System Usability Scale: como transformar SUS em conversão, segmentação e ROI
Em 2026, quase todo time diz que “UX importa”, mas poucos conseguem provar isso com números que destravam orçamento, priorização e alinhamento entre Produto, Design e Marketing. O System Usability Scale (SUS) resolve uma parte crítica desse problema: ele cria um indicador padronizado, rápido e comparável de usabilidade percebida, que permite acompanhar evolução por versão, por segmento e por fluxo.
Pense no SUS como um termômetro: sozinho, ele não explica a causa da febre, mas indica com clareza quando você precisa investigar, intervir e repetir a medição. E o melhor: dá para colocar esse “termômetro” dentro do seu ciclo de releases e otimização de campanhas, conectando Design a Performance, Conversão, Segmentação e ROI.
A seguir, você vai ver como aplicar, calcular, interpretar e operacionalizar o SUS com ferramentas e regras de decisão que viram backlog e impacto mensurável.
System Usability Scale (SUS): o que ele mede e quando vale mais do que “opiniões”
O System Usability Scale é um questionário padronizado de 10 itens (escala Likert de 1 a 5) que gera um score de 0 a 100 para representar a usabilidade percebida de um sistema. Ele funciona bem porque é rápido, tem histórico de uso amplo e cria uma linguagem comum para stakeholders que não têm tempo para ler relatórios longos. citeturn0search1turn2search0
Quando o SUS é a escolha certa (regra prática):
- Você precisa comparar versões: antes e depois de um redesign, onboarding novo, checkout, área logada.
- Você precisa comparar segmentos: novos vs. recorrentes, SMB vs. enterprise, mobile vs. desktop.
- Você precisa padronizar a “voz do usuário”: um número que entra no dashboard junto com conversão e churn.
Quando o SUS não é suficiente (sinal de alerta):
- Você precisa entender por que a usabilidade está ruim. O SUS aponta o “quanto”; para o “por quê”, você acopla entrevistas rápidas, notas de fricção por tarefa e observação de sessão.
- Você quer medir eficiência objetiva. SUS é percepção; para comportamento, combine com taxa de sucesso de tarefa, tempo e erros.
Operacionalmente, trate o SUS como métrica de saúde, não como veredito final. A disciplina que dá ROI é: medir, segmentar, priorizar, mudar, medir de novo.
Como aplicar o System Usability Scale sem enviesar respostas (workflow replicável)
Aplicar System Usability Scale “de qualquer jeito” gera score bonitinho e decisão errada. O workflow abaixo reduz viés e melhora comparabilidade:
- Defina o escopo do que está sendo avaliado
- Nomeie o sistema e a versão (ex.: “Checkout v3.2”).
- Restrinja o contexto (ex.: “comprar com cupom e frete PAC”).
- Escolha o momento certo do questionário
- A recomendação mais comum é aplicar pós-teste, logo após o usuário executar tarefas reais, quando a experiência ainda está fresca. citeturn0search1turn2search1
- Recrute com segmentação mínima útil
- No formulário de triagem, capture 2 a 4 variáveis que importam (ex.: nível de experiência, device, frequência de uso, plano).
- Regra prática: se você pretende tomar decisão por segmento, você precisa amostra por segmento. Caso contrário, você só produz média.
- Rode em ondas curtas e comparáveis
- Para benchmark interno mais estável, mire algo como 20 a 30 respostas por leitura do score (principalmente quando vai comparar versões). citeturn0search1turn2search1
- Se estiver em descoberta (formativo), você pode rodar menor e usar o SUS como sinal, não como “KPI final”.
- Colete 1 pergunta aberta obrigatória
- Ex.: “Qual foi a principal dificuldade?”
- Isso não “quebra” o SUS (que segue padronizado) e resolve o principal risco: ter um número sem direção.
Esse workflow faz o SUS caber no sprint: 1 dia de preparação, 2 a 5 dias de coleta, 1 dia de análise e decisão.
Scoring do SUS na prática: cálculo, benchmark e leitura que vira ação
O cálculo do SUS é simples, mas tem pegadinhas. Você ajusta as respostas para uma escala 0 a 4, soma e multiplica por 2,5. Em termos práticos:
- Itens ímpares (positivos): resposta − 1
- Itens pares (negativos): 5 − resposta
- Some tudo (0 a 40) e multiplique por 2,5 (0 a 100) citeturn0search1turn2search1turn4search1
Duas interpretações que evitam erro clássico:
- Score SUS não é porcentagem. Tratar “80” como “80% de usabilidade” distorce comunicação e expectativa. citeturn2search1turn4search1
- Use benchmark, não feeling. Um benchmark amplamente usado é 68 como média em bases grandes de produtos. citeturn0search0turn3search7
Para dar contexto: uma análise de produtos de software de consumo reportou média SUS 77 para aquele grupo e reforça 68 como referência ampla em bases maiores. citeturn0search0
Regras de decisão (para virar backlog):
- SUS < 68: risco de fricção relevante. Priorize correções no caminho crítico (onboarding, ativação, checkout). Coloque discovery rápido para achar causa.
- SUS entre 68 e 80: produto “ok a bom”, com oportunidade clara de otimização. Faça melhorias incrementais e rode novo SUS após release.
- SUS > 80: bom sinal para escalar tráfego, campanha e variações. O foco vira consistência, performance técnica e crescimento por segmento.
Se você precisa reportar para liderança, complemente com percentil ou faixa (A, B, C) para reduzir discussões semânticas e ganhar tração na decisão. citeturn4search1turn0search1
Ferramentas para coletar e analisar SUS sem virar “planilha infinita”
A pilha de Ferramentas certa define se o SUS vira operação contínua ou um esforço isolado. Três caminhos funcionam bem, dependendo da maturidade do time.
Opção 1: planilha controlada (rápida e barata)
- Use um template padronizado (CSV + cálculo automatizado) e mantenha um dicionário de versões e segmentos.
- Se você já coleta em ferramenta de pesquisa, exporte e rode o cálculo.
- Templates prontos ajudam a evitar erro de fórmula e padronizar interpretação. citeturn5search7turn5search3
Opção 2: repositório de insights + trilha auditável
- Centralize respostas, comentários e recortes por versão em um repositório de pesquisa.
- Isso facilita conectar “SUS caiu” com “quais evidências justificam o redesign”.
- Um exemplo de fluxo de cálculo e interpretação está descrito em guias de pesquisa aplicada. citeturn2search1
Opção 3: análise automatizada e repetível (para operação contínua)
- Quando o SUS vira KPI de produto, a automação reduz atrito: importar respostas, gerar gráficos, interpretar e versionar.
- Uma alternativa útil é usar um toolkit dedicado para questionário, cálculo, plot e contextualização de resultados. citeturn5search4
Checklist de implementação (independente da ferramenta):
- Padronize nomes: sistema, versão, data, segmento.
- Salve o “contexto de teste” (tarefas e cenário), senão você perde comparabilidade.
- Faça dashboard simples: SUS por versão, SUS por segmento, tendência e comentários top.
Ferramenta é meio. O diferencial competitivo é transformar score em decisão repetível.
Estratégia e Campanha: usando SUS para priorização, segmentação e mensagens
SUS não é só Design. Ele pode direcionar Estratégia, Campanha e até posicionamento, se você analisar por segmento e por etapa do funil.
Como segmentar SUS do jeito que gera decisão:
- Novos usuários vs. recorrentes: normalmente o gap aparece no onboarding e na descoberta de valor.
- Canal de aquisição: campanhas diferentes trazem expectativas diferentes; isso muda percepção de complexidade.
- Device e contexto: mobile em rede ruim pode derrubar percepção de consistência e fluidez.
Um exemplo de uso operacional é rodar SUS em ciclos e comparar segmentos. Em um caso descrito com foco em SaaS, a leitura por segmento evidenciou diferença forte entre novos e experientes, orientando melhorias no onboarding e em módulos específicos. citeturn3search1
Da pesquisa para a campanha (workflow de 30 minutos):
- Pegue a top fricção do comentário aberto (ex.: “muitos passos”).
- Veja se a fricção é de produto (precisa redesign) ou de entendimento (precisa mensagem e educação).
- Ajuste campanha e CRM:
- Se for entendimento, crie sequência de onboarding (email, in-app, WhatsApp) com microtarefas.
- Se for produto, reduza promessa na campanha para evitar mismatch e aumentar qualidade do lead.
Regra de ouro: se o SUS de novos usuários está abaixo do SUS médio, sua campanha pode estar escalando tráfego para um funil que não sustenta conversão. SUS vira um “freio de segurança” para mídia e growth.
Performance e ROI: conectando System Usability Scale a conversão, churn e custo de suporte
Para o SUS virar métrica de Performance, você precisa amarrar score a indicadores de negócio. Não é “correlação mágica”; é modelagem operacional.
Modelo simples de ROI (prático para squads):
- Escolha um fluxo crítico (ex.: ativação, pagamento, upgrade).
- Meça:
- Conversão do fluxo
- Taxa de abandono
- Tickets de suporte do fluxo
- SUS do fluxo (pós-tarefa)
- Rode uma melhoria focada (redução de passos, copy, feedback de erro, performance técnica).
- Re-meça e calcule impacto.
Há evidências de que usabilidade percebida se conecta a lealdade e recomendação, com diferenças claras entre grupos com SUS alto e baixo em benchmarks de software de consumo. citeturn0search0
Regras de decisão para operação (sem complicar):
- Se SUS cai e conversão cai: priorize correção antes de escalar campanha.
- Se SUS cai e conversão sobe: suspeite de dark patterns, fricção pós-conversão ou aumento de suporte.
- Se SUS sobe e conversão não mexe: o problema pode estar em proposta de valor, preço, segmentação ou tráfego.
Como usar A/B test sem bagunçar o SUS:
- Faça A/B no fluxo.
- Colete SUS pós-tarefa para cada variante.
- Decida por um score composto: conversão (hard) + SUS (percepção) + comentários (diagnóstico).
A/B testing é uma base forte para otimização contínua, desde que você defina métrica e duração com rigor e documente aprendizados. citeturn4search0
No fim, o SUS não substitui conversão. Ele reduz o risco de você “ganhar conversão hoje” e pagar com churn, suporte e reputação amanhã.
Quando SUS não é suficiente: ESUS, UMUX-Lite e SUS-G (e como escolher)
Times avançados ganham vantagem quando escolhem a variação certa para o contexto. Três casos comuns:
1) B2B e software enterprise (quando algumas perguntas do SUS soam estranhas)
Em produtos enterprise, nem sempre faz sentido perguntar se o usuário “quer usar frequentemente”, porque ele pode não ter escolha. Há propostas de métricas mais alinhadas à realidade do usuário enterprise, como a Enterprise System Usability Scale (ESUS), com questionário mais curto e foco em utilidade, facilidade e início de uso. citeturn1view0
2) Pouco tempo e necessidade de leitura rápida
Quando “não dá para rodar SUS” (ou quando a pesquisa precisa ser ainda mais curta), escalas como UMUX-Lite aparecem como alternativa, com orientação de como aproximar leitura para a escala do SUS e limitações conhecidas. citeturn5search0turn5search2
3) Contextos específicos, como e-learning gamificado
Sistemas educacionais gamificados têm dimensões adicionais (motivação, experiência educacional, etc.). Há adaptações como a SUS-G, com estrutura ampliada para capturar melhor esse tipo de produto e evidências de validação em contexto cultural específico. citeturn6search0
Critério de escolha (rápido):
- Precisa comparar com benchmarks amplos e manter padrão? Use SUS.
- Precisa ser mais aderente ao contexto enterprise? Avalie ESUS.
- Precisa ser muito curto e você aceita trade-offs? Considere UMUX-Lite.
- Precisa medir experiência educacional gamificada? Considere SUS-G.
E atenção: estudos recentes em contexto multicultural reforçam que o SUS pode apresentar estrutura multidimensional dependendo do público e do cenário. Isso não invalida o uso, mas reforça a necessidade de interpretar com contexto e complementar com qualitativo. citeturn3search2turn3search5
Conclusão
O System Usability Scale é uma das formas mais rápidas de transformar UX em um número que Product, Marketing e liderança conseguem acompanhar, discutir e financiar. Para ele gerar resultado de verdade, trate SUS como operação: aplique pós-tarefa, segmente com intenção, use benchmarks, transforme leitura em regras de priorização e conecte com conversão, churn e suporte.
Se você quer um próximo passo objetivo: rode um SUS baseline no seu fluxo mais crítico (onboarding, checkout ou upgrade), quebre por dois segmentos (novos vs. recorrentes) e estabeleça uma meta de melhoria para o próximo release. Quando o SUS entra no dashboard ao lado de Performance, o Design deixa de ser “gosto” e vira alavanca de ROI.