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Economia da Experiência: como transformar jornadas em crescimento real

Os sinais estão em todo lugar: consumidores priorizando viagens, bem-estar, eventos ao vivo e experiências locais, mesmo em um cenário econômico desafiador. Diversas pesquisas recentes mostram brasileiros dispostos a gastar mais em vivências que geram memória, conexão e propósito, e menos em simples posse de produtos.

Para as marcas, isso significa competir em um novo campo de batalha. Não basta ter um bom produto, um preço competitivo e uma campanha atraente. O que diferencia é a capacidade de orquestrar jornadas que unem experiência, satisfação e resultado de negócio em cada interação.

Neste artigo, vamos explorar como aplicar a Economia da Experiência de forma prática. Da Jornada do Cliente à personalização com dados, passando por touchpoints críticos, métricas de ROI e um roadmap de 90 dias, o objetivo é oferecer um manual operacional para transformar interações em valor mensurável.

Entendendo a Economia da Experiência em 2025

A Economia da Experiência descreve um estágio em que o principal valor entregue pelas empresas está nas vivências proporcionadas ao cliente, e não apenas no produto ou serviço. Marcas de diversos setores já capturam esse movimento, apoiadas por estudos de consultorias como a McKinsey e por relatórios de empresas como a American Express, que apontam aumento consistente do gasto orientado a experiências.

Nos últimos anos, pesquisas setoriais brasileiras, consolidadas por veículos como o E-Commerce Brasil, mostram que uma parcela relevante da população pretende aumentar investimentos em viagens, eventos e entretenimento. Ao mesmo tempo, estudos da Ecglobal indicam que saúde e bem-estar assumem protagonismo nas prioridades de consumo. A conclusão é clara: o consumidor busca vivências que reforcem identidade, conexão social e equilíbrio emocional.

Visualize essa mudança como um mapa de metrô. Antes, a empresa cuidava de alguns trilhos isolados, como venda e pós-venda. Na Economia da Experiência, cada linha representa uma jornada específica, com estações que vão do primeiro contato com a marca até o relacionamento recorrente. O papel da organização é desenhar esse mapa, eliminar “engarrafamentos” e criar conexões fluidas entre linhas e estações.

Para saber se sua empresa já está jogando esse novo jogo, use este checklist rápido:

  • Seu planejamento comercial considera métricas de experiência junto com receita e margem?
  • Há alguém com mandato claro sobre CX, como um Chief Experience Officer ou liderança equivalente?
  • As decisões de produto e comunicação partem de dados reais de Jornada do Cliente, e não apenas de opinião interna?
  • Você monitora indicadores como NPS, CSAT, churn e LTV por segmento, e não só em média geral?

Se a maior parte das respostas for “não”, o desafio é menos tático e mais estrutural: reposicionar o negócio para competir na Economia da Experiência.

Como a Economia da Experiência redefine a Jornada do Cliente

A Jornada do Cliente deixou de ser um funil linear e previsível. Hoje, ela se parece com uma rede complexa de idas e vindas entre canais físicos, digitais e sociais. Relatórios como o da Medallia mostram que o consumidor compara não só preço, mas também velocidade, conveniência, atendimento e sensação de cuidado a cada etapa.

Imagine a Jornada do Cliente como um mapa de metrô detalhado. As linhas representam diferentes objetivos do cliente, como compra pontual, assinatura, upgrade ou suporte. As estações são os touchpoints: anúncio, site, chatbot, loja física, aplicativo, SAC, redes sociais, comunidade e muito mais. A Economia da Experiência pede que você entenda onde as pessoas entram no sistema, por quais linhas circulam e em quais estações vivem frustração ou encantamento.

Um fluxo prático para redesenhar a jornada em sua empresa:

  1. Liste 3 a 5 jornadas críticas: compra inicial, recompra, suporte de alto impacto, cancelamento, renovação ou upgrade.
  2. Mapeie etapas e emoções: para cada jornada, defina o que o cliente quer fazer e como se sente em cada passo.
  3. Identifique canais reais: inclua físico, digital, mídias sociais e parceiros, com base em dados de analytics e pesquisa.
  4. Marque momentos de risco e de oportunidade: pontos onde clientes abandonam o fluxo ou onde há chance de encantamento.
  5. Priorize intervenções: escolha até 3 mudanças de alto impacto para prototipar em 60 a 90 dias.

Ferramentas como o Miro, aliadas a dados de plataformas como Google Analytics ou ao painel de jornada de soluções de CX como a Medallia, ajudam a transformar esse mapeamento em decisões concretas.

Touchpoints, momentos e experiência: onde o valor realmente é criado

Na prática, o valor da Economia da Experiência nasce no cruzamento entre touchpoints, momentos, experiência e contexto de vida do cliente. Não se trata de “colocar um brinde” na entrega, mas de desenhar interações relevantes nos momentos decisivos.

Pense em um parque temático lotado com visitantes circulando entre atrações físicas e digitais. Cada fila, cada aplicativo de agendamento, cada interação com funcionários e cada show é um touchpoint. O que faz as pessoas voltarem e recomendarem não é apenas o brinquedo principal, mas a sequência de micro momentos que reduzem atrito e aumentam prazer: fila que anda mais rápido, app que avisa tempo de espera, mapa que evita perda de tempo, colaborador que resolve um problema com autonomia.

Transponha esse cenário para seu negócio:

  • Em e-commerce, o momento crítico pode ser o checkout, o rastreio da entrega ou o unboxing.
  • Em serviços financeiros, pode ser a aprovação de crédito, a renegociação de dívida ou o atendimento em situação de fraude.
  • Em educação, pode ser a primeira aula ao vivo, a correção de atividades ou o suporte em períodos de prova.

Um fluxo prático para identificar momentos realmente decisivos:

  1. Use pesquisas rápidas de pulso (como CSAT transacional) em etapas específicas, por exemplo com ferramentas como a Zendesk ou a própria Medallia.
  2. Analise dados de abandono, reclamações e tempo de resposta por canal.
  3. Cruze informação quantitativa com entrevistas qualitativas curtas com clientes.
  4. Classifique cada momento em três categorias: remover atrito, gerar confiança ou encantar.

O objetivo é concentrar recursos de design de experiência nos poucos momentos que de fato mudam a percepção do cliente e a probabilidade de recompra.

Personalização orientada por dados: da experiência à satisfação ao longo da jornada

Se a Economia da Experiência é o novo campo de batalha, dados são a munição. Relatórios de mercado apontam que a maioria dos consumidores está disposta a pagar mais por experiências personalizadas, desde que perceba valor real e respeito à privacidade. A combinação correta entre experiência, satisfação e jornada passa por entender quem é o cliente, em que contexto ele está e o que ele valoriza naquele momento.

Na prática, isso exige orquestrar três camadas de dados:

  1. Dados declarados e de perfil: informações fornecidas voluntariamente em cadastros, pesquisas e preferências.
  2. Dados comportamentais: navegação no site ou app, histórico de compras, uso do produto, interações em canais.
  3. Dados contextuais: localização, horário, dispositivo, campanha de origem, sazonalidade.

CRMs como Salesforce e HubSpot, aliados a Customer Data Platforms e motores de recomendação, permitem transformar esses dados em ações concretas. Por exemplo, ofertas diferentes para quem é cliente recorrente, roteamento de atendimento baseado em histórico ou conteúdos adaptados conforme a etapa da Jornada do Cliente.

Um fluxo simplificado para aplicar personalização sem perder o controle:

  • Comece pequeno: personalize primeiro mensagens de pós-compra ou de reativação, onde o contexto é mais claro.
  • Defina regras de negócio claras: quem recebe qual mensagem, em que canal e com que frequência.
  • Teste hipóteses com grupos de controle: compare resultados com clientes que não receberam a personalização.
  • Monitore impacto em métricas-chave: aumento de taxa de clique, conversão, ticket médio, NPS e churn.

O ponto central é tratar personalização como uma disciplina contínua, não como campanha pontual. Quando bem executada, ela reforça a percepção de cuidado e gera um ciclo virtuoso entre experiência, satisfação e jornada de longo prazo.

Omnichannel e social commerce no centro da Economia da Experiência

Pesquisas recentes com consumidores indicam que a maior parte das pessoas espera interações consistentes entre canais físicos e digitais. Ao mesmo tempo, estudos com foco na América Latina mostram que plataformas sociais como Facebook, Instagram, YouTube e TikTok já funcionam como motores de busca alternativos, integrando descoberta e compra em um mesmo fluxo.

Para competir nesse contexto, a Economia da Experiência exige uma visão omnichannel real, não apenas presença espalhada em muitos canais. Isso significa que políticas de preço, atendimento, promoções e identidade visual precisam ser coerentes, independentemente de onde o cliente comece a jornada.

Relatórios da Gartner e análises de tendências de empresas como a WGSN reforçam que o consumidor vive na chamada “era da exaustão”, com excesso de estímulos e pouco tempo. Por isso, jornadas simples, previsíveis e integradas geram vantagem competitiva. Insights do Think with Google também mostram como a combinação entre busca, vídeo e mobile influencia decisões de compra em tempo quase real.

Um plano operacional para omnichannel que suporta a Economia da Experiência:

  1. Mapeie canais prioritários: loja física, site, app, marketplaces, redes sociais, WhatsApp, telefone.
  2. Defina papéis claros por canal: aquisição, relacionamento, suporte, comunidade, educação.
  3. Unifique identidade e regras: políticas de troca, SLA de atendimento, tom de voz e ofertas integradas.
  4. Centralize dados de interação em uma única base, com integrações entre plataformas de atendimento e CRM.
  5. Implemente monitoramento em tempo real de fila de atendimento, tempo de resposta e satisfação por canal.

Ferramentas de atendimento omnichannel como a Zendesk e soluções de automação de marketing conectadas ao CRM ajudam a garantir que o cliente tenha a mesma qualidade de experiência, seja em uma mensagem no WhatsApp, seja em uma visita à loja.

Desenhando experiências que equilibram preço, valor e satisfação

Uma das tensões centrais na Economia da Experiência é o equilíbrio entre preço e valor percebido. Pesquisas conduzidas com consumidores brasileiros indicam que preço continua entre os principais fatores de decisão. Porém, uma parcela expressiva declara que aceita pagar mais por experiências que gerem impacto positivo em comunidades locais ou que ofereçam conveniência superior.

Relatórios de empresas de pagamento como a American Express reforçam a ideia de “consumo inteligente”. O cliente compara não apenas o valor nominal da compra, mas também o custo emocional de enfrentar um atendimento ruim, uma entrega atrasada ou um processo de cancelamento doloroso. Cada ponto de atrito corrói a percepção de valor, mesmo quando o preço é competitivo.

Para equilibrar esses elementos, vale seguir três princípios:

  1. Transparência radical: deixe claro o que está incluído no preço, quais são os prazos, limitações e contrapartidas.
  2. Segmentação de valor: ofereça faixas de experiência diferentes, como planos básico, avançado e premium, com benefícios tangíveis.
  3. Compensação rápida de falhas: quando algo sai do esperado, ofereça resolução ágil, reembolso parcial ou bônus relevante.

Um exemplo prático: um e-commerce que identifica atrasos recorrentes de entrega em determinada região pode enviar aviso proativo, oferecer frete grátis na próxima compra e ajustar a promessa de prazo nos anúncios. Esse tipo de decisão reduz frustração e mantém a sensação de justiça, mesmo em situações de falha.

O objetivo final é que o cliente sinta que a experiência vale o que está pagando, seja em dinheiro, seja em tempo e energia emocional investidos.

Medindo ROI na Economia da Experiência

Sem métricas claras, a Economia da Experiência corre o risco de virar apenas um discurso inspirador. A boa notícia é que já existe um conjunto consolidado de indicadores para conectar experiência a resultados financeiros.

Um modelo simples de medição pode combinar três camadas:

  1. Métricas de percepção: NPS, CSAT, CES, avaliações em lojas de aplicativos, reviews em marketplaces.
  2. Métricas de comportamento: taxa de conversão, frequência de compra, cross-sell, upgrade, cancelamento, churn.
  3. Métricas de valor: ticket médio, margem por cliente, Lifetime Value, custo de atendimento por caso.

Para cada jornada crítica, defina um pequeno painel de controle:

  • Compra inicial: taxa de conversão, ticket médio, CSAT na entrega, taxa de reclamação.
  • Recompra: tempo médio até a próxima compra, frequência, adesão a programas de fidelidade.
  • Suporte: tempo de primeira resposta, tempo de resolução, CES, recontato em até 7 dias.

A partir daí, é possível construir indicadores compostos, como um Score de Experiência por Jornada. Esse índice combina percepção (NPS), comportamento (recompra) e valor (LTV), permitindo comparar segmentos e priorizar investimentos.

Consultorias como a McKinsey, empresas de tecnologia de CX como a Medallia e publicações de negócios especializadas oferecem referências úteis de benchmarks para esses indicadores. O importante é evitar dois extremos: medir tudo sem foco, ou medir tão pouco que se torna impossível provar o retorno do investimento em experiência.

Economia da Experiência em 90 dias: roteiro prático

Transformar a Economia da Experiência em realidade não exige um projeto gigante e paralisante. É possível começar com um piloto bem delineado, em 90 dias, e depois escalar aprendizados.

Dias 1 a 30 – Diagnóstico e alinhamento

  • Escolha uma jornada crítica para o negócio, como compra inicial ou retenção.
  • Reúna dados existentes de atendimento, vendas, marketing e produto.
  • Conduza workshops rápidos de jornada com equipes de frente de loja, vendas e suporte.
  • Aplique pesquisas curtas com clientes para validar pontos de dor e oportunidades.

Dias 31 a 60 – Desenho e prototipagem

  • Construa o “mapa de metrô” da jornada escolhida, com linhas, estações e pontos de conexão.
  • Defina até cinco intervenções de alto impacto, equilibrando remoção de atrito e criação de encantamento.
  • Crie protótipos simples, como novos scripts de atendimento, e-mails transacionais revisados ou fluxos de automação no CRM.
  • Configure métricas de sucesso específicas para o piloto: redução de contatos repetidos, aumento de conversão, melhoria no NPS transacional.

Dias 61 a 90 – Execução, ajuste fino e business case

  • Coloque o piloto no ar para um recorte definido de clientes ou regiões.
  • Monitore resultados semanalmente, coletando feedback de equipes e clientes.
  • Ajuste rapidamente o que não funcionar, inclusive retirando iniciativas que não gerarem impacto.
  • Construa um mini business case conectando melhoria de experiência a ganhos concretos de receita, margem ou economia de custo.

Ao final dos 90 dias, você terá evidências reais de que investir em Economia da Experiência gera resultados. Isso facilita conquistar patrocínio executivo, justificar novas iniciativas e, se necessário, estruturar uma área dedicada de CX com liderança clara.

A partir daí, a jornada se torna contínua. Assim como em um parque temático bem gerido, seu papel será manter o mapa atualizado, abrir novas linhas de experiência e garantir que cada visitante encontre um caminho fluido, memorável e alinhado ao que mais valoriza naquele momento.

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Foto de Dionatha Rodrigues

Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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