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Vibe Coding: Como a IA Está Mudando o MarTech e o Desenvolvimento

# Vibe Coding: Como a IA Está Mudando o MarTech e o Desenvolvimento**Vibe coding** é a prática de descrever a intenção em linguagem natural e deixar a

[inteligência artificial](https://clubmartech.com.br/significado/inteligencia-artificial/)

gerar o código. Você não escreve sintaxe: você descreve o resultado, olha o que apareceu na tela, corrige o que está errado e pede de novo. A iteração acontece pelo resultado, não pela linha de código.A analogia mais honesta é a de um cozinheiro que nunca aprendeu a picar cebola. Ele sabe exatamente o prato que quer, prova, ajusta o sal e devolve a panela. Isso funciona muito bem para o jantar de terça. Funciona muito mal quando ele precisa abrir um restaurante e garantir que ninguém passe mal.Este artigo explica o que muda de verdade para quem trabalha com

[martech](https://clubmartech.com.br/significado/martech/)

, onde vibe coding é seguro, onde é caro, e como usar isso [sem](https://clubmartech.com.br/blog/sem-avancado-estrategia-roi/) virar um problema para o time técnico.## O que é vibe coding, sem a mitologiaO termo nasceu nas comunidades de [IA](https://clubmartech.com.br/blog/ia-marketing-vendas-inteligentes/) generativa e descreve um modo de trabalho, não uma ferramenta. Em vez de aprender a linguagem da máquina, você conversa com um

LLM

que já a domina. O modelo devolve arquivos funcionando e você julga o que recebeu pela aparência e pelo comportamento.A diferença em relação a "programar com autocomplete" é de grau e de postura. No autocomplete, você continua sendo quem escreve e a IA sugere. No vibe coding, você aceita explicitamente não ler tudo o que foi gerado. É esse ponto que separa a técnica de uma simples aceleração de digitação — e é dele que vêm tanto o ganho quanto o risco.A habilidade que passa a valer não é sintaxe. É clareza de instrução, decomposição do problema e

pensamento sistêmico

: enxergar como as partes se conectam antes de pedir qualquer coisa. Quem descreve mal o resultado recebe exatamente o que descreveu.## Por que isso importa especificamente para marketingDurante anos, o gargalo de [marketing](https://comecandonaweb.com.br/marketing-digital/) não foi ideia. Foi fila. A [landing page](https://clubmartech.com.br/blog/landing-page-otimizar-converter/) da campanha dependia do sprint do time de [produto](https://clubmartech.com.br/significado/produto-minimo-viavel-mvp/). O relatório que ninguém tinha no

CRM

dependia de alguém consumir uma

API

. O protótipo para validar uma hipótese morria no slide porque construir custava caro demais para uma aposta.Vibe coding não deixa o profissional de marketing melhor do que um engenheiro. Ele elimina a espera nas quatro coisas que sempre travaram a operação:

  • **Landing pages e páginas de campanha** — variações que precisam existir por três semanas e depois desaparecer, sem entrar no backlog de ninguém.
  • **Ferramentas internas** — calculadora de ROI, conferidor de UTM, painel que junta duas planilhas que ninguém queria integrar de verdade.
  • **Protótipos de validação** — a versão clicável que serve para testar se a proposta faz sentido antes de pedir orçamento.
  • **Automações e colas** — o script que pega o export do painel de dados e joga no formato que a diretoria pediu.

Isso encurta o ciclo de aprendizado, que é o que realmente importa. Uma hipótese de

Jobs To Be Done

testada em dois dias vale mais do que a mesma hipótese testada em dois meses, mesmo que a implementação seja pior.## As ferramentas que o mercado está usandoCada uma resolve um recorte diferente, e escolher a errada é a causa mais comum de frustração:### Geração de aplicação inteira pelo navegadorO

Lovable

e o

Base44

partem de um comando de texto e devolvem uma aplicação web funcionando, com banco e autenticação. É o caminho mais curto entre a ideia e algo que abre no celular do chefe. É também onde é mais fácil perder o controle do que foi construído.### Edição de código com IA no comandoO

Cursor

é um editor de código com o modelo integrado ao projeto inteiro. Ele serve para quem já tem uma base existente e quer alterá-la conversando. Exige mais familiaridade, entrega muito mais controle, e é a ponte natural para quem quer sair do brinquedo e entrar no repositório de verdade.### Publicação e infraestruturaGerar o código é metade do trabalho. Colocar no ar com domínio, HTTPS e desempenho decente é a outra. A

Vercel

resolve essa parte e, de quebra, ajuda no que o marketing mede depois — Core Web Vitals de uma página lenta viram problema de

SEO

muito rápido.## O que é seguro e o que é arriscado fazer com vibe codingA pergunta certa não é "a IA consegue?". Ela quase sempre consegue. A pergunta é **quanto custa se estiver errado e ninguém perceber**.

Tipo de projetoRiscoPor quêRegra prática
Protótipo para validar ideiaBaixoVida curta, público interno, erro custa uma conversaVá em frente, sem cerimônia
Landing page de campanhaBaixoConteúdo público, mas sem dado sensível nem transaçãoRevise formulário e destino dos leads
Ferramenta interna (calculadora, conferidor)Baixo a médioErro afeta decisão do time, não o clienteConfira o cálculo contra um caso conhecido
Integração que grava no CRMMédioDado errado se espalha e é difícil desfazerRode em ambiente de teste antes
Qualquer coisa com dado pessoal de clienteAltoVazamento é incidente legal, não bugPasse por revisão técnica obrigatória
Pagamento, cobrança, checkoutAltoErro tem custo financeiro direto e imediatoNão faça sozinho
Sistema em produção críticaAltoIndisponibilidade para todo mundoNão faça sozinho

A linha divisória é simples: se o pior cenário for "fica feio e a gente refaz", vibe coding é apropriado. Se o pior cenário envolver dinheiro, dado de pessoa ou o site fora do ar, ele deixa de ser.## Os riscos reais, que ninguém coloca no anúncioVale começar pelo achado mais desconfortável. O estudo da METR sobre impacto de IA na produtividade de desenvolvedores mediu algo contraintuitivo: devs experientes, trabalhando em tarefas dentro dos próprios repositórios, **se sentiram mais rápidos usando IA e foram medidos como mais lentos**. A percepção e o cronômetro discordaram.Isso não invalida vibe coding — o contexto do estudo é justamente o oposto do caso de uso do marketing, que é código novo e descartável, não código maduro que alguém já domina. Mas ele deixa um alerta útil: a sensação de velocidade não é evidência de velocidade. Se você vai defender um investimento em IA, meça o resultado, não o entusiasmo.Os outros riscos são mais previsíveis e igualmente ignorados:

  • **Dívida técnica invisível** — o código funciona, ninguém leu, e o custo aparece só quando alguém precisa mudar alguma coisa. Você não vê a dívida crescendo porque a tela continua bonita.
  • **Código órfão** — a ferramenta que salvou a operação foi feita por quem já saiu da empresa, e ninguém sabe onde ela roda nem por quê.
  • **Segurança** — chave de API dentro do arquivo que vai para o navegador, formulário sem validação, banco aberto. O modelo entrega o que funciona, não o que é seguro, a menos que você peça explicitamente.
  • **Dependência sem entendimento** — quando algo quebra, você não tem como diagnosticar. Você só sabe pedir de novo, e às vezes pedir de novo não resolve.

Há também um risco de experiência que costuma passar batido: o código gerado tende a produzir interfaces genéricas, com todos os

antipadrões de UX

que o modelo viu na internet. Vale conhecer os padrões de usabilidade que convertem antes de aceitar o primeiro layout.## O que continua exigindo um dev de verdadeNenhuma dessas coisas some porque a IA escreve o código:

  • **Arquitetura** — decidir como os sistemas se conversam, o que é fonte de verdade e o que acontece quando um serviço cai.
  • **Modelagem de dados** — a estrutura errada não dá erro hoje, dá erro daqui a um ano, quando já é caro consertar.
  • **Segurança e conformidade** — permissões, criptografia, LGPD, retenção. Nada disso é visível na tela.
  • **Desempenho em escala** — o que funciona com 50 registros pode não funcionar com 500 mil.
  • **Manutenção** — alguém precisa conseguir mudar aquilo daqui a dois anos.

A leitura correta é de deslocamento, não de substituição. O trabalho de digitar sintaxe encolheu. O trabalho de decidir o que deve existir e por que aumentou — e esse sempre foi o trabalho difícil.## Como entrar nisso sem virar problema para o time técnicoTimes de engenharia não resistem a vibe coding por corporativismo. Eles resistem porque, historicamente, herdam o que o marketing construiu sozinho e abandonou. Cinco combinados resolvem quase todo o atrito:

  • **Declare o tempo de vida antes de construir.** “Isto morre em 30 dias” e “isto vai ficar” são projetos diferentes, e o segundo precisa de conversa antes, não depois.
  • **Nunca toque em dado de cliente sem avisar.** Nenhuma integração que lê ou grava dado pessoal deve subir sem alguém do time técnico saber que ela existe.
  • **Registre onde as coisas moram.** Um documento simples com o que foi criado, onde está hospedado e quem é o responsável evita o cenário do código órfão.
  • **Peça revisão antes de publicar, não depois do incidente.** Quinze minutos de olhada custam infinitamente menos do que um vazamento.
  • **Assuma a manutenção ou entregue formalmente.** Se você construiu, ou você cuida, ou você combina com alguém que vai cuidar. “Deixei lá” não é entrega.

Vale ainda separar vibe coding de

automação de processos de marketing

. Muita coisa que parece pedir código na verdade pede um fluxo em ferramenta existente, ou RPA. Construir do zero o que já existe pronto é a forma mais cara de usar a IA.## Próximos passos para começar com vibe codingA primeira ação concreta: escolha uma ferramenta interna que hoje é uma planilha manual e reconstrua ela em uma tarde. Calculadora de CAC, conferidor de UTM, painel que junta dois exports — qualquer coisa que só o seu time usa, que não toca dado de cliente e que ninguém vai chorar se der errado. Esse é o campo de treino ideal, porque o custo do erro é zero e o aprendizado é real.Depois disso, suba um degrau: um protótipo clicável para validar uma hipótese de produto antes de pedir orçamento. Só então parta para algo público, e com revisão técnica combinada.Meça o tempo economizado de verdade, não a sensação. A lição da METR vale para você também: quem confunde velocidade percebida com velocidade real acaba defendendo o investimento errado. Vibe coding é uma ferramenta excelente para o marketing parar de esperar. Não é uma licença para construir o que não deveria existir.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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