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Como fazer Análise de Requisitos em projetos de dados para gerar insights e ROI

Como fazer Análise de Requisitos em projetos de dados para gerar insights e ROI

Projetos de dados costumam começar com um pedido simples: “precisamos de um dashboard”. O problema é que, sem uma Análise de Requisitos estruturada, esse pedido vira um produto caro, pouco usado e difícil de manter. Em um cenário de IA generativa, low-code e pressão por produtividade, o gargalo não é mais tecnologia, e sim clareza sobre o que o negócio realmente precisa ver, medir e decidir.

Neste artigo, vamos percorrer um passo a passo para aplicar Análise de Requisitos em projetos de dados, analytics e BI. Você verá como conectar Análise Estratégica aos requisitos, traduzir perguntas de negócio em Métricas, Dados e Insights, detalhar Dashboards, Relatórios e KPIs e usar IA como acelerador, sem perder governança.

Por que Análise de Requisitos é decisiva em projetos de dados e analytics

Boa parte dos projetos de dados fracassa não por causa da ferramenta, mas por requisitos mal definidos. Relatórios de consultorias e estudos de mercado, como o material da EY sobre desafios e tendências das empresas na América Latina, mostram que produtividade e tomada de decisão ainda são grandes dores ligadas à informação.

Em dados, um “requisito ruim” costuma ser algo genérico como “quero ver vendas por mês”. O que falta: qual decisão será tomada, quem é o usuário, qual canal de vendas interessa, qual granularidade é necessária, de onde vêm os dados e quais filtros são obrigatórios. Sem esse nível de detalhe, o time técnico preenche lacunas baseado em suposições, o que gera retrabalho e desalinhamento.

A Análise de Requisitos bem feita reduz retrabalho, acelera entregas e aumenta a adoção dos dashboards. Estudos de mercado em requirements engineering, como os benchmarks da Gartner em requirements engineering orientado por IA, apontam reduções significativas de erros quando a fase de requisitos é robusta e apoiada por ferramentas inteligentes.

Do ponto de vista financeiro, cada iteração de correção em um dashboard representa horas de desenvolvimento, testes e validação. Em times enxutos, isso impacta diretamente o backlog e atrasa iniciativas críticas. A Análise de Requisitos funciona como um mapa que guia todas as decisões de modelagem de dados, UX e governança, evitando desvios caros.

Conectando Análise de Requisitos e Análise Estratégica

Análise de Requisitos não começa na ferramenta de BI, e sim na estratégia. Quando você pula essa etapa, o time acaba otimizando visualizações bonitas para problemas irrelevantes. Materiais de estratégia e futuro do trabalho, como as tendências de 2025 para empresas de tecnologia, reforçam que produtividade vem de alinhar dados com prioridades do negócio.

O fluxo recomendado é:

  1. Mapear objetivos estratégicos
    Use OKRs, metas anuais ou planos de crescimento. Exemplos: aumentar receita em 20%, reduzir churn em 10%, melhorar margem em determinado produto.

  2. Derivar decisões críticas
    Para cada objetivo, pergunte: “Que decisões recorrentes este time precisa tomar para chegar lá?”. Exemplo: decidir quais segmentos priorizar em campanhas ou quais clientes abordar proativamente.

  3. Formular perguntas de negócio
    Transforme decisões em perguntas. Exemplo: “Quais segmentos geram maior LTV?” ou “Quais clientes apresentam sinais precoces de churn?”. Esta é a ponte entre Análise Estratégica e Análise de Requisitos.

  4. Identificar stakeholders e papéis
    Quem vai usar o dashboard ou relatório? Marketing, vendas, finanças, diretoria. Relatórios como as tendências globais de talentos da Mercer mostram que contextos de trabalho híbridos aumentam a necessidade de experiências de informação personalizadas.

  5. Definir restrições e critérios de sucesso
    Prazo, orçamento, nível de automação desejado, integrações críticas e critérios claros de sucesso. Exemplo: “Consideramos o projeto bem-sucedido se o time de marketing usar o dashboard semanalmente e reduzir o tempo de análise manual em 50%”.

Framework em 5 camadas

Você pode organizar a Análise de Requisitos em cinco camadas hierárquicas:

  1. Objetivo estratégico
  2. Decisões que o time precisa tomar
  3. Perguntas de negócio
  4. Indicadores e dimensões necessários
  5. Fontes de dados, regras e restrições

Esse framework garante que cada campo do dashboard esteja ligado a uma prioridade estratégica, evitando “métricas por decoração”.

Da pergunta de negócio às Métricas, Dados e Insights

Depois de traduzir a Análise Estratégica em perguntas de negócio, começa a etapa central da Análise de Requisitos: transformar essas perguntas em Métricas, Dados e Insights acionáveis.

Um erro comum é listar apenas KPIs isolados. O caminho correto é seguir esta sequência:

  1. Pergunta de negócio
  2. Indicadores que respondem à pergunta
  3. Dados de origem que alimentam os indicadores
  4. Regras de cálculo e filtros
  5. Insights esperados e ações decorrentes

Veja um exemplo simplificado em formato de tabela:

Pergunta de negócio Métricas principais Dados necessários Ação esperada
Quais clientes têm maior risco de churn? Taxa de cancelamento, score de risco Histórico de compras, tickets, interações de suporte Priorizar campanhas de retenção
Quais campanhas trazem o melhor LTV? LTV, CAC, ROI de campanha Custos, leads, vendas, recorrência Redirecionar verba para campanhas ganhadoras
Qual canal gera mais leads qualificados por região? Leads qualificados, taxa de conversão Dados de CRM, formulários, UTMs Ajustar mix de canais por praça

Checklist prático de requisitos de dados

Para cada métrica definida, registre:

  • Nome da métrica e descrição de negócio.
  • Fórmula exata, incluindo contagens, somas, divisões e períodos.
  • Tabelas e campos de origem em cada sistema.
  • Regras de inclusão e exclusão de registros.
  • Grão de análise (por dia, mês, cliente, canal).
  • Latência aceitável (tempo real, diário, semanal).
  • Regras de qualidade de dados mínimas.

Ferramentas de marketing, como o RD Station Marketing, facilitam a coleta de dados de campanhas, mas só entregam valor real quando esses requisitos estão claros. Sem isso, você corre o risco de ter dados abundantes, porém inúteis para gerar Insights e decisões.

Ao documentar de forma estruturada, a conversa muda. Em vez de discutir “gostei” ou “não gostei” do gráfico, o time avalia se as regras de negócio das Métricas e dos Dados estão alinhadas com a realidade operacional.

Requisitos para Dashboards, Relatórios e KPIs na prática

Quando a base de Métricas e Dados está clara, é hora de especificar os requisitos de Dashboards, Relatórios e KPIs. Aqui, a Análise de Requisitos precisa detalhar o produto de dados que será entregue, não apenas as tabelas.

Uma boa prática é dividir os requisitos em categorias:

  1. Conteúdo e storytelling

    • Lista de KPIs obrigatórios, com prioridade.
    • Dimensões de análise (tempo, canal, segmento, região).
    • Histórias que o dashboard deve responder, como “onde estamos perdendo receita?”.
  2. Usuário, jornadas e experiências

    • Perfis de usuários: analistas, heads, C-level.
    • Jornada de uso: frequência de acesso, dispositivos, contexto.
    • Nível de detalhe adequado para cada público.
  3. Interação e visualização

    • Filtros obrigatórios, drill-downs, segmentações.
    • Gráficos preferenciais para cada tipo de dado.
    • Necessidade de exportação para outros relatórios.
  4. Operação e governança

    • Periodicidade de atualização.
    • SLA de disponibilidade.
    • Perfis de acesso e restrições de segurança.

Modelo de requisito de dashboard

Para operacionalizar, use um modelo padrão por página de dashboard:

  • Nome do dashboard: Performance de Aquisição Digital.
  • Objetivo: acompanhar eficiência e ROI dos canais digitais.
  • Usuários principais: coordenação de marketing, gestor de mídia paga.
  • Decisões suportadas: aumentar investimento em canais rentáveis, pausar campanhas deficitárias.
  • KPIs obrigatórios: visitas, leads, CAC, LTV, ROI por canal.
  • Principais dimensões: canal, campanha, criativo, região, período.
  • Fontes de dados: plataforma de automação, CRM, mídia paga.
  • Atualização: diária.
  • Regras específicas: excluir campanhas de branding na análise de ROI.

Ferramentas de visualização como o Power BI, detalhado na documentação oficial do Power BI, permitem prototipar rapidamente esses layouts. Entretanto, sem requisitos bem escritos, a capacidade técnica é desperdiçada em iterações intermináveis.

IA, low-code e o futuro da Análise de Requisitos

A partir de 2025, a Análise de Requisitos em dados entra em uma nova fase, marcada por IA e plataformas low-code. Artigos sobre tendências tecnológicas em 2025 destacam o avanço de ferramentas que permitem construir produtos digitais complexos com menos código, o que desloca a complexidade para o entendimento do problema.

Estudos recentes apontam que o uso de IA na etapa de elicitação de requisitos pode reduzir erros e retrabalho. Materiais como o artigo da Alura sobre Análise de Requisitos com IA mostram casos em que assistentes inteligentes ajudam a transformar entrevistas com stakeholders em documentos estruturados.

Na prática, você pode usar IA em três frentes:

  1. Preparação de workshops
    Use IA para analisar documentos existentes, e-mails e relatórios, gerando um resumo das principais dores e hipóteses para validar com o time.

  2. Elicitação guiada
    Grave entrevistas com usuários e utilize IA para gerar listas de requisitos preliminares, perguntas em aberto e conflitos entre áreas.

  3. Refinamento de documentação
    Peça ajuda para padronizar a linguagem dos requisitos, criar exemplos de regras de negócio e estruturar seções de um documento de Análise de Requisitos.

Ao mesmo tempo, relatórios como as tendências de mercado e inovação e estudos de consultorias globais indicam riscos de depender demais de automação sem supervisão humana. O papel do analista de dados passa a ser o de curador: validar premissas, ajustar nuances de negócio e garantir alinhamento com a estratégia.

Em ambientes de martech, onde ferramentas se integram rapidamente, a combinação de IA, low-code e Análise de Requisitos robusta permite atingir hiperprodutividade, porém com governança. O ganho real não está em “documentar mais”, e sim em documentar melhor e mais inteligente.

Próximos passos para maturar sua Análise de Requisitos

A Análise de Requisitos em dados não é um exercício isolado, mas um processo contínuo de alinhamento entre estratégia, pessoas e tecnologia. Em um contexto em que relatórios como o da EY sobre desafios e tendências das empresas na América Latina e estudos globais de produtividade destacam pressão por resultados rápidos, quem domina essa disciplina ganha vantagem competitiva.

Para evoluir, siga três passos imediatos:

  1. Padronize seu framework
    Adote um modelo único de Análise de Requisitos que conecte objetivo estratégico, decisões, perguntas de negócio, Métricas, Dados e Insights.

  2. Crie rituais de validação com o negócio
    Antes de qualquer desenvolvimento, faça revisões conjuntas do documento de requisitos com stakeholders-chave. Trate o documento como contrato vivo, não como burocracia.

  3. Use IA e prototipação como aliados
    Combine ferramentas de prototipação rápida, como BI low-code, com assistentes de IA para acelerar a documentação, sempre com revisão crítica humana.

Com isso, o “mapa de requisitos” do seu projeto deixa de ser um arquivo esquecido e passa a orientar decisões, priorizações de backlog e evolução contínua dos produtos de dados. É assim que Dashboards, Relatórios e KPIs deixam de ser artefatos estáticos e se tornam alavancas reais de performance e ROI para o negócio.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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