Biometria e autenticação em 2025: segurança máxima com fricção mínima
A explosão de canais digitais, open finance e identidades digitais empurrou biometria e autenticação para o centro da agenda de compliance. Segundo pesquisa citada pelo Truora Blog, cerca de 75% dos bancos brasileiros já usam biometria facial em seus fluxos críticos. Ao mesmo tempo, fraudes impulsionadas por Inteligência Artificial e deepfakes cresceram fortemente, com 67% das empresas relatando aumento de tentativas em 2024, de acordo com a Valid Certificadora.
Para o time de compliance, a questão já não é se vai adotar biometria, mas como fazer isso com segurança jurídica, transparência e eficiência. A boa notícia é que o estado da arte em biometria, IA e padrões como passkeys FIDO permite reduzir fraudes e fricção ao mesmo tempo. Este artigo mostra como tratar biometria e autenticação como um cofre transparente: extremamente resistente, mas com visibilidade total para o negócio, o jurídico e a tecnologia.
Por que biometria e autenticação se tornaram prioridade de compliance
Biometria e autenticação deixaram de ser apenas um tema de TI e passaram a ser um componente central de governança de riscos. O aumento de deepfakes, identidades sintéticas e ataques de engenharia social, descrito em veículos como o IT Forum, expõe fragilidades em modelos baseados somente em senha ou SMS. Quando a própria identidade do usuário pode ser falsificada, a organização precisa revisar suas premissas de verificação.
Ao mesmo tempo, o mercado de biometria vive uma expansão recorde no Brasil, impulsionada por bancos, varejo, governo digital e saúde, como destaca a Valid. Isso cria pressão competitiva: quem demora a modernizar a autenticação perde conversão, aumenta risco de fraude e fica atrás em experiência do cliente. A LGPD e as diretrizes da ANPD adicionam um componente regulatório relevante, já que dados biométricos são considerados dados pessoais sensíveis.
Para organizar prioridades, times de compliance podem usar uma regra simples de decisão para autenticação baseada em risco:
- Transações de baixo valor e baixo impacto reputacional: autenticação leve, preferencialmente sem senha, com biometria de dispositivo ou passkey.
- Transações de alto valor ou com impacto regulatório, como abertura de conta ou assinatura de contratos: biometria forte com prova de vida e auditoria completa.
- Eventos de risco elevado ou comportamento atípico: reforço adaptativo da autenticação, com segundo fator biométrico ou confirmação adicional.
O papel de compliance é garantir que essa matriz de risco esteja documentada, revisada com o jurídico e alinhada a políticas internas e normas externas de referência, como as orientações do NIST em identidade digital.
Principais tipos de biometria e como usá‑los na jornada do cliente
Escolher a tecnologia correta para cada ponto da jornada evita tanto falhas de segurança quanto atrito desnecessário com o usuário. A literatura recente em tendências de biometria, como a da HID Global e da Facephi, mostra convergência para modelos multimodais centrados na experiência.
Uma forma prática de avaliar é mapear o tipo de biometria para o uso ideal:
| Tipo de biometria | Uso ideal | Risco percebido | Pontos de atenção de compliance |
|---|---|---|---|
| Facial | Onboarding remoto, login em apps, autoatendimento | Médio, ligado a privacidade | Prova de vida, PAD, transparência sobre armazenamento |
| Digital (impressão) | Acessos físicos, autenticação em dispositivos | Baixo a médio | Garantir templates e não imagens cruas, proteção de dispositivos |
| Voz | Suporte telefônico, bancos de varejo, call centers | Médio | Aviso explícito de gravação, política de retenção clara |
| Comportamental | Autenticação contínua em apps e web | Baixo, pois é menos intrusiva | Explicar que há análise de padrões, evitar uso discriminatório |
| Íris / ocular | Áreas de alta segurança, governo, fronteiras | Alto | Justificar necessidade, mitigar percepção de invasividade |
Casos como o uso de biometria de voz pela Claro em suporte e o projeto da Unesp com 180 mil assinaturas digitais via reconhecimento facial, relatado pela Bry Tecnologia, mostram como diferentes métodos podem ser ajustados ao contexto.
Na prática, um fluxo básico de uso na jornada pode seguir esta lógica:
- Onboarding remoto: biometria facial com prova de vida ativa ou passiva, combinada com validação documental.
- Logins frequentes: autenticação biométrica do dispositivo ou reconhecimento facial rápido, sem senha visível.
- Transações sensíveis: reforço com segundo fator, biometria comportamental ou token criptográfico de alta segurança.
- Suporte e recuperação de acesso: voz ou fatores adicionais combinados com análise de risco em tempo real.
O objetivo é construir camadas que se somam, sem criar passos redundantes. Cada camada deve estar documentada em políticas de acesso e revisada sob o olhar de privacidade, proporcionalidade e finalidade.
Biometria e autenticação com Inteligência Artificial: oportunidades e riscos
A integração entre biometria e Inteligência Artificial é hoje o grande motor de evolução em segurança e experiência. Fontes como o Security Force Now e o Biometric Update apontam para o avanço de biometria multimodal, análise comportamental e passkeys FIDO em escala global. Tudo isso depende decisivamente de modelos de IA robustos.
Do lado das oportunidades, IA permite detectar deepfakes e ataques de apresentação em milissegundos, tornando a prova de vida muito mais confiável. Tecnologias de PAD com IA, destacadas pela HID e pela Facephi, examinam microdetalhes de textura, iluminação e movimento para diferenciar uma face real de uma imagem manipulada. A biometria comportamental usa padrões de digitação e movimentação para criar uma camada de autenticação contínua, quase invisível para o usuário.
Por outro lado, o uso intensivo de IA eleva o nível de responsabilidade de compliance em relação a viés algorítmico, transparência e controle de dados. A Valid Certificadora lembra que mais de 60% da população se preocupa com privacidade biométrica. Isso exige critérios objetivos de governança sobre modelos, como trilhas de auditoria, revisões periódicas de performance e documentação acessível de riscos.
Para selecionar fornecedores de biometria e IA, um checklist mínimo inclui:
- Taxas de falso positivo e falso negativo, segmentadas por contexto e atualizadas com dados recentes.
- Evidências de resiliência a deepfakes e ataques de apresentação, com testes independentes ou laudos técnicos.
- Possibilidade de processamento local ou em borda, reduzindo exposição de dados sensíveis.
- Documentação completa para relatórios à área jurídica e à ANPD, incluindo bases legais usadas.
- Mecanismos de explicabilidade em decisões críticas, com logs detalhados disponíveis para revisão.
Times de compliance devem participar das POCs desde o início, validando não apenas a acurácia técnica, mas também o modelo de governança que acompanha a solução.
Arquitetura segura: criptografia, auditoria e governança de dados biométricos
Não existe biometria segura sem uma arquitetura de proteção de dados desenhada desde a captura até o descarte. Artigos especializados, como os do portal CryptoID, mostram que a combinação de tokenização, processamento na borda e governança forte de consentimento é o novo padrão. Nessa arquitetura, Criptografia,Auditoria,Governança precisam caminhar juntas.
Um modelo de referência pode ser pensado em quatro camadas principais:
- Camada de captura: a imagem ou voz bruta é processada localmente para gerar um template biométrico não reversível.
- Camada de proteção: o template é criptografado com chaves fortes, idealmente armazenadas em módulos de segurança de hardware.
- Camada de autenticação: comparações são feitas, quando possível, em ambiente controlado ou no próprio dispositivo, alinhado a padrões como os da FIDO Alliance.
- Camada de auditoria: registros detalhados de quem acessou o quê, quando e com qual base legal ficam disponíveis para investigação.
Do ponto de vista de LGPD, alguns princípios são críticos: minimização de dados, obtenção de consentimento específico quando necessário e limitação de retenção ao estritamente necessário. Documentos de boas práticas, como os da OWASP em segurança de aplicações, ajudam a estruturar controles técnicos adicionais, como segregação de ambientes, testes de invasão e monitoramento contínuo.
Visualize essa arquitetura como uma sala de controle de um centro de operações de segurança digital. Telas exibem em tempo real tentativas de fraude, alertas de comportamento anômalo e trilhas de auditoria detalhadas. Para que esse "SOC de identidade" funcione, compliance precisa definir claramente quem pode acessar logs, como serão feitas revisões periódicas e qual o protocolo em caso de incidente de vazamento ou uso indevido de dados biométricos.
Métricas, dados e insights para provar o valor da biometria
Implementar biometria sem medir impacto é perder a chance de transformar o projeto em vantagem competitiva e argumento de valor para a diretoria. É aqui que o trio Métricas,Dados,Insights diferencia iniciativas pontuais de programas estruturais. Times de CRM, risco e growth precisam falar a mesma linguagem numérica, conectando indicadores de fraude, conversão e satisfação do cliente.
Algumas métricas essenciais para acompanhar são:
| Métrica | Como medir | Insight esperado |
|---|---|---|
| Taxa de fraude por canal | Fraudes confirmadas / transações por canal | Identificar onde reforçar autenticação ou biometria |
| Conversão de onboarding | Contas aprovadas / tentativas de abertura | Medir impacto da biometria na entrada de clientes |
| Drop-off por passo de autenticação | Saídas em cada etapa / total que iniciou | Encontrar pontos de fricção excessiva |
| Tempo médio de autenticação | Tempo do início ao fim do fluxo | Avaliar equilíbrio entre segurança e experiência |
| Reclamações relacionadas a privacidade | Chamados e registros em ouvidoria | Monitorar percepção de privacidade e transparência |
Um exemplo típico de melhoria é reduzir o tempo médio de verificação de identidade de 3 minutos com upload manual de documentos para 40 segundos com biometria facial com prova de vida. Estudos de casos apresentados por empresas como Facephi e Truora relacionam essa redução a aumentos relevantes de conversão e queda de fraude.
Para que essas métricas sejam confiáveis, a instrumentação de eventos na aplicação precisa ser pensada desde o desenho do fluxo. Cada etapa de captura biométrica, validação, rejeição automática e revisão manual deve gerar eventos estruturados em seu data lake ou ferramenta de analytics. Isso permite criar dashboards que unem visão operacional e visão de risco, facilitando discussões em comitês de segurança e compliance.
Roteiro de implementação em 3 fases para biometria alinhada à LGPD
Entre visão estratégica e realidade de produção existe um caminho que precisa ser cuidadosamente planejado. Um roteiro prático em três fases ajuda a equilibrar ambição, recursos e governança, especialmente em organizações que lidam com grande volume de dados sensíveis.
Fase 1 – Diagnóstico e desenho (0 a 30 dias)
- Mapear todos os processos que hoje exigem autenticação, identificando canais, volumes e riscos associados.
- Classificar dados envolvidos, destacando onde há dados biométricos ou potencial de coleta futura.
- Revisar bases legais com o jurídico, definindo hipóteses para uso de dados biométricos em cada processo.
- Definir objetivos de negócio claros, como redução de fraude, aumento de conversão ou melhoria de experiência.
Fase 2 – Piloto controlado (30 a 60 dias)
- Selecionar um caso de uso de alto impacto e risco controlado, como onboarding de um segmento específico.
- Rodar POCs com 2 ou 3 fornecedores, avaliando não apenas performance, mas também documentação de compliance.
- Implementar controles mínimos de criptografia, consentimento e auditoria, alinhados aos princípios da LGPD.
- Coletar feedback de usuários e times internos para ajustes rápidos no fluxo.
Fase 3 – Escala e otimização contínua (60 a 90 dias e além)
- Expandir para outros canais e produtos, mantendo um catálogo atualizado de fluxos biométricos e respectivas bases legais.
- Automatizar relatórios de riscos, incidentes e indicadores de performance para comitês de governança.
- Integrar autenticação biométrica com mecanismos como certificados ICP-Brasil e KYC reutilizável, como destacado pela Valid Certificadora.
- Estabelecer revisões periódicas de modelos de IA, políticas de retenção e contratos com fornecedores.
Esse roteiro mantém compliance no volante desde o início. Em vez de apenas aprovar projetos prontos, a área passa a definir critérios, acompanhar métricas e liderar discussões sobre risco e valor de negócio.
Tendências até 2026 e o que fazer hoje para não ficar para trás
As previsões reunidas em fontes como CryptoID, Biometric Update e IT Forum convergem em alguns pontos. O primeiro é a consolidação de experiências totalmente sem senha, com passkeys FIDO e biometria integrada de forma nativa a dispositivos e navegadores. Isso reduz a superfície de ataque de phishing e simplifica a vida do usuário.
O segundo é a expansão da biometria para contextos físicos e de autoatendimento. Estádios, transporte público, varejo e serviços de saúde adotam biometria facial como padrão de acesso e pagamento, muitas vezes integrada a carteiras digitais. Isso traz ganhos de conveniência, mas também amplia o debate sobre vigilância e uso secundário de dados, exigindo salvaguardas mais fortes de governança.
Um terceiro movimento é o crescimento de identidades digitais descentralizadas e carteiras de identidade reutilizável, onde o usuário controla quais atributos compartilha em cada interação. Tendências apontadas por empresas como a Facephi indicam combinações entre biometria, credenciais verificáveis e IA embarcada. Para compliance, essa transição representa um salto de complexidade, mas também uma chance de reduzir dependência de documentos físicos e processos manuais.
Para não ficar para trás, organizações podem tomar três decisões ainda em 2025:
- Definir um "framework de identidade" que una políticas de autenticação, biometria, autorização e privacidade sob uma mesma governança.
- Começar com pelo menos um caso de uso de biometria em produção, ainda que em escala limitada, para aprender com dados reais.
- Estabelecer desde já uma relação próxima com áreas de segurança, jurídico, produtos e canais digitais, criando um fórum fixo de identidade digital.
Como transformar biometria e autenticação em vantagem competitiva
Biometria e autenticação deixaram de ser apenas resposta reativa a fraudes e regulações. Usadas com estratégia, podem se tornar diferenciais claros de conveniência, confiança e eficiência operacional. A chave está em combinar tecnologia sólida, governança madura e uma visão de jornada do cliente que prioriza tanto segurança quanto fluidez.
Tratar biometria como um cofre transparente ajuda a alinhar expectativas. A proteção precisa ser robusta, com criptografia forte, auditoria detalhada e decisões bem documentadas. Ao mesmo tempo, métricas claras e insights acionáveis permitem mostrar à diretoria o impacto real em fraude, conversão e satisfação.
O próximo passo é tirar o tema do campo exclusivamente técnico e levá-lo para a agenda estratégica de negócio. Times de compliance que assumirem esse protagonismo em 2025 estarão melhor posicionados para navegar a maturação regulatória, a evolução da Inteligência Artificial e a chegada de novas formas de identidade digital nos próximos anos.