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Autenticação Multifator em 2025: de obrigação regulatória a vantagem competitiva

Autenticação Multifator em 2025: de obrigação regulatória a vantagem competitiva

A Autenticação Multifator (MFA) deixou de ser um “nice to have” de segurança para se tornar um requisito explícito de compliance em diversos setores, no Brasil e no mundo. Órgãos públicos, reguladores e provedores de nuvem estão exigindo camadas extras de proteção para acesso a dados sensíveis, o que muda profundamente a forma como empresas planejam Autenticação & Acesso.

Pense na MFA como um cofre digital que só abre com duas chaves diferentes: algo que você sabe, algo que você tem ou algo que você é. Em 2025, não basta instalar esse “cofre”; é preciso demonstrar, com evidências, que ele está bem configurado, monitorado e alinhado às normas de segurança e privacidade.

Este artigo mostra como tratar a Autenticação Multifator não apenas como um check de auditoria, mas como um pilar estratégico da sua arquitetura de identidade, com foco em métricas, governança, riscos regulatórios e um roteiro prático de implementação.

Por que a Autenticação Multifator virou requisito de compliance

A pressão regulatória pela Autenticação Multifator cresceu fortemente a partir de 2024. No Brasil, o Gabinete de Segurança Institucional formalizou a adoção de MFA e controles de identidade em diretrizes como a OSIC 15/2024 do GSI, orientando órgãos federais a reforçar autenticação, criptografia e gestão de acessos.

No Judiciário, o Programa Justiça 4.0 e o PDPJ avançaram para exigir múltiplos fatores em plataformas processuais, como noticiado pelo TRF2 sobre MFA no PDPJ. A mensagem é clara: simples login e senha não atendem mais ao nível de risco dos serviços digitais críticos.

Cenário semelhante ocorre em outros países. O padrão CJIS, aplicado a informações criminais nos Estados Unidos, passou a exigir MFA para acesso a dados de justiça criminal, como detalhado nos requisitos de MFA do CJIS. Em paralelo, entidades como a ISACA orientam auditores a verificar a existência e a eficácia dessa camada adicional.

Operacionalmente, isso se traduz em três impactos diretos:

  1. Obrigação de provar conformidade: não basta declarar uso de Autenticação Multifator, é preciso evidenciar políticas, logs, testes e cobertura de usuários e sistemas.
  2. Revisão de contratos e SLAs: fornecedores críticos de aplicações e identidade passam a ser avaliados pela capacidade de oferecer MFA alinhada à regulamentação setorial.
  3. Priorização no roadmap de segurança: projetos de MFA migram de iniciativas “melhor esforço” para marcos com prazos regulatórios, frequentemente atrelados a auditorias anuais.

Um bom primeiro passo é montar um inventário de obrigações regulatórias relacionadas a autenticação (LGPD, normas setoriais, políticas internas) e mapear, sistema a sistema, onde a Autenticação Multifator já está presente, onde não está e onde é tecnicamente inviável no curto prazo.

Como conectar Autenticação Multifator à estratégia de Autenticação & Acesso

Tratar Autenticação Multifator isoladamente gera soluções pontuais e difíceis de manter. O ganho real vem quando ela é desenhada como parte de uma estratégia integrada de Autenticação & Acesso, dentro de uma arquitetura de Identity and Access Management (IAM).

Na prática, isso significa centralizar autenticação em um provedor de identidade (IdP) e orquestrar o uso de fatores adicionais via políticas. Plataformas como Microsoft Entra ID, Okta e RSA Security permitem configurar MFA a partir de sinais de risco, grupo de usuários, localização e criticidade da aplicação.

Um desenho de referência pode seguir esta lógica:

  1. Usuário acessa uma aplicação (interna ou SaaS).
  2. Aplicação delega autenticação ao IdP via OpenID Connect ou SAML.
  3. IdP avalia políticas de acesso condicional: contexto (rede, dispositivo, geolocalização), tipo de usuário, horário.
  4. Se o risco estiver acima do limiar, é exigida Autenticação Multifator (push no app, OTP, chave FIDO2, biometria, etc.).
  5. Após autenticação bem-sucedida, o IdP emite o token de acesso e registra o evento para auditoria.

Esse fluxo unifica Autenticação & Acesso e reduz o esforço de ativar MFA aplicação por aplicação. Em vez de múltiplos pontos de configuração, você gerencia as regras em um único plano de controle, o que facilita tanto a operação quanto a comprovação de conformidade.

Decisões-chave para o desenho da solução:

  • Quais fatores suportar: SMS e e-mail são simples, mas mais frágeis; push, tokens físicos e passkeys oferecem maior segurança. Idealmente, ofereça pelo menos dois métodos fortes.
  • Quais jornadas de usuário priorizar: comece por administradores, contas privilegiadas e acesso remoto a dados sensíveis, alinhando-se ao princípio de privilégio mínimo.
  • Como tratar exceções: sistemas legados sem suporte a protocolos modernos podem exigir gateways, proxys de autenticação ou planos de substituição.

Quando bem integrada, a Autenticação Multifator transforma o controle de acesso em um mecanismo dinâmico e mensurável, em vez de uma coleção de configurações dispersas.

Métricas,Dados,Insights: como medir o sucesso da Autenticação Multifator

Para que a Autenticação Multifator seja defensável em auditorias e em discussões com a diretoria, ela precisa vir acompanhada de Métricas,Dados,Insights claros. Organizações líderes monitoram não apenas se a MFA está ativa, mas se ela realmente reduz risco sem inviabilizar a experiência do usuário.

Alguns indicadores recomendados, inspirados em análises como o Secure Sign-in Trends Report da Okta e guias da ISACA sobre MFA, são:

  1. Cobertura de MFA

    • % de usuários com MFA habilitada
    • % de contas privilegiadas com MFA obrigatória
    • Meta sugerida: > 95% de contas administrativas e > 80% de contas comuns em até 12 meses
  2. Taxa de falhas de autenticação

    • Falhas por tipo de fator (OTP, push, biometria)
    • Comparação antes/depois da introdução de MFA
    • Ajuda a identificar fatores com baixa usabilidade ou problemas de entrega (ex: SMS bloqueado)
  3. Fricção e abandono de login

    • % de sessões em que o usuário abandona após ser solicitado a um segundo fator
    • Tempo médio para completar o login
    • Sinal de que é hora de avaliar métodos mais confortáveis, como push ou passkeys
  4. Incidentes evitados ou mitigados

    • Número de tentativas de login bloqueadas por MFA
    • Casos de credenciais vazadas em que a conta não foi comprometida graças ao segundo fator
  5. Tempo de onboarding de novas aplicações

    • Tempo médio para integrar uma nova aplicação ao IdP com suporte a MFA
    • Indica maturidade do processo e do catálogo de integrações

Operacionalmente, você precisa garantir que:

  • O IdP e os sistemas de Autenticação Multifator exportem logs ricos para um SIEM.
  • Os dashboards sejam revisados periodicamente em comitês de segurança e governança.
  • Métricas sejam ligadas a metas claras (OKRs ou KPIs) de redução de incidentes e de aumento de cobertura.

Sem esse pipeline de Métricas,Dados,Insights, a discussão sobre MFA fica presa a percepções subjetivas, dificultando decisões de investimento e priorização.

Criptografia,Auditoria,Governança em torno da MFA

Autenticação Multifator eficaz não se limita ao ato de pedir um segundo fator. Ela se apoia em três pilares complementares: Criptografia,Auditoria,Governança.

Do ponto de vista técnico, é essencial garantir:

  • Criptografia de segredos e tokens em repouso e em trânsito, com chaves protegidas em HSMs ou módulos equivalentes.
  • Segurança dos canais de entrega dos fatores, especialmente em métodos como SMS e e-mail, mais suscetíveis a interceptação.
  • Proteção dos dados biométricos, quando utilizados, com armazenamento e processamento em conformidade com a LGPD.

Em auditoria, organizações inspiram-se em orientações de entidades como a ISACA e em frameworks de segurança da informação para estruturar controles de revisão periódica de acessos, rastreabilidade de eventos de Autenticação Multifator e segregação de funções na administração do IdP.

Uma abordagem prática de Governança pode seguir esta estrutura:

  1. Política corporativa de autenticação

    • Define quando MFA é obrigatória, quais fatores são aceitos e como tratar exceções.
    • Faz referência explícita a requisitos regulatórios e padrões internos.
  2. Comitê de identidade e acesso

    • Reúne segurança, TI, jurídico e áreas de negócio críticas.
    • Revisa métricas de MFA, aprova mudanças relevantes de política e acompanha incidentes.
  3. Ciclo de auditoria contínua

    • Amostragem de acessos privilegiados e críticos para validar uso de Autenticação Multifator.
    • Revisão de logs em busca de padrões anômalos, como múltiplas falhas seguidas de sucesso em localidade suspeita.
  4. Gestão de terceiros e fornecedores

    • Cláusulas contratuais exigindo MFA para acesso remoto a dados sensíveis.
    • Verificação, em due diligences, de como o fornecedor aplica criptografia, auditoria e governança em sua própria infraestrutura de autenticação.

Esse conjunto de práticas transforma MFA em uma engrenagem integrada ao modelo de risco da organização, e não em um controle isolado.

Roteiro prático de implementação de MFA em ambientes legados

Na teoria, habilitar Autenticação Multifator é simples. Na prática, ambientes com sistemas legados, integrações antigas e usuários resistentes exigem um roteiro estruturado. A própria documentação do Microsoft Entra ID sobre MFA obrigatória reforça a necessidade de planejamento em ondas.

Um roteiro prático pode seguir cinco fases principais:

  1. Descoberta e segmentação

    • Inventarie aplicações, usuários, integrações e protocolos de autenticação usados (AD clássico, LDAP, SAML, OIDC, VPN proprietária).
    • Classifique aplicações por criticidade e compatibilidade com MFA.
  2. Desenho de arquitetura alvo

    • Defina seu IdP principal e, se necessário, proxies/gateways para aplicações que não suportam protocolos modernos.
    • Escolha quais fatores serão suportados e como serão distribuídos (por persona, risco, dispositivo).
  3. Piloto controlado

    • Comece por um grupo pequeno de usuários de alto valor (TI, segurança, financeiro, diretoria).
    • Monitore falhas, reclamações, incidentes, tempo de login e impacto em suporte.
  4. Escalonamento por ondas

    • Amplie a Autenticação Multifator por grupos ou unidades, ajustando políticas com base nos dados do piloto.
    • Trate exceções formais, com prazo de validade definido e plano de remediação.
  5. Hardening e desativação de autenticação simples

    • Onde a regulamentação exigir, defina datas para desativar logins sem MFA.
    • Alinhe a comunicação aos usuários e treine times de suporte para lidar com recuperação de contas.

Em ambientes legados, é comum lidar com integrações baseadas em ROPC (Resource Owner Password Credentials) ou autenticação embutida em código, que não dialogam bem com MFA. O ideal é priorizar a modernização dessas integrações, adotando bibliotecas de autenticação atuais e fluxos como Authorization Code + PKCE.

Ao longo de todo o processo, mantenha a área jurídica e de compliance envolvidas para validar se o plano de migração atende aos prazos e requisitos das normas aplicáveis.

Tendências: passwordless, biometria e MFA adaptativa

A Autenticação Multifator de 2025 não se limita mais ao modelo clássico “senha + código SMS”. Tendências como passwordless, biometria avançada e MFA adaptativa estão reconfigurando o equilíbrio entre segurança e experiência de uso, como destacam análises de fornecedores e de publicações como as tendências de identidade da RSA Security e relatórios de mercado sobre MFA.

Três movimentos merecem atenção especial:

  1. Passwordless e passkeys

    • Uso de chaves FIDO2, credenciais vinculadas ao dispositivo e autenticação baseada em criptografia assimétrica.
    • Reduz o risco de phishing e de vazamento de senhas, ao mesmo tempo em que simplifica o login.
    • Ainda assim, pode ser combinado a fatores adicionais (ex: biometria no dispositivo + fator corporativo) em cenários de alto risco.
  2. Biometria multimodal

    • Impressão digital, reconhecimento facial e, em alguns casos, voz ou padrões comportamentais.
    • Oferece conveniência, mas aumenta a responsabilidade quanto a privacidade e proteção de dados biométricos sensíveis sob a LGPD.
  3. MFA adaptativa com suporte de IA

    • Avalia risco da sessão em tempo real (dispositivo, localização, horário, comportamento) e decide quando exigir o segundo fator.
    • Ajuda a reduzir desgaste em cenários de baixo risco, mantendo postura rígida em acessos suspeitos.

Do ponto de vista de Compliance, essas tendências exigem reforço em avaliações de impacto à proteção de dados (DPIA), transparência com titulares e regras claras de retenção e descarte de dados utilizados na Autenticação Multifator.

Uma boa prática é incorporar essas inovações de forma incremental: comece com MFA tradicional bem governada, introduza passwordless em grupos piloto e, em seguida, adicione camadas adaptativas com monitoramento próximo de métricas de segurança e usabilidade.

Próximos passos para sua jornada de autenticação multifator

A Autenticação Multifator consolidou-se como um dos controles mais visíveis em auditorias de segurança e privacidade. Ela aparece em políticas governamentais, normas setoriais e recomendações de entidades como ISACA, além de ser cada vez mais mandatória em plataformas de nuvem e SaaS.

Para transformar essa exigência em vantagem competitiva, sua organização precisa ir além do simples “ligar o MFA”. É necessário conectá-lo à estratégia de Autenticação & Acesso, estruturar Métricas,Dados,Insights que comprovem eficácia, reforçar os pilares de Criptografia,Auditoria,Governança e construir um roteiro realista para migrar aplicações legadas.

Se você ainda está no início da jornada, priorize três ações concretas:

  1. inventariar obrigações regulatórias e sistemas críticos;
  2. escolher (ou consolidar) um IdP com boas capacidades de Autenticação Multifator;
  3. definir KPIs e dashboards que tornem o tema visível em fóruns executivos.

Assim como um cofre digital bem projetado, MFA só cumpre seu papel quando a organização inteira entende como usá-la, monitora seu funcionamento e ajusta continuamente o nível de proteção ao apetite de risco do negócio.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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