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Experiência Cross-Device em 2025: como conectar a jornada do cliente sem fricção

Seus clientes já não escolhem um único ponto de contato para se relacionar com a sua marca. Eles assistem a um anúncio em smart TV, buscam avaliações no smartphone, salvam o produto no notebook do trabalho e finalizam a compra no app. Estudos recentes de consumo de mídia no Brasil e no mundo mostram que o uso simultâneo de telas é a regra, com sobreposição forte entre TV conectada, mobile e desktop.

Neste contexto, entregar uma Experiência Cross-Device consistente é o que separa jornadas fluidas de pipelines cheios de abandono. Pense na sua operação como um painel de controle omnichannel, em que cada clique em diferentes devices atualiza a mesma visão de cliente em tempo real. Ao longo deste artigo, vamos acompanhar uma consumidora brasileira que começa a jornada na smart TV, continua no smartphone no metrô e conclui no notebook em casa, para mostrar como desenhar, medir e otimizar experiências integradas, com impacto direto em satisfação, receita e fidelização.

Por que a Experiência Cross-Device virou o novo mínimo em CX

Em estudos como o Inside Vídeo 2025, da Kantar IBOPE Media, e a Retrospectiva Digital 2024 da Comscore, fica claro que o brasileiro já vive em um ecossistema digital cruzado. Há uma sobreposição relevante entre audiência de TV conectada e smartphones, e a mesma pessoa alterna entre telas ao longo do dia para consumir conteúdo, comparar preços e interagir com marcas. Relatórios globais, como o Connected Consumer da Deloitte, reforçam que o gasto com dispositivos conectados e a adoção de IA generativa só aumentam essa complexidade.

Na prática, Experiência Cross-Device significa que o cliente percebe uma continuidade da marca, independentemente do device ou canal. Ele espera encontrar o mesmo carrinho, o mesmo histórico, o mesmo nível de personalização, esteja em um anúncio clicável na TV, em um e-mail no desktop ou em um push no celular. Estudos de experiência do cliente compilados pela SuperOffice mostram que empresas com jornada integrada convertem mais, retêm por mais tempo e competem menos por preço.

Por isso, Cross-Device deixou de ser diferencial e virou requisito básico de CX. Se a experiência quebra quando o usuário muda de tela, você treina o cliente a abandonar. Um bom teste de realidade é responder a três perguntas: o cliente consegue retomar a jornada de onde parou em qualquer device, o contexto de navegação anterior é usado para personalizar a próxima interação, e algum ponto de fricção é claramente visível na sua analítica. Se a resposta for não para qualquer delas, há uma lacuna crítica.

Desenhando a Jornada do Cliente em múltiplos devices e momentos

Comece olhando para a Jornada do Cliente com lentes de comportamento real, não apenas funil teórico. Retomando nossa consumidora exemplo, ela descobre a marca em um anúncio de vídeo na smart TV, pesquisa o produto no Google pelo smartphone, clica em um anúncio responsivo, adiciona ao carrinho no desktop do trabalho e só conclui a compra no app, à noite. Em cada etapa, mudam os touchpoints, os momentos do dia e a expectativa de experiência.

Para capturar essa realidade, construa um mapa de jornada Cross-Device que combine canais, devices e micro-momentos. Em vez de listar apenas canais de marketing, liste perguntas do cliente e contextos: em que momento ele está explorando opções no sofá, em qual etapa ele está comparando preços no trânsito, quando ele apenas precisa resolver um problema rápido no atendimento. Toque nesses pontos de forma visual, quase como um painel de controle omnichannel que mostra o fluxo de energia entre telas.

Um workflow simples para estruturar esse mapa:

  1. Liste de 3 a 5 jornadas prioritárias relacionadas a receita, como compra, ativação e renovação.
  2. Para cada uma, identifique os principais devices usados em cada etapa, com base em dados de analytics e pesquisa.
  3. Mapeie os touchpoints que já existem e onde a experiência quebra quando o usuário troca de tela.
  4. Defina qual experiência ideal você gostaria que o cliente tivesse em cada combinação de device, canal e momento.
  5. Priorize de 3 a 7 gaps com maior impacto potencial para testar nos próximos 90 dias.

Esse mapa de jornada Cross-Device deixa claro onde investir primeiro. Em muitas marcas, não é o volume de mídia que limita o crescimento, mas sim a incapacidade de costurar experiências entre touchpoints, momentos e experiência percebida. A partir daqui, tecnologia e dados passam a ser aliados, não obstáculos.

Pilares tecnológicos para entregar Experiência Cross-Device na prática

Sem uma base tecnológica mínima, falar em Experiência Cross-Device vira apenas slogan. O primeiro pilar é ter dados de cliente unificados, normalmente via CRM e CDP. É essa camada que permite reconhecer que a pessoa que viu o anúncio na smart TV, clicou em um e-mail no desktop e respondeu a uma mensagem no WhatsApp é o mesmo indivíduo, com um histórico único de interações e preferências.

Plataformas de dados de clientes modernas, destacadas em materiais como as previsões de tecnologia de CX da CX Today, já combinam ingestão em tempo real, identidade e segmentação acionável. Algumas criam até gêmeos digitais de jornadas para simular qual caminho leva a maior conversão e satisfação. Integradas a soluções de comunicação como CPaaS, elas permitem orquestrar mensagens consistentes entre SMS, apps de mensagem, e-mail e push, sem perder contexto.

O segundo pilar é medição. Ferramentas de analytics e atribuição precisam acompanhar impressões em TV conectada, cliques em mobile e conversões em desktop em uma mesma visão de funil. Atualizações recentes apresentadas no Google Marketing Live 2025 mostram como relatórios mais granulares de campanhas automatizadas, somados à atribuição multitoque no GA4, ajudam a enxergar o impacto real de cada device na decisão de compra.

Por fim, a camada de UX e produto digital fecha o ciclo. Interfaces precisam ser adaptativas, rápidas e consistentes, como destacam análises sobre UX cross-device da 123internet. Tecnologias apontadas em estudos de tendências da McKinsey, como interfaces multimodais, IA generativa embarcada em apps e experiências de realidade aumentada, ampliam as possibilidades de personalização em cada device.

Na prática, um stack mínimo viável para Cross-Device costuma incluir: um CRM centralizado, um CDP ou data warehouse com gestão de identidade, uma plataforma de automação multicanal, ferramentas de analytics com visão cross-device e um gerenciador de tags robusto. Comece garantindo integrações limpas entre esses blocos e só depois avance para casos de uso mais sofisticados de IA e automação.

Experiência, satisfação e jornada: quais métricas realmente importam

Medir experiência, satisfação e jornada Cross-Device exige ir além de métricas por canal isolado. Relatórios como o Digital Media Trends 2025 da Deloitte e a Retrospectiva Digital 2024 da Comscore mostram que o consumo de conteúdo já é distribuído entre streaming, social, games e web, com forte alternância entre devices. Se você só enxerga cliques em um canal, está medindo uma fração da realidade.

Uma abordagem pragmática organiza indicadores em três blocos. O primeiro mede a Jornada do Cliente: taxa de continuação entre etapas em devices diferentes, tempo médio entre o primeiro contato e a conversão, probabilidade de retorno ao carrinho após mudança de tela. O segundo mede experiência e satisfação: NPS, CSAT e CES segmentados por jornada e device, além de indicadores de esforço, como número de tentativas até concluir uma tarefa.

O terceiro bloco conecta tudo a resultado de negócio. Acompanhe taxa de conversão cross-device, valor médio de pedido quando a jornada envolve dois ou mais devices, churn ou cancelamento após experiências com fricção e impacto em receita de clientes com jornadas omnicanal em comparação aos monocanal. Estudos de mercado indicam que operações com CX integrado podem gerar aumentos relevantes de participação de carteira em relação a empresas que ainda tratam canais de forma isolada.

Para tornar isso operacional, monte um painel focado em poucas métricas que se movem com mudanças de experiência. Por exemplo, ao habilitar login social entre app e site, acompanhe quantas pessoas retomam o carrinho em outro device e quanto esse grupo converte a mais. Ao integrar canais de atendimento, meça a queda em contatos repetidos e o impacto em CSAT. A regra é simples: se você não consegue ver a evolução da experiência em números, provavelmente ainda não a conectou direito.

Casos práticos: do vídeo conectado ao varejo omnicanal

Casos reais ajudam a visualizar o potencial da Experiência Cross-Device. No universo de vídeo conectado, estudos como o Inside Vídeo 2025 da Kantar IBOPE Media apontam uma forte sobreposição entre audiência de TV conectada e smartphones, inclusive com situações de coviewing em família. Na prática, isso abre espaço para experiências em que o usuário vê um anúncio interativo na smart TV, aponta o celular para um QR code e é levado a uma landing page personalizada, com o produto já em destaque e oferta alinhada ao contexto.

Inovações apresentadas no Google Marketing Live 2025 mostram compras iniciadas diretamente em aplicativos de smart TV, com continuação no mobile por meio de links profundos e modelos de atribuição que enxergam essa conexão. Quando bem configuradas, essas experiências reduzem o número de passos necessários para converter e criam uma sensação de fluidez que aumenta a confiança do consumidor.

No varejo, marcas de moda e casa já combinam provadores virtuais em realidade aumentada com carrinhos sincronizados entre dispositivos. O cliente testa um sofá na sala usando a câmera do smartphone, salva a configuração e depois finaliza a compra no notebook, onde consegue comparar medidas com mais calma. Referências de UX, como as discutidas pela 123internet, mostram que a chave está em reduzir atrito: manter login, histórico e preferências visíveis em qualquer tela, sem forçar o usuário a recomeçar.

Na área de atendimento, soluções de CPaaS e contact center digital permitem iniciar a conversa em um mensageiro e continuar por voz ou vídeo sem que o cliente precise repetir tudo. As previsões de tecnologia de CX da CX Today e os estudos de conectividade da Deloitte apontam que consumidores valorizam esse tipo de continuidade, em que a empresa demonstra lembrar do histórico e respeitar o tempo do usuário.

Roadmap de 90 dias para elevar a Experiência Cross-Device

Em vez de tentar transformar toda a operação de uma vez, use um roadmap de 90 dias para dar saltos controlados na Experiência Cross-Device. O objetivo é sair de diagnósticos genéricos e chegar a testes concretos que mostrem ganho de receita, retenção ou satisfação.

Nos primeiros 30 dias, foque em diagnóstico e alinhamento:

  1. Escolha uma ou duas jornadas de maior impacto em receita ou churn.
  2. Consulte dados de analytics e CRM para entender quais devices predominam em cada etapa.
  3. Conduza entrevistas rápidas com clientes recentes para mapear pontos de fricção ao mudar de tela.
  4. Valide com áreas de mídia, produto e atendimento quais limitações tecnológicas existem hoje.
  5. Construa um mural visual da jornada, com devices e canais em cada momento.

Entre os dias 31 e 60, desenhe e prototipe melhorias específicas. Pode ser um carrinho compartilhado entre app e site, uma experiência de remarketing que reconhece quem já interagiu na smart TV ou um fluxo de atendimento que continua no canal preferido do cliente. Envolva TI e produto desde o início para garantir que integrações de dados e consentimento de privacidade sejam tratados corretamente.

Nos últimos 30 dias, implemente as alterações em escala controlada e acompanhe métricas. Compare grupos expostos à jornada Cross-Device otimizada com grupos de controle, medindo taxa de conversão, ticket médio, tempo para concluir tarefas e NPS pós-interação. Use aprendizados para alimentar o seu painel de controle omnichannel e priorizar o próximo ciclo de melhorias. O objetivo é criar um motor contínuo de experimentação, não um projeto pontual.

Experiências digitais já não acontecem em linha reta e muito menos em um único device. Os estudos recentes de consumo de mídia e comportamento conectado mostram que o seu cliente costura, em segundos, diferentes telas, canais e contextos. Quando a marca acompanha esse ritmo, recompondo a jornada a cada troca de tela, a percepção de valor e confiança cresce de forma consistente.

O desafio está em transformar essa visão em prática operacional, com dados unificados, métricas claras e pequenos experimentos contínuos. Comece pelo básico: escolha uma jornada crítica, desenhe o fluxo real entre dispositivos, implemente uma melhoria Cross-Device mensurável e conecte tudo em um painel de controle omnichannel que ajude a tomar decisões. À medida que você repete o ciclo, a Experiência Cross-Device deixa de ser buzzword de palestra e passa a ser o motor que sustenta crescimento, satisfação e lealdade no médio e longo prazo.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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