Usuários estão comprando, comparando e reclamando em mais canais do que nunca. Ao mesmo tempo, a confiança em grandes influenciadores digitais caiu com força. Relatórios recentes sobre tendências de consumo e mídia mostram que pessoas confiam cada vez mais em avaliações de outros usuários e em experiências reais de uso. Nesse cenário, pesquisa de usuário deixa de ser etapa opcional e passa a ser infraestrutura estratégica de produto, marketing e UI Design.
Neste artigo, você verá como estruturar pesquisa de usuário alinhada a negócios, combinando entrevistas, testes de usabilidade, social listening e dados em tempo real. A ideia é sair do improviso, criar rituais recorrentes e usar evidências concretas para decidir o que entra no backlog, como priorizar prototipação e onde focar esforços de interface e experiência.
Por que pesquisa de usuário mudou em 2025
Pesquisas sobre consumo na América Latina mostram uma queda relevante na confiança em posts patrocinados de grandes influenciadores. Segundo estudo de tendências de consumo de 2025 na América Latina da Promoview, cada vez mais pessoas preferem avaliações de outros consumidores e reviews espontâneos. Isso altera diretamente a forma como avaliamos credibilidade, prova social e conteúdo dentro das interfaces.
Ao mesmo tempo, o uso de inteligência artificial para personalização cresceu com força em e-commerce e mídia digital. Relatórios como o State of Commerce 2025 para a América Latina apontam aumento de vendas on-line e consumidores mais sensíveis a valor, que esperam jornadas fluidas entre site, app e loja física. Experiências omnichannel dependem de pesquisa de usuário para entender pontos de fricção entre canais.
Nas redes sociais, o relatório Social Media Trends 2025 da Hootsuite mostra profissionais usando dados de conversas e comentários para experimentar novos formatos de interface, linguagem e microinterações. Em vez de criar telas apenas com base em benchmarks fixos, times de produto observam como pessoas realmente interagem com conteúdos, filtros e botões em tempo real.
Antes de iniciar qualquer iniciativa de UX ou UI Design em 2025, vale responder a três perguntas simples:
- O que mudou recentemente no comportamento do meu usuário que eu ainda não medi?
- Em quais canais ele está tomando decisão hoje – e não dois anos atrás?
- Quais métricas de negócio estão diretamente ligadas à experiência de interface que vou redesenhar?
Essas respostas orientam a priorização de pesquisa de usuário e evitam estudos genéricos demais, que geram insights pouco acionáveis.
Fundamentos de pesquisa de usuário aplicados a UI Design e UX
Pesquisa de usuário costuma ser dividida em alguns eixos: qualitativa ou quantitativa, atitudinal ou comportamental, generativa ou avaliativa. Para UI Design, a combinação mais frequente é pesquisa qualitativa, comportamental e avaliativa, porque o foco está em observar como pessoas executam tarefas em fluxos e telas específicas.
Uma forma simples de pensar é: pesquisa generativa ajuda a descobrir problemas e oportunidades; pesquisa avaliativa ajuda a medir se uma solução funciona. Entrevistas exploratórias, diários e shadowing são úteis para entender contexto, motivações e expectativas. Testes de usabilidade, cardsorting e pesquisas rápidas dentro do produto ajudam a validar rótulos, fluxos de navegação, microcópias e prioridades visuais.
Imagine literalmente uma lupa de pesquisa posicionada sobre a interface do seu app. Essa lupa representa o olhar sistemático de pesquisa, que tenta enxergar além de métricas de clique e mapear esforço cognitivo, dúvidas e emoções. Agora coloque essa lupa dentro de um workshop de pesquisa de usuário, com a equipe de produto em uma sala cheia de post-its, wireframes impressos e notebooks abertos. Esse cenário ilustra bem que pesquisa eficaz não é trabalho solitário; é uma prática colaborativa que conecta design, produto, dados e negócios.
Para quem está estruturando disciplina de UX em empresas de qualquer porte, vale se apoiar em referências consolidadas como os materiais da Nielsen Norman Group sobre user research. Use essas bases como checklists de método, mas sempre recalibre as abordagens para a realidade cultural, de acesso à internet e de maturidade digital do seu público no Brasil.
Metodologias modernas: da entrevista ao social listening
As técnicas clássicas de pesquisa de usuário continuam válidas: entrevistas em profundidade, grupos focais, surveys, testes de usabilidade moderados e não moderados. A diferença é que, em 2025, dificilmente elas são suficientes sozinhas. É cada vez mais necessário combinar o que as pessoas falam com o que elas efetivamente fazem em canais digitais.
Um caminho é incorporar social listening ao processo. Ferramentas inspiradas em relatórios como o Social Media Trends 2025 da Hootsuite ajudam a identificar dúvidas recorrentes, memes, críticas e comparações feitas espontaneamente sobre sua categoria. Em vez de perguntar apenas em questionários o que usuários acham de uma funcionalidade, você monitora conversas reais sobre o problema que essa funcionalidade tenta resolver.
Outro insumo poderoso é dado público de busca. Com o Google Trends, você monitora termos relacionados ao seu produto e identifica picos de interesse, sazonalidades e novas expressões usadas pelas pessoas. Esses sinais direcionam testes de nomenclatura, arquitetura de informação e microcópias dentro da interface.
Para entender o panorama digital brasileiro, relatórios de audiência como a Retrospectiva Digital 2024 da Comscore e estudos de tendências 2025 da Globo Ads mostram quais plataformas estão ganhando espaço, quais formatos de conteúdo engajam mais e como diferentes demografias se comportam. Juntos, esses dados ajudam você a escolher onde recrutar usuários, em quais dispositivos focar e como montar cenários realistas de teste.
Uma rotina prática é definir um ciclo de escuta mensal com três etapas: revisar dashboards de analytics do produto, rodar uma rodada de social listening focada em dúvidas e reclamações e checar termos em alta no Google Trends. Só então priorizar entrevistas e testes focados nos temas que mais cresceram naquele período.
Como planejar uma rodada de pesquisa focada em interface e usabilidade
Planejamento é o ponto em que pesquisa de usuário costuma falhar primeiro. Projetos começam com um vamos falar com alguns clientes sem objetivo claro, amostra definida ou hipótese estruturada. O resultado são horas de conversa com pouco impacto em backlog e decisões de UI Design.
Um bom planejamento passa por oito passos básicos:
- Definir o objetivo de negócio e a métrica que você quer influenciar, como taxa de conversão, retenção ou ticket médio.
- Formular hipóteses de usabilidade ligadas a esse objetivo. Exemplo: usuários abandonam o checkout porque não entendem as opções de frete.
- Escolher o método principal: entrevistas contextuais, teste de usabilidade em protótipo, pesquisa quantitativa dentro do produto ou combinação deles.
- Delimitar o público: clientes ativos, leads, ex-clientes, usuários intensivos de mobile ou de desktop.
- Descrever cenários de uso realistas, baseados em dados de comportamento e em estudos como o State of Commerce 2025 para a América Latina, que destacam consumidores mais sensíveis a preço e conveniência.
- Decidir o nível de fidelidade da solução que será testada: wireframes de baixa fidelidade, protótipo navegável de média fidelidade ou interface quase final.
- Criar roteiro de perguntas e tarefas, prevendo tempo máximo de sessão e margem para exploração de temas inesperados.
- Planejar logística: canais de convite, incentivos, gravação, ferramentas de videoconferência e guardrails de privacidade.
Relatórios de tendências como os da WGSN ajudam a trazer uma camada de contexto de médio prazo ao planejamento. Eles indicam mudanças estruturais de comportamento, como maior busca por bem-estar, atividades ao ar livre ou flexibilidade de trabalho, que podem influenciar quais jornadas e cenários de interface merecem ser priorizados na pesquisa.
Testes de usabilidade com protótipos e wireframes: do rascunho à interface final
Na prática de UI Design, testes de usabilidade são o momento em que prototipação deixa de ser exercício estético e passa a gerar aprendizado real. A grande vantagem é que é possível descobrir erros graves de usabilidade antes de investir em desenvolvimento, usando apenas wireframes de baixa fidelidade ou protótipos navegáveis em ferramentas como Figma.
Uma boa regra é começar avaliando fluxos com wireframes simples, em preto e branco, para validar estrutura de informação, ordem de campos e hierarquia de botões. Nessa etapa, você quer saber se as pessoas entendem o que cada tela faz e para onde cada ação leva. Depois, evolua para protótipos de alta fidelidade que incluam textos finais, estados de erro, loaders e microinterações.
Ao desenhar um teste, selecione de cinco a sete tarefas que representem objetivos reais do usuário, como finalizar uma compra, encontrar uma informação crítica ou alterar um dado sensível. Para cada tarefa, defina claramente:
- Critério de sucesso, como concluir o fluxo sem ajuda.
- Tempo máximo esperado.
- Erros aceitáveis e erros críticos.
- Perguntas de follow-up para entender percepções, dúvidas e emoções.
Algumas métricas simples ajudam a transformar observações qualitativas em evidência comparável entre versões de interface:
- Taxa de sucesso por tarefa.
- Tempo médio para completar o fluxo.
- Número de cliques extras ou passos desnecessários.
- Escalas de satisfação como SUS ou UMUX-lite ao final da sessão.
Em contextos de e-commerce, essa disciplina se conecta diretamente a tendências apontadas em estudos de comércio digital e omnicanalidade, que mostram crescimento de modelos como retirada na loja e uso intensivo de apps em jornadas híbridas. Pesquisar usabilidade desses fluxos antes de escalar campanhas paga o investimento em poucas sprints.
Conectando pesquisa de usuário a métricas e decisões de negócio
Um dos motivos mais comuns para pesquisa de usuário perder prioridade é a dificuldade de mostrar impacto em indicadores concretos. Quando descobertas viram apenas apresentações bonitas, a tendência é que o time volte a decidir por opinião, intuição ou ruído de stakeholders.
O primeiro passo é sempre associar cada estudo a uma métrica de sucesso. Em um fluxo de cadastro, pode ser a taxa de conclusão; em uma página de produto, o clique em adicionar ao carrinho; em um app de serviços, a frequência de uso semanal. A pergunta-chave é: se eu aplicar as melhorias sugeridas pela pesquisa, o que espero ver mudar nas próximas semanas ou meses?
Relatórios como o State of Commerce 2025 para a América Latina conectam diretamente personalização de interface a métricas como aumento de valor do tempo de vida do cliente e redução de fraude. Já o Digital Media Trends 2025 da Deloitte mostra como gerações mais jovens tomam decisões de consumo influenciadas por reviews, criadores menores e algoritmos de recomendação. Esses dados ajudam a enxergar pesquisa de usuário como alavanca para ajustar experiências a expectativas geracionais específicas.
Uma forma prática de tangibilizar impacto é montar pequenos estudos de caso internos. Por exemplo: antes da pesquisa, apenas 40 por cento dos usuários conseguiam finalizar o checkout mobile em menos de dois minutos. Depois da rodada de testes de usabilidade e ajustes de interface, esse índice subiu para 70 por cento e a taxa de abandono caiu 25 por cento. Documentar esse tipo de antes e depois cria repertório para defender novas rodadas de pesquisa.
Ritmos e rituais para pesquisa de usuário contínua
Pesquisa de usuário é muito mais eficiente quando vira rotina do que quando aparece apenas em grandes projetos de redesign. Em vez de planejar um estudo gigantesco por ano, prefira ciclos menores e recorrentes, alinhados às sprints de produto e às principais datas do seu calendário comercial.
Uma prática que tem ganhado espaço em empresas digitais no Brasil é a criação de um repositório centralizado de insights, acessível por design, produto, marketing e atendimento. Cada estudo adiciona evidências, clipes de vídeo, prints de tela e recomendações já classificadas por jornada, persona e etapa do funil. Na hora de discutir um novo experimento de interface, o time consulta esse repositório antes de opinar.
Outro elemento chave é definir rituais claros. Algumas ideias:
- Uma sessão mensal de leitura e discussão de relatórios de mercado, como os estudos de tendências 2025 da Globo Ads, relatórios de audiência digital e previsões da WGSN.
- Uma agenda trimestral de entrevistas em profundidade com usuários recentes e ex-usuários.
- Uma rotina quinzenal de pequenos testes de usabilidade remotos em protótipos ou versões beta.
Ferramentas de IA generativa podem apoiar síntese de entrevistas, agrupamento de temas e triagem de comentários abertos, mas não substituem o contato direto com pessoas usando seu produto. Em um cenário em que consumidores confiam mais em experiências reais do que em discursos publicitários, equipes que tornam pesquisa de usuário parte da rotina criam interfaces mais claras, jornadas mais simples e resultados de negócio mais previsíveis. Comece pequeno: escolha um fluxo crítico, planeje uma rodada enxuta de pesquisa usando os passos deste artigo e documente o antes e depois. A partir desse caso, fica muito mais fácil conquistar patrocínio interno para transformar pesquisa em prática contínua.