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Desenvolvimento Orientado a Domínio: da modelagem aos testes de qualidade

Desenvolvimento Orientado a Domínio: da modelagem aos testes de qualidade

Introdução

Negócios digitais amadureceram a ponto de tornar insuficiente aquele código centrado apenas em CRUD e endpoints. Em produtos complexos, como plataformas de assinaturas, meios de pagamento ou ERPs, o que diferencia não é a tecnologia em si, mas a forma como o software representa o negócio.

É aí que o Desenvolvimento Orientado a Domínio ganha relevância. Em vez de começar discutindo frameworks, a conversa passa a girar em torno de regras, linguagens e fronteiras de negócio. Pense em um mapa de metrô: cada linha representa um contexto do domínio, com estações e conexões bem definidas. O código só vem depois.

Neste artigo, vamos ver como aplicar Desenvolvimento Orientado a Domínio do desenho estratégico até testes de QA, conectando modelagem, implementação, validação e cobertura de forma prática e mensurável.

Por que Desenvolvimento Orientado a Domínio importa em 2025

Publicações recentes, como estudos da Revista Tópicos e materiais da Locaweb e da Rocketseat, mostram que DDD deixou de ser apenas um conceito teórico. Ele se consolidou como abordagem para lidar com domínios complexos, microserviços e arquiteturas distribuídas.

Os sistemas atuais lidam com regulamentações mutáveis, integrações com parceiros, jornadas omnichannel e produtos digitais que evoluem continuamente. Requisitos mudam em ciclos curtos, mas o código precisa se manter estável o suficiente para não quebrar a cada sprint.

Desenvolvimento Orientado a Domínio ajuda a:

  • Reduzir acoplamento ao separar o sistema em Contextos Delimitados coerentes.
  • Melhorar comunicação entre negócio, desenvolvimento e QA via Linguagem Ubíqua.
  • Aumentar a capacidade de evolução sem reescrever tudo a cada mudança de regra.

Uma decisão prática: se o seu sistema tem regras simples, fluxo previsível e baixo nível de incerteza, DDD provavelmente é exagero. Se o domínio é complexo, crítico para o negócio e deve durar anos, a adoção passa de opcional a estratégica.

Fundamentos de Desenvolvimento Orientado a Domínio na arquitetura

A base do Desenvolvimento Orientado a Domínio é olhar primeiro para o negócio, não para a tecnologia. Conteúdos recentes da Hostragons, AppMaster e Gran Cursos Online reforçam os mesmos pilares: Core Domain, Linguagem Ubíqua e Contextos Delimitados.

O ponto de partida é descobrir qual parte do negócio gera vantagem competitiva. Esse Core Domain merece o melhor time, maior investimento em modelagem e mais atenção em testes. Domínios de suporte podem reutilizar soluções de mercado ou abordagens mais simples.

Para visualizar, use o objeto que mencionamos na introdução: um mapa de metrô. Cada linha representa um Contexto Delimitado, como Faturamento, Assinaturas e Pagamentos. As estações simbolizam funcionalidades relevantes. As conexões entre linhas são integrações que precisam de contratos claros.

Fluxo prático para levantar a arquitetura orientada a domínio:

  1. Conduza uma sessão de Event Storming com especialistas de negócio, desenvolvimento e QA.
  2. Colecione eventos de domínio (AssinaturaCriada, FaturaGerada, PagamentoRecusado).
  3. Agrupe eventos em fluxos e, a partir deles, identifique potenciais Contextos Delimitados.
  4. Nomeie cada contexto com termos da própria empresa, reforçando a Linguagem Ubíqua.

Essa visão torna mais fácil decidir onde aplicar microserviços, qual parte fica em um monólito modular e onde usar integrações assíncronas.

Do modelo ao código: implementação tática com foco em testes

Materiais como o resumo de Domain-Driven Design da USP e talks de .NET Conf mostram que a força do DDD está na transição consistente do modelo para o código. A modelagem deve se refletir diretamente nas estruturas técnicas.

Os principais blocos táticos são:

  • Entidades: possuem identidade estável, como Assinatura ou Cliente.
  • Objetos de Valor: representam conceitos imutáveis, como Dinheiro ou PeríodoDeCobranca.
  • Agregados: agrupam entidades e valores sob uma raiz consistente, como Assinatura com suas Faturas.
  • Serviços de Domínio: encapsulam regras que não pertencem naturalmente a uma única entidade.

Um exemplo simplificado de código em um contexto de Assinaturas pode ser:

public class Assinatura
{
    public AssinaturaId Id { get; }
    public Plano Plano { get; private set; }
    public StatusAssinatura Status { get; private set; }

    public void Ativar()
    {
        if (Status != StatusAssinatura.Pendente)
            throw new DominioException("Assinatura só pode ser ativada quando pendente");

        Status = StatusAssinatura.Ativa;
    }
}

Esse tipo de implementação torna as regras de negócio explícitas no código, facilitando Testes de unidade. Em vez de testar apenas controllers, você valida diretamente os métodos de domínio.

Regra operacional: para cada regra de negócio relevante, deve existir ao menos um teste automatizado que a valide no nível de domínio. Frameworks, controllers e adapters são testados de forma mais superficial, com foco em integração.

Como conectar DDD, QA, validação e cobertura

O Desenvolvimento Orientado a Domínio não é responsabilidade apenas de quem escreve código. QA, análise e produto precisam estar envolvidos desde as primeiras sessões de modelagem. Materiais da Rocketseat e de conferências internacionais reforçam esse caráter colaborativo.

Na prática, QA deixa de ser apenas a etapa final de validação e passa a ser coautor das regras. Durante um Event Storming, o papel de QA inclui:

  • Questionar casos de borda e fluxos alternativos.
  • Identificar riscos de negócio que exigem cenários de teste específicos.
  • Sugerir métricas de cobertura ligadas ao domínio, não só ao código.

A pirâmide de Testes em um contexto orientado a domínio muda de ênfase:

  • Base: testes de unidade em Entidades, Objetos de Valor e Serviços de Domínio.
  • Meio: testes de integração entre Contextos Delimitados e com sistemas externos.
  • Topo: testes de ponta a ponta focados em jornadas críticas.

Além da cobertura de código tradicional, defina metas de cobertura de regras de negócio. Por exemplo, todas as combinações de status de Assinatura e resultado de Pagamento que impactam faturamento devem ter cenários automatizados ou, ao menos, exploratórios documentados.

Esse alinhamento entre DDD, QA, validação e cobertura reduz bugs em cenários críticos e melhora a confiança em deploys frequentes.

Fluxo prático de DDD para um domínio de cobranças recorrentes

Imagine a equipe de desenvolvimento e QA responsável por um produto de assinaturas digitais com cobrança recorrente. Esse cenário aparece com frequência em empresas que usam plataformas como as da Locaweb ou provedores de pagamento recorrente.

Um fluxo prático para aplicar Desenvolvimento Orientado a Domínio aqui poderia ser:

  1. Descoberta de domínio

    • Reúna product owner, especialistas de negócio, desenvolvimento e QA.
    • Mapeie eventos principais: AssinaturaCriada, AssinaturaCancelada, FaturaGerada, PagamentoAprovado, PagamentoRecusado.
  2. Definição de Contextos Delimitados

    • Assinaturas: regras de ciclo de vida da assinatura.
    • Cobrança: geração de faturas, cálculo de valores, impostos.
    • Pagamentos: integração com gateways, conciliação, retentativa.
  3. Modelagem tática

    • Em Assinaturas, defina Entidades como Assinatura e Cliente, agregadas a um contexto de relacionamento.
    • Em Cobrança, defina Objetos de Valor como Dinheiro, PeríodoDeCobranca e RegraDeDesconto.
    • Em Pagamentos, isole detalhes de infraestrutura em adapters, preservando um modelo de domínio limpo.
  4. Planejamento de Testes

    • QA deriva cenários de negócio direto dos eventos e regras mapeadas.
    • Defina suites específicas para churn, inadimplência, ajuste de plano e upgrades.
  5. Implementação e iteração

    • Comece pelo Core Domain (por exemplo, cobranças complexas) e só depois trate domínios de suporte.
    • Revise modelos periodicamente conforme novas regras surgem.

Esse fluxo conecta descoberta, código, implementação técnica e testes de forma contínua.

Métricas de qualidade e cobertura em um sistema orientado a domínio

Artigos recentes sobre DDD, DevOps e microserviços mostram uma convergência: modelos bem definidos de domínio facilitam métricas mais inteligentes de qualidade. Em vez de medir apenas cobertura de código ou número de bugs por sprint, você começa a acompanhar a saúde do domínio.

Algumas métricas práticas:

  1. Cobertura de regras de negócio

    • Percentual de regras críticas que possuem testes automatizados explícitos.
    • Exemplo: 100 por cento das regras que impactam faturamento ou compliance precisam de testes automatizados.
  2. Cobertura por Contexto Delimitado

    • Distribua testes por contexto (Assinaturas, Cobrança, Pagamentos).
    • Contextos mais críticos devem ter maior densidade de testes de unidade e integração.
  3. Defeitos escapados por domínio

    • Conte bugs em produção e associe cada um a um Contexto Delimitado.
    • Use esses dados para priorizar refatorações ou reforço de testes em contextos problemáticos.
  4. Alinhamento semântico

    • Proporção de classes, métodos e endpoints usando a Linguagem Ubíqua.
    • Quanto mais o código se parece com o vocabulário do negócio, menor a chance de mal-entendidos.

Ferramentas de qualidade, plataformas de CI e frameworks de testes populares podem ajudar a instrumentar essas métricas. O ponto chave é conectar QA, validação, cobertura e métricas diretamente ao domínio, e não apenas a módulos técnicos isolados.

Erros comuns ao adotar DDD e como evitá-los

Materiais da Rocketseat, AppMaster e de palestras internacionais mostram um padrão: muitas equipes se empolgam com DDD, mas caem em armadilhas previsíveis. Reconhecer esses erros cedo evita desperdício de tempo e frustração.

Erros frequentes:

  • Aplicar DDD em todo e qualquer sistema, inclusive CRUDs simples.
  • Confundir microserviços com Contextos Delimitados e sair fragmentando tudo.
  • Deixar a escolha de framework ditar o desenho do modelo de domínio.
  • Tratar QA como etapa tardia, sem envolvê-lo na descoberta e modelagem.

Algumas boas práticas para evitar esses problemas:

  1. Comece pelo problema de negócio

    • Só considere DDD quando houver complexidade inerente de regras, integração ou escala.
  2. Use experimentos controlados

    • Aplique DDD em um único domínio de alta relevância, como cobrança recorrente, antes de expandir.
  3. Desacople o domínio da infraestrutura

    • Utilize padrões como Clean Architecture e CQRS de forma pragmática, como sugerem talks de .NET Conf.
  4. Traga QA, produto e negócio para a mesa

    • Garanta que a Linguagem Ubíqua nasce da colaboração entre todas as áreas, não apenas do time de desenvolvimento.

Essas medidas mantêm o foco em valor real ao negócio, em vez de entregar apenas uma arquitetura bonita em diagramas.

Encerramento

Desenvolvimento Orientado a Domínio não é uma moda passageira, e tampouco uma solução mágica. É uma forma disciplinada de aproximar código, implementação, tecnologia e negócio em torno de um mesmo mapa de metrô conceitual, com linhas claras, estações definidas e integrações bem pensadas.

Ao combinar modelagem estratégica, padrões táticos de código e uma colaboração estreita com QA, você transforma regras soltas em um modelo robusto, testável e evolutivo. Métricas de cobertura deixam de ser apenas números de ferramenta para refletir, de fato, a proteção das partes mais críticas do seu domínio.

Se o seu produto lida com domínios complexos, como cobranças recorrentes, meios de pagamento ou operações logísticas, vale dar o próximo passo. Comece pequeno, escolha um contexto, envolva o time completo e teste, na prática, como o Desenvolvimento Orientado a Domínio pode mudar a forma como você constrói software.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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