sintoma claro de que monitorar ficou fácil, mas agir com qualidade continua difícil.

Para transformar esse caos em vantagem competitiva, você precisa tratar alertas e notificações como um produto. Imagine um painel de controle de alertas bem projetado, em que cada luz acesa indica algo que realmente ameaça o negócio.

Neste guia, você verá como sair do monitoramento reativo para uma estratégia de Monitoramento & Observabilidade centrada em riscos, usando métricas, dados, insights e telemetria completa (logs, métricas, tracing) para reduzir ruído, MTTR e estresse do time.

Por que seus alertas e notificações explodiram na era da nuvem

Nos últimos anos, a superfície de monitoramento cresceu em todas as direções: mais serviços, mais nuvens, mais integrações de dados e mais ferramentas especializadas. Cada nova ferramenta adiciona regras, alertas e notificações por padrão.

Segundo o relatório da Unit 42 da Palo Alto Networks sobre tendências de segurança em nuvem, muitas organizações viram um aumento superior a 200% em alertas críticos, à medida que ampliaram uso de serviços gerenciados e arquiteturas distribuídas.

Essa explosão acontece por três motivos principais:

  1. Telemetria barata – coletar logs, métricas e traces ficou simples com plataformas como AWS, New Relic, Elastic e outras.
  2. Alertas pré-configurados – ferramentas vêm com dezenas de regras padrão que ninguém revisa.
  3. Crescimento desordenado de times e serviços – cada squad cria seus próprios alertas sem governança central.

Para diagnosticar se você perdeu o controle do seu painel de controle de alertas, responda com sinceridade:

  • Você sabe dizer quantos tipos diferentes de alertas existem hoje no seu ambiente de produção?
  • Consegue apontar quais alertas diretamente protegem receita, compliance ou segurança de dados?
  • Há alertas que disparam diariamente e são sistematicamente ignorados?

Se a maior parte das respostas é “não sei” ou “sim, temos alertas ignorados”, você não tem uma estratégia de alertas e notificações, e sim um acúmulo de configurações históricas.

O primeiro passo é aceitar que volume de alertas não é sinal de maturidade. Maturidade é quando cada alerta tem dono, propósito claro e fluxo de resposta definido. Nos próximos tópicos, vamos estruturar como chegar lá.

Do monitoramento & observabilidade ao insight acionável

Antes de ajustar seus alertas e notificações, é essencial entender a diferença entre monitoramento e observabilidade.

Materiais de referência da AWS e da ServiceNow explicam que:

  • Monitoramento responde “o que” e “quando” aconteceu, por meio de métricas e checks configurados com antecedência.
  • Observabilidade responde “por que” e “como” aconteceu, usando telemetria rica – logs, métricas e tracing – para inferir o estado interno do sistema mesmo diante de falhas imprevistas.

Guias de empresas como New Relic e Elastic reforçam o mesmo padrão: monitoramento é em geral reativo e baseado em limiares. Observabilidade é proativa, orientada a contexto, correlação e exploração.

Em uma sala de guerra de incidentes em uma fintech brasileira, essa diferença fica evidente:

  • Com apenas monitoramento, o time vê que a latência da API de cartões estourou um limite. Chegam múltiplas notificações, mas descobrir a causa exige tentativa e erro.
  • Com observabilidade, um único alerta crítico chega acompanhado de traces que mostram o percurso completo da requisição, logs relevantes e métricas de dependências, apontando rapidamente uma mudança específica em banco de dados.

Um bom ponto de partida é ter uma regra de decisão simples:

  • Use monitoramento para detectar violações objetivas de SLOs e SLAs.
  • Use observabilidade para investigar e explicar qualquer alerta importante.

Ferramentas e conteúdos como o comparativo de monitoramento vs observabilidade da AWS, o guia da ServiceNow sobre observabilidade e o material educativo da New Relic podem apoiar esse desenho conceitual.

Desenhando uma estratégia de alertas e notificações orientada a riscos

Alertas e notificações não são um fim em si. Eles existem para proteger algo que importa para o negócio. Sem essa âncora, sua estratégia vira apenas um catálogo de métricas.

Uma abordagem prática é estruturar seus alertas em torno de riscos. Siga o passo a passo:

  1. Mapeie riscos prioritários

    • Receita (ex: indisponibilidade de checkout, falhas em billing).
    • Dados e compliance (ex: perda de dados, violações de LGPD, vazamentos).
    • Segurança (ex: anomalias de acesso, picos de erros de autenticação).
    • Experiência do usuário (ex: latência ou erro em jornadas críticas).
  2. Conecte cada risco a SLOs e KPIs mensuráveis

    • Taxa de sucesso de transações.
    • Atraso máximo aceitável em pipelines de dados.
    • Porcentagem máxima de erros 5xx por minuto.
  3. Defina quais eventos merecem alertas em tempo real
    Nem todo desvio precisa gerar notificação. Reserve alertas de alta prioridade para riscos que exigem ação imediata.

  4. Projete o fluxo de resposta
    Para cada alerta relevante, defina: dono, canal, tempo de reação esperado e passo a passo inicial.

Ferramentas de data observability apresentadas em conteúdos da Datacamp e da Objective ajudam a aplicar essa lógica em pipelines de dados, monitorando frescor, volume e qualidade com alertas inteligentes.

O estudo da Unesp sobre uso de redes sociais como “sensores humanos” para previsão de eventos climáticos extremos mostra um paralelo interessante. O objetivo não é gerar alertas sobre cada menção a “enchente” nas redes. O valor aparece quando esses sinais são correlacionados com sensores físicos e modelos, gerando poucas notificações realmente acionáveis para defesa civil.

A mesma mentalidade deve orientar times de dados: menos alertas, porém alinhados a riscos concretos e com contexto suficiente para ação rápida.

Configuração prática: métricas, dados e insights que realmente importam

Com os riscos priorizados, é hora de traduzir essa visão em configuração concreta. Aqui entra o trio que tantas vezes aparece em apresentações, mas raramente é bem operacionalizado: métricas, dados, insights.

Um bom desenho de alertas e notificações em dados pode seguir o seguinte workflow:

  1. Defina métricas diretamente ligadas a riscos

    • Disponibilidade de serviços críticos.
    • Freshness de tabelas analíticas.
    • Taxa de erros em integrações de dados.
    • Latência média e p95 de endpoints sensíveis.
  2. Classifique severidade e canais por tipo de evento

    • Crítico: impacta receita ou segurança – página, telefone ou on-call imediato (PagerDuty, Opsgenie).
    • Alto: risco alto mas com mitigação rápida – alertas em Slack com escalonamento se persistir.
    • Médio/Baixo: problemas operacionais ou de qualidade de dados – notificações em canais assíncronos ou dashboards.
  3. Adote padrões por domínio de dados
    Em data observability, soluções apresentadas em conteúdos da Datacamp e da Objective mostram práticas consistentes:

    • Regras de freshness (ex: sem atualizações por X minutos).
    • Volume fora do intervalo esperado.
    • Mudanças de schema.
    • Quebras de regras de qualidade (nulos, duplicidades, outliers).
  4. Transforme alertas em insights com contexto mínimo
    Cada alerta deve responder automaticamente:

    • O que aconteceu.
    • Onde aconteceu (serviço, tabela, cluster).
    • Qual o impacto potencial no negócio.
    • Links diretos para dashboards relevantes, logs ou traces.

Adote como regra: nenhum alerta crítico vai para produção sem ter pelo menos um runbook associado. Esse runbook pode ser simples, mas já reduz drasticamente o tempo de triagem.

Quando você estrutura o ciclo completo de métricas, dados, insights, reduz o número de notificações e aumenta o percentual de alertas que geram ação no primeiro clique.

Logs, métricas, tracing: conectando telemetria aos seus alertas

Para que observabilidade funcione, você precisa consolidar os três pilares de telemetria: logs, métricas e traces. Muitas vezes vistos como jargões, eles são, na prática, a base para que alertas e notificações deixem de ser caixas-pretas.

Guias da AWS, da New Relic e da Elastic explicam que:

  • Métricas são séries temporais agregadas – ideais para detectar anomalias e gerar alertas.
  • Logs trazem detalhes de eventos individuais, parâmetros de requisição e mensagens de erro.
  • Traces mostram o caminho de uma requisição através de múltiplos serviços, mediando tempo em cada etapa.

Plataformas brasileiras como a DBSnoop, focada em monitoramento e observabilidade de bancos de dados, e relatos técnicos do Nubank sobre monitoramento ou observabilidade de serviços mostram como esse trio se aplica no dia a dia de DevOps, SRE e times de dados.

Um fluxo saudável pode seguir estes passos quando um alerta dispara:

  1. Alertar via métrica
    Exemplo: aumento súbito na taxa de erros 5xx em uma API de checkout.

  2. Explorar traces associados
    Ver quais endpoints, serviços ou queries de banco estão no caminho das requisições com erro.

  3. Aprofundar em logs relevantes
    Filtrar logs por correlação com o trace ou com o ID de requisição, buscando mensagens de erro, timeouts ou exceções específicas.

  4. Validar impacto em dados e usuários
    Checar dashboards de volume de transações, conversões e integridade de dados downstream.

Esse ciclo “alerta via métrica → investigação com traces → explicação com logs” é o coração de uma prática madura de Monitoramento & Observabilidade.

Ao configurar suas ferramentas, proponha explicitamente um conjunto mínimo de coletores e correlações que permita esse fluxo. Do contrário, seus times continuarão abrindo dez telas diferentes para cada incidente, atrasando decisões e aumentando o MTTR.

Boas práticas para reduzir fadiga de alertas e aumentar ação

Um dos maiores riscos de uma estratégia mal pensada de alertas e notificações é a fadiga. Quando tudo gera alerta, nada é tratado como prioridade.

Empresas que trabalham com alto volume de dados, como mostrado em conteúdos da Objective e em materiais de observabilidade de bancos de dados da DBSnoop, destacam a importância de equilibrar cobertura com foco.

Algumas boas práticas fundamentais:

  1. Elimine alertas que nunca geram ação
    Faça um review mensal dos tipos de alertas. Se um tipo específico nunca levou a uma ação ou ajuste, arquive ou rebaixe a prioridade.

  2. Agrupe e correlacione alertas relacionados
    Evite notificar separadamente cada sintoma do mesmo problema. Prefira um alerta de incidente que mostre sintomas correlacionados.

  3. Use níveis de severidade consistentes em toda a empresa
    Crítico deve significar a mesma coisa em segurança, dados e produto. Documente e socialize esse glossário.

  4. Introduza janelas de silêncio e supressão inteligente
    Limite quantos alertas uma mesma pessoa pode receber por minuto. Adote supressão temporária para alertas duplicados gerados durante a mesma investigação.

  5. Automatize respostas quando possível
    Se a ação para um alerta é sempre a mesma, considere automatizá-la. Por exemplo, reiniciar pods específicos, lançar um job de recálculo ou isolar um nó problemático.

  6. Treine o time para observabilidade, não só para ferramenta
    Os conteúdos do Nubank, da AWS e da Elastic destacam que observabilidade é uma prática cultural antes de ser um produto. Inclua esse tema em onboarding, game days e retrospectivas de incidentes.

Crie um indicador simples: percentual de alertas que geram ação em até 30 minutos. Use esse número como bússola. Ele mede não apenas a qualidade dos seus alertas, mas também a capacidade do time de transformar ruído em resultado.

Colocando sua estratégia de alertas em produção

Chegou a hora de transformar teoria em movimento. Em vez de tentar redesenhar tudo de uma vez, trate alertas e notificações como um programa de melhoria contínua.

Você pode seguir um plano em três ondas:

  1. Dias 0 a 30 – Inventário e limpeza

    • Levante todas as fontes de alertas atuais.
    • Desative ou rebaixe imediatamente o que está obsoleta ou nunca é usado.
    • Comece a organizar o painel de controle de alertas por risco e domínio.
  2. Dias 31 a 60 – Priorização por risco e SLOs

    • Revise riscos críticos de negócio.
    • Desenhe ou ajuste alertas alinhados a esses riscos.
    • Configure canais e severidades consistentes.
  3. Dias 61 a 90 – Observabilidade profunda

    • Consolide logs, métricas e tracing.
    • Crie fluxos padrão de investigação.
    • Revise runbooks e treine o time usando simulações e incidentes passados.

Com esse ciclo, você sai da lógica de “mais monitoramento, mais ruído” e avança para uma prática de Monitoramento & Observabilidade sustentável, em que cada alerta entrega contexto suficiente para ação.

O resultado esperado é claro: menos fadiga, mais respostas rápidas, redução de MTTR e um ambiente onde times de dados, engenharia e segurança conseguem, de fato, transformar sinais dispersos em decisões inteligentes.

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Foto de Dionatha Rodrigues

Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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