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Pivotar na Tecnologia e na Arquitetura: decisões, métricas e caminhos práticos

Em um mercado em que novas tecnologias surgem a cada trimestre e clientes mudam de expectativa a cada projeto, insistir em um caminho que não funciona é receita certa para perder dinheiro. Em startups de software ou em escritórios de arquitetura, saber quando pivotar deixou de ser opção e virou competência central para sobreviver e crescer.

Imagine uma reunião em que fundadores de uma startup de tecnologia dividem a mesa com sócios de um escritório de arquitetura. No centro, uma pequena bússola estratégica simboliza a pergunta que ninguém pode evitar: continuamos ajustando o plano atual ou pivotamos o produto, o serviço ou o tipo de projeto que entregamos ao mercado

Este artigo mostra como usar essa bússola de forma objetiva. Você vai entender o que significa pivotar em tecnologia e em arquitetura, quais métricas sinalizam a hora da mudança, como conduzir um ciclo de experimentação em até 90 dias e quais erros evitar ao redesenhar seu rumo.

O que é pivotar na prática, em tecnologia e arquitetura

Na prática, pivotar é uma mudança relevante de direção em modelo de negócio, produto ou posicionamento, feita com base em evidências e não em impulso. Segundo a Forbes Brasil, trata-se de alterar de forma significativa a proposta de valor para buscar aderência real entre solução e mercado, sem necessariamente abandonar completamente o que já foi construído.

O SEBRAE reforça que pivotar não é jogar tudo fora. Ajustes finos em preço, layout de tela ou escolha de materiais ainda são otimizações. Pivotar é, por exemplo, trocar o público-alvo principal, mudar o modelo de receita ou reposicionar o produto de solução técnica para serviço consultivo recorrente.

Em tecnologia, isso pode significar deixar um aplicativo B2C de lado para focar em uma API B2B mais lucrativa, ou transformar um produto de licenças em plataforma SaaS. Em arquitetura, pivotar pode ser migrar de projetos residenciais sob medida para sistemas modulares padronizados, ou de um escritório centrado em obra para um modelo que vende consultoria de smart buildings com contratos recorrentes.

Fontes do setor como o blog Arquitetura na Prática mostram que arquitetura não pivotou apenas na estética. Adoção de BIM, biofilia, automação e processos digitais está forçando escritórios a reverem sua oferta, precificação e forma de colaborar com clientes. Pivotar aqui é tanto sobre o resultado construído quanto sobre o modelo de serviço.

Indicadores que mostram a hora de pivotar

Pivotar sem dados é apostar às cegas. Por outro lado, esperar métricas perfeitas pode significar desperdiçar meses de caixa. A bússola estratégica dessa decisão passa por alguns indicadores centrais.

Em negócios de tecnologia, acompanhe especialmente:

  • CAC muito alto e estável, mesmo após testes de canais e mensagens.
  • LTV abaixo de 3 vezes o CAC ao longo de vários meses.
  • Churn elevado em clientes ideais, indicando falta de valor percebido.
  • Baixa retenção de uso em produto digital após os primeiros dias.

Em arquiteturas de negócio baseadas em projetos, os sinais aparecem em outros lugares:

  • Mix de projetos concentrado em segmentos pouco lucrativos, com margem líquida apertada.
  • Ciclos de aprovação cada vez mais longos, gerando retrabalho e erosão de honorários.
  • Clientes pedindo soluções que fogem do portfólio atual, como automação, sensores ou pós-ocupação.
  • Dependência excessiva de poucos clientes âncora, que pressionam preço e escopo.

Na arquitetura construída, referências como a CDA Metais e a OrbitsArchitect mostram outra camada de indicadores: aumento de demanda por fachadas unitizadas, sistemas modulares e arquitetura adaptativa. Se o portfólio não conversa com essas tendências, há um descompasso estratégico.

O ponto crítico é combinar métricas quantitativas com sinais qualitativos de mercado. Demanda recorrente por algo que você não oferece, somada a indicadores financeiros ruins no modelo atual, quase sempre aponta para a necessidade de pivotar.

Como pivotar com segurança em um ciclo de 90 dias

Em vez de anunciar um grande reposicionamento e torcer pelo melhor, equipes de alta performance tratam pivotar como uma sequência de experimentos. Uma prática adotada por mentores de startups no Brasil é trabalhar com ciclos de até 90 dias para testar hipóteses de pivot.

Um ciclo típico pode seguir quatro etapas:

  1. Diagnóstico de cenário

    • Consolidar métricas de 6 a 12 meses: receita, margem, CAC, LTV, churn, taxa de ocupação de projetos.
    • Identificar onde o modelo atual trava: aquisição, conversão, entrega ou retenção.
  2. Definição da hipótese de pivot

    • Formular uma frase clara: por exemplo, oferecer um módulo de analytics de energia para edifícios existentes em vez de focar apenas em novos projetos.
    • Estabelecer métricas-alvo realistas para o experimento, como conversão mínima de 10 por cento em leads qualificados.
  3. Desenho do experimento

    • Construir um MVP enxuto: uma landing page, um protótipo navegável, um estudo piloto em um único prédio.
    • Rodar o teste por 4 a 8 semanas, com orçamento de mídia e tempo de equipe definidos.
  4. Decisão

    • Comparar os resultados do MVP com as métricas atuais do negócio.
    • Se o novo caminho superar o modelo vigente em indicadores-chave, abrir um plano de transição gradual.

O SEBRAE sugere janelas de teste de até 90 dias com KPIs simples de conversão e retenção. Essa disciplina reduz o risco de pivots prematuros e protege o caixa, algo crítico tanto em pequenas construtechs quanto em escritórios boutique de arquitetura.

Pivotar com tecnologia: IA, corporate venture e modelos de parceria

Na tecnologia, pivotar está cada vez mais conectado a grandes shifts como inteligência artificial e automação. Um relatório da EloGroup Insights mostra que mais da metade dos investimentos de corporate venture capital globais em 2025 se concentrou em startups de IA, e que CVC já representa uma fatia relevante dos aportes no Brasil.

Em vez de tentar desenvolver tudo internamente, grandes empresas têm pivotado sua estratégia de inovação ao combinar três caminhos:

  • Build: criar produtos de IA com equipes internas, quando o conhecimento de domínio é crítico.
  • Buy: adquirir startups que já provaram o modelo, acelerando a mudança de portfólio.
  • Partner: firmar parcerias estratégicas com startups para testar novos serviços com risco compartilhado.

Consultorias como a Plain Concepts ressaltam que organizações realmente orientadas por dados conseguem detectar sinais de mercado mais cedo e, por isso, pivotar produtos e operações com mais segurança. Isso vale para SaaS de gestão de obras, plataformas de BIM colaborativo ou soluções de pós-ocupação baseadas em sensores.

Na sua bússola estratégica, a pergunta certa não é apenas se você deveria adicionar IA, mas se ela exige um pivot de modelo. Exemplos:

  • Incluir um módulo de manutenção preditiva em um sistema de gestão predial, alterando o foco de controle para eficiência operacional.
  • Transformar um software de orçamentação em um marketplace que conecta arquitetos, fornecedores e clientes finais.

Em todos os casos, pivotar com tecnologia implica redesenhar proposta de valor, jornada do cliente e, muitas vezes, estrutura de preços.

Pivotar na arquitetura: sistemas modulares, portas pivotantes e espaços adaptativos

Na arquitetura, pivotar pode parecer algo distante, mas as tendências recentes mostram o contrário. Conteúdos da CDA Metais destacam a aceleração do uso de fachadas unitizadas e sistemas modulares que reduzem o tempo de obra e aumentam a flexibilidade futura. Isso abre espaço para escritórios que pivotam de projetos convencionais para soluções industrializadas.

Já o blog do Studio Thais Vogel mostra como neuroarquitetura e biofilia estão levando profissionais a pivotar a programação dos espaços, colocando bem-estar e saúde mental no centro das decisões de layout e materialidade.

Em paralelo, a Accio ilustra um exemplo de pivot em nível de produto: o crescimento de portas pivotantes como elemento de destaque em projetos residenciais e comerciais. Além do apelo estético, essa solução permite vãos maiores, movimento diferenciado e posicionamento mais premium dos projetos.

Um escritório que decide pivotar pode seguir um roteiro semelhante ao das startups:

  1. Mapear quais tipos de projeto, sistemas construtivos e soluções tecnológicas representam maior margem, recorrência e demanda futura.
  2. Testar uma nova linha de serviços, como consultoria de retrofit sustentável com foco em eficiência energética.
  3. Incorporar tecnologias como BIM, AR e VR para co-criação com o cliente, reduzindo retrabalho e aproximando o processo de produto digital.
  4. Medir o impacto em tempo de projeto, satisfação do cliente e ticket médio após 6 a 12 meses.

O resultado desse pivotar é um escritório menos dependente de obras únicas e mais orientado a soluções escaláveis, serviços contínuos e diferenciais tecnológicos claros.

Checklist rápido para decidir se você deve pivotar agora

Se a sua equipe está na reunião em volta da bússola estratégica e do cenário de incerteza, use este checklist como ponto de partida. Se a maioria das respostas for sim, é hora de estudar seriamente um pivot.

Sobre desempenho atual:

  • Nossos indicadores de margem ou crescimento estão estagnados ou piorando há pelo menos 3 trimestres
  • Já testamos variações relevantes de preço, canal e mensagem sem ganho consistente

Sobre o mercado:

  • Recebemos pedidos recorrentes por soluções que não fazem parte do nosso core atual
  • Novos concorrentes, muitas vezes mais digitais, estão capturando clientes que antes eram nossos

Sobre capacidades internas:

  • Temos competências que poderiam gerar mais valor se fossem redirecionadas para outro segmento ou modelo
  • Nossa equipe sênior acredita que o modelo atual não escala bem nos próximos 3 anos

Sobre risco financeiro:

  • Conseguimos reservar tempo e orçamento para um ciclo de experimentação de 60 a 90 dias sem comprometer a operação
  • Temos clareza sobre quais métricas vão definir sucesso ou fracasso do experimento de pivot

Responder esse checklist com honestidade já é um movimento de pivotar a mentalidade, saindo do apego ao plano original para uma postura orientada a dados.

Erros comuns ao pivotar e como evitá-los

Mesmo com boas intenções, muitos times tropeçam nos mesmos padrões quando decidem pivotar. Conhecer esses erros é a melhor forma de evitá-los.

  1. Confundir falta de execução com falta de aderência

Antes de pivotar, é preciso ter certeza de que o problema não é apenas execução fraca. Campanhas mal rodadas, onboarding mal feito ou processos internos caóticos podem distorcer as métricas. Só considere pivotar após testar o básico com disciplina.

  1. Não definir métricas de sucesso claras

Sem metas quantitativas, qualquer resultado serve para justificar o que o time já queria fazer. Estabeleça KPIs específicos para o experimento de pivot, como taxa de conversão, ticket médio, margem ou tempo de aprovações de projeto.

  1. Fazer um pivot grande demais de uma só vez

Mudar público, produto e canal ao mesmo tempo dificulta entender o que funcionou. Prefira testar um elemento por vez ou, no máximo, dois, em ciclos curtos, como sugerem entidades de apoio a empreendedores e conteúdos como os da Forbes Brasil.

  1. Ignorar o impacto cultural e de posicionamento

Pivotar não é só uma decisão de planilha. É uma mudança de narrativa interna e externa. Times de arquitetura acostumados a projetos artesanais podem resistir a soluções modulares industrializadas. Desenvolvedores podem estranhar passar de produto para serviço. Planeje comunicação, treinamento e realinhamento de expectativas.

  1. Não encerrar de forma estruturada o que não funciona mais

Ao pivotar, é comum manter indefinidamente o modelo antigo por medo de perder receita imediata. Defina um plano de descontinuação organizado, com prazos, política para clientes atuais e uso racional de recursos de suporte.

Quando você olha para sua bússola estratégica com sinceridade, pivotar deixa de ser um salto no escuro e passa a ser um movimento calculado. Em tecnologia, isso significa usar dados de produto e de mercado para redesenhar ofertas alinhadas às grandes ondas como IA e automação. Em arquitetura, é conectar tendências como modularidade, neuroarquitetura e smart buildings a modelos de negócios mais escaláveis.

O próximo passo é simples, embora desafiador: reservar tempo de liderança para revisar indicadores, formular hipóteses concretas de pivot e desenhar o primeiro experimento de 60 a 90 dias. A partir daí, cada ciclo bem executado ajusta a rota e aproxima sua organização do ponto em que estratégia, tecnologia e arquitetura trabalham juntas, na mesma direção que seus clientes já escolheram seguir.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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