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Metrics Layer: como unificar métricas de marketing e dados em 2025

Imagine uma war room de marketing na semana de Black Friday. Mídia paga, CRM, produto e BI estão em volta da mesa, cada um com um dashboard diferente, cada um com uma taxa de conversão diferente. Em vez de decidir o próximo movimento, o time discute qual número está certo.

É aqui que entra a ideia de ter uma verdadeira torre de controle de métricas: uma Metrics Layer. Ela conecta dados brutos do warehouse aos relatórios, produtos e ferramentas de ativação, garantindo que todo mundo fale a mesma língua quando o assunto é ROI, conversão e segmentação.

Neste artigo, você vai entender o que é uma Metrics Layer, como ela organiza métricas, dados e insights na prática, quais arquiteturas fazem sentido em 2025 e como implementar um passo a passo enxuto orientado a marketing e produto.

O que é uma Metrics Layer e por que ela importa agora

A Metrics Layer é uma camada semântica que fica entre o data warehouse e as ferramentas de consumo de dados, como BI, produtos digitais, modelos de IA e plataformas de marketing. Em vez de cada time criar sua própria fórmula de taxa de conversão ou ROI em planilhas, a definição oficial dessas métricas vive nessa camada e é reutilizada em qualquer lugar.

Na prática, uma Metrics Layer funciona como um dicionário vivo de KPIs. Em soluções como a proposta pela Atlan em seu conceito de Metrics Layer, ela traduz pedidos de métricas em consultas otimizadas ao warehouse, garantindo consistência, performance e governança.

Por que isso é crítico em 2025:

  • Cresce a pressão por decisões em tempo quase real, especialmente em contextos de mídia paga, social e produto digital.
  • O volume e a complexidade de métricas de marketing, UX, produto e negócio explodiram, como mostram tendências recentes em métricas de marketing em 2025.
  • A privacidade e as mudanças de atribuição empurram empresas para métricas mais robustas, como incrementabilidade, LTV e contribuição de canal, em vez de cliques isolados.

Sem uma Metrics Layer, é comum cada squad operar com definições diferentes para "lead qualificado", "conversão" ou "receita líquida", gerando conflitos, retrabalho e perda de confiança na análise.

Como uma Metrics Layer organiza métricas, dados e insights na prática

Pense na Metrics Layer como essa torre de controle que enxerga todas as pistas de pouso: tráfego, social, CRM, vendas, produto. Ela não substitui o warehouse nem as ferramentas de visualização, mas organiza como métricas, dados e insights são combinados.

Na prática, uma boa Metrics Layer faz quatro coisas centrais:

  1. Define métricas canônicas
    Cada métrica importante tem um nome, uma fórmula documentada, um conjunto de dimensões válidas e regras de granularidade. Por exemplo, taxa_conversao_checkout pode ser definida como pedidos concluídos dividido por sessões com início de checkout, sempre no nível de país, dispositivo e campanha.

  2. Padroniza dimensões e atributos
    Segmentações como "novo vs recorrente", "paid vs organic" ou "segmento de ticket médio" passam a ter definições únicas, consumidas por todos os relatórios. Isso reduz conflitos de segmentação e facilita comparações entre canais.

  3. Entrega métricas como um serviço
    Ferramentas de BI, notebooks analíticos, produtos internos e até plataformas externas acessam as mesmas métricas via conectores ou APIs. Isso é essencial em cenários de embedded analytics, onde métricas precisam aparecer dentro de aplicativos para clientes finais.

  4. Prioriza insights acionáveis, não vaidade
    Inspirado por abordagens mais modernas de métricas de marketing e análise de mídia social com IA, a Metrics Layer ajuda a focar em indicadores de negócio, como conversão, retenção e share of voice, e não apenas likes ou visualizações.

Regra operacional importante: qualquer novo dashboard, relatório ou integração deve consumir métricas existentes na Metrics Layer. Se uma métrica não existe, o fluxo é primeiro criá-la e aprová-la na camada, depois utilizá-la. Assim, a camada vira o ponto de verdade para toda a empresa.

Arquitetura moderna de uma Metrics Layer orientada a marketing

Embora cada organização possa adaptar o desenho, uma arquitetura moderna de Metrics Layer geralmente tem cinco componentes principais.

  1. Fontes de dados consolidadas
    Normalmente um ou mais warehouses (BigQuery, Snowflake, Redshift, Synapse) recebem dados integrados de:

    • Plataformas de mídia (Meta Ads, Google Ads, TikTok Ads)
    • Ferramentas de social listening e conteúdo, como YouScan, Brand24 ou LiveDune
    • CRM, CDP e sistemas transacionais
    • Ferramentas de produto e analytics in-app
  2. Camada semântica de métricas
    Aqui vivem as definições das métricas. Essa camada pode ser:

    • Uma solução dedicada de Metrics Layer ou data catalog, como a visão da Atlan.
    • O semantic layer do seu BI principal, como Looker ou o modelo de métricas do Tableau Pulse.
    • Um projeto de modelagem em ferramentas como dbt, que expõe métricas como tabelas ou views padronizadas.
  3. Camada de acesso e consumo
    A Metrics Layer expõe métricas para:

    • Dashboards de BI e painéis executivos
    • Produtos internos com analytics incorporada, seguindo tendências de embedded analytics
    • Ferramentas de ativação (CRM, CDP, plataformas de e-mail, ads) para segmentação baseada em métricas e eventos
    • Modelos de IA e experimentação, incluindo casos de métricas de UX para IA
  4. Camada de governança e qualidade
    A Metrics Layer precisa de:

    • Ownership claro por métrica (quem aprova mudanças)
    • Versionamento de definições
    • Testes automáticos de consistência e cobertura
    • Documentação acessível para usuários de negócio
  5. Camada de performance e observabilidade
    Para que relatórios sejam rápidos na war room de Black Friday, a Metrics Layer geralmente usa cache, pré-agragação ou materialização de métricas de alto volume. Logs de uso ajudam a entender quais métricas são mais utilizadas e onde otimizar consultas.

O resultado é uma arquitetura em que a análise fica menos dependente de indivíduos específicos e mais apoiada em um sistema confiável, com métricas, dados e insights alinhados à estratégia.

Casos de uso: ROI, conversão e segmentação com Metrics Layer

Uma Metrics Layer bem projetada gera valor quando conecta métricas diretamente a decisões de marketing, produto e negócio.

1. Otimização de mídia paga e funis de conversão

Anunciantes que seguem boas práticas de análise de métricas de Facebook Ads já priorizam custo por resultado, ROAS e vendas, em vez de métricas de vaidade. A Metrics Layer leva isso adiante:

  • Unifica definições de custo, receita e resultado entre canais.
  • Permite analisar conversão por cluster de audiência, criativo, oferta e etapa de funil.
  • Suporta modelos de atribuição mais avançados, alinhados a abordagens como as discutidas em marketing metrics em 2025.

Decisão prática: pausar campanhas onde a métrica canônica de margem líquida por pedido cai abaixo do mínimo definido, independentemente de CTR ou CPM.

2. Conteúdo e social orientados a negócio

Em vez de olhar apenas para engajamento bruto, empresas mais maduras combinam métricas de alcance, engajamento e sentimento com impacto em conversão e retenção. Ferramentas como YouScan, Brand24 e LiveDune já organizam essas métricas, mas a Metrics Layer permite cruzá-las com:

  • Visitas ao site e assinatura de newsletter.
  • Cadastro em trials ou leads MQL.
  • Aumento de LTV ou redução de churn em segmentos específicos.

Assim, a métrica "engajamento qualificado" pode ser definida na Metrics Layer como interações sociais que geram pelo menos uma sessão de site associada em até 7 dias, por exemplo.

3. Segmentação avançada e personalização

Ao combinar métricas de valor (LTV, lucro, propensão de compra) com dimensões de comportamento, a Metrics Layer suporta segmentações mais inteligentes para CRM e mídia:

  • "Clientes com LTV alto, baixo churn e alta afinidade com uma categoria".
  • "Usuários que responderam bem a campanhas com desconto acima de 20%".

Isso conversa diretamente com tendências de estratégia de dados para 2025, que defendem metas e segmentações orientadas a dados históricos bem modelados.

4. Produto digital, IA e UX

Métricas de UX e de IA generativa, como taxa de sucesso de prompts ou variabilidade de respostas, podem ser padronizadas na Metrics Layer com base em frameworks como os de métricas de UX para IA. Isso permite comparar experiências em diferentes produtos e experimentar melhorias com testes A/B controlados.

Passo a passo para implementar sua Metrics Layer

Implementar uma Metrics Layer não precisa ser um projeto gigante. É mais eficaz começar pequeno, com foco em objetivos de negócio claros.

1. Defina o escopo e os resultados esperados

Responda a três perguntas com a liderança de marketing, produto e dados:

  • Quais decisões críticas hoje sofrem com métricas conflitantes?
  • Quais canais ou produtos geram mais receita, mas têm menos clareza de performance?
  • O que mudaria se todos concordassem com a mesma definição de ROI e conversão?

A partir disso, escolha 1 ou 2 domínios iniciais, como funil de aquisição e retenção de clientes.

2. Faça um inventário de métricas atuais

Mapeie, por área:

  • Métricas usadas (nome, fórmula, origem de dados).
  • Relatórios e dashboards onde aparecem.
  • Decisões que dependem delas.

Use esse inventário para identificar duplicidades, conflitos e lacunas. É comum encontrar 3 ou 4 versões de "taxa de conversão" coexistindo.

3. Defina um catálogo inicial de métricas canônicas

Com base no inventário, crie um catálogo enxuto de 20 a 40 métricas canônicas, priorizando:

  • Métricas diretamente ligadas a receita e margem.
  • KPIs de aquisição (CPA, conversão por canal), retenção (churn, reativação) e valor (LTV, AOV).
  • Métricas de conteúdo e social com ligação a conversão, inspiradas em abordagens como as de métricas de conteúdo em 2025.

Para cada métrica, registre: fórmula, granularidade mínima, dimensões obrigatórias, exceções e exemplos.

4. Escolha a abordagem tecnológica

Você não precisa começar com a solução mais sofisticada. Algumas opções:

  • Metrics Layer no BI: usar o semantic layer do BI principal, como Tableau ou Looker, padronizando cálculos em um modelo único. O Tableau Pulse é um bom exemplo de foco em métricas ajustáveis por filtros.
  • Metrics Layer no warehouse/modelagem: implementar views, modelos dbt ou tabelas materializadas que expõem métricas prontas para consumo.
  • Metrics Layer dedicada: adotar plataformas que implementam o conceito de Metrics Layer com catálogos de métricas, governança e conectores para múltiplas ferramentas.

Critério de decisão: escolha a opção que exige menos fricção para os times começarem a consumir métricas unificadas em até 90 dias.

5. Conecte as ferramentas de consumo prioritárias

Liste as principais superfícies onde métricas são usadas hoje:

  • Dashboards para diretoria e C-level.
  • Painéis operacionais de mídia, CRM e conteúdo.
  • Produtos com analytics incorporada.

Conecte essas superfícies à Metrics Layer. O objetivo é que, em pouco tempo, relatórios críticos passem a usar apenas métricas canônicas.

6. Estabeleça governança leve

Crie um pequeno comitê de métricas com representantes de dados, marketing e produto. Suas funções:

  • Aprovar novas métricas ou mudanças em métricas-chave.
  • Resolver conflitos de definição entre áreas.
  • Comunicar atualizações importantes.

Documente um fluxo simples: proposta de métrica, revisão técnica, aprovação de negócio, publicação na Metrics Layer.

Boas práticas para escalar sua Metrics Layer e evitar armadilhas

Uma Metrics Layer mal implementada pode virar apenas mais um catálogo esquecido. Algumas boas práticas ajudam a gerar valor contínuo.

1. Comece pequeno, mas com impacto visível

Priorize domínios de alto impacto, como performance de aquisição e retenção. Mostre ganhos concretos:

  • Redução de tempo gasto discutindo números em reuniões.
  • Menos ajustes manuais em planilhas.
  • Decisões mais rápidas em campanhas e lançamentos.

Conectar a Metrics Layer a casos reais de otimização de mídia, conteúdo e produto, como os discutidos em métricas de marketing modernas, ajuda a manter o patrocínio executivo.

2. Trate métricas como APIs de negócio

Pense em cada métrica canônica como uma API: estável, documentada, versionada. Mudanças de definição devem ser controladas e comunicadas, principalmente quando afetam KPIs de metas e bonificação.

Crie convenções de nomenclatura, padrões de documentação e testes automáticos para garantir que alterações não quebrem relatórios críticos.

3. Integre IA e automação com cuidado

Tendências recentes apontam para o uso crescente de IA na detecção de anomalias, insights e alertas em dashboards, como discutem estudos de análise incorporada e IA. A Metrics Layer é a base para que esses modelos usem métricas confiáveis e consistentes.

Ao mesmo tempo, é importante medir o impacto dessas iniciativas com métricas próprias de IA e UX, alinhadas a referências como métricas de UX para IA.

4. Meça o sucesso da própria Metrics Layer

Alguns indicadores para saber se a sua Metrics Layer está funcionando:

  • Número de relatórios e painéis que utilizam apenas métricas canônicas.
  • Volume de consultas à camada de métricas por time ou produto.
  • Redução de incidentes causados por dados ou métricas erradas.
  • Tempo médio para criar um novo dashboard caiu após a adoção.

Além disso, monitore o quanto a Metrics Layer ajuda a melhorar KPIs de negócio, como ROI de marketing, margem por canal e churn. Se a torre de controle não está ajudando a pousar mais aviões, algo precisa ser ajustado.

Ao combinar uma arquitetura bem pensada, foco em métricas ligadas a resultado e uma governança leve, a Metrics Layer deixa de ser apenas um conceito técnico e passa a ser um ativo estratégico para marketing, produto e dados.

No fim do dia, em vez de perder meia hora discutindo qual taxa de conversão é a correta na war room de Black Friday, seu time pode usar a torre de controle de métricas para tomar decisões rápidas, testar hipóteses e capturar oportunidades que geram receita real.

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Foto de Dionatha Rodrigues

Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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