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Financeiro 2025: arquitetura, código e eficiência para times de tecnologia

O financeiro deixou de ser apenas um centro de custo e passou a ser um diferencial competitivo de produto. Em 2025, com Pix, carteiras digitais, Open Finance e Embedded Finance, decisões sobre financeiro definem se a experiência do cliente será fluida ou cheia de atritos.

Imagine um time de tecnologia e produto reunido em uma war room, diante de um quadro branco lotado de fluxos e componentes. A cada discussão, alguém move blocos de Lego modulares que representam APIs, filas, serviços de risco e camadas de experiência. É exatamente assim que o financeiro moderno deve ser encarado: como uma arquitetura viva, modular e continuamente otimizada.

Neste artigo, vamos conectar arquitetura, código, implementação e otimização para que o seu time trate o financeiro como uma plataforma tecnológica estratégica. O foco é mostrar decisões práticas de desenho, métricas de eficiência e caminhos de melhoria contínua, usando benchmarks do ecossistema brasileiro e global.

Por que o financeiro virou um problema de arquitetura de tecnologia

O volume e a complexidade das operações financeiras explodiram. Pix ultrapassa trilhões de reais em volume mensal, enquanto carteiras digitais e bancos digitais puxam o uso diário. O resultado é claro: se a arquitetura não acompanha, o financeiro vira gargalo de crescimento.

Relatórios como o da Exame sobre tendências para fintechs em 2025 mostram o avanço de Embedded Finance e Open Data como base para experiências sem fricção, dentro de aplicativos não financeiros. Plataformas que antes só vendiam serviços agora oferecem contas, crédito, seguros e pagamentos integrados, muitas vezes apoiadas em modelos de Open Finance 2.0.

Ao mesmo tempo, análises da Evertec Trends apontam que bancos e fintechs já colhem ganhos de mais de 30 por cento em produtividade com o uso intensivo de IA generativa e IA agentic em decisões financeiras. Isso só é viável em uma arquitetura preparada para ingestão de dados em tempo real, modelos escaláveis e automação de decisões.

Além disso, relatórios da Dock Tech e de outros players destacam que a hiperpersonalização de ofertas financeiras exige equilíbrio com privacidade, o que aumenta a pressão em cima de camadas de dados, segurança e conformidade. O financeiro passa a depender diretamente de boas práticas de engenharia de software e de arquitetura distribuída.

Em síntese, o financeiro virou problema de arquitetura de tecnologia porque:

  • Toda jornada de cliente embute eventos financeiros em tempo real.
  • A regulação acelera o compartilhamento de dados por meio de Open Finance.
  • A competição força personalização, transparência e redução de custo por transação.

Se o seu time ainda trata financeiro como um módulo isolado no ERP, alguns sinais de alerta aparecem rápido: filas manuais de conciliação, SLA alto para liberar limite de crédito, integrações frágeis com gateways de pagamento e retrabalho para atender novas regulações.

Pilares de arquitetura para sistemas financeiros modernos

Um sistema financeiro moderno precisa de uma arquitetura em camadas, desenhada desde o início para ser observável, escalável e resiliente a falhas. Não é mais suficiente ter um monolito com funções de cobrança e liquidação escondidas em um único banco de dados.

Uma boa referência é dividir o desenho em quatro grandes blocos, que podem ser literalmente representados pelos blocos de Lego modulares da sua war room:

  • Camada de experiência e canais
  • Camada de orquestração e integração
  • Camada de domínio financeiro
  • Camada de infraestrutura e governança

Camadas essenciais da arquitetura financeira

1. Experiência e canais
Aqui vivem apps, web, APIs públicas e canais de relacionamento como WhatsApp, SMS e voz. Plataformas de comunicação como a Twilio, que discute tendências de CPaaS para o setor financeiro em 2025 em seu blog, ajudam a integrar notificações, autenticação e atendimento em tempo real.

2. Orquestração e integração
É a camada que conecta seu domínio financeiro interno com parceiros externos. É onde você integra Pix, adquirentes de cartão, plataformas de Open Finance e soluções de Embedded Finance apresentadas em relatórios como os da Dock Tech e Destaxa. Idealmente, é uma camada baseada em APIs bem versionadas, filas de eventos e mensageria.

3. Domínio financeiro
Nesta camada ficam o motor de contas, o ledger, a lógica de crédito, os limites, o motor de precificação e os serviços de risco e fraude. Estudos como os da Legatus Growth destacam como a padronização de dados e o uso de IA em crédito exigem um domínio robusto e bem isolado.

4. Infraestrutura e governança
Inclui nuvem, observabilidade, gestão de segredos, trilhas de auditoria e ferramentas de RegTech. Materiais da Exame e de outras publicações mostram RegTech como peça crítica para escalar conformidade sem inflar o custo operacional.

Um ponto operacional importante: a arquitetura deve tratar o domínio financeiro como um conjunto de contextos delimitados, e não como um serviço único gigante. Conta, limite, cobrança, liquidação e reconciliação podem ser serviços diferentes, com contratos claros e eventos bem definidos.

Do código à operação: padrões de implementação em produtos financeiros digitais

Uma vez definidos os blocos de arquitetura, é na implementação que o financeiro ganha ou perde robustez. Para produtos financeiros digitais, alguns padrões de código e operação são quase obrigatórios.

O primeiro é o uso consistente de APIs idempotentes para operações críticas, como criação de cobranças, transferências e liquidações. Em ambientes com alta concorrência de requisições, a idempotência evita lançamentos duplicados e reduz problemas de conciliação.

Outro padrão essencial é a adoção de eventos de domínio para rastrear tudo o que impacta saldo, risco ou obrigação regulatória. Em vez de apenas escrever em banco, serviços devem publicar eventos como transação criada, transação liquidada, limite ajustado, contestação aberta. Esses eventos alimentam motores de risco, antifraude e trilhas de auditoria.

Um fluxo simplificado de aprovação de crédito pode ser implementado com base em passos claros:

1. Receber solicitação com dados essenciais do cliente
2. Enriquecer dados via integrações de Open Finance
3. Rodar modelos de IA para score e detecção de fraude
4. Aplicar regras de política de crédito e limites de exposição
5. Registrar decisão no ledger de propostas
6. Publicar evento de crédito aprovado ou recusado

Relatórios da Evertec Trends destacam o uso crescente de IA agentic para executar etapas desse fluxo de forma autônoma, inclusive ajustando parâmetros de política com base em feedback de performance. O desafio técnico é garantir que essas automações tenham controles de segurança e explicabilidade adequados.

Publicações como as da Brazil Economy reforçam que mais de dois terços das empresas já usam IA em processos, incluindo chatbots financeiros e detecção de fraude. Para o desenvolvedor, isso significa integrar modelos de IA como serviços encapsulados, com contratos claros, métricas de qualidade e capacidade de fallback em caso de falha do modelo.

Na operação, times de tecnologia e produto devem tratar o financeiro como um serviço com SLOs explícitos. Tempo máximo de resposta para aprovar crédito, disponibilidade de APIs de pagamento, consistência entre saldo exibido na tela e saldo do ledger são métricas que precisam ser monitoradas em painéis de observabilidade desde o início.

Otimização e eficiência no financeiro com IA, dados e automação

Depois que o sistema financeiro está em produção, começa a fase de otimização. É aqui que IA, dados e automação mudam a curva de eficiência e liberam orçamento para inovação.

Relatórios da Twilio sobre tendências no setor financeiro mostram que clientes latino americanos já preferem canais como WhatsApp para conversas com instituições financeiras. Combinar CPaaS, IA generativa e dados transacionais permite automatizar atualizações de faturas, renegociações, avisos de risco e confirmações de transações com mais contexto e menos esforço humano.

Ao mesmo tempo, conteúdos de empresas como a Dock Tech destacam o uso de IA para análise de risco e prevenção de fraude em ambientes de pagamentos instantâneos e carteiras digitais. Um modelo de risco bem treinado pode reduzir falsos positivos, liberar crédito para bons clientes e diminuir perdas com fraude em bases percentuais relevantes.

Para capturar esses ganhos, é importante definir um conjunto de métricas de eficiência financeira, como:

  • Custo por transação bem sucedida
  • Tempo médio de aprovação de crédito
  • Taxa de conversão de propostas em contratos ativos
  • Índice de fraude e chargeback por produto
  • Percentual de interações automatizadas em canais digitais

Métricas de eficiência para guiar melhorias

Crie um painel que conecte essas métricas às principais funcionalidades do seu sistema financeiro. Por exemplo, se você ativar Pix Automático para recorrências, como sugerem análises de empresas como a Destaxa, acompanhe imediatamente o impacto em inadimplência, churn e custo de cobrança.

Se você integrar dados de Open Finance para enriquecer o perfil de risco, avalie como isso muda a aprovação de crédito para segmentos historicamente subatendidos. Estudos da Legatus Growth mostram que o uso inteligente de dados reduz custos de crédito sem necessariamente apertar as condições para bons pagadores.

Por fim, use IA generativa para apoiar times internos em tarefas operacionais, como leitura de contratos, categorização de lançamentos contábeis e resposta a dúvidas de suporte de segundo nível. Cada automação pequena pode representar horas economizadas por mês, acumulando uma esteira robusta de melhorias.

Segurança, RegTech e privacidade em ambientes financeiros abertos

Quanto mais aberto e conectado o seu ecossistema financeiro, maior o vetor de risco de segurança, privacidade e conformidade. Isso não é motivo para frear inovação, mas exige incorporar RegTech na arquitetura desde o início.

Publicações da Exame e de outras fontes especializadas destacam como soluções de RegTech baseadas em IA e blockchain ajudam a automatizar checagens de conformidade, monitoramento de transações suspeitas e relatórios para reguladores. Em vez de times enormes fazendo revisões manuais, a arquitetura passa a contar com serviços especializados plugados nos fluxos de transação.

Relatórios da Dock Tech também reforçam o papel de ferramentas de antifraude em tempo real em ambientes com Pix, wallets e cartões virtuais. Modelos de IA analisam padrão de comportamento, dispositivo, geolocalização e histórico para detectar anomalias antes que o prejuízo aconteça.

Ao mesmo tempo, a Forbes Brasil chama atenção para uma tendência complementar: transparência e autonomia dos clientes como eixo de confiança. Isso significa interfaces que mostram riscos, tarifas e simulações de forma clara, além de permitir que a pessoa configure alertas, limites e consentimentos de dados com facilidade.

Do ponto de vista de arquitetura e código, alguns controles práticos são indispensáveis:

  • Autenticação forte baseada em múltiplos fatores e análise de risco de sessão
  • Criptografia ponta a ponta para dados sensíveis em repouso e em trânsito
  • Trilhas de auditoria imutáveis para operações financeiras críticas
  • Gestão de consentimento de dados integrada a fluxos de Open Finance
  • Limitação de acesso interno por princípios de menor privilégio

Incorpore também requisitos de explicabilidade para modelos de IA que tomam decisões financeiras, especialmente em crédito e fraude. Clientes e reguladores querem saber por que uma decisão foi tomada, e a sua arquitetura precisa armazenar evidências, variáveis e versões de modelos usados em cada decisão.

Roadmap prático para times de tecnologia evoluírem o stack financeiro

Para muitos times, a maior dificuldade não é concordar com a visão de um financeiro moderno, e sim definir por onde começar. Um roadmap enxuto ajuda a transformar conceitos em ação.

Primeiros 90 dias: diagnóstico e quick wins

  • Mapear fluxos financeiros ponta a ponta, da intenção do cliente até a liquidação e conciliação.
  • Identificar integrações frágeis com provedores de pagamento, Pix e bancos parceiros.
  • Priorizar um canal digital para automação via CPaaS, como WhatsApp, seguindo boas práticas descritas em materiais da Twilio.
  • Definir um conjunto inicial de métricas de eficiência financeira e começar a medi-las.

Entre 3 e 12 meses: arquitetura alvo e capacidades de IA

  • Desenhar a arquitetura alvo em camadas, usando os blocos de Lego modulares para representar domínios financeiros distintos.
  • Implementar uma camada de orquestração que centralize integrações com Pix, Open Finance e Embedded Finance, apoiando-se em referências de players como Dock Tech e Destaxa.
  • Introduzir pelo menos um caso de uso de IA focado em eficiência, como priorização de cobranças ou triagem de suspeitas de fraude.
  • Estabelecer uma plataforma de dados que permita análises cruzando dados de transação, comportamento e canais.

Visão de longo prazo: confiança, transparência e inclusão

  • Evoluir a experiência financeira para ser cada vez mais transparente, inspirando-se em estudos discutidos por veículos como a Forbes Brasil, que enfatizam autonomia e clareza.
  • Usar Open Finance para criar produtos que incluam segmentos hoje mal atendidos, ajustando políticas de risco com apoio de IA, como sugerem relatórios de Legatus Growth e Brazil Economy.
  • Fortalecer o uso de RegTechs para manter conformidade com novas regulações sem paralisar a operação.

Ao longo desse roadmap, mantenha o cenário da war room sempre vivo. Volte ao quadro branco periodicamente com o time de tecnologia, produto, risco e operações e questione como o desenho da arquitetura financeira precisa se adaptar a novas demandas, parceiros e regulações.

Fechando o ciclo: financeiro como plataforma tecnológica

Tratar o financeiro como uma plataforma tecnológica é o que diferencia empresas que apenas reagem à regulação daquelas que criam novas fontes de receita e fidelização. Em 2025, isso passa por arquitetura modular, código robusto, uso estratégico de IA, automação de comunicação e integração intensa com o ecossistema de Open Finance e Pix.

Ao olhar para o seu ambiente, pergunte se o desenho de hoje suportaria um salto de volume de transações, a entrada em novos mercados ou a oferta de produtos financeiros embutidos em parceiros. Se a resposta for não, é hora de voltar ao quadro da war room, reorganizar os blocos de Lego modulares e redesenhar o sistema.

Usando insights de fontes como Exame, Evertec Trends, Dock Tech, Twilio, Destaxa, Legatus Growth e Forbes Brasil, seu time tem referências suficientes para acelerar. Comece escolhendo uma ou duas métricas de eficiência financeira, um fluxo prioritário e um experimento com IA ou automação de canais. A cada ciclo de melhoria, o financeiro se torna menos gargalo e mais motor de crescimento para o negócio.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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