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Guia completo de Adobe Analytics para times de marketing orientados por dados

Em poucos anos, a forma como seus clientes chegam ao seu site mudou radicalmente. Buscas tradicionais continuam importantes, mas comparadores, marketplaces e agora ferramentas de IA generativa passaram a influenciar cada etapa da jornada. Relatórios recentes da própria Adobe indicam crescimentos de três dígitos no tráfego de varejo vindo de ferramentas de IA, com usuários mais engajados e propensos a converter.

Nesse cenário, depender apenas de relatórios básicos ou de um único canal de analytics se tornou arriscado. Para um ecommerce de varejo se preparando para a Black Friday, a plataforma Adobe Analytics funciona como uma verdadeira torre de controle de dados: integra fontes, mede cada interação e revela onde estão as oportunidades reais de crescimento. Este artigo mostra, na prática, como usar a ferramenta para estruturar Análise & Métricas, criar dashboards úteis e transformar Métricas, Dados e Insights em ações que geram resultado.

O que é Adobe Analytics e por que ele importa agora

Adobe Analytics é a solução de web analytics e customer analytics da Adobe Experience Cloud, pensada para empresas que precisam ir além de relatórios padrão de visitas e cliques. Em vez de apenas contar pageviews, ele permite combinar dados de múltiplos canais, construir segmentos avançados e analisar jornadas completas, do primeiro contato até a recompra.

Enquanto ferramentas como o Google Analytics 4 se posicionam como padrão de mercado para grande volume de pequenas e médias empresas, o Adobe Analytics foca cenários em que você precisa de alta flexibilidade de implementação, integrações profundas com CRM, CDP e soluções de personalização. A conexão nativa com Adobe Experience Platform, Customer Journey Analytics e Adobe Target facilita transformar insight em ativação, sem exportar planilhas manualmente.

O relatório global Adobe Digital Trends mostra que a maioria dos executivos já enxerga IA e analytics preditivo como motores centrais de crescimento. A própria Adobe vem divulgando que o tráfego vindo de ferramentas de IA generativa cresce a taxas acima de mil por cento ano contra ano em alguns segmentos de varejo, com queda relevante de bounce rate e aumento de tempo no site. Ignorar esse novo canal significa deixar dinheiro na mesa e manter modelos de atribuição desatualizados.

Em resumo, o Adobe Analytics importa porque oferece três coisas em conjunto: escala de dados corporativos, profundidade de análise e integração direta com ferramentas de ativação. Isso permite que times de marketing e dados saiam do modo "dashboard pelo dashboard" e passem a operar uma máquina contínua de experimentação, otimização e personalização.

Como estruturar Análise & Métricas no Adobe Analytics

Antes de abrir qualquer workspace, o trabalho crítico acontece no papel: desenhar a arquitetura de Análise & Métricas. Sem isso, mesmo o melhor setup de Adobe Analytics vira apenas mais um sistema caro com gráficos bonitos, porém pouco acionáveis.

Comece pelas perguntas de negócio, não pelos relatórios. Para um ecommerce de varejo se preparando para a Black Friday, elas podem ser, por exemplo:

  • Como aumentar a receita sem sacrificar margem por conta de promoções agressivas?
  • Quais canais trazem clientes com maior LTV, não apenas maior volume?
  • Onde a jornada quebra entre descoberta, carrinho e pagamento?

A partir daí, traduza cada pergunta em um conjunto mínimo de KPIs e métricas de comportamento. Uma estrutura simples é organizar em quatro colunas:

Objetivo de negócio KPI de resultado Métrica de comportamento Segmentos-chave
Aumentar receita na Black Friday Receita, margem, tickets aprovados Taxa de adição ao carrinho, abandono, uso de cupom Novos vs recorrentes, canal de aquisição, IA generativa

No Adobe Analytics, isso se reflete em:

  • Eventos que medem ações críticas, como exibir produto, adicionar ao carrinho, iniciar checkout, concluir compra, aplicar cupom.
  • eVars (variáveis de conversão) para capturar contexto persistente, como campanha, categoria, tipo de cliente, método de pagamento.
  • props (variáveis de tráfego) para navegação imediata, como tipo de página, posição de banner ou filtro aplicado.
  • Segmentos que organizam públicos por valor, canal, comportamento e impacto em KPIs.

Trabalhe com um dicionário de métricas centralizado, mantendo o mesmo significado em todos os relatórios. Expressões como “Métricas, Dados e Insights” só ganham poder quando toda a organização fala a mesma língua. Isso reduz discussões improdutivas sobre números divergentes e libera tempo para discutir hipóteses e ações.

Configurando Métricas, Dados e Insights para o funil digital

Com a arquitetura de medição definida, o próximo passo é garantir que os dados cheguem corretos ao Adobe Analytics. Aqui a disciplina técnica é tão importante quanto a estratégia.

O caminho ideal começa em uma camada de dados bem desenhada no site ou app, que descreve de forma padronizada produtos, categorias, preços, descontos, estado do carrinho e identificadores de usuário. Essa camada é então consumida por um gerenciador de tags, como o Adobe Tags (antigo Launch), que envia os eventos configurados para a suíte de Adobe Analytics e demais ferramentas da Adobe Experience Cloud.

Para o funil digital, pense em três blocos de eventos:

  1. Descoberta e interesse: pageviews qualificados, scroll, cliques em banners, interações com busca interna e filtros.
  2. Consideração e intenção: visualização de ficha de produto, interação com avaliações, “adicionar ao carrinho”, “salvar para depois”.
  3. Conversão e pós-venda: início de checkout, etapas do formulário, aprovação ou recusa de pagamento, confirmação de pedido, troca e devolução.

Inclua também parâmetros que identifiquem de forma clara novas fontes de tráfego, como referências vindas de ferramentas de IA generativa e assistentes de compras. Crie códigos de campanha específicos e classifique-os como canal próprio em seus relatórios. Estudos recentes da Adobe mostram que esses visitantes tendem a ter bounce rate menor e maior profundidade de sessão, o que muda a forma de priorizar investimento e conteúdo.

O uso de recursos de IA, como detecção automática de anomalias e previsão de tendência apoiados em Adobe Sensei, ajuda a identificar rapidamente quedas de conversão por dispositivo, problemas em passos específicos do checkout ou comportamento atípico em determinadas campanhas. Combinados com benchmarks externos como o Adobe Digital Economy Index, esses recursos permitem separar o que é efeito de mercado do que é problema de execução interna.

O objetivo final é simples: para cada parte do funil, ter Métricas, Dados e Insights claros o suficiente para responder em minutos, não em dias, à pergunta “o que está acontecendo e o que devemos testar agora?”.

Dashboards, Relatórios e KPIs em Adobe Analytics

Com dados confiáveis, chega a hora de montar dashboards e relatórios que realmente ajudem na tomada de decisão. No Adobe Analytics, o ambiente Analysis Workspace é o coração desse trabalho. Ali você combina painéis, visualizações, segmentos e filtros em projetos personalizados para cada público interno.

Um erro comum é criar um único dashboard "definitivo" que tenta atender marketing, produto, financeiro e diretoria. Na prática, é muito mais eficiente ter conjuntos enxutos de painéis por objetivo e audiência. Para um ecommerce em modo Black Friday, você pode estruturar assim:

  • Painel executivo diário: receita, margem, pedidos, taxa de conversão, comparação com meta e mesmo dia do ano anterior, fatia de tráfego por canal, inclusive IA generativa.
  • Painel de aquisição: custo por pedido, LTV estimado por canal, taxa de aprovação de pagamento, participação de novos clientes, qualidade de tráfego por origem.
  • Painel de jornada: funil completo por dispositivo, abandono por etapa, impacto de cupons, tempo médio entre primeira visita e compra.

Use visualizações como fluxos de jornada, mapas de queda no funil e gráficos de contribuição para entender rapidamente onde atuar. A documentação de Customer Journey Analytics na Experience League apresenta modelos de guided analysis que aceleram bastante esse tipo de construção, com templates por indústria.

As métricas principais de cada painel devem estar diretamente ligadas a decisões possíveis. Se não há ação clara associada a um número, questione se ele precisa mesmo aparecer. A tríade "Dashboard, Relatórios, KPIs" funciona melhor quando cada visualização responde a uma pergunta de negócio específica, como “quais campanhas trazem maior margem líquida?” ou “em que ponto do checkout os clientes de mobile estão desistindo?”.

Por fim, documente a cadência de uso de cada relatório: quem olha, quando e qual decisão é tomada. Sem esse ritual, mesmo o melhor dashboard vira apenas um painel bonito projetado na TV da área.

Do dado à ação: personalização, testes e jornada do cliente

Ter uma torre de controle de dados é ótimo, mas o retorno real aparece quando você conecta o Adobe Analytics às ferramentas de ativação. A integração com Adobe Target, Adobe Journey Optimizer e Real-Time CDP permite transformar insights em experiências personalizadas em tempo quase real.

Um fluxo típico funciona assim:

  1. Um relatório indica que clientes recorrentes que usam busca interna convertem muito acima da média.
  2. Você cria um segmento no Adobe Analytics com esse comportamento e o compartilha com o Real-Time CDP.
  3. No Adobe Target ou Journey Optimizer, configura experiências personalizadas para esse público, como banners de recomendação, cupons exclusivos ou jornadas de email focadas em upsell.
  4. A performance dessas experiências volta para o Adobe Analytics, fechando o ciclo de medição.

O case da companhia de cruzeiros AIDA, descrito pela própria Adobe no estudo de caso oficial, mostra esse ciclo em prática. Ao combinar Adobe Experience Platform, Target e Real-Time CDP, a empresa rodou testes em larga escala e reportou aumento de mais de 20% em tempo de permanência e crescimento significativo de visitas mobile. O ponto central não é o número exato, mas a lógica: dados unificados, hipóteses claras, testes bem instrumentados e KPIs alinhados ao negócio.

Para um ecommerce em preparação para a Black Friday, um playbook de 90 dias pode incluir:

  • Priorizar 3 a 5 hipóteses de personalização com base em segmentos de alto valor identificados no Adobe Analytics.
  • Implementar testes A/B e multivariáveis em páginas de produto, carrinho e checkout, sempre com métricas de receita e margem como critério principal.
  • Automatizar jornadas de recuperação de abandono de carrinho, diferenciando novos clientes de recorrentes.
  • Usar dados de IA generativa como canal separado, testando mensagens específicas para esse público.

O objetivo é claro: sair do ciclo de "relatório, reunião, email" e operar um ciclo contínuo de "insight, experimento, aprendizagem, escala".

Boas práticas, riscos e próximos passos com Adobe Analytics

Como toda plataforma poderosa, o Adobe Analytics traz consigo riscos se for usado sem governança. O primeiro é o caos de implementação: variáveis criadas sem padrão, eventos duplicados, significados diferentes para a mesma métrica entre áreas. A melhor defesa é uma governança rígida de dicionário de dados, naming convention e documentação viva.

Outro ponto crítico é a atribuição em um mundo em que novas fontes de tráfego, como recomendações de IA generativa, crescem rapidamente. Se você trata toda essa origem como "outros" ou mistura com orgânico, sua visão de canal fica distorcida e as decisões de investimento em mídia podem ir para o lugar errado. Vale revisar os modelos de atribuição multi-toque, testar diferentes janelas e incluir explicitamente o canal de IA generativa nas análises.

Há ainda o risco da "automação cega". Recursos de IA que sugerem insights ou detectam anomalias são valiosos, mas não substituem conhecimento de negócio e validação estatística. Reviews independentes, como o da consultoria Devrun no artigo sobre a evolução do Adobe Analytics, reforçam a importância de combinar automação com processos claros de revisão humana e experimentação.

No campo regulatório, a combinação de perfis unificados, dados em tempo real e personalização intensa exige atenção redobrada à LGPD. Antes de aprofundar integrações entre Adobe Analytics, CDP e ferramentas de ativação, revise bases legais, políticas de consentimento e mecanismos de opt-out à luz de referências como o guia da Autoridade Nacional de Proteção de Dados e boas práticas debatidas por especialistas em privacidade.

Por fim, não esqueça de olhar o cenário competitivo. Compare seus indicadores com benchmarks setoriais da própria Adobe, como o Digital Economy Index, e com padrões consolidados de outras plataformas, como o Google Analytics 4. Isso ajuda a calibrar expectativas e identificar se o problema está em sua operação ou em um movimento mais amplo de mercado.

Um bom caminho é estabelecer um roadmap de maturidade em analytics, com estágios claros que vão de "medição básica" a "orquestração em tempo real". Defina critérios objetivos para subir de nível, como cobertura de medição, confiabilidade de dados, uso de testes A/B e integração com canais de ativação.

Fechando a estratégia com Adobe Analytics

Se você enxerga o Adobe Analytics apenas como um gerador de relatórios, está subutilizando uma ferramenta projetada para ser a torre de controle de dados do seu marketing. Quando bem implementado, ele conecta Análise & Métricas, funil digital, personalização e experimentação em um mesmo ambiente, permitindo que seu ecommerce tome decisões mais rápidas e fundamentadas.

Para um time se preparando para a Black Friday, os passos são claros: revisar a arquitetura de medição, garantir qualidade da captura de dados, construir poucos dashboards realmente acionáveis e conectar os insights às ferramentas de ativação. Ao mesmo tempo, é fundamental atualizar modelos de atribuição para considerar canais emergentes, como o tráfego vindo de ferramentas de IA generativa, e reforçar governança e privacidade.

Comece pequeno, mas com intenção: escolha um objetivo de negócio crítico, desenhe o conjunto mínimo de KPIs e fluxos de relatório no Adobe Analytics e rode uma sequência enxuta de testes ao longo de 60 a 90 dias. Com disciplina, a combinação de Métricas, Dados e Insights se traduz em crescimento mensurável, maior previsibilidade de resultado e vantagem competitiva difícil de copiar.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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