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Design System na prática: como transformar UX em produto consistente

Design System na prática: como transformar UX em produto consistente

Um design system bem estruturado é hoje um dos maiores diferenciais competitivos para qualquer produto digital. Em vez de cada squad reinventar telas, componentes e interações, a organização passa a trabalhar a partir de um repertório comum, vivo e versionado. Isso reduz retrabalho, acelera entregas e melhora de forma clara a experiência do usuário.

Pense nas peças de LEGO organizadas por cor e tamanho. Cada pessoa pode montar algo diferente, mas todas usam o mesmo conjunto confiável de blocos. Um bom design system faz exatamente isso com interface, experiência e usabilidade, conectando UX Design, produto e desenvolvimento em um único idioma visual.

Ao longo deste artigo, você verá como planejar, criar, escalar e medir um design system. O foco é ir além da teoria, mostrando fluxos, decisões e métricas que podem ser aplicados já nas próximas sprints.

O que é design system e por que virou prioridade de produto

Um design system é um conjunto organizado de princípios, tokens, componentes, padrões de interface e diretrizes de uso. Ele existe para garantir consistência na experiência, acelerar a entrega de novas features e facilitar a colaboração entre times de UX Design, produto e tecnologia.

Grandes empresas usam design systems como base da sua linguagem digital. O Material Design da Google, o Polaris da Shopify e o Carbon da IBM são exemplos de bibliotecas públicas que influenciam todo o mercado. Mais do que catálogos de componentes, eles são sistemas de decisão para designers e desenvolvedores.

Em termos práticos, um design system bem implementado resolve problemas clássicos:

  • A mesma ação aparece com botões diferentes em telas distintas.
  • Cada squad cria seu próprio padrão de formulário, tooltip e feedback.
  • Ajustes simples de espaçamento ou tipografia exigem esforço manual tela a tela.

Com um sistema único, a equipe volta a focar em problemas reais de experiência, em vez de redesenhar o mesmo botão. Imagine a cena de uma equipe de UX e desenvolvimento colaborando em tempo real na mesma tela de design, revisando componentes padronizados em vez de debater detalhes isolados. Essa é a operação típica em times maduros que trabalham com design system.

Pilares de um design system eficiente: tokens, componentes e guidelines

Na prática, a maior parte dos problemas de interface, experiência e usabilidade é resolvida com três pilares bem estruturados: tokens, componentes e diretrizes. Juntos, eles oferecem a base mínima para que o sistema seja escalável e sustentável.

1. Tokens de design

Tokens são os menores átomos do design system, geralmente convertidos em variáveis para o código. Exemplos:

  • Cores: color-primary, color-neutral-100.
  • Tipografia: font-family-base, font-size-body, line-height-title.
  • Espaçamentos: spacing-8, spacing-16.

Ferramentas modernas, como Figma e Style Dictionary, ajudam a transformar esses tokens em artefatos utilizáveis pelo time de desenvolvimento. O ganho direto é reduzir decisões manuais e divergências visuais.

2. Biblioteca de componentes

Os componentes são combinações de tokens que representam elementos reais da interface. Botões, campos de formulário, cards, modais e tabelas são alguns exemplos. Um bom componente no design system deve conter:

  • Estados definidos: default, hover, focus, disabled, erro.
  • Variações controladas: primário, secundário, fantasma.
  • Regras de uso: quando usar cada variação, limites e cuidados.

A biblioteca de componentes deve ser publicada em ferramentas de design e código. Plataformas como Storybook ajudam a garantir que o catálogo visual usado em prototipação e wireframe esteja alinhado ao que realmente é entregue em produção.

3. Guidelines e padrões de UX Design

Sem diretrizes claras, o design system vira apenas um kit visual. É fundamental documentar padrões de interação, microcopy, comportamento de erros e mensagens de sucesso. Referências como o Nielsen Norman Group e o Smashing Magazine oferecem boas práticas para orientar essas decisões.

Esses três pilares conectados garantem que interface, experiência e usabilidade atinjam um padrão previsível, reduzindo fricção para o usuário e ruído entre os times.

Planejamento estratégico do design system: escopo, governança e roadmap

Antes de abrir o Figma, é essencial decidir por que o design system existe e como será mantido. Sem um plano mínimo de governança, o sistema morre após as primeiras sprints ou se torna um repositório desatualizado.

Um planejamento objetivo pode seguir este fluxo:

  1. Defina objetivos de negócio

    • Reduzir em X% o tempo médio de criação de telas.
    • Diminuir em Y% os bugs de UI e inconsistências visuais em produção.
    • Aumentar a satisfação com experiência e usabilidade medida em pesquisas.
  2. Mapeie stakeholders e papéis

    • Product Design lidera a evolução dos componentes.
    • Desenvolvimento front-end codifica e publica bibliotecas reutilizáveis.
    • Produto prioriza demandas de evolução do sistema no roadmap.

    Estruturas como squad de Design System dedicado ou um capítulo transversal costumam funcionar bem em organizações maiores.

  3. Escolha o escopo inicial

    • Comece por fluxos críticos de negócio, como onboarding, login, pagamento ou cadastro.
    • Mapear tudo de uma vez costuma atrasar entregas e reduzir adesão.
  4. Crie um modelo de governança simples

    • Quem pode propor novos componentes.
    • Como aprovar mudanças que afetam múltiplos produtos.
    • Como comunicar versões e deprecações.

Uma regra prática para tomada de decisão é priorizar o que afeta mais usuários e gera mais retrabalho hoje. Se vários times relatam dificuldades com formulários complexos, por exemplo, formular um padrão sólido de campos, validações e mensagens de erro pode trazer retorno rápido.

Fluxo prático para criar um design system do zero

Com objetivos claros e governança definida, chega a hora de construir o design system. Abaixo, um fluxo prático que pode ser aplicado em organizações de qualquer porte.

1. Inventário de interface e experiência

Comece mapeando telas reais do produto. Colete prints de canais principais e identifique quais componentes se repetem. Foque em fluxos de maior impacto para o negócio.

Crie um quadro no Figma com esses elementos agrupados. Esse passo deixa evidentes os problemas de consistência e ajuda a priorizar quais partes da interface devem virar componentes oficiais primeiro.

2. Definição dos tokens de design

A partir do inventário, normalize cores, tipografia e espaçamentos. Elimine duplicidades óbvias, como diferentes tons praticamente iguais de cinza para texto. Mantenha apenas o que faz sentido de fato para experiência e usabilidade.

Registre os tokens em uma página específica no arquivo do design system e, se possível, conecte-os a um pipeline de entrega para código. Ferramentas de design tokens ou integrações de design-to-code, como as presentes em soluções especializadas, simplificam essa etapa.

3. Criação de componentes prioritários

Selecione de três a cinco componentes de alto uso, como botão, campo de texto, dropdown, card e modal. Para cada um, defina:

  • Estados e variações.
  • Regras de responsividade.
  • Padrões de acessibilidade, como foco visível e contraste adequado.

Use bibliotecas públicas, como Material Design, Polaris ou Carbon, como referência de comportamento, não como cópia literal.

4. Documentação mínima viável

Não espere uma wiki perfeita para começar. Para cada componente, registre ao menos:

  • Quando usar.
  • Quando evitar.
  • Exemplos de boas e más práticas.

Uma página simples dentro do próprio arquivo de design já é suficiente para a primeira versão. O importante é que qualquer pessoa consiga entender como usar os elementos sem depender de conversas individuais.

5. Publicação e feedback com squads

Publique a biblioteca em um espaço compartilhado e escolha uma ou duas squads piloto. Combine explicitamente que novas telas, protótipos e wireframes devem usar apenas o design system.

Colete feedback em ciclos curtos. Quais componentes faltam? Que casos extremos não foram cobertos? Esse retorno é fundamental para ajustar o sistema à realidade dos times, e não ao ideal teórico.

Integração do design system com UX Design, prototipação e desenvolvimento

Um design system só gera valor quando está integrado ao fluxo diário de UX Design, prototipação e desenvolvimento. Caso contrário, vira apenas um repositório bonito, mas pouco utilizado.

Para a etapa de concepção, os designers devem usar exclusivamente componentes do sistema nos wireframes de média e alta fidelidade. Isso não impede que ideias novas surjam, mas exige que variações sejam formalmente discutidas antes de entrar para o catálogo oficial.

Na prototipação interativa, o benefício é imediato. Com componentes consistentes, o usuário testa experiências que se aproximam mais do produto final, reduzindo a distância entre pesquisa e implementação. O resultado são decisões melhores sobre fluxo, microinterações e usabilidade.

Do lado de desenvolvimento, os componentes visuais precisam estar mapeados para bibliotecas de código reutilizáveis. Frameworks de UI, documentados em ferramentas como Storybook, reduzem gaps de interpretação entre o que foi desenhado e o que chega em produção. Quando tokens de design são sincronizados com o código, até ajustes globais de identidade visual se tornam mais simples.

Um fluxo saudável costuma seguir esta sequência:

  1. UX cria protótipos usando o design system.
  2. O time valida experiência, interface e usabilidade com stakeholders e usuários.
  3. Componentes necessários são refinados e, se for o caso, oficializados no sistema.
  4. Desenvolvimento implementa usando bibliotecas alinhadas ao design system.

Ao aproximar prototipação, wireframe e código, você reduz mal-entendidos e consegue entregar valor mais rápido, com menos retrabalho entre times.

Métricas para provar o valor do design system

Sem métricas claras, o design system corre o risco de ser visto apenas como um esforço estético. Para sustentar investimento e priorização no roadmap, é preciso demonstrar impacto em eficiência, qualidade e experiência.

Algumas métricas práticas que você pode acompanhar:

  1. Velocidade de criação de telas

    • Compare o tempo médio para criar uma nova tela antes e depois da adoção do design system.
    • Use amostras semelhantes de complexidade para tornar a comparação justa.
  2. Redução de inconsistências visuais

    • Conte quantos padrões diferentes de botão, campos e títulos existiam antes.
    • Meça quantos foram eliminados após a consolidação dos componentes.
  3. Bugs de UI em produção

    • Acompanhe a quantidade de tickets relacionados a problemas de interface e usabilidade.
    • Busque redução progressiva à medida que o design system é adotado.
  4. Adoção interna do design system

    • Quantos arquivos novos usam a biblioteca oficial de componentes.
    • Quantos times de produto incorporaram o sistema em seu fluxo padrão.
  5. Indicadores de experiência do usuário

    • Taxa de erro em fluxos críticos, como cadastro e pagamento.
    • Taxa de conclusão de tarefas em testes de usabilidade.

Defina metas trimestrais realistas e conecte-as a decisões de investimento no sistema. Sempre que possível, apresente resultados com dados visuais simples, como gráficos de antes e depois. Isso ajuda stakeholders de negócio a perceberem que o design system é um ativo estratégico e não apenas um projeto interno de design.

Erros comuns em design systems e como evitá-los

Mesmo times maduros cometem erros previsíveis ao criar ou escalar um design system. Conhecer esses riscos ajuda a desenhar estratégias de prevenção desde o início.

Erro 1: tentar resolver tudo de uma vez

Criar o sistema perfeito logo na primeira versão costuma paralisar o time. A abordagem mais eficaz é começar pequeno, focando em fluxos críticos e componentes de maior uso, e iterar a partir do feedback real.

Erro 2: falta de dono claro e de governança

Sem responsáveis definidos, o sistema rapidamente se fragmenta. Garanta que exista uma célula, capítulo ou squad com mandato formal para tomar decisões, aprovar mudanças e comunicar atualizações.

Erro 3: documentar pouco ou em excesso

Documentação insuficiente cria dependência de pessoas específicas. Documentação exagerada gera burocracia e desatualização. Busque o meio-termo: orientação suficiente para uso autônomo, mas simples de manter.

Erro 4: desconexão com a realidade de desenvolvimento

Se o que está no arquivo de design não reflete os componentes disponíveis em código, a confiança no design system cai. Por isso, alinhe desde cedo a estratégia com a engenharia, reutilizando frameworks, tokens e bibliotecas compartilhadas.

Erro 5: ignorar acessibilidade e diversidade de contexto

Um design system que não considera contraste, navegação por teclado, leitores de tela e diferentes dispositivos amplia barreiras para muitos usuários. Referências de boas práticas em acessibilidade, presentes em sistemas como o Material Design, devem ser absorvidas desde as primeiras versões.

Para manter o ritmo, defina um backlog claro de evolução do design system e revisite objetivos a cada trimestre. A cada ciclo, pergunte: o sistema está ajudando a resolver problemas de UX Design, interface, experiência e usabilidade ou está criando novos atritos?

Ao tratar o design system como produto interno, com objetivos, métricas, roadmap e usuários bem definidos, você cria uma base robusta para escalar produtos digitais com consistência. Comece pelo mínimo viável, envolva as pessoas certas e deixe que o próprio uso do sistema guie os próximos passos.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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