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Migração para a Nuvem em 2025: estratégia, riscos e valor real

A discussão sobre migração para a nuvem deixou de ser “se” e passou a ser “como” e “quando”. Projeções recentes indicam que o gasto global com serviços de nuvem pública deve superar US$ 723 bilhões em 2025, com crescimento acima de 20% ao ano e 90% das organizações adotando modelos híbridos até 2027. citeturn0search0turn0search2

Para profissionais de marketing, dados e TI, isso significa que ficar preso a infraestrutura legada reduz competitividade, agilidade e capacidade de usar IA em escala. Ao mesmo tempo, projetos mal planejados geram estouro de custos, atrasos e frustração interna. Este artigo organiza o tema como se você estivesse diante de um painel de controle de nuvem: cada alavanca afeta custos, risco e valor de negócio. Vamos usar um cenário concreto de uma empresa média de varejo brasileira que está migrando CRM e e-commerce para uma arquitetura híbrida e multi-cloud entre 2025 e 2026, para transformar conceito em execução prática.

Por que a migração para a nuvem é inevitável em 2025

A migração para a nuvem deixou de ser tendência e se tornou padrão competitivo. Relatórios de mercado mostram que a maior parte do orçamento de TI de hospedagem está caminhando para Cloud Computing, impulsionada por uso intensivo de dados, IA generativa e necessidade de inovação rápida. Projeções da Gartner estimam US$ 723,4 bilhões em gastos com nuvem pública em 2025, com todos os segmentos em crescimento de dois dígitos. citeturn0search0turn0search2

Além disso, a previsão é de que cerca de 90% das organizações adotem uma abordagem híbrida até 2027, combinando nuvem pública, privada e on-premise. citeturn0search0turn0search2 Isso reflete um ponto importante: não se trata de mover tudo para um único provedor, mas de orquestrar o melhor ambiente para cada workload.

No Brasil, o cenário é semelhante. Adoção relevante de nuvem em médias e grandes empresas vem sendo puxada por varejo, serviços financeiros e e-commerce, onde picos sazonais e campanhas digitais exigem escalabilidade e disponibilidade que datacenters tradicionais têm dificuldade em entregar com previsibilidade.

No nosso cenário, a “Varejo Alfa” sofre em datas como Black Friday: o site cai, o CRM não aguenta o volume de campanhas e a equipe de TI trabalha em modo guerra. A migração para a nuvem é a oportunidade de transformar esse caos em um painel de controle de nuvem com métricas claras de infraestrutura, escalabilidade, disponibilidade e performance alinhadas ao negócio.

Regra prática para decidir se você deve migrar agora

Você provavelmente precisa acelerar sua migração se, em pelo menos três dos itens abaixo, a resposta for “sim”:

  • Seus custos de infraestrutura sobem ano a ano sem ganho claro de agilidade.
  • Você não consegue provisionar novos ambientes de teste ou produção em menos de dias ou semanas.
  • Suas campanhas digitais são limitadas por risco de instabilidade ou lentidão.
  • Gestão de segurança, backup e DR depende de processos manuais.

Se esse é o seu caso, permanecer só on-premise provavelmente é mais arriscado do que avançar com um plano estruturado de migração para a nuvem.

Como escolher workloads e modelos de Cloud Computing

O erro mais comum em projetos de migração para a nuvem é tratar tudo como “levantar e deslocar” servidores. Em 2025, o jogo é outro: escolher o modelo certo de Cloud Computing para cada workload, considerando valor de negócio, riscos e esforço de modernização.

Uma abordagem prática é classificar seus sistemas em três grupos:

  1. Sistemas de engajamento: e-commerce, apps, CRM, ferramentas de marketing. Normalmente se beneficiam de nuvem pública, serviços gerenciados e arquiteturas modernas (containers, serverless).
  2. Sistemas de registro: ERP, faturamento, core financeiro. Podem seguir para nuvem, mas muitas vezes começam em modelos híbridos ou SaaS específicos de segmento.
  3. Sistemas de inteligência: data warehouse, analytics, modelos de IA. São fortes candidatos a nuvem pela elasticidade e diversidade de serviços.

Para cada workload, faça um pequeno canvas de decisão:

  • Nível de criticidade para o negócio.
  • Requisitos de compliance (LGPD, setor financeiro, saúde etc.).
  • Perfil de tráfego: estável, sazonal ou altamente imprevisível.
  • Dependências técnicas: integrações legadas difíceis de migrar.

A partir daí, escolha o modelo predominante:

  • SaaS para aplicações padronizadas em que customização é menos importante.
  • PaaS / FaaS para aplicações que precisam de rapidez de desenvolvimento e atualização contínua.
  • IaaS para workloads legados que ainda não podem ser modernizados, mas se beneficiam de elasticidade e automação.

No caso da Varejo Alfa, um caminho típico seria colocar e-commerce em uma plataforma escalável com CDN, migrar o CRM para SaaS ou PaaS e manter o ERP em um modelo híbrido enquanto é gradualmente modernizado.

Arquitetura de infraestrutura: escalabilidade, disponibilidade e performance

Uma boa estratégia de migração para a nuvem só gera valor se a arquitetura atender às metas de escalabilidade, disponibilidade e performance. Em outras palavras, não basta “subir máquinas virtuais”: é preciso desenhar Infraestrutura, Escalabilidade, Disponibilidade e Performance como requisitos de negócio.

Alguns elementos essenciais da arquitetura moderna:

  • Múltiplas zonas de disponibilidade para evitar impacto de falha física em datacenter.
  • Replicação entre regiões para workloads críticos e recuperação de desastres.
  • Autoscaling baseado em métricas técnicas e de negócio (uso de CPU, filas, pedidos por minuto).
  • CDN e cache para reduzir latência e aliviar carga de aplicação e banco.
  • Observabilidade completa: logs centralizados, métricas e traces conectando experiência do usuário à infraestrutura.

Pesquisas recentes indicam que empresas estão migrando de infraestruturas single-cloud para abordagens multi-cloud e híbridas, buscando reduzir riscos de lock-in e lidar melhor com regulações e soberania de dados. citeturn0news13 Ao mesmo tempo, esse movimento aumenta a complexidade operacional, tornando obrigatório ter um “painel de controle de nuvem” que consolide custos, SLAs e riscos por provedor.

Na Varejo Alfa, uma arquitetura recomendada seria:

  • Front-end do e-commerce distribuído em CDN global com cache agressivo.
  • Camada de aplicação em containers gerenciados, com autoscaling horizontal.
  • Bancos de dados em serviços gerenciados com réplicas somente leitura para relatórios.
  • Fila de mensageria desacoplando pedidos, pagamentos e notificações.
  • Monitoração de latência P95, taxa de erro e disponibilidade em dashboards únicos para marketing, produto e TI.

Checklist técnico rápido

Para cada sistema que for migrar, responda:

  • Qual é o RTO/RPO alvo e como a arquitetura suporta esses objetivos.
  • Qual é a latência máxima aceitável para as principais jornadas.
  • Como o autoscaling será validado em testes de carga reais.
  • Qual é o plano de falha de zona e de região.

Sem essas respostas documentadas, sua escalabilidade será reativa e cara.

Governança de custos e FinOps na migração para a nuvem

Se a nuvem é um acelerador, a falta de governança de custos é o freio de mão puxado. Pesquisas globais mostram que gestão de custos em cloud é hoje um dos maiores desafios dos decisores de TI, em parte porque os modelos de cobrança são altamente dinâmicos. citeturn0search1

FinOps é a disciplina que conecta finanças, engenharia e produto para tratar custo de nuvem como variável de negócio, não apenas despesa de infraestrutura. Alguns princípios práticos para aplicar FinOps na sua migração para a nuvem:

  1. Visibilidade diária de custos por produto, squad e ambiente. Use tags e contas segregadas desde o início.
  2. Showback ou chargeback: mesmo que você não cobre internamente, mostre mensalmente o custo por área de negócio.
  3. Planejamento por unidades de valor: custo por pedido, por lead, por MQL, por usuário ativo, e não apenas por servidor.
  4. Ciclo contínuo de otimização: identificar recursos ociosos, rightsizing, reservas e Savings Plans, além de desligar ambientes fora de horário quando possível.

No caso da Varejo Alfa, uma migração bem feita deveria incluir desde o início um painel consolidado que mostra custo de nuvem por canal (site, app, CRM, analytics) e compara com KPIs de receita. Sem isso, o time de finanças verá apenas uma fatura crescente, sem enxergar o ROI.

Além disso, projeções de mercado apontam crescimento acelerado de ofertas como Desktop as a Service (DaaS), que podem substituir parte do parque de laptops com custo total menor em vários cenários, reforçando a importância de avaliar continuamente modelos de consumo de nuvem. citeturn0news12

Regra prática de decisão financeira

Antes de migrar um workload relevante, responda:

  • Qual é o custo total atual (capex + opex + equipe) deste sistema on-premise.
  • Qual é a estimativa de custo em nuvem em 3 cenários: conservador, esperado e agressivo.
  • Qual é o payback esperado considerando ganhos de receita, redução de churn ou produtividade.

Se você não consegue responder a isso, seu risco de estouro de custos na migração para a nuvem é alto.

Segurança, dados sensíveis e compliance na nuvem

Segurança e compliance não podem ser argumentos para adiar a migração para a nuvem, mas precisam ser tratados com rigor. Projeções recentes mostram que gastos com nuvem seguem crescendo puxados por IA e modernização, ao mesmo tempo em que questões como soberania e privacidade de dados ganham peso nas decisões de arquitetura. citeturn0search4

Um ponto de partida é a classificação de dados:

  • Dados públicos: materiais de marketing, conteúdos abertos.
  • Dados internos: documentos e dashboards sem dados pessoais.
  • Dados confidenciais: informações de clientes, transações, PII.
  • Dados altamente sensíveis: segredos industriais, chaves criptográficas, credenciais.

Com isso, você pode definir onde cada categoria pode ou não residir (nuvem pública, privada, on-premise) e quais controles adicionais precisa aplicar.

Boas práticas mínimas em qualquer estratégia de migração para a nuvem:

  • Identidade e acesso centralizados, com MFA obrigatório e privilégios mínimos.
  • Criptografia em trânsito e em repouso, com gestão robusta de chaves.
  • Segmentação de redes e uso de security groups e políticas de zero trust.
  • Monitoramento de segurança com alertas em tempo quase real para atividades suspeitas.
  • Backups imutáveis e testes regulares de restauração.

Para setores regulados, como financeiro e saúde, a abordagem mais comum passa por nuvem híbrida, mantendo dados mais sensíveis em ambientes controlados, mas usando nuvem pública para camadas de aplicação, APIs e analytics. Isso viabiliza ganhos de escalabilidade, disponibilidade e performance sem comprometer requisitos regulatórios.

No cenário da Varejo Alfa, isso pode significar manter dados de cartão de crédito em um provedor certificado e tokenizado, enquanto o restante das jornadas de compra e comportamento navega livremente em ambientes de nuvem pública com forte observabilidade.

Roteiro de migração para a nuvem em 6 fases

Sem um roteiro claro, a migração para a nuvem tende a virar uma sequência de projetos isolados, difíceis de medir e justificar. Um caminho pragmático em seis fases ajuda a coordenar tecnologia, finanças e negócio.

  1. Descoberta e inventário
    Liste aplicações, servidores, bancos, integrações e volumes de dados. Classifique por criticidade, complexidade e dependências.

  2. Business case e priorização
    Avalie ganhos de receita, redução de risco e economias potenciais para cada workload. Dê prioridade a sistemas com alto impacto em negócio e baixa dependência legada.

  3. Arquitetura alvo e landing zone
    Desenhe a arquitetura de referência com foco em Infraestrutura, Escalabilidade, Disponibilidade e Performance. Crie a landing zone com padrões de rede, identidade, segurança, logging e tagging obrigatórios.

  4. Pilotos e quick wins
    Execute migrações menores e controladas para validar padrões. Use esses pilotos para ajustar o painel de controle de nuvem: dashboards de custos, SLAs, erros e KPIs de negócio.

  5. Migração em ondas
    Agrupe sistemas interdependentes em ondas de migração. Combine estratégias de lift-and-shift, replatform e refactor conforme o valor e o tempo disponíveis.

  6. Otimização contínua e expansão
    Após cada onda, realize uma retrospectiva técnica e financeira. Otimize recursos, renegocie contratos e avance para workloads mais complexos, como analytics e IA.

Na Varejo Alfa, por exemplo, a primeira onda poderia focar em ambientes de marketing digital e dados analíticos não sensíveis, seguido pela migração do e-commerce, e só depois, em uma terceira onda, tratar ERP e sistemas financeiros.

Métricas de sucesso e otimização contínua

Migrar para a nuvem não é o fim, mas o começo de um ciclo de melhoria contínua. Em 2025, com o volume de investimentos em nuvem acelerando, deixar de medir resultados significa desperdiçar parte relevante do potencial de ROI. citeturn0search1

Trabalhe com quatro grupos de métricas:

  1. Negócio

    • Conversão em canais digitais.
    • Receita incremental atribuída a novas capacidades em nuvem.
    • Tempo de lançamento de novas funcionalidades.
  2. Experiência do cliente

    • Latência P95 de jornadas críticas (checkout, login, busca).
    • Taxa de erro por mil requisições.
    • NPS ou CSAT em canais digitais.
  3. Operação e infraestrutura

    • Uptime por aplicação e região.
    • MTTR de incidentes em produção.
    • Percentual de workloads com autoscaling e deploy automatizado.
  4. Financeiro

    • Custo de nuvem por pedido, lead ou usuário ativo.
    • Economia em relação ao custo on-premise estimado.
    • Percentual de gastos coberto por reservas, planos de economia ou compromissos de uso.

Com essas métricas visíveis em um painel de controle de nuvem compartilhado entre TI, produto e negócio, a migração deixa de ser um projeto pontual e passa a ser uma plataforma contínua de experimentação e eficiência.

Ao olhar para 2025 e além, a mensagem é clara: a migração para a nuvem não é mais opcional, mas o grau de maturidade com que você a conduz definirá sua vantagem competitiva. Usar um roteiro estruturado, tratar custos com disciplina de FinOps, desenhar a arquitetura pensando em Infraestrutura, Escalabilidade, Disponibilidade e Performance, e encarar segurança como habilitadora, não como barreira, são os pilares para extrair valor real.

Se você hoje ainda opera majoritariamente on-premise ou em um único provedor, o próximo passo concreto é simples: monte um pequeno time multifuncional, escolha um conjunto de workloads com alto impacto e baixa complexidade, desenhe seu painel de controle de nuvem e execute a primeira onda de migração. A partir dos aprendizados e ganhos, a jornada ganha tração e se torna parte da estratégia central de crescimento do seu negócio.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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