Em 2025, definir o orçamento de anúncios deixou de ser um exercício de chute refinado e virou gestão de risco em tempo real. Custos de mídia sobem, novos canais surgem, cookies desaparecem e o board cobra previsibilidade de receita. Sem um método claro, o resultado é clássico: overspend em canais de conforto e subinvestimento em oportunidades de crescimento.
Pense no seu orçamento como um painel de controle de voo. Cada canal é uma alavanca, cada métrica é um relógio, e você, CMO ou gestor de mídia, está em uma sala de guerra de campanhas decidindo, mês a mês, onde pousar seu dinheiro. Este artigo mostra como estruturar o orçamento de anúncios com base em dados, tendências recentes e boas práticas para SEM & mídia paga, equilibrando performance e branding, e conectando estratégia, campanha e métricas de forma operacional.
Por que o orçamento de anúncios mudou em 2025
O contexto de 2025 é radicalmente diferente de poucos anos atrás. O investimento em mídia digital e mobile continua crescendo, mas sob uma pressão muito maior por eficiência. Projeções da Singular mostram o gasto global com anúncios mobile chegando perto de 800 bilhões de dólares em 2025, com a mídia digital respondendo pela maior fatia dos orçamentos totais. Relatórios como o da Singular sobre projeções de anúncios mobile reforçam que esse crescimento não é só volume, mas também complexidade de canais e formatos.
Ao mesmo tempo, pesquisas da Nielsen destacadas pelo Meio & Mensagem mostram que a maior parte dos profissionais planeja aumentar verba em CTV e retail media, enquanto já antecipa possíveis cortes de investimento em 2026 por pressão econômica. Ou seja, 2025 é um ano de expansão cautelosa: cresce quem consegue demonstrar ROI de forma consistente.
No Brasil, o relatório da Conversion sobre orçamento de marketing aponta que 74% do budget de marketing está indo para performance, deixando apenas 26% para branding. Isso cria dependência de mídia paga para vender no curto prazo e aumenta o risco quando CPCs e CPMs sobem. Fontes como Amazon Ads e Reportei reforçam uma mesma mensagem: IA, omnicanalidade e mensuração sólida não são diferenciais, são obrigatórios para manter a eficiência do orçamento de anúncios.
Definindo quanto investir: do faturamento às metas de ROI
Antes de discutir canais, é preciso responder a pergunta básica: quanto sua empresa deve colocar em orçamento de anúncios. Uma boa referência operacional, usada por consultorias como a 02 Neuronio ao estimar custos de campanhas, é trabalhar com uma faixa de 15% a 20% da receita destinada a marketing digital em negócios fortemente dependentes de vendas online.
O ponto de partida é sempre o objetivo financeiro, não o canal favorito da equipe. Use esta sequência:
- Defina a meta de receita atribuída à mídia paga no período (exemplo: 2 milhões de reais no trimestre).
- Estabeleça o ROAS mínimo aceitável. Se o alvo for ROAS 4, seu teto de orçamento é 500 mil reais para gerar os 2 milhões.
- Valide com histórico: verifique o ROAS real por canal nos últimos 6 a 12 meses. Se nenhum canal atinge o ROAS alvo, você precisa ou ajustar a meta ou trabalhar primeiro em otimização.
- Reserve verba para testes estruturados: entre 5% e 10% do orçamento de anúncios deve ser protegido para novos canais, criativos e segmentações.
Relatórios como o da DesignTec sobre tendências de orçamento de marketing em 2025 ajudam a comparar seu nível de investimento com benchmarks de mercado por canal. Cruzar esse tipo de dado com as projeções globais da Singular evita dois erros comuns: subinvestir em canais que estão ganhando tração e superinvestir onde o custo por resultado já está em declínio estrutural.
Distribuindo o orçamento de anúncios entre canais de SEM & mídia paga
Definido o envelope total, entra o jogo de alocação entre SEM & mídia paga em geral: pesquisa paga, social ads, display, vídeo, retail media, CTV e formatos emergentes. Fontes como Meio & Mensagem com dados da Nielsen e o relatório da Admooh sobre tendências para anunciantes em 2025 apontam para uma mesma direção: diversificação e contexto importam mais do que nunca.
Um modelo prático para negócios B2C com foco em performance, que você pode adaptar, poderia começar assim:
- 30% a 40% em SEM (Google Ads e Bing Ads) para capturar demanda já existente.
- 25% a 35% em social performance (Meta, TikTok, LinkedIn) para geração de demanda e remarketing.
- 10% a 20% em vídeo e CTV em plataformas como YouTube, Shorts e streaming com anúncios.
- 10% a 15% em retail media e marketplaces como Amazon Ads e plataformas de varejo específicas.
- 5% a 10% em experimentação em canais emergentes, DOOH programático, podcasts e games.
Relatórios como o da Reptile MKT sobre tendências de tráfego pago mostram, por exemplo, que TikTok e vídeos curtos entregam engajamento e conversão superiores à média em vários segmentos, o que pode justificar uma fatia maior do orçamento nesses formatos. Já a Amazon Ads destaca o papel de CTV e streaming como pontos de descoberta de marca com alto potencial de cross-sell.
Na prática, você deve usar o histórico de ROAS e CAC por canal para ajustar esse mix. O segredo é tratar o orçamento de anúncios como um portfólio: manter uma base robusta em canais previsíveis de SEM & mídia paga e ir redistribuindo gradualmente para canais com melhor relação risco-retorno, em ciclos trimestrais de revisão.
Da estratégia à campanha: conectando estratégia, campanha e métricas
Um dos maiores problemas em orçamento de anúncios não é o valor investido, mas a desconexão entre estratégia, campanha e métricas. Empresas definem uma meta agressiva de crescimento, distribuem verba em vários canais e, ao olhar os relatórios, cada plataforma parece "indo bem". Porém, o faturamento não acompanha.
Para corrigir isso, seu planejamento de orçamento de anúncios deve explicitar claramente três níveis:
- Estratégia: o que a empresa quer priorizar no período: aquisição, retenção, ticket médio, awareness em nova praça.
- Campanha: grupos de iniciativas conectadas a objetivos de negócio. Exemplo: "Aquisição de novos clientes com foco em primeira compra" ou "Reativação de leads MQL de 2023".
- Métricas: indicadores que determinam sucesso por campanha, não apenas por canal.
Aqui entram os pilares de ROI, conversão e segmentação. Em vez de olhar apenas CTR e CPC, você deve rastrear, por campanha:
- Taxa de conversão por segmentação de público e criativo.
- CAC e LTV dos clientes adquiridos em cada cluster.
- Payback de mídia em dias ou meses, por campanha.
Materiais como o da 02 Neuronio sobre custo de campanhas e o da Reportei sobre tendências de marketing digital reforçam o uso de CPA, CPC e CPM ajustados a sazonalidade, mas sempre conectados às métricas de negócio. Sem isso, você corre o risco de "otimizar" campanhas que geram leads baratos, porém clientes com baixíssimo valor de vida útil.
Como usar IA e automação para otimizar o orçamento de anúncios em tempo real
Se antes o orçamento de anúncios era fechado no começo do trimestre e raramente revisado, 2025 exige ajustes frequentes guiados por IA e automação. Plataformas como Google Ads, Meta Ads, TikTok Ads e Amazon Ads já oferecem recursos avançados de lances automáticos, segmentação dinâmica e geração de criativos com IA generativa.
Relatórios como o da Reptile MKT sobre tráfego pago em 2025 mostram ganhos relevantes de conversão quando se usam modelos de lances inteligentes e campanhas do tipo Performance Max para integrar canais. A Amazon Ads reforça o papel da IA na criação de criativos em escala e personalização ao longo da jornada de compra.
Para traduzir isso em prática orçamentária, adote este workflow:
- Estruture campanhas com objetivos claros: vendas, leads qualificados, tráfego qualificado, etc.
- Ative estratégias de lances automáticos orientadas a CPA ou ROAS em vez de controlar tudo manualmente por CPC.
- Configure limites de orçamento diário e semanal, evitando que campanhas de teste suguem verba de alta performance.
- Implemente regras automatizadas: pausar anúncios com custo por conversão acima do limite, reduzir orçamento em grupos com queda de taxa de conversão, aumentar onde o ROAS está acima da meta.
- Use relatórios automatizados com IA, como os recomendados pela Reportei, para identificar criativos e públicos de melhor desempenho rapidamente.
O objetivo é transformar o orçamento de anúncios em um sistema vivo: você define os limites estratégicos, e a IA ajuda a redistribuir verba, criando um painel de controle de voo quase em tempo real, em vez de depender apenas de revisões manuais mensais.
Equilibrando performance e branding dentro do orçamento de anúncios
O dado de que 74% do orçamento de marketing no Brasil está concentrado em performance, segundo o estudo da Conversion sobre orçamento de marketing, é um alerta importante. Ele mostra que a busca por resultados imediatos está dominando a discussão, enquanto a construção de marca, essencial para reduzir CAC no longo prazo, fica em segundo plano.
Para evitar esse desequilíbrio, uma regra prática é:
- Curto prazo (performance): 60% a 70% do orçamento de anúncios focado em conversão direta e geração de leads.
- Médio e longo prazo (branding e consideração): 30% a 40% em campanhas de awareness, documentação de casos de sucesso e formatos de alto alcance.
Fontes como a Admooh e a Amazon Ads reforçam a importância de combinar contextos de alto alcance, como DOOH, CTV e streaming, com ativações de performance em canais de alta intenção, como pesquisa paga e retail media.
Para operacionalizar isso:
- Crie linhas de budget separadas para performance e branding, com objetivos de métricas distintos.
- Defina KPIs adequados para branding, como alcance incremental, lift de busca de marca e aumento de tráfego direto ou orgânico.
- Monitore o efeito do branding na performance: observe se, ao longo dos meses, o CAC e o CPC diminuem em campanhas de aquisição influenciadas por ações de marca.
Dessa forma, você evita que a urgência de bater a meta do mês sufoque investimentos essenciais para manter a eficiência do orçamento de anúncios no próximo ano.
Passo a passo para planejar o orçamento de anúncios do próximo trimestre
Para transformar tudo isso em execução, vale um roteiro objetivo, que você pode aplicar na próxima revisão trimestral de budget. Imagine seu painel de controle de voo: você precisa checar os instrumentos certos, na ordem certa, antes de acelerar.
- Reúna os dados do último trimestre: investimento, receita atribuída, ROAS, CAC, LTV, payback e participação de cada canal.
- Classifique os canais em três grupos: estrela (acima da meta), estável (na meta) e crítico (abaixo da meta).
- Defina a meta de receita para o próximo trimestre e o ROAS mínimo, calculando o envelope de orçamento de anúncios necessário.
- Redistribua verba: aumente 10% a 20% em canais estrela, mantenha estáveis os canais na meta e reduza ou reestruture os canais críticos.
- Reserve 5% a 10% do orçamento para testes estruturados, incluindo novos formatos como CTV, DOOH, podcasts ou campanhas em TikTok, conforme apontam fontes como a Reptile MKT.
- Configure automações e IA em cada plataforma para proteger o budget: limites de CPA, ROAS alvo, regras de pausa e aumento de verba incremental.
- Defina um calendário de war rooms de mídia: encontros quinzenais com time de marketing, BI e vendas para revisar desempenho, realocar orçamento e alinhar expectativas com o board.
- Documente aprendizados por trimestre: quais segmentações funcionaram melhor, quais criativos tiveram maior impacto em ROI e conversão, quais canais entregaram clientes com maior LTV.
Seguindo esse fluxo, o orçamento de anúncios deixa de ser uma linha estática em uma planilha e passa a funcionar como um painel dinâmico, que você ajusta de forma sistemática em vez de reagir somente quando aparece um problema grave.
Ao final, a imagem que deve ficar é a da sua sala de guerra de mídia: múltiplas telas, um painel de controle de voo mostrando cada alavanca de investimento, e um time olhando para o mesmo conjunto de métricas. Com benchmarks atualizados de fontes como Singular, Nielsen, Conversion, Reportei, Admooh e Amazon Ads, somados a uma rotina disciplinada de revisão de canais, estratégia, campanha e métricas, seu orçamento de anúncios deixa de ser um custo a justificar e se torna um mecanismo previsível de geração de caixa e crescimento sustentável.