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Low-Code na prática: como acelerar desenvolvimento e reduzir backlog

O setor de desenvolvimento de software entrou em uma fase em que só código tradicional não dá mais conta da demanda. Backlogs crescem, áreas de negócio pressionam por novos produtos digitais e o time de TI precisa entregar mais, com menos. É exatamente nesse contexto que o Low-Code deixa de ser tendência e passa a ser peça central de estratégia.

Nos últimos anos, relatórios globais mostram crescimento anual acima de 20% em plataformas de Low-Code, com projeções de que a maioria dos novos apps corporativos será criada assim já em meados desta década. Estudos recentes apontam ganhos de velocidade de até 10 vezes em relação ao desenvolvimento tradicional, com reduções relevantes de custo.

Este artigo apresenta uma visão prática de Low-Code: o que é de fato, como as empresas estão usando, quais tendências importam para 2025, quando escolher Low-Code ou código tradicional e como implementar um modelo híbrido seguro, com governança e métricas claras.

O que é Low-Code hoje e por que o mercado explodiu

Low-Code é um modelo de desenvolvimento em que grande parte da lógica da aplicação, das integrações e das interfaces é construída por meio de componentes visuais, fluxos arrastando e soltando e blocos pré-configurados, com uso mínimo de código manual. Ele não elimina o código, mas concentra o esforço de programação onde há maior complexidade.

Pense em um bloco de LEGO: sozinho ele não resolve nada, mas uma coleção de blocos bem projetados permite montar estruturas complexas em pouco tempo. As plataformas de Low-Code funcionam de forma parecida, oferecendo blocos prontos de autenticação, formulários, integrações com CRM, ERP, gateways de pagamento e motores de automação.

Relatórios consolidados sobre tendências de Low-Code mostram que o mercado global deve se aproximar de 100 bilhões de dólares até 2030, com taxas de crescimento acima de 20% ao ano. Fontes como o levantamento da Hostinger sobre tendências de low-code para 2025 indicam que uma parcela significativa dos novos aplicativos corporativos já nasce em plataformas visuais, com forte participação de profissionais fora de TI, os chamados citizen developers, trabalhando em conjunto com times técnicos especializados em código tradicional.

Outra pesquisa com foco em estatísticas de Low-Code, publicada pela App Builder, reúne dados de consultorias como Gartner e Forrester mostrando que boa parte da nova capacidade de desenvolvimento nas empresas virá de ferramentas Low-Code e No-Code. O ponto central é a produtividade: processos que levavam meses passam a ser prototipados em semanas ou dias.

Esse crescimento acelerado não é apenas modismo tecnológico. Ele responde a três pressões reais: escassez de desenvolvedores experientes, necessidade de digitalizar processos de ponta a ponta e demanda crescente por integrações entre sistemas legados e novas experiências digitais.

Principais benefícios do Low-Code para times de TI e negócio

Para além do hype, Low-Code só faz sentido se gerar impacto concreto na rotina dos times e nos indicadores de negócio. Na prática, três benefícios aparecem de forma recorrente em estudos globais e em cases de mercado.

O primeiro é a velocidade. Plataformas Low-Code relatam ciclos de desenvolvimento até 10 vezes mais rápidos em comparação ao código tradicional, especialmente na construção de interfaces, formulários complexos e fluxos de negócio. Ao trabalhar com componentes prontos, o time de TI economiza centenas de linhas de código e testes repetitivos.

O segundo benefício é a redução de backlog. Em muitas empresas, filas de demandas pequenas e médias travam o roadmap. Automação de aprovação de pedidos, cadastros, pequenos portais internos e workflows de marketing são ótimos candidatos a Low-Code. Parte dessas entregas pode ser assumida por squads de negócio formados por citizen developers, sempre sob orientação de TI.

O terceiro ponto é o foco em código crítico. Ao migrar o que é padrão para componentes Low-Code, os desenvolvedores podem concentrar seu tempo em áreas que realmente exigem profundidade de código, como algoritmos de precificação, motores de recomendação, integrações sensíveis ou otimizações de performance.

Um relatório recente da Jitterbit sobre o futuro do Low-Code destaca justamente essa visão de modelo híbrido: plataformas visuais para acelerar construção de apps e integrações, combinadas com código tradicional para lidar com requisitos avançados, sistemas legados e operações de missão crítica.

Na perspectiva de negócio, o benefício mais tangível é o tempo para valor. Se antes um novo fluxo de onboarding digital demorava seis meses para entrar em produção, com Low-Code é possível pilotar em poucas semanas, ajustar com base em dados e escalar com governança. Essa redução de ciclo se traduz em mais receita, melhor experiência do cliente e menor risco de ser ultrapassado por concorrentes mais ágeis.

Tendências de Low-Code para 2025 que você não pode ignorar

As principais pesquisas globais apontam uma convergência entre Low-Code, Inteligência Artificial e automação em larga escala. O artigo da Designveloper sobre o futuro do Low-Code destaca a evolução das plataformas para oferecer recursos avançados de governança, conectores prontos para sistemas críticos e uso intensivo de IA na geração de código e na orquestração de fluxos.

Outra análise sobre tendências de desenvolvimento de software para 2025, publicada pela Graphite, reforça o movimento de hibridização: as empresas combinam Low-Code para prototipagem, automação e front-ends, com código tradicional para lógicas mais sensíveis e processamento em edge computing. Esse modelo reduz o tempo de entrega sem abrir mão do controle sobre partes estratégicas do sistema.

A perspectiva da Airtool sobre tendências de Low-Code para 2025 enfatiza o papel da hiperautomação e das arquiteturas componíveis. Em vez de grandes sistemas monolíticos, a combinação de microserviços com plataformas Low-Code permite montar soluções sob medida, encaixando blocos funcionais como na montagem de um conjunto de LEGO, mas com governança corporativa.

Já o artigo da Kovaion com as principais tendências de desenvolvimento Low-Code foca na democratização: cada vez mais usuários de negócio conseguem construir aplicações específicas para suas rotinas, sem depender diretamente do time de TI para cada alteração pequena. Mas isso só funciona bem com guardrails claros, templates aprovados e políticas de segurança bem definidas.

Por fim, análises como a da DevOps.com sobre tendências que irão impulsionar o desenvolvimento em 2025 mostram a expansão da IA também para a segurança em pipelines e aplicações Low-Code. Ferramentas passam a incorporar varreduras automáticas, recomendações de melhoria e monitoramento contínuo, o que é essencial para ambientes regulados.

O ponto em comum em todas essas fontes é claro: Low-Code deixa de ser visto como solução pontual e passa a ocupar lugar central em arquiteturas modernas, especialmente quando combinado com IA, APIs abertas e práticas sólidas de DevOps.

Quando usar Low-Code, código tradicional ou um modelo híbrido

Nem tudo deve ser construído com Low-Code, assim como nem tudo precisa ser implementado apenas com código tradicional. Uma boa estratégia começa por diferenciar tipos de demanda e critérios de decisão.

Uma forma prática é classificar as iniciativas de desenvolvimento em quatro eixos:

  • Complexidade da lógica de negócio
  • Exigência de performance e escalabilidade
  • Nível de criticidade e risco regulatório
  • Grau de diferenciação competitiva

Para processos padronizados, com baixa complexidade de lógica, performance moderada e pouca diferenciação, Low-Code tende a ser a melhor escolha. Exemplos: formulários de cadastro, portais internos de autosserviço, fluxos de aprovação, automações entre CRM e ERP, aplicações de backoffice para times de vendas e marketing.

Para componentes centrais de produto digital, que carregam diferenciais competitivos, exigem alta performance e envolvem regras complexas, o caminho natural é o código tradicional. É aí que o time de desenvolvimento dedica sua expertise em arquitetura, padrões de projeto e otimização fina de código.

Entre esses extremos, surge o modelo híbrido. Nele, front-ends, orquestração de fluxos e integrações padrão podem ser construídos em Low-Code, enquanto módulos críticos são desenvolvidos em linguagens tradicionais e expostos via APIs. O estudo da Graphite sobre tendências de desenvolvimento destaca justamente esse arranjo como forma de equilibrar produtividade e controle.

Uma boa prática é explicitar critérios em um playbook interno. Por exemplo: processos com menos de X regras de negócio e sem dados sensíveis podem ir direto para uma fila de Low-Code; tudo que envolve dados regulados ou impacto direto em receita acima de determinado valor passa por revisão de arquitetura e, possivelmente, segue via código tradicional.

Como implementar Low-Code na sua empresa em 90 dias

Adotar Low-Code não é só comprar ferramenta. É mudança de forma de trabalhar entre TI e áreas de negócio. Um caminho realista em 90 dias pode ser organizado em quatro fases.

Na primeira fase, diagnóstico, o objetivo é mapear o backlog atual e identificar processos candidatos claros a Low-Code. Busque fluxos com alto volume de tickets, muita planilha, muita digitação manual e baixa dependência de algoritmos complexos. Entrevistas rápidas com áreas de negócio ajudam a listar dores recorrentes.

Na segunda fase, seleção de plataforma, avalie requisitos técnicos, integrações com sistemas legados, recursos de governança, suporte a DevOps e modelo de licenciamento. Estudos como o da App Builder sobre estatísticas de Low-Code trazem uma boa visão de categorias de plataformas e casos de uso, que pode ser usada como checklist inicial.

Na terceira fase, piloto, escolha um caso de uso de impacto moderado, com um patrocinador de negócio engajado. Aqui vale visualizar o cenário: um time multidisciplinar reunido em frente a um quadro Kanban, com cartões representando etapas de um fluxo de onboarding de clientes sendo montado em uma plataforma Low-Code. Enquanto o pessoal de negócio configura formulários e regras simples, o time de TI prepara integrações via APIs e garante que os padrões de segurança sejam seguidos.

Na quarta fase, industrialização, o foco passa a ser governança. Defina padrões de versionamento, ambientes (dev, homologação, produção), políticas de acesso, templates aprovados e um processo claro de revisão de código quando extensões mais avançadas forem necessárias.

Ao final de 90 dias, o ideal é ter pelo menos um caso de sucesso em produção, um conjunto de padrões documentados e um plano de expansão gradual, baseado em métricas e não apenas em demanda espontânea.

Riscos, armadilhas e como estruturar a governança de Low-Code

A maior armadilha em Low-Code é tratar a plataforma como atalho sem governança. Isso costuma levar a uma nova forma de shadow IT, em que surgem dezenas de aplicações sem padrão, sem documentação e sem alinhamento com arquitetura corporativa.

Para evitar esse cenário, é essencial criar um modelo de governança claro. Isso inclui um processo de onboarding de citizen developers, com treinamentos básicos sobre segurança, privacidade de dados e boas práticas, além de limites explícitos sobre o que eles podem ou não publicar sem revisão técnica.

Outra frente crítica é segurança. Plataformas de Low-Code modernas já trazem recursos de autenticação, controle de acesso por função, logs e trilhas de auditoria. Análises como a da Designveloper apontam a evolução desses mecanismos para atender setores regulados, com recursos como segregação de funções e registros detalhados de alteração.

Também é importante ter uma visão consolidada do portfólio de apps Low-Code. Um catálogo central, mantido por TI, evita duplicidades e facilita a gestão de ciclo de vida: quem é o dono de negócio, quem é o responsável técnico, quais dados são processados, qual é o plano de continuidade.

Por fim, atenção ao risco de lock-in. Ao escolher plataforma, avalie o quão fácil é exportar dados, reutilizar componentes e integrar com outras ferramentas. Estudos sobre o futuro do Low-Code, como o da Jitterbit, reforçam a importância de arquiteturas componíveis e orientadas a APIs justamente para mitigar esse risco.

Métricas para medir o sucesso de iniciativas de Low-Code

Sem métricas claras, iniciativas de Low-Code se tornam difíceis de justificar e priorizar. A boa notícia é que existem indicadores práticos que conectam tecnologia a resultados de negócio.

O primeiro grupo são métricas de fluxo. Meça o lead time do pedido ao deploy, número de iterações até aprovação de uma funcionalidade e a quantidade de demandas atendidas por trimestre por tipo de app. Compare esses números entre soluções em Low-Code e código tradicional, sempre levando em conta o grau de complexidade.

O segundo grupo são métricas de esforço. Monitore horas gastas por perfil (desenvolvedor, analista de negócio, operações), quantas linhas de código manual foram necessárias e quanto tempo foi economizado em testes regressivos. Fontes como os estudos consolidados pela App Builder indicam ganhos médios significativos de produtividade em projetos bem estruturados.

O terceiro grupo são métricas de negócio. Aqui valem indicadores como aumento de conversão em um fluxo digital automatizado, redução de tempo médio de atendimento, diminuição de erros manuais e satisfação interna das áreas usuárias. Pesquisas como o overview de tendências de Low-Code da Hostinger mostram que empresas que escalam essas iniciativas tendem a registrar redução de custo e aumento de velocidade de resposta ao mercado.

Um quarto grupo, cada vez mais relevante, são métricas de risco e conformidade. Quantas aplicações Low-Code foram auditadas no último período, quantos incidentes de segurança foram registrados, quantas passaram por revisão de arquitetura. Relatórios como o da DevOps.com sobre tendências de desenvolvimento reforçam a importância de incluir segurança e observabilidade desde o início.

Ao consolidar esses indicadores em um painel compartilhado entre TI e negócio, o debate sobre Low-Code deixa de ser apenas opinião e passa a ser guiado por dados.

Transformar Low-Code em vantagem competitiva não significa abandonar o código tradicional, mas usá-lo de forma mais inteligente. Os estudos recentes de players como Hostinger, App Builder, Graphite, Jitterbit, Airtool e outros trazem uma mensagem consistente: empresas que combinam plataformas visuais, boa arquitetura de código e governança clara conseguem entregar mais rápido, com mais qualidade e menor custo.

Para dar o próximo passo, comece pequeno, mas com seriedade. Escolha um caso de uso relevante, defina indicadores, envolva um time multidisciplinar e estabeleça desde o início como Low-Code e código tradicional irão conviver. Assim como em uma construção com blocos de LEGO, o segredo não está só nas peças, mas em como você as organiza em um projeto coerente, robusto e escalável.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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