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Programmatic Advertising em 2025: estratégia, clareza e performance

O mercado de mídia digital entrou em uma fase em que comprar impressões sem critério deixou de ser opção. Programmatic Advertising deixou de ser apenas um jargão técnico para se tornar um dos principais motores de crescimento em comunicação, performance e ROI. Ao mesmo tempo, a pressão por clareza, transparência e resultados mensuráveis nunca foi tão alta.

Neste contexto, pensar a operação como uma verdadeira torre de controle de mídia é essencial. Os times de marketing que dominam Programmatic Advertising conseguem enxergar o funil inteiro em tempo real, ajustar segmentação, lances e criativos em poucos cliques e justificar cada linha de investimento para a diretoria. Este artigo mostra, de forma prática, como estruturar estratégia, campanhas, métricas e rotina operacional para transformar mídia programática em resultados concretos.

O que é Programmatic Advertising hoje e por que isso mudou o jogo

Programmatic Advertising é a compra e venda automatizada de espaços publicitários digitais, baseada em dados, em tempo real. Em vez de negociar manualmente site por site, você usa uma DSP (demand-side platform) para acessar inventário em milhares de publishers, definindo regras de segmentação, lances e frequência. O leilão acontece em milissegundos, enquanto o usuário navega.

Nos últimos anos, Programmatic Advertising deixou de ser um experimento para se tornar padrão de mercado. Relatórios de players globais como a Basis Technologies e a eMarketer mostram que a maior parte da mídia display em mercados maduros já é comprada de forma programática, com crescimento acelerado em vídeo, CTV e retail media. Isso significa que o jogo competitivo está migrando do acesso ao inventário para a inteligência de dados e de otimização.

Para o gestor brasileiro, o impacto é duplo. De um lado, há escala e eficiência de compra que dificilmente seriam alcançadas de forma manual. De outro, surge o desafio real de comunicação interna: explicar para o board o que está por trás desse suposto ‘algoritmo mágico’ e como as decisões de lances, segmentação e formatos afetam a performance.

Aqui entra o poder de pensar sua operação como uma torre de controle de mídia, inserida em uma sala de guerra de marketing acompanhando um painel em tempo real. Em vez de enxergar Programmatic Advertising como uma caixa-preta, você passa a vê-lo como um sistema de decisões contínuas, amparadas por dados e indicadores claros.

Clareza e transparência: da open exchange ao inventário premium

Um dos maiores avanços recentes em Programmatic Advertising está na migração da compra em open exchange para ambientes mais controlados, como PMPs (private marketplaces) e deals diretos. Estudos de tendências, como os publicados pela Basis Technologies e pela eMarketer, apontam que a maior parte dos investimentos programáticos em 2025 tende a se concentrar em inventário premium e negociado, buscando mais controle e qualidade.

Do ponto de vista de comunicação com a alta gestão, clareza começa em responder a uma pergunta simples: onde, exatamente, seus anúncios estão aparecendo. Relatórios como o Programmatic Transparency Benchmark da TrueKPI/ANA mostram quanto do orçamento pode escorrer para inventário de baixa qualidade, MFA (made for advertising) e intermediários desnecessários quando não há governança.

Uma regra prática útil é separar sua estratégia de Programmatic Advertising em três camadas de inventário:

  • Camada 1: PMPs com publishers estratégicos e inventário premium de vídeo, CTV ou DOOH, negociados com foco em qualidade, brand safety e viewability.
  • Camada 2: Deals preferenciais e leilões privados com bom equilíbrio entre preço e escala, com listas claras de domínios incluídos.
  • Camada 3: Open exchange com controles rigorosos de bloqueio, listas de exclusão e monitoramento de fraude.

Use relatórios de transparência para justificar movimentos de orçamento entre camadas. Se você mostrar, por exemplo, que uma camada de inventário premium entrega CTR e viewability superiores com custo incremental aceitável, a conversa com diretoria deixa de ser opinião e passa a ser uma decisão baseada em dados.

Estratégia de Programmatic Advertising orientada a performance

Sem estratégia, Programmatic Advertising vira apenas um jeito mais sofisticado de queimar orçamento. O ponto de partida é sempre clareza sobre qual resultado você quer gerar no curto e no médio prazo. Awareness, consideração e conversão pedem arquiteturas de campanha diferentes, ainda que convivam no mesmo ecossistema programático.

Uma forma prática de estruturar estratégia é seguir quatro blocos: objetivo, público, canais e métricas.

  1. Objetivo: escolha um resultado prioritário por campanha. Para branding, o foco tende a ser alcance, frequência e atenção. Para performance, priorize CPA, ROAS e LTV. Estudos como os benchmarks de display programático da Growth Channel ajudam a calibrar expectativas de CPM e CTR por formato.
  2. Público: defina se a segmentação será baseada em dados de terceiros, contexto, interesses ou dados primários. Com o declínio dos cookies, relatórios de players como Publift e Epom mostram o avanço de first-party data, clean rooms e segmentação contextual.
  3. Canais e telas: mapeie o papel de display, vídeo, CTV/OTT, DOOH e retail media ao longo do funil. Conteúdos da Adsmurai e da Epom destacam o crescimento de CTV e DOOH programático como extensões naturais da TV e da mídia out of home tradicional.
  4. Métricas: conecte cada objetivo a indicadores principais e secundários. Para campanhas de conversão, Programmatic Advertising exige que o discurso mude de cliques para valor gerado, como ROAS e LTV, em linha com recomendações de players como a BidsCube.

Quando você organiza a conversa com o time e com a diretoria nesses quatro blocos, a palavra estratégia deixa de ser abstrata. Fica claro qual campanha está desenhada para performance, quais estão puxando awareness e como tudo se conecta ao faturamento.

Como estruturar campanhas: segmentação, criatividade e dados

Na prática, a performance de Programmatic Advertising nasce da combinação de boas audiências, criativos relevantes e dados confiáveis. É aqui que segmentação deixa de ser apenas uma lista de interesses e passa a ser uma peça central da sua comunicação.

Comece mapeando as fontes de dados disponíveis:

  • Dados primários: CRM, base de leads, clientes ativos, assinantes de newsletter, dados de navegação autenticada.
  • Dados de parceiros: varejistas, programas de fidelidade, clean rooms e marketplaces que disponibilizam audiências anonimizadas.
  • Contexto e intenção: segmentação por conteúdo, palavras-chave, categorias de apps e sinais de intenção de compra.

Relatórios como os da Pubstack e da Publift mostram como publishers e anunciantes na Europa estão usando dados para equilibrar alcance, privacidade e relevância. Para o Brasil, a lógica é semelhante: priorizar dados próprios sempre que possível, usar parceiros confiáveis e evitar dependência excessiva de cookies de terceiros.

Na parte criativa, Programmatic Advertising evoluiu muito. Plataformas destacadas por empresas como Adsmurai e Tinuiti mostram o uso crescente de AI e machine learning para gerar criativos dinâmicos, personalizar mensagens por segmento e testar variações de forma contínua.

Um workflow simples para estruturar campanhas é:

  1. Criar ao menos três clusters de audiência: prospecting frio, lookalike de clientes de maior valor e remarketing de usuários de alta intenção.
  2. Desenvolver variações de criativos adaptados a cada cluster, com mensagens específicas para problema, benefício e prova social.
  3. Configurar limites de frequência diferentes por fase de funil, evitando saturar quem já está perto da conversão.
  4. Planejar testes A/B de criativos e de mensagens por etapa, com janelas claras de aprendizado.

Essa visão estruturada de segmentação e criatividade aumenta a probabilidade de que Programmatic Advertising entregue não apenas alcance, mas também conversão qualificada.

Métricas que importam: de CTR a ROAS e LTV

Uma das maiores vantagens de Programmatic Advertising é a granularidade de métricas, mas isso também pode gerar confusão. Sem um quadro claro de prioridades, o time acaba discutindo apenas CTR, esquecendo o impacto no negócio.

Publicações especializadas, como o conteúdo da BidsCube sobre métricas-chave de Programmatic Advertising, sugerem separar os indicadores em três grupos: eficiência de mídia, eficiência de aquisição e valor de negócio.

  • Eficiência de mídia: CPM, CPC, CTR, viewability, taxa de conclusão de vídeo.
  • Eficiência de aquisição: CPA, custo por lead qualificado, custo por cadastro completo.
  • Valor de negócio: ROAS, LTV, ticket médio, contribuição marginal por canal.

Benchmarks consolidados, como os relatórios da Growth Channel e da Tinuiti, ajudam a entender se seus números estão competitivos para o tipo de inventário e formato usados. Já análises de transparência como as da TrueKPI indicam quanto desperdício pode estar oculto na jornada de uma impressão até o publisher final.

Uma abordagem eficiente é definir, para cada campanha de Programmatic Advertising, um KPI principal e dois secundários:

  • Campanhas de awareness: KPI principal em alcance e CPM efetivo, secundários em viewability e frequência média.
  • Campanhas de consideração: KPI principal em CTR ou visitas qualificadas, secundários em tempo no site e engajamento com conteúdo.
  • Campanhas de conversão: KPI principal em CPA ou ROAS, secundários em taxa de conversão pós-clique e LTV.

Com isso, o time deixa de olhar apenas para um painel caótico de números e passa a ter um quadro de controle focado em decisões, alinhado à linguagem financeira da empresa.

Workflow operacional: da ativação à sala de guerra de marketing

Estratégia bem desenhada só vira resultado quando existe disciplina operacional. Pense seu workflow de Programmatic Advertising como a rotina de uma sala de guerra de marketing acompanhando um painel em tempo real. Não é uma campanha que você liga e esquece, mas um sistema vivo de testes e ajustes.

Um fluxo operacional robusto pode seguir estes passos:

  1. Planejamento: consolidar objetivos, públicos, canais, formatos e KPIs em um plano único, validado por marketing, vendas e finanças.
  2. Configuração em DSP: criar campanhas, segmentações, deals de inventário, regras de brand safety e macros de tracking de forma padronizada.
  3. Fase de aprendizado: evitar mudanças bruscas nos primeiros dias, enquanto o algoritmo testa diferentes combinações de inventário e segmentos.
  4. Otimização contínua: a partir da primeira semana, ajustar lances, excluir placements de baixa performance, refinar listas de segmentos e testar criativos com base em dados.
  5. Rotina de reporte: estabelecer cadências de reuniões rápidas, com dashboards que conectem métricas de mídia a indicadores de negócio.

Fontes como os relatórios de tendências da Basis, da Adsmurai e da Epom reforçam a importância de combinar automação com gestão ativa. A tecnologia decide lances em milissegundos, mas quem define o que é sucesso, quais segmentos merecem investimento extra e quando encerrar um teste é o time de marketing.

Quando esse workflow funciona, sua torre de controle de mídia passa a operar com segurança. O time sabe quando insistir em um caminho promissor e quando cortar rapidamente uma rota que não gera ROI.

Como começar pequeno e escalar Programmatic Advertising no Brasil

Muitos times evitam Programmatic Advertising por acharem que é um jogo exclusivo de grandes anunciantes. Na prática, os próprios relatórios de tendências, como os da Publift e da Tinuiti, mostram o crescimento de modelos self-service e de soluções mais acessíveis, permitindo que marcas médias e até pequenas entrem no jogo de forma responsável.

Uma abordagem de adoção em fases ajuda a reduzir risco e a construir clareza interna:

  1. Fase piloto: escolher um ou dois objetivos muito específicos, como gerar leads qualificados ou aumentar o alcance de vídeo em uma região. Definir orçamento controlado, prazo de 60 a 90 dias e KPIs claros.
  2. Fase de consolidação: a partir dos aprendizados do piloto, padronizar estrutura de campanhas, naming convention, relatórios e rotinas de teste. Este é o momento de integrar melhor a base de CRM e dados primários.
  3. Fase de escala: com o modelo validado, expandir Programmatic Advertising para novas linhas de produto, regiões e canais, incluindo CTV, DOOH e retail media quando fizer sentido.
  4. Fase de evolução: avaliar, com calma, se vale partir para modelos híbridos ou de in-housing parcial, mantendo parceiros especializados para suporte técnico ou mídia em canais mais complexos.

Ao longo dessas fases, use estudos de mercado como os da eMarketer, da Pubstack e da Basis para apoiar decisões de mix de canais e investimento. Ao mostrar que sua estratégia acompanha movimentos globais, você reduz resistência interna e fortalece o posicionamento do time de marketing como parceiro estratégico do negócio.

Ao final, escalar Programmatic Advertising no Brasil não é apenas uma questão de tecnologia. É um exercício contínuo de clareza, comunicação e disciplina, no qual dados e narrativa caminham juntos para sustentar decisões de investimento.

Programmatic Advertising deixou de ser um tema restrito a especialistas em mídia e passou a ser peça-chave da comunicação de qualquer marca que queira crescer com eficiência. Em um cenário em que a maior parte dos investimentos digitais caminha para ambientes programáticos, quem domina estratégia, segmentação e métricas assume vantagem competitiva real.

Para o gestor, o caminho passa por três movimentos: migrar da open exchange descontrolada para inventário premium com transparência, conectar objetivos de negócio a KPIs claros e instituir uma rotina de testes e otimização contínua. Relatórios de players como Basis, BidsCube, Epom e TrueKPI oferecem referências valiosas, mas é a capacidade do seu time de transformar esses insights em decisões diárias que define o resultado.

Quando a operação passa a funcionar como uma torre de controle de mídia bem ajustada, Programmatic Advertising deixa de ser caixa-preta e se torna um aliado direto da performance, da conversão e do ROI da empresa.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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