Introdução
Performance deixou de ser “assunto de dev” e virou variável direta de aquisição e conversão. Quando uma landing page demora a exibir o conteúdo principal, responde lento ao clique ou “pula” elementos na tela, você perde cliques pagos, reduz taxa de conversão e ainda piora sinais de experiência.
É nesse ponto que entram os Core Web Vitals: um conjunto de métricas padronizadas para medir experiência real do usuário. Pense nelas como um painel de controle com três mostradores (LCP, INP e CLS), cada um alertando um risco diferente na jornada. Neste artigo, vamos detalhar o que é, como funciona (na prática, com fluxo e instrumentos) e boas práticas, incluindo ferramentas para medir, diagnosticar e operacionalizar melhorias.
What is Core Web Vitals
Core Web Vitals são um subconjunto das Web Vitals que foca em três dimensões críticas da experiência do usuário, medidas preferencialmente com dados de campo (uso real): carregamento (LCP), interatividade (INP) e estabilidade visual (CLS). A recomendação padrão é avaliar se a página atende aos limites no percentil 75 (p75), segmentando por mobile e desktop. citeturn1search3
Para que servem (propósito operacional)
No contexto de SEO, Growth e Martech, Core Web Vitals servem para:
- Priorizar dívida técnica com critério de impacto (experiência percebida, não só “tempo total de load”).
- Padronizar comunicação entre Marketing e Engenharia com métricas comparáveis.
- Monitorar qualidade de releases em páginas de aquisição (home, PLPs, landing pages de mídia paga, checkout, signup).
O Google também deixa claro que Core Web Vitals são usados pelos sistemas de ranqueamento, mas não substituem relevância e qualidade de conteúdo. Na prática: melhorar Core Web Vitals aumenta suas chances quando a disputa é acirrada, mas não “compensa” conteúdo fraco. citeturn5search0
Quais são as métricas (e os limites que importam)
- LCP (Largest Contentful Paint): mede quando o maior elemento de conteúdo visível (muitas vezes a “hero image” ou bloco principal) é renderizado. Meta típica: ≤ 2,5 s no p75. citeturn1search2turn1search3
- INP (Interaction to Next Paint): mede a responsividade ao longo da sessão, observando a latência das interações do usuário e reportando um valor representativo (com foco na pior interação, com tratamento de outliers). Meta típica: ≤ 200 ms no p75. citeturn3search0turn1search3
- CLS (Cumulative Layout Shift): mede estabilidade visual, somando mudanças inesperadas de layout. Meta típica: ≤ 0,1 no p75. citeturn3search1turn1search3
O que Core Web Vitals não é (para evitar confusão)
- Não é “a nota do PageSpeed/Lighthouse”. A pontuação é um agregado de auditorias e pode variar; o que manda em Core Web Vitals é a métrica (LCP/INP/CLS), preferencialmente em dados reais. citeturn1search3turn2search1
- Não é só “velocidade do servidor”. LCP e INP geralmente são limitados por front-end, imagens, JS e terceiros.
- Não é garantia de ranquear melhor. O próprio Google reforça que há muito mais na experiência e no ranking do que essas métricas. citeturn5search0
Onde se encaixa no stack moderno (SEO + Martech)
Na prática, Core Web Vitals vira um KPI de qualidade da experiência que conecta:
- SEO Técnico (indexação, arquitetura, performance).
- CRO e Performance Marketing (taxa de conversão por dispositivo, campanhas e templates).
- Tag management e analytics (GTM, pixels, scripts de chat, A/B testing), que impactam principalmente INP.
- Data/BI (dashboards e alertas com CrUX, Search Console e RUM).
No cenário típico, um time de Marketing, SEO e Engenharia olha um dashboard semanal para decidir o que entra no próximo sprint, especialmente em landing pages de campanhas.
How Core Web Vitals Works
Para operacionalizar Core Web Vitals, você precisa entender duas coisas: de onde vêm os dados e como transformar isso em um ciclo contínuo de melhoria.
1) Dados de campo vs. dados de laboratório
- Dados de campo: vêm de usuários reais e refletem dispositivos, redes e comportamentos reais. Eles são a base de relatórios como o Core Web Vitals no Search Console, que agrega URLs por grupos e classifica como “Ruim”, “Melhorias necessárias” e “Bom”. citeturn0search0
- Dados de laboratório: vêm de testes controlados (simulação) e são ideais para diagnóstico e reprodução. Ferramentas como Lighthouse no Chrome DevTools rodam auditorias e sugerem oportunidades. citeturn2search1
Na prática, use campo para priorizar e lab para debugar.
2) O modelo de avaliação (p75 e segmentação)
O padrão recomendado é mirar no percentil 75 das visitas, segmentando por mobile e desktop. Isso evita “otimizar para a média” enquanto uma fatia grande de usuários ainda sofre. citeturn1search3turn1search2turn3search1
No Search Console, os dados são agrupados por grupos de URLs semelhantes e o status do grupo tende a ser determinado pela pior métrica. Ou seja: não adianta “LCP bom” se o grupo está “ruim” por CLS. citeturn0search0
3) Um fluxo operacional que funciona (Marketing + Engenharia)
A forma mais eficiente de aplicar Core Web Vitals é tratar como um processo, não como um “projeto”. Um fluxo enxuto:
- Descobrir: identifique templates com pior status (ex.: /lp/, /produto/, /checkout/) no Search Console. citeturn0search0
- Quantificar impacto: cruze com sessões, receita, leads e CAC por página (GA4/CRM/BI).
- Diagnosticar: reproduza o problema em lab com Lighthouse/DevTools e, se possível, com testes mais detalhados. citeturn2search1turn4search4
- Corrigir: implemente mudanças focadas na métrica ruim (LCP, INP ou CLS).
- Validar: re-teste em lab e monitore a evolução em campo (pode levar dias ou semanas para refletir).
- Evitar regressão: coloque “portões” de performance em CI/CD.
4) Exemplos práticos por métrica (o que costuma causar problema)
LCP: “o usuário viu o principal rápido?”
O LCP costuma piorar por:
- Imagem hero pesada, sem otimização.
- CSS/JS bloqueando renderização.
- TTFB alto ou cache mal configurado.
O web.dev recomenda mirar em 2,5 s ou menos e dá orientações específicas de diagnóstico. citeturn1search2
INP: “o clique respondeu sem travar?”
O INP observa a responsividade ao longo da visita e tende a degradar quando:
- Há tarefas longas de JavaScript (main thread ocupada).
- Terceiros adicionam listeners e processamento (tag manager, heatmaps, chat).
- Há re-renderizações pesadas em frameworks.
A documentação do INP detalha o conceito de interação e limites (≤ 200 ms bom; > 500 ms ruim). citeturn3search0
CLS: “a tela ficou pulando?”
CLS costuma piorar por:
- Imagens/iframes sem dimensões.
- Ads e embeds injetados sem reservar espaço.
- Fontes carregando e trocando layout.
O web.dev traz uma lista clara de causas comuns e recomendações. citeturn3search1
5) Como times de marketing medem Core Web Vitals sem depender 100% de dev
Aqui entra a metáfora do painel de controle com três mostradores: você precisa que esses mostradores apareçam nos lugares onde o time já toma decisão.
Duas alavancas úteis:
- Instrumentação RUM com a biblioteca web-vitals para medir usuários reais e enviar para seu stack de analytics. Isso permite segmentar Core Web Vitals por campanha, device, país e até variações de A/B test. citeturn3search3
- Dados agregados do CrUX via API ou BigQuery para benchmark e tendências, com atualização e janelas de agregação. citeturn1search0turn1search1
Se você já opera um dashboard semanal, a ideia é simples: Core Web Vitals entra como um “Quality Gate” de aquisição, junto de CTR, CVR e CPA.
Best Practices for Core Web Vitals
A seguir está um playbook prático para fazer Core Web Vitals virar rotina, não incêndio.
1) Defina metas por tipo de página (e não uma meta única para o site)
Crie uma matriz simples:
- Landing pages de mídia paga: prioridade máxima (impacto direto em CAC e conversão).
- Páginas de produto/categoria: prioridade alta (SEO e receita).
- Blog: prioridade média (muito tráfego, mas menor criticidade transacional).
Use o Search Console para localizar grupos problemáticos e começar por onde dói mais. citeturn0search0
Decisão prática: se a página representa alto volume de sessões e tem Core Web Vitals “Ruim”, ela entra no próximo sprint, mesmo que a “nota” do Lighthouse pareça aceitável.
2) Priorize por “impacto x esforço” com dados de campo
Uma forma de priorizar:
- Impacto: sessões, conversões, receita, leads qualificados, páginas de entrada.
- Severidade: quão longe do limite a métrica está (ex.: LCP 4,5 s é pior que 2,8 s).
- Efeito em cadeia: templates compartilhados (header, hero, componentes, tags).
O Search Console agrupa URLs e ajuda a atacar problemas repetidos em lote. citeturn0search0
3) Controle rigorosamente scripts de terceiros (principalmente para INP)
Em martech, o vilão recorrente é “só mais uma tag”. INP piora quando o main thread fica ocupado com tarefas longas.
Boas práticas concretas:
- Inventarie tudo que roda via GTM (analytics, pixels, chat, heatmap, A/B, CDP).
- Elimine duplicidades (dois pixels fazendo a mesma coisa).
- Carregue por gatilhos reais (ex.: carregar chat somente após intenção).
- Crie um SLA: nenhuma tag entra sem dono, objetivo e critério de remoção.
Para diagnosticar em profundidade, use recursos do DevTools e auditorias de performance. citeturn4search4turn4search1
4) Separe “medição para decisão” de “medição para debug”
Para decisão (campo):
- Core Web Vitals report do Search Console para status e tendência por grupos. citeturn0search0
- CrUX API para automações, alertas e dashboards. citeturn1search0
Para debug (lab):
- Lighthouse no DevTools para reproduzir e listar oportunidades, com cuidado para variações. citeturn2search1
- DevTools Performance com métricas ao vivo e comparação com dados de campo (quando habilitado). citeturn4search4turn4search5
5) Coloque “portões” de performance no CI/CD para evitar regressões
O maior erro operacional é otimizar hoje e regredir amanhã.
Implemente:
- Lighthouse CI para rodar auditorias a cada PR e falhar o pipeline quando métricas regressarem além do permitido. citeturn4search2turn4search0
- “Orçamentos” simples: limite de KB para imagens críticas, limite de JS total por rota, e limites mínimos de score em cenários-chave.
6) Aplique correções por métrica (checklist prático)
Checklist para LCP
- Otimize e sirva imagens no formato adequado e com dimensões corretas.
- Priorize o recurso LCP (ex.: preload do elemento crítico quando fizer sentido).
- Reduza bloqueios de render (CSS crítico, remoção de CSS não usado).
Baseie-se nas recomendações e definição do LCP para manter foco no que de fato é medido. citeturn1search2
Checklist para INP
- Divida tarefas longas de JS (quebrar trabalho em partes menores).
- Reduza listeners e trabalho síncrono em eventos de input.
- Audite componentes e terceiros que rodam “durante” a interação.
Use a documentação do INP para entender o que conta como interação e o que é considerado bom. citeturn3search0turn3search2
Checklist para CLS
- Sempre defina largura e altura de imagens, iframes e embeds.
- Reserve espaço para banners, ads e componentes injetados.
- Cuide de fontes (evitar trocas de layout perceptíveis).
Siga o guia de causas comuns de CLS para atacar o que mais acontece no mundo real. citeturn3search1
7) Crie indicadores de maturidade (para gestão e RevOps)
Um modelo simples de maturidade:
- Nível 1 (reativo): roda PageSpeed/Lighthouse manualmente quando “fica lento”.
- Nível 2 (monitorado): acompanha Search Console e corrige por grupos de URLs.
- Nível 3 (gerenciado): tem metas por template, dashboards e rotinas semanais.
- Nível 4 (automatizado): CI com budgets, instrumentação RUM e alertas.
Se você precisa de reporting para liderança, foque em: % de URLs “Bom”, tendência p75 por template e impacto em conversão.
Ferramentas para Core Web Vitals (o que usar e quando)
A palavra “ferramenta” aqui não é detalhe: a escolha errada cria ruído e decisões ruins.
Ferramentas de monitoramento (campo)
- Relatório de Core Web Vitals no Search Console: melhor para priorização por grupos de URLs e acompanhamento. citeturn0search0
- CrUX API: melhor para automações e integrações com BI. citeturn1search0
- CrUX no BigQuery: melhor para análises históricas, benchmark e recortes por dimensões disponíveis. citeturn1search1
Ferramentas de diagnóstico (lab)
- Lighthouse (DevTools e outras execuções): auditoria e oportunidades, útil para reproduzir e medir antes e depois. citeturn2search2turn2search1
- DevTools Performance com métricas ao vivo: útil para capturar INP e CLS enquanto você interage e navega. citeturn4search4turn4search5
Ferramentas para automação e governança
- Lighthouse CI: essencial para impedir regressões e criar disciplina no ciclo de deploy. citeturn4search2turn4search0
Ferramentas para testes avançados e comparação
- WebPageTest: útil para testes detalhados, incluindo métricas e comparação com dados de campo quando disponível. citeturn5search2turn5search3
Ferramentas para instrumentação (RUM)
- Biblioteca web-vitals: mede Web Vitals em usuários reais e facilita enviar para analytics e tag management. citeturn3search3
Regra prática de seleção: se a pergunta é “onde priorizar?”, use Search Console e CrUX. Se a pergunta é “por que está ruim?”, use DevTools, Lighthouse e WebPageTest.
Conclusão
Core Web Vitals funcionam melhor quando você trata como um painel de controle (LCP, INP, CLS) conectado ao que o negócio já acompanha: aquisição, conversão e qualidade da experiência. Em vez de perseguir uma “nota perfeita”, foque em melhorar p75 em páginas críticas, controlar scripts de terceiros e evitar regressões com automação.
O próximo passo mais produtivo é simples: escolha um template de alto impacto (por exemplo, landing pages de campanha), identifique a métrica que está determinando o status “Ruim” no Search Console e execute um ciclo completo de diagnóstico em lab, correção e validação em campo. Com um processo semanal e um gate de CI, Core Web Vitals deixa de ser firefighting e vira vantagem operacional.