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Tecnologia de Realidade Virtual em 2025: como a IA está mudando treinamento, vendas e produto

Tecnologia de Realidade Virtual em 2025: como a IA está mudando treinamento, vendas e produto

A Tecnologia de Realidade Virtual deixou de ser “apenas entretenimento” e virou uma plataforma de performance para treinamento, design, vendas e operações. O ponto de virada não é só o hardware mais leve ou com melhor resolução. É a convergência com Inteligência Artificial, que transforma experiências imersivas em sistemas adaptativos, mensuráveis e escaláveis.

Pense no headset de realidade virtual como um “portal” de dados e interação. Em uma sala de treinamento corporativo, o que antes era uma simulação fixa agora pode se ajustar em tempo real, mudando dificuldade, feedback e conteúdo conforme o comportamento do usuário. Isso muda o jogo para quem precisa reduzir erro operacional, acelerar ramp-up e padronizar execução.

Este artigo traz um caminho prático: o que observar no mercado, como a IA entra (algoritmo, modelo, aprendizado), qual stack técnico escolher, como medir ROI e como rodar um piloto em 90 dias com governança.

Onde a Tecnologia de Realidade Virtual está em 2025 (e o que isso muda na decisão)

Em 2024, a categoria de VR/XR mostrou retomada em embarques e visibilidade. Mas as projeções divulgadas no fim de 2024 já apontavam volatilidade de curto prazo: crescimento em 2024, possível queda em 2025 por atrasos de lançamentos, e recuperação mais forte em 2026. Para não tomar decisão com base em hype, trate esses números como um sinal de maturação do ciclo de produto, não como garantia de adoção imediata.

Um bom ponto de partida é separar “mercado” de “caso de uso”. Mesmo em períodos de retração de hardware, empresas continuam investindo em pilotos quando há ganho operacional claro. A discussão sobre entretenimento é interessante, mas para negócios vale olhar a VR como uma “linha de produção” de competência: simular com segurança, repetir até dominar, registrar métricas e padronizar.

Regra de decisão (prática): só avance para compra em escala se você conseguir responder “sim” a pelo menos 3 perguntas:

  • O processo treinado tem alto custo de erro (segurança, qualidade, retrabalho ou compliance).
  • Existe repetição suficiente para amortizar conteúdo (onboarding, reciclagem, certificação).
  • Dá para medir antes e depois com 2 a 4 métricas objetivas (tempo, acurácia, incidentes, taxa de conclusão).

Para calibrar expectativas, vale acompanhar análises de adoção e ciclos de produto na imprensa e em estudos citados por consultorias, como a cobertura da CNN Brasil sobre realidade virtual e tendências do setor. Use esse contexto apenas para timing. A decisão final deve vir do seu ROI e da sua capacidade de executar.

Tecnologia de Realidade Virtual com Inteligência Artificial: do conteúdo “fixo” ao adaptativo

Quando falamos em Tecnologia de Realidade Virtual com Inteligência Artificial, o salto não é “colocar um chatbot no cenário”. O ganho vem de modelos que leem sinais do usuário e ajustam a experiência para melhorar resultado. Na prática, isso significa usar algoritmo e modelo para prever dificuldade, detectar erro, orientar correção e personalizar ritmo.

O ciclo tem duas fases bem distintas, que precisam estar explícitas no seu desenho:

  • Treinamento do modelo (Aprendizado): você coleta telemetria (movimento, tempo por etapa, erros, escolhas) e rótulos (passou, reprovou, tipo de falha). Com isso, treina um modelo para classificar desempenho, prever risco de falha ou recomendar feedback.
  • Inferência do modelo: em produção, o modelo roda para tomar decisões em tempo real, como oferecer uma dica, reduzir velocidade de uma etapa ou repetir uma instrução.

Workflow operacional (mínimo viável) para IA em VR:

  1. Defina o objetivo: reduzir tempo até proficiência, reduzir erros críticos, aumentar retenção.
  2. Instrumente o app VR com eventos (etapa, erro, tentativa, tempo, “quase erro”).
  3. Crie uma taxonomia simples de falhas (3 a 7 categorias).
  4. Treine um modelo inicial (mesmo que simples) e valide com um grupo pequeno.
  5. Rode inferência com regras de segurança: feedback assistivo, nunca punitivo.

Para evoluir, busque padrões de XR com IA em fontes de mercado e tendências corporativas como a análise de tendências da TIVIT, que conecta XR e ganhos de eficiência quando combinado com automação e dados.

Stack de implementação: hardware, padrões (OpenXR) e engines para reduzir retrabalho

A escolha do stack define custo total e capacidade de escalar. Para a maioria dos times, a pergunta não é “qual headset é o melhor”, mas “como evitar ficar preso em uma plataforma”. Aqui entram padrões, engines e processos.

Padrão recomendado: priorize compatibilidade com OpenXR, que ajuda a reduzir dependência de vendor e facilita portar experiências entre dispositivos. Comece pela especificação e ecossistema do Khronos OpenXR.

Engine (decisão rápida):

  • Unity costuma ser a rota mais rápida para protótipos e apps XR, com vasta documentação e ecossistema. Veja a documentação de Unity XR para entender suporte e pipelines.
  • Unreal Engine é forte quando o realismo visual, iluminação e experiência premium são centrais (showrooms, design avançado). O guia de desenvolvimento VR na Unreal Engine ajuda a mapear o esforço.

Checklist técnico (para não estourar custo):

  • Defina um “target de performance” (FPS, resolução, latência) e não negocie isso no meio do projeto.
  • Padronize assets e versões (texturas, polígonos, LOD) para evitar re-trabalho.
  • Planeje telemetria desde o dia 1. Sem dados, você não prova ROI.

Exemplo de decisão prática: se o seu caso é treinamento de processo, priorize estabilidade, conforto e bateria. Se é vendas premium, priorize fidelidade visual e narrativa. Em ambos, use OpenXR quando possível para não reescrever tudo em 12 meses.

Treinamento imersivo: como transformar simulações em proficiência (e não em “demo”)

O caso de uso mais consistente para VR em empresa é treinamento. O motivo é simples: VR substitui exposição ao risco por prática controlada e repetível. É aqui que a sala de treinamento corporativo vira laboratório de performance.

Para não cair no erro comum de “demo bonita”, desenhe o treinamento como um sistema com critérios claros.

Modelo de desenho instrucional (executável):

  • Tarefa-alvo: descreva o procedimento com início, meio e fim (ex.: bloqueio e etiquetagem, setup de máquina, atendimento com script).
  • Pontos críticos: onde o erro custa caro (segurança, qualidade, compliance).
  • Rubrica de avaliação: 5 a 10 itens objetivos (tempo, ordem correta, uso de EPI, número de tentativas).

Métrica que importa (antes e depois):

  • Tempo até completar o procedimento sem ajuda.
  • Taxa de erro crítico por sessão.
  • Taxa de retenção após 7 e 30 dias (recall).

Como a IA entra (com segurança): use inferência para identificar “momento de frustração” e oferecer microfeedback. Em vez de “reprovar”, o sistema sugere correção e repete etapa. Esse é o tipo de personalização descrito em discussões de IA aplicada à educação e sistemas adaptativos, alinhada a abordagens de transparência e explicabilidade defendidas em conteúdos de referência como os da FIA.

Resultado esperado: menos variabilidade entre instrutores, mais padronização e trilhas personalizadas por proficiência.

Vendas, marketing e produto: VR como máquina de demonstração e validação (com dados)

Para marketing e produto, a Tecnologia de Realidade Virtual vira uma ferramenta de demonstração, prototipagem e validação. O ganho não é só “encantar”. É encurtar ciclo de decisão e reduzir custo de protótipo físico.

Três aplicações que geram valor real:

  1. Showroom imersivo B2B: o cliente “entra” no produto em escala real, compara versões e vê funcionamento em contexto.
  2. Prototipagem e design review: times avaliam ergonomia, montagem e fluxos antes de produzir.
  3. Treinamento de argumentação comercial: simulações de objeções e cenários de negociação.

Workflow de execução (marketing orientado a dados):

  • Defina a conversão desejada: agendar demo, solicitar proposta, fechar upgrade.
  • Instrumente eventos: tempo por módulo, cliques, pontos de abandono, recursos mais vistos.
  • Faça A/B de narrativa: duas rotas de demo, mesma oferta, compare taxa de avanço.

Decisão rule para escopo: se você não consegue provar que a experiência reduz fricção (menos reuniões, ciclo mais curto, maior taxa de proposta), mantenha a VR como apoio de pré-vendas, não como canal principal.

Para visualizar o que o mercado de consumo está empurrando em termos de expectativa de experiência (avatar, presença social, novas formas de entretenimento), acompanhe análises como as da CNN Brasil. Elas ajudam a entender o “padrão mental” do usuário que chega ao seu produto.

Métricas, ROI e governança: o que medir e como evitar risco de privacidade e segurança

Sem ROI claro, VR vira custo fixo. Sem governança, vira risco. O ponto é equilibrar adoção com responsabilidade, principalmente quando você coleta telemetria rica (movimento, voz, comportamento) e usa modelos de IA.

Métricas de ROI (operacionais e financeiras):

  • Produtividade: redução do tempo de treinamento por colaborador.
  • Qualidade: redução de retrabalho, erros críticos, incidentes.
  • Capacidade: número de pessoas treinadas por mês sem aumentar instrutores.
  • Custo: queda de deslocamento e logística, especialmente em multi-sites.

Como calcular rapidamente (sem planilha complexa):

  • ROI em 90 dias = (economia com tempo de treinamento + economia com erros evitados) − (custo do piloto).

Governança mínima para IA em VR (prática):

  • Minimize dados: colete apenas o necessário para medir proficiência.
  • Separe telemetria de identificação pessoal sempre que possível.
  • Documente como o modelo toma decisão e quando ele pode falhar.

Aqui entra o tema de XAI (IA explicável) e transparência. Em ambientes regulados, você precisa justificar por que o sistema recomendou uma ação ou avaliou desempenho de um jeito. Para fundamentar boas práticas e expectativas sobre IA em 2025, use referências como o conteúdo da FIA.

Regra de segurança: qualquer decisão de avaliação que impacte carreira deve ser revisável por humano. A IA pode sugerir, mas não deve “sentenciar”.

Roteiro de 90 dias para um piloto de Tecnologia de Realidade Virtual orientado por dados

Se você quer sair da discussão e chegar em execução, trate VR como produto. Um piloto bem desenhado cabe em 90 dias, desde que você reduza escopo e maximize medição.

Dias 1 a 15: definição e arquitetura

  • Escolha 1 processo crítico e repetível.
  • Defina 3 métricas de sucesso e 2 métricas de segurança.
  • Selecione engine e padrão, com preferência por OpenXR para portabilidade.

Dias 16 a 45: protótipo e instrumentação

  • Construa um “vertical slice”: uma etapa completa com telemetria.
  • Publique uma versão interna e rode testes com 10 a 20 usuários.
  • Ajuste conforto, UX e latência antes de adicionar conteúdo.

Dias 46 a 75: modelo de IA e iteração

  • Crie uma taxonomia de erros e treine um primeiro modelo simples.
  • Separe claramente Treinamento e Inferência do Modelo.
  • Aplique personalização só onde melhora desempenho e reduz frustração.

Dias 76 a 90: prova de valor e plano de escala

  • Compare métricas contra o método tradicional.
  • Formalize uma matriz de decisão: escalar, ajustar ou parar.

Para acelerar desenvolvimento e reduzir risco técnico, escolha uma base sólida em engines e documentação, como Unity XR ou Unreal Engine, e mantenha o stack compatível com OpenXR.

Conclusão

A Tecnologia de Realidade Virtual está entrando na fase em que ganha orçamento por desempenho, não por novidade. O diferencial, em 2025, é desenhar experiências com telemetria, métricas e integração real com Inteligência Artificial: algoritmo, modelo, aprendizado, treinamento e inferência com governança.

Se você lidera marketing, treinamento ou produto, o próximo passo não é “comprar mais headsets”. É escolher um processo crítico, rodar um piloto de 90 dias, medir antes e depois e provar valor com dados. Com um stack portável (OpenXR) e um modelo de IA aplicado com responsabilidade, VR deixa de ser demo e vira capacidade operacional.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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