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Conteúdo orgânico em 2025: estratégia para sobreviver à crise do tráfego

Introdução

O jogo do conteúdo orgânico mudou radicalmente entre 2024 e 2025. Respostas de IA nas SERPs, queda de cliques e casos emblemáticos de perda de tráfego, como o da HubSpot, mostraram que depender apenas de volume de visitas é insustentável.

Ao mesmo tempo, relatórios de players como SEMrush, HubSpot, Content Marketing Institute e Statista indicam que o Marketing de Conteúdo continua entre os canais com maior ROI. O problema não é o canal, e sim como ele vem sendo usado.

Neste artigo, você vai entender por que o conteúdo orgânico entrou em crise, como reposicionar sua estratégia para intenção e autoridade, e quais campanhas, métricas e decisões priorizar. A ideia é transformar seu conteúdo em um ativo de receita previsível, e não em um custo de produção em série.

Por que o conteúdo orgânico entrou em crise em 2025

A primeira peça do quebra-cabeça é a mudança no comportamento de busca. Respostas de IA já aparecem em uma fatia relevante das pesquisas e, quando isso acontece, a taxa de cliques em resultados orgânicos despenca. Vários estudos recentes apontam quedas fortes de CTR sempre que o bloco de IA domina a dobra superior da página.

Isso gera um efeito direto: mesmo com boas posições em SEO, o tráfego orgânico bruto não cresce como antes. Casos como a forte redução de acessos orgânicos em grandes blogs de referência mostram que a estratégia baseada em “mais posts, mais visitas” chegou ao limite.

Paralelamente, marcas ainda concentram a maior parte do esforço em topo de funil. Pesquisas de consultores como Cristiane Thiel indicam que quase 70% do conteúdo criado é focado em awareness, enquanto fundo de funil recebe uma fração bem menor. Na prática, estamos gerando muita visualização e pouca receita.

Outro ponto é a homogeneização. Com a massificação de IA generativa, qualquer empresa consegue produzir textos medianos em escala. Sem dados proprietários, opiniões fortes, narrativas originais e formatos ricos, o conteúdo orgânico vira mais um entre milhares. Ser “apenas correto” já não basta.

Finalmente, o modelo de atribuição também colabora para a sensação de crise. Se o time olha apenas para sessões e cliques na última interação, o papel de meio e topo de funil é subestimado. Resultado: corta-se investimento onde se deveria refinar a estratégia.

Redefinindo conteúdo orgânico: de volume para intenção e autoridade

Para recolocar o conteúdo orgânico no centro da estratégia, é preciso redefinir o que significa ganhar esse jogo. Não se trata mais de acumular posts no blog, mas de criar ativos digitais que capturam intenção, geram prova e abrem oportunidades comerciais.

Pense na sua estratégia como uma bússola, não como uma esteira de produção. Uma bússola orienta direção, prioriza rotas e mostra quais temas sustentam diferenciais reais da marca. Em uma reunião trimestral de performance de marketing, essa bússola precisa mostrar claramente quais conteúdos conectam com oportunidades reais de receita, não só com pageviews.

Duas perguntas passam a ser centrais:

  1. Quais intenções de busca revelam dor de compra, não só curiosidade?
  2. Em quais tópicos sua marca pode ser percebida como autoridade única, graças a dados, cases ou visão de mundo?

O novo Marketing de Conteúdo parte dessas respostas. Em vez de tentar dominar todo o funil de forma genérica, você escolhe batalhas em que pode entregar profundidade original. Isso inclui artigos longos, estudos de caso, comparativos e calculadoras, mas também formatos visuais como vídeos curtos e infográficos.

Fontes como o Content Marketing Institute e a SEMrush mostram que o conteúdo orgânico continua gerando leads mais qualificados que canais outbound, desde que haja foco em intenção e qualidade. Relatórios de estatísticas de marketing de conteúdo, como os da SEMrush e do Content Marketing Institute, reforçam a correlação entre profundidade, autoridade e geração de leads.

Pilar 1: Marketing de conteúdo BOFU para conversão e receita

Em um cenário de menos cliques orgânicos, cada visita precisa valer muito mais. É aqui que entra o foco em conteúdo de fundo de funil. Estudos recentes mostram que materiais BOFU podem converter de 4 a 5 vezes mais que conteúdos de topo, já que falam com quem está próximo da decisão.

Alguns formatos críticos para esse pilar:

  • Páginas de comparação entre soluções ou concorrentes
  • Estudos de caso detalhados, com dados de antes e depois
  • Conteúdos “como escolher” com critérios objetivos e checklist
  • Demonstrações guiadas e vídeos de produto
  • Calculadoras e simuladores de ROI

Um e-commerce que publica apenas posts genéricos sobre tendências de moda disputa atenção com gigantes e com as próprias respostas de IA do buscador. Já uma marca que cria comparativos entre materiais, análises de custo por uso e guias de manutenção para produtos específicos captura buscas de quem está prestes a comprar.

No B2B, o raciocínio é semelhante. Em vez de mais um artigo superficial sobre “o que é CRM”, priorize análises de ROI, benchmarks de implantação e estudos de caso. Relatórios como os da HubSpot e da Shopify Brasil indicam que blogs e SEO seguem entre os canais com melhor custo por lead quando ligados diretamente à jornada de compra.

Um fluxo prático para estruturar esse pilar:

  1. Mapeie 5 a 10 objeções principais que seu time comercial enfrenta.
  2. Liste as palavras-chave associadas a cada objeção em linguagem de cliente.
  3. Produza 1 ativo BOFU por objeção, sempre com prova concreta e CTA para conversa ou teste.
  4. Conecte esses ativos a campanhas de mídia paga e email, usando UTM para rastrear conversão.

Assim, você transforma o conteúdo orgânico em ferramenta direta de venda, e não apenas em porta de entrada genérica.

Pilar 2: Conteúdo orgânico com dados proprietários e autoridade

Se qualquer empresa pode usar IA para gerar textos, o que diferencia a sua? A resposta está em dados que só você tem. Isso pode vir de base de clientes, testes de produto, pesquisas de mercado, entrevistas com especialistas ou análise de uso da plataforma.

Enquanto plataformas como a Statista consolidam tendências globais, marcas que produzem seus próprios relatórios conquistam backlinks, menções e lembrança de marca. Em um cenário onde cerca de um terço das buscas é por marca, autoridade se torna uma defesa natural contra a volatilidade do tráfego genérico.

Para transformar dados proprietários em conteúdo orgânico de alto impacto, use este roteiro:

  1. Escolha uma pergunta estratégica que seus clientes ou stakeholders fazem com frequência.
  2. Defina o recorte de dados que você consegue analisar: segmento, ticket, vertical, região.
  3. Estruture uma pequena pesquisa com amostra clara e metodologia explicada.
  4. Transforme o resultado em peça central, como um relatório anual ou trimestral.
  5. Derive múltiplos ativos: posts, infográficos, webinários, podcasts, sequências de email.

Além de gerar tráfego, esse tipo de Marketing de Conteúdo alimenta vendas com argumentos de autoridade. Vendedores passam a citar dados do próprio relatório em ligações e propostas, ligando diretamente conteúdo, Estratégia, campanha e métricas de receita.

Atenção também ao formato. Estudos compilados por consultores de conteúdo indicam que artigos com maior profundidade, mais imagens e vídeos tendem a receber mais tráfego e backlinks. Pesquisas de players como a SEO.com apontam que conteúdo visualmente rico aumenta o engajamento e a percepção de valor.

Pilar 3: Multicanalidade – SEO, email e social impulsionando o mesmo conteúdo

Conteúdo orgânico não vive só de Google. Se o tráfego de busca está mais imprevisível, faz ainda mais sentido construir distribuição própria e recorrente. Isso significa integrar SEO, email marketing e redes sociais em torno dos mesmos ativos.

Relatórios de plataformas como Taboola mostram que email segue como um dos canais com maior retorno sobre investimento. Estudos de SEO e marketing digital também apontam sites, blogs e SEO como fontes importantes de ROI, lado a lado com canais de social commerce.

Um fluxo simples para cada novo conteúdo estratégico:

  • SEO: publicar um artigo otimizado para uma palavra-chave de alta intenção.
  • Email marketing: enviar um resumo curado para a base, com CTA para o ativo completo.
  • LinkedIn: transformar principais insights em 2 a 3 posts de narrativa, com foco em autoridade.
  • Vídeo curto: gravar trechos em formato de dicas rápidas para Reels, Shorts ou TikTok.

Ferramentas como RD Station, Mailchimp ou o próprio HubSpot facilitam orquestrar campanhas multicanais, enquanto o blog e o site funcionam como centro de gravidade.

Em vez de criar 10 peças superficiais, produza um conteúdo profundo e destrinche em múltiplos formatos. Isso atende diferentes preferências de consumo e reforça consistência de mensagem. As estatísticas mais recentes de players como HubSpot e Shopify indicam que vídeo curto e blogs seguem entre os formatos mais consumidos, o que reforça a necessidade de pensar multiformato desde o briefing.

Como medir ROI de conteúdo orgânico: campanhas, métricas e segmentação

Se a tese é sair de volume e focar em valor, as métricas também precisam mudar. Em vez de olhar apenas para sessões orgânicas, você deve conectar conteúdo a pipeline, receita e retenção.

Uma forma prática é organizar as métricas por camada de funil:

  • Topo de funil: sessões orgânicas qualificadas, novos usuários, tempo de permanência, scroll depth.
  • Meio de funil: cadastros em newsletter, downloads, MQLs criados, resposta a nutrição.
  • Fundo de funil: oportunidades geradas, pipeline influenciado, taxa de fechamento, receita atribuída.

Ferramentas como Google Analytics, CRM (HubSpot, Salesforce) e BI (Looker Studio, Power BI) permitem criar painéis que cruzam origem de tráfego com negócio gerado. O objetivo é sair da conversa vaga sobre “marca” e entrar em números de ROI, conversão e segmentação.

Três painéis que aceleram a tomada de decisão:

  1. Painel de performance de conteúdo: ranking de URLs por sessões, engajamento e conversões assistidas.
  2. Painel de campanhas: comparação entre campanhas orgânicas e pagas, por custo por lead e custo por oportunidade.
  3. Painel de segmentos: análise de desempenho por ICP, setor, ticket médio e canal principal de aquisição.

Com esses dados, a discussão na próxima reunião trimestral de performance de marketing deixa de ser sobre “quantos posts publicamos” e passa a ser “quais conteúdos geraram mais pipeline em cada segmento”. Assim, Estratégia, campanha e métricas se alinham.

Ajustando o formato: equilibrar profundidade e objetividade

Uma aparente contradição em vários estudos é o fato de conteúdos longos performarem melhor em SEO, enquanto compradores B2B declaram preferir materiais mais objetivos. A síntese é simples: o tamanho ideal é definido pela intenção, não pela vaidade de ranking.

Para buscas transacionais ou de comparação, vale investir em conteúdos extensos, com tabelas, exemplos, FAQs e vídeos. Eles tendem a receber mais backlinks e posicionar melhor, além de ajudar o usuário a tomar decisão. Para dúvidas pontuais ou explicações táticas, formatos mais curtos e visuais são suficientes.

Use esta regra rápida:

  • Alta complexidade + alta intenção de compra: conteúdo longo, profundo, com múltiplas seções.
  • Baixa complexidade + média intenção: conteúdo médio, com foco em etapas práticas.
  • Baixa complexidade + baixa intenção: conteúdo curto, focado em clareza e velocidade.

Na prática, você equilibra um portfólio em que poucos conteúdos pilares, realmente robustos, sustentam o tráfego qualificado, enquanto peças menores funcionam como suporte e nutrição. Isso ajuda a manter o calendário vivo sem cair na armadilha de produzir por produzir.

Encerramento e próximos passos

O cenário de 2025 deixou claro que depender apenas de tráfego orgânico de volume é uma aposta arriscada. Respostas de IA, saturação de temas genéricos e competição global exigem repensar o papel do conteúdo orgânico na estratégia.

A saída está em usar o Marketing de Conteúdo como bússola para decidir onde competir, priorizar BOFU e dados proprietários, e orquestrar uma presença multicanal que conecta SEO, email e social em torno de ativos realmente valiosos. Com métricas alinhadas a receita e segmentação de ICP, você deixa de discutir apenas visitas e passa a discutir dinheiro na mesa.

Seu próximo passo prático pode ser simples: escolher três temas críticos de fundo de funil, desenhar um ativo profundo para cada um, definir a campanha multicanal correspondente e montar um painel de ROI específico. Assim, na próxima reunião trimestral de performance de marketing, o debate deixa de ser defensivo e passa a ser estratégico.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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