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Data Modeling na prática para marketing: da confusão à clareza

Na reunião trimestral de performance, o time de marketing está em um war room olhando para dashboards projetados na tela. Cada pessoa enxerga um número diferente para o mesmo KPI de receita. As discussões desviam para culpar a ferramenta, o BI ou o time de dados. O problema raramente é a visualização e quase sempre está na base: o Data Modeling.

A modelagem de dados funciona como uma planta arquitetônica que orienta toda a construção analítica. Sem essa planta, você empilha fontes de dados, integrações e relatórios sem ter certeza se o prédio aguenta o próximo andar. Em 2025, com IA generativa, dados em tempo real e arquiteturas distribuídas, esse risco só aumenta. Este artigo mostra como usar Data Modeling para transformar caos operacional em decisões confiáveis, alinhadas a Análise & Métricas, métricas do negócio e resultados concretos.

Por que Data Modeling explodiu em relevância em 2025

Nos últimos dois anos, a adoção de Data Modeling cresceu de forma acelerada em empresas de todos os portes. Pesquisas internacionais apontam que a maioria das organizações já declara praticar algum tipo de modelagem, mas poucas consideram seus dados realmente prontos para IA. A consequência é clara: investimentos pesados em ferramentas de analytics e IA não se convertem em Métricas,Dados,Insights confiáveis.

Essa explosão de interesse acontece porque três forças se combinaram. Conteúdos de referência como os da Dataversity, em especial o artigo da DATAVERSITY sobre tendências de Data Modeling, mostram como a IA passou a automatizar partes da modelagem. Já a análise da DataCrossroads sobre arquitetura e modelagem de dados destaca o papel de arquiteturas modernas. Complementando, o McKinsey Technology Trends Outlook conecta esses movimentos à pressão crescente por decisões em tempo real.

De forma prática, três forças explicam por que o tema ganhou o topo da pauta:

  • IA generativa passou a sugerir entidades, relacionamentos e regras de negócio a partir de dados históricos e documentação
  • Arquiteturas como lakehouse, mesh e fabric exigem modelos mais flexíveis, que suportem múltiplos casos de uso e fontes
  • A liderança cobra decisões quase em tempo real, o que só é possível se o modelo de dados estiver bem definido e governado

Operacionalmente, você sabe que precisa revisar seu Data Modeling quando responde sim para pelo menos duas perguntas:

  • Você precisa abrir a mesma consulta em três sistemas diferentes para responder a uma pergunta simples de negócio
  • A mesma métrica aparece com valores diferentes em relatórios de áreas distintas
  • Incluir uma nova fonte de dados leva semanas porque ninguém sabe exatamente onde ela encaixa

Se esses sintomas são comuns, o problema não é falta de dashboards, e sim a ausência de uma planta arquitetônica clara para os seus dados.

Fundamentos de Data Modeling que todo time de marketing precisa

Data Modeling é o processo de descrever de forma estruturada como os dados do negócio se relacionam. Em vez de pensar primeiro em tabelas ou ferramentas, você começa pelos conceitos de negócio e pelos fluxos que geram informação. Para times de marketing, isso significa traduzir públicos, campanhas, interações, leads e vendas em entidades, atributos e relacionamentos.

Na prática, é útil separar o trabalho em três camadas de abstração:

  • Modelo conceitual: representa conceitos de alto nível, como Cliente, Campanha, Canal, Lead, Oportunidade, Venda
  • Modelo lógico: detalha atributos, chaves e relacionamentos entre essas entidades, já com visão de banco de dados
  • Modelo físico: vira tabelas concretas em um data warehouse, lakehouse ou outra plataforma

Ao trabalhar de forma disciplinada nessas três camadas, você cria uma linguagem comum entre marketing, BI e engenharia. O time de negócio fala em jornada, funil e KPIs, enquanto o time técnico enxerga tabelas fato e dimensões mapeadas claramente para esses conceitos. Essa ponte reduz retrabalho em analytics e acelera a entrega de novos relatórios.

Um fluxo simples para criar o modelo conceitual de marketing pode seguir estes passos:

  1. Listar os principais objetivos de negócio, como aquisição, retenção, aumento de ticket médio
  2. Mapear os eventos críticos da jornada, por exemplo, clique em anúncio, cadastro, teste, compra, cancelamento
  3. Identificar quais entidades representam esses eventos e quais representam contextos, como Conta, Usuário, Produto, Plano
  4. Definir como essas entidades se conectam, desenhando relacionamentos de um para muitos ou muitos para muitos
  5. Validar o desenho com as áreas de negócio, garantindo que todos entendem o mesmo conceito por trás de cada entidade

Ferramentas visuais ajudam muito nesse processo. Materiais como a lista de ferramentas de data modeling da Carmatec citam opções como Erwin, que suporta modelos lógicos e físicos complexos, e ferramentas mais simples, como Visio ou Lucidchart, úteis para diagramar o modelo conceitual. O importante é manter o modelo vivo e versionado, não tratá-lo como um arquivo estático perdido na intranet.

Como desenhar modelos orientados a Análise & Métricas

O erro mais comum em Data Modeling para marketing é começar pelas fontes, não pelas decisões e KPIs. Para que a modelagem realmente sirva à Análise & Métricas, é preciso inverter essa lógica. Primeiro, você define que perguntas precisa responder e quais indicadores suportam as decisões mais relevantes.

Um fluxo prático para garantir que o modelo nasce orientado a valor pode seguir estes passos:

  1. Listar as decisões recorrentes que o time toma, como ajustar orçamento de mídia ou priorizar canais de aquisição
  2. Para cada decisão, definir quais KPIs e métricas são críticos, por exemplo, CAC, LTV, taxa de conversão, churn
  3. Determinar o grão da análise, como por dia, por campanha, por criativo, por segmento de cliente
  4. Mapear de quais sistemas vêm os dados necessários, como mídia paga, CRM, ferramenta de produto, billing
  5. Desenhar tabelas fato que concentram os eventos principais e dimensões que trazem contexto para os cortes analíticos

Suponha que sua principal frente seja aquisição de clientes por mídia paga. Você pode definir uma tabela fato de conversões de marketing, com uma linha por combinação de campanha, anúncio, dia e segmento. A partir daí, dimensões como Canal, Campanha, Criativo, Público e Região permitem cruzar resultados sem recriar lógicas em cada relatório.

O relatório de tendências em gestão de dados da TechTarget destaca o papel crescente da camada semântica para padronizar KPIs em todo o ecossistema analítico. Quando Métricas,Dados,Insights são definidos na camada de Data Modeling, em vez de dentro de cada dashboard isolado, você evita divergências e garante consistência entre times.

Do ponto de vista operacional, vale sempre testar um modelo com perguntas reais de negócio. Pegue o modelo que seu time acabou de desenhar e tente responder, somente com ele, dúvidas como quanto investimos por canal nos últimos três meses, com qual retorno e qual impacto em receita recorrente. Se o modelo não suportar essas perguntas com clareza, ele ainda não está pronto.

Arquiteturas modernas de Data Modeling para escalar analytics

A forma como você modela dados está diretamente ligada à arquitetura analítica adotada. Durante muitos anos, o padrão foi o data warehouse centralizado, com forte governança e modelos dimensionais relativamente estáveis. Em 2025, referências como a análise da DataCrossroads sobre arquitetura e modelagem de dados e o estudo Deloitte Tech Trends mostram o avanço de arquiteturas lakehouse, mesh e fabric.

De forma resumida, você pode pensar assim:

  • Data warehouse: excelente para relatórios corporativos consolidados, com dados bem estruturados e governança forte
  • Data lakehouse: une flexibilidade de um data lake com tabelas otimizadas para consulta analítica, ideal para dados variados
  • Data mesh: descentraliza a responsabilidade por domínios de dados, aproximando squads de produto e negócio
  • Data fabric: adiciona uma camada inteligente de conectividade e governança sobre múltiplas fontes e plataformas

Do ponto de vista de Data Modeling, a escolha da arquitetura muda como você desenha e mantém seus modelos. Em um warehouse tradicional, é mais natural centralizar decisões de modelagem em um time de dados corporativo. Já em um cenário de mesh, cada domínio pode ter seu próprio modelo, desde que respeite padrões globais de interoperabilidade.

Para times de marketing e produto em empresas em crescimento, um caminho realista costuma ser:

  • Começar com um data warehouse ou lakehouse bem modelado, focado nos principais domínios analíticos
  • Definir contratos de dados claros entre marketing, vendas, produto e financeiro
  • Evoluir para princípios de mesh à medida que os domínios amadurecem, mantendo uma camada semântica comum para KPIs

Relatórios de grandes consultorias, como o McKinsey Technology Trends Outlook, reforçam que a escalada de IA e analytics exige arquiteturas modulares e orientadas a produtos de dados. O modelo de dados passa a ser um ativo estratégico, não apenas um desenho técnico.

Data Modeling para IA, agentes e camadas semânticas

Com a popularização de IA generativa e agentes autônomos, o Data Modeling deixou de ser um tema restrito ao BI. Agentes que conversam com usuários em linguagem natural, respondem perguntas e tomam ações precisam de um modelo consistente para não gerar respostas contraditórias. É aqui que entram conceitos como camadas semânticas e padronização de metadados.

Materiais especializados, como o relatório de tendências em gestão de dados da TechTarget, destacam o avanço de padrões abertos de semântica. A ideia central é ter um dicionário único que descreve entidades de negócio, atributos, métricas e relacionamentos, consumido tanto por dashboards quanto por agentes de IA.

Na prática, uma camada semântica bem desenhada para marketing costuma incluir:

  • Conceitos de negócio, como Lead, MQL, SQL, Cliente, Churn, Upgrade, Downgrade
  • Métricas padronizadas, como CAC, LTV, taxa de ativação, NPS, ticket médio
  • Regras de cálculo claras, por exemplo, qual período considerar para churn, se receita é líquida ou bruta
  • Relacionamentos entre domínios, conectando jornadas de marketing, produto e pós-venda

Ferramentas modernas tornam esse trabalho mais acessível. Plataformas como dbt e sua camada semântica permitem definir métricas e modelos como código, versionados e testados. Soluções de BI como Looker oferecem modelos semânticos consumidos por múltiplos relatórios. E soluções de data cloud, como a Snowflake como data cloud escalável, expõem catálogos de dados que podem ser consumidos por agentes de IA.

Ao conectar sua camada semântica a agentes, você passa a ter um copiloto de dados que entende o negócio. Em vez de perguntar a um analista quanto foi o churn no segmento PME, o gestor pode perguntar a um agente, que traduz a pergunta para o modelo, executa a consulta e responde com contexto. Sem Data Modeling robusto, esse agente vira apenas um gerador de respostas bonitas, porém inconsistentes.

Da modelagem à operação em Dashboard,Relatórios,KPIs

Um bom modelo de dados só mostra seu valor quando chega ao dia a dia, nos dashboards e nas reuniões de performance. Lembre da cena inicial no war room, com o time discutindo KPIs conflitantes. O objetivo de um Data Modeling bem feito é que, nessa mesma reunião, as conversas migrem de questionar números para discutir hipóteses e ações.

Para isso, é fundamental conectar modelagem, qualidade de dados e observabilidade. Empresas de monitoramento de dados, como a Acceldata sobre tendências em big data, reforçam a importância de acompanhar não só se os pipelines rodam, mas se as métricas geradas fazem sentido. Quebra de padrões, volumes inesperados ou atrasos podem sinalizar problemas no modelo ou nas fontes.

Um checklist operacional para garantir que o Data Modeling se reflete de forma saudável em Dashboard,Relatórios,KPIs inclui:

  • Criar testes automatizados para regras críticas, como unicidade de chaves, integridade referencial e limites plausíveis de métricas
  • Acompanhar SLAs de atualização para domínios de dados, alinhando expectativas com as áreas usuárias
  • Documentar definições de métricas e entidades em um catálogo acessível, conectado à sua camada semântica
  • Garantir que cada dashboard tenha um dono de negócio e um dono técnico responsáveis pela consistência
  • Revisar periodicamente se as visualizações ainda respondem às perguntas prioritárias de Análise & Métricas

Quando esse ciclo de operação funciona, o Data Modeling deixa de ser um artefato teórico. Ele se torna o eixo em torno do qual giram governança, analytics, IA e decisões do dia a dia. E, sobretudo, reduz a fricção nas interações entre marketing, vendas, produto e dados.

Em resumo, Data Modeling é a planta arquitetônica que separa construções improvisadas de ambientes de dados realmente escaláveis. Em vez de reagir a cada nova demanda com um relatório sob medida, times maduros desenham modelos que anteveem perguntas de negócio e conectam Métricas,Dados,Insights em uma visão única. Para sair do modo reativo, comece revisando o cenário atual, desenhe um modelo conceitual focado nas decisões mais importantes e priorize a criação de uma camada semântica que padronize KPIs em todas as frentes. Na próxima reunião trimestral, seu war room pode finalmente discutir estratégia, não divergências entre dashboards.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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