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Infraestrutura de Dados 2025: como preparar sua operação para a era da IA

Infraestrutura de Dados 2025: como preparar sua operação para a era da IA

A explosão da IA generativa, dos modelos de machine learning mais complexos e das jornadas digitais em múltiplos canais colocou uma pressão inédita sobre a infraestrutura de dados. Não basta mais ter um data lake, alguns dashboards e uma equipe de Ciência de Dados brilhante. Sem uma base sólida, escalável e observável, tudo vira piloto eterno, custo de nuvem fora de controle e decisões pouco confiáveis.

Muita empresa já sente isso na prática: relatórios que nunca batem entre si, latência elevada para gerar insights, SLAs estourados e times travados em tarefas operacionais. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro se consolida como hub regional de data centers e conectividade, com forte avanço em investimentos e novas tecnologias de resfriamento e alta densidade.

Neste artigo, você vai ver como desenhar e evoluir uma infraestrutura de dados moderna em 12 meses, conectando data centers, nuvem, observabilidade, governança e métricas de negócio. A ideia é sair da visão abstrata e chegar em um blueprint prático para sustentar dados, métricas e insights em escala.

Por que a infraestrutura de dados virou prioridade de negócio

Pense na sua infraestrutura de dados como uma malha ferroviária. Se trilhos, estações e sinais não forem bem planejados, nenhum trem chega ao destino certo, no horário certo. O mesmo vale para a jornada que transforma dados brutos em decisões e KPIs de negócio.

Nos últimos anos, investimentos em data centers e conectividade no Brasil explodiram, com o país concentrando cerca de metade da capacidade da América Latina e mais de 480 MW de capacidade de TI em operação, segundo operadores como a Ascenty. Em paralelo, pesquisas globais de observabilidade, como o relatório da New Relic sobre tendências de observabilidade em 2025, mostram que a adoção de monitoramento com IA já passa de 50% das organizações.

A mensagem é clara: dados e infraestrutura saíram do porão de TI e entraram no centro da estratégia. Sem uma base robusta, times de Ciência de Dados gastam grande parte do tempo só limpando e movendo dados. Dashboards e relatórios sofrem com baixa confiabilidade. Crescer passa a significar apenas mais custos em nuvem, sem ganho proporcional em insights.

Um bom teste de realidade é simples: se mais de 70% dos relatórios críticos ainda dependem de extrações manuais e planilhas, sua infraestrutura está atrasada. E se as áreas de negócio não confiam totalmente nos KPIs apresentados, você tem um problema estrutural, não de visualização.

Arquitetura moderna de infraestrutura de dados: da fonte ao insight

Uma infraestrutura de dados moderna não é um único sistema, e sim um ecossistema coerente que conecta captura, armazenamento, processamento e consumo de informação. Nesse ecossistema, a “sala de controle” são os dashboards e KPIs que orientam decisões em tempo real, alimentados por uma cadeia de valor bem definida.

Uma forma prática de enxergar essa arquitetura é em quatro camadas principais:

1. Fonte e ingestão
Aqui entram aplicações transacionais, sistemas legados, eventos de produto, logs, APIs externas e IoT. Ferramentas de ingestão em tempo real e em batch (ETL/ELT) garantem que dados transitem com qualidade e rastreabilidade. Plataformas modernas adotam conectores prontos e pipelines versionados, muitas vezes orquestrados por ferramentas como Airflow ou soluções nativas de nuvem.

2. Armazenamento e processamento
Esta camada combina data lakes para dados brutos, data warehouses para dados estruturados e, crescentemente, arquiteturas lakehouse. O objetivo é equilibrar custo, desempenho e flexibilidade para servir casos de uso de BI, análises avançadas e Ciência de Dados. Boas práticas incluem separar ambientes de desenvolvimento, homologação e produção e configurar zonas de dados (raw, refined, curated).

3. Modelagem, métricas e dados para consumo
Aqui os dados ganham semântica de negócio: tabelas de fatos e dimensões, modelos analíticos e camadas de métricas. É nesta etapa que você define o que é “cliente ativo”, “pedidos perdidos” ou “churn”, evitando definições duplicadas em cada time. Ferramentas de métricas centralizadas e catálogos de dados reduzem conflitos entre áreas.

4. Consumo: dashboards, relatórios e KPIs
Por fim, dashboards, relatórios e análises ad hoc são expostos em ferramentas de visualização e exploração. O ideal é oferecer um conjunto pequeno de painéis executivos, mais poucos painéis operacionais muito bem desenhados por área. O papel dessa camada é transformar métricas, dados e insights em decisões, não em sobrecarga de gráficos.

Uma boa infraestrutura de dados conecta essas camadas com segurança, governança e observabilidade desde o início, e não como remendo posterior.

Data centers, nuvem e borda: preparando a base física para IA

A base física da infraestrutura de dados está passando por uma transformação profunda. O avanço de cargas de trabalho de IA e analytics intensivo exige maior densidade por rack, novas formas de resfriamento e redes com largura de banda muito superior.

Operadores brasileiros como Elea Digital e Zeittec apontam que densidades de 30 a 100 kW por rack já se tornam realidade para hospedar GPUs e aceleradores. Isso puxa a adoção de resfriamento a líquido e redes em topologia spine-leaf, que garantem baixa latência e alta disponibilidade para clusters de IA.

Relatórios de mercado também mostram forte crescimento de arquiteturas híbridas e multicloud, com até 80% das empresas operando entre data centers próprios, colocation e nuvem pública. Publicações como a da Cirion Technologies sobre IA e infraestrutura reforçam que redes de alta capacidade, muitas vezes com enlaces de 400/800 Gbps, são essenciais para mover grandes volumes de dados entre regiões e provedores.

Para transformar isso em prática, use um fluxo de trabalho em três passos:

  1. Mapeie workloads por perfil: treinamento de modelos, inferência em tempo real, BI, relatórios regulatórios, armazenamento frio. Cada grupo tem requisitos diferentes de CPU, GPU, latência e resiliência.
  2. Defina o melhor “substrato” para cada workload: colocation de alta densidade, nuvem pública, nuvem privada ou borda. Use critérios objetivos de latência, custo total de propriedade (TCO), compliance e necessidade de elasticidade.
  3. Planeje capacidade por horizonte de 3 anos: incorpore tendências de negócio, crescimento de volume de dados e novas frentes de IA. Alinhe esse plano à estratégia de investimentos em infraestrutura, incluindo linhas de financiamento como as destacadas por operadores e entidades setoriais.

Com isso, sua infraestrutura física deixa de ser apenas custo fixo e passa a ser alavanca para produtos digitais baseados em dados.

Observabilidade e governança: mantendo a infraestrutura de dados sob controle

Conforme o ecossistema de dados cresce, aumenta a complexidade operacional. Pipelines em tempo real, dezenas de microserviços, múltiplas contas em nuvem e uma variedade de ferramentas criam um ambiente onde incidentes se tornam mais frequentes e difíceis de diagnosticar. É aqui que observabilidade e governança se tornam pilares.

Pesquisas recentes como o relatório global de observabilidade da New Relic mostram que a adoção de recursos de monitoramento com IA, automação de análise de causa raiz e plataformas unificadas já é maioria. Ao mesmo tempo, sínteses de previsões do Gartner, divulgadas por players como a Odata, apontam para a importância de “cyberstorage” e infraestrutura otimizada por workload.

Na prática, estruturar observabilidade para infraestrutura de dados passa por três frentes:

1. Telemetria padronizada
Colete métricas, logs e traces de todas as camadas: ingestão, processamento, armazenamento, APIs e ferramentas de BI. Defina naming conventions claras para serviços, jobs e recursos. Isso permite visualizar um fluxo de dados de ponta a ponta.

2. SLOs e alertas orientados a negócio
Em vez de alertar apenas por CPU ou disco, defina SLOs como “95% dos jobs de ingestão concluem em até 15 minutos” ou “pelo menos 99% das consultas críticas de dashboard respondem em menos de 3 segundos”. Configure alertas para violação desses objetivos, conectando diretamente infraestrutura a impacto de negócio.

3. Governança, segurança e compliance
Setores como o financeiro, guiados por entidades como a FEBRABANtech, já tratam resiliência, soberania de dados e segurança como requisitos de design. Isso envolve classificação de dados, criptografia ponta a ponta, trilhas de auditoria e políticas claras de acesso.

O resultado é uma “sala de controle” onde times conseguem ver, em tempo quase real, a saúde do ecossistema de dados, correlacionando falhas técnicas com impacto em métricas e KPIs estratégicos.

De dados a decisões: estruturando métricas, dashboards e KPIs

Infraestrutura de dados só faz sentido se encurta o caminho entre fatos e decisões. Isso exige um desenho intencional de métricas, dashboards, relatórios e KPIs que conecte linguagem de negócio, lógica analítica e dados disponíveis.

Um bom ponto de partida é montar uma árvore de métricas para cada objetivo estratégico. Por exemplo, para “crescer receita recorrente”, você pode decompor em métricas como base de clientes ativos, ticket médio, churn, engajamento em canais digitais e conversão de upsell. Cada métrica deve ter definição única, fórmula explícita, fonte de dados e responsável de negócio.

Com a árvore definida, siga um fluxo prático:

  1. Desenhe a camada semântica: traduza definições de métricas em modelos de dados e tabelas de métricas centralizadas, evitando que cada time faça seus próprios cálculos em planilhas.
  2. Construa dashboards enxutos: prefira poucos painéis que contem uma história clara, em vez de dezenas de visualizações pouco usadas. Reserve um espaço para exploração ad hoc, mas proteja as visões oficiais que suportam decisões executivas.
  3. Alinhe cadência de relatórios ao ciclo de decisão: KPIs táticos (operacionais) podem exigir atualização diária ou intradiária; KPIs estratégicos talvez bastem semanal ou mensalmente. Sincronize isso com rituais de gestão já existentes.

Ferramentas de BI modernas se integram bem a ware­houses e lakehouses e permitem que times autônomos criem visualizações, desde que a base de dados e métricas seja consistente. Sem essa base, cada dashboard vira uma “versão da verdade” diferente e a infraestrutura de dados passa a gerar ruído, não insights.

Roteiro de 12 meses para evoluir sua infraestrutura de dados

Com tantas frentes envolvidas, é fácil se perder em iniciativas paralelas. Um roteiro de 12 meses ajuda a organizar prioridades e criar marcos claros de avanço. Use o plano abaixo como referência e ajuste ao seu contexto.

0 a 90 dias: diagnóstico e quick wins

  • Mapear o estado atual: fluxos de dados, inventário de fontes, ferramentas e principais dashboards.
  • Identificar gargalos mais críticos: jobs que mais falham, relatórios que mais atrasam, custos de nuvem desbalanceados.
  • Implementar quick wins, como padronização de nomenclaturas, revisão de agendamentos de jobs e criação de um painel único de saúde de pipelines.

3 a 6 meses: fundações de infraestrutura de dados

  • Definir a arquitetura alvo entre data center próprio, colocation e nuvem, considerando recomendações de mercado de provedores como Elea Digital e de análises setoriais como as da DataCenterDynamics.
  • Criar ou reforçar a camada de armazenamento analítico (warehouse/lakehouse) com zonas bem definidas e políticas de segurança.
  • Estabelecer padrões de telemetria, logs e métricas para todos os componentes novos.

6 a 12 meses: escala, IA e automação

  • Introduzir ou expandir o uso de orquestração e infraestrutura definida por software, apoiando-se em referências práticas como as discutidas no blog da Under sobre tendências de infraestrutura de TI.
  • PriorizAR cargas de trabalho de IA e análises avançadas com requisitos claros de latência e throughput, posicionando-as na combinação ideal de nuvem, colocation e borda.
  • Evoluir observabilidade e governança para cobrir todo o ciclo de vida de dados, de ingestão a dashboards executivos, com SLOs definidos e revisados periodicamente.

Um indicador de sucesso ao final de 12 meses é simples: tempo entre uma pergunta de negócio relevante e um insight confiável deve cair drasticamente, ao mesmo tempo em que os custos por consulta ou por pipeline estabilizam ou diminuem.

Erros comuns e como evitá-los na jornada de infraestrutura de dados

Mesmo com um bom plano, algumas armadilhas aparecem com frequência em projetos de infraestrutura de dados. Antecipá-las ajuda a evitar desperdício de tempo e orçamento.

O primeiro erro é tratar o tema como projeto puramente de TI. Sem envolvimento de donos de processos, finanças e áreas de negócio, definições de métricas ficam desalinhadas e o risco de retrabalho explode. Um comitê leve de dados, com representantes multifuncionais, costuma ser suficiente para manter prioridades e decisões alinhadas.

O segundo erro é pular etapas de fundação e correr direto para soluções avançadas, como malhas de dados complexas ou plataformas de IA em produção. Sem camadas básicas de qualidade, segurança e observabilidade, cada novo componente aumenta a entropia do sistema e reduz a confiabilidade dos insights.

Outro ponto crítico é subestimar impacto de infraestrutura física. Tendências como aumento de densidade por rack e resfriamento a líquido, destacadas por operadores e analistas em relatórios recentes, não são apenas “moda”. Ignorá-las pode significar ficar sem espaço elétrico ou térmico para suportar novas cargas de IA daqui a dois anos.

Por fim, muitas organizações caem no extremo oposto: consolidação total de ferramentas em uma única plataforma monolítica, ou dispersão completa em dezenas de soluções desconectadas. Um caminho mais saudável é adotar uma estratégia híbrida: algumas plataformas centrais bem integradas, com liberdade controlada nas bordas para atender necessidades específicas de times e workloads.

Transformando infraestrutura de dados em vantagem competitiva

Infraestrutura de dados não é um fim em si mesma. Ela é o conjunto de trilhos, estações e sinais que permite que dados circulem com segurança e velocidade até se transformarem em métricas, dashboards e decisões. Em um cenário em que IA e automação se tornam padrão de mercado, a diferença entre organizações está cada vez mais na qualidade dessa “malha ferroviária” e na eficiência da sua “sala de controle”.

Ao combinar boas decisões de arquitetura física e lógica, observar tendências de mercado apontadas por provedores de data center, pesquisas de observabilidade e entidades setoriais, e seguir um roteiro disciplinado de 12 meses, sua empresa pode sair do modo reativo e construir uma infraestrutura de dados preparada para IA.

O próximo passo é escolher um piloto estratégico: uma área de negócio com impacto mensurável, um conjunto claro de KPIs e disposição para revisar processos. Use esse piloto para validar padrões de dados, observabilidade, governança e dashboards. A partir daí, escale com confiança, sabendo que sua infraestrutura de dados deixou de ser apenas custo e passou a ser, de fato, vantagem competitiva.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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