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Omnichannel na prática: arquitetura, código e métricas para ganhar eficiência

Omnichannel deixou de ser buzzword e virou requisito básico em 2025. Clientes esperam continuar a mesma conversa do app para a loja física, do WhatsApp para o site, sem fricção. Ao mesmo tempo, o mobile já representa a maior parte das compras digitais e experiências com AR, social commerce e IA elevam o sarrafo de conveniência.

O problema é que a maioria das empresas ainda opera com dados em silos, legados difíceis de integrar e regras de negócio duplicadas em cada canal. Isso aumenta custo, reduz eficiência e faz a experiência parecer desconectada, mesmo com muito investimento em mídia.

Neste artigo, você vai ver como desenhar a arquitetura omnichannel, quais blocos de código e integrações são realmente críticos, como organizar a implementação em fases e quais métricas usar para otimização e melhorias contínuas.

O que é Omnichannel em 2025 e o que muda na estratégia

Na prática, omnichannel é a capacidade de reconhecer a mesma pessoa em todos os pontos de contato, entender o contexto dela em tempo quase real e reagir com a próxima melhor ação, sem que o cliente precise “recomeçar” a jornada. Em 2025, isso significa unificar canais, estoques, preços, dados e decisões em uma mesma arquitetura.

Estudos recentes sobre tendências de omnichannel em 2025 mostram três mudanças de base: o mobile como ponto de partida da jornada, o uso intenso de IA para personalização e a fusão entre físico e digital via AR, QR codes, lockers e BOPIS. Relatórios como o de tendências de varejo omnichannel reforçam ainda que a geração Z espera transitar naturalmente entre comprar online, provar na loja, retirar no locker e trocar via app.

Omnichannel também deixou de ser “só marketing”. Players de unified commerce indicam que mais de 40% dos abandonos estão ligados a incerteza de frete, prazo ou estoque. Ou seja, não adianta ter uma campanha incrível se a promessa de entrega é fraca. Arquitetura, logística e operação precisam trabalhar junto com CRM, mídia e branding.

Para o Brasil, isso se traduz em um desafio concreto: integrar loja física, e-commerce próprio, marketplaces, WhatsApp, app e canais de mídia em cima de dados consistentes. É exatamente aqui que o desenho de arquitetura e a definição de um hub de dados omnichannel se tornam críticos.

Arquitetura omnichannel: construindo o hub de dados unificado

Pense na sua operação como um varejista de moda brasileiro com dezenas de lojas, e-commerce, app próprio, vendas em marketplaces e atendimento via WhatsApp. Para entregar uma experiência coerente, você precisa de um hub de dados omnichannel que concentre identidades, eventos e atributos de cliente, pedido e produto em tempo quase real.

Esse hub é o objeto central da arquitetura. Ele pode ser construído combinando um CDP, um data lake e uma camada de streaming de eventos. A função dele é receber sinais de todos os canais e sistemas legados, consolidar perfis, aplicar regras de negócio e devolver decisões para os canais de ativação.

Componentes mínimos dessa arquitetura omnichannel:

  • Canais de interação: site, app, PDV, WhatsApp, chatbot, email, SMS, push, mídias pagas
  • Sistemas de negócio: ERP, WMS, OMS, gateway de pagamento, antifraude, programa de fidelidade
  • Hub de dados omnichannel: CDP ou plataforma de dados como Adobe Experience Platform ou data lake com camada de identidade
  • Camada de decisão: engine de regras, modelos de IA para recomendação, churn e próxima melhor oferta
  • Camada de ativação: plataformas como Salesforce Marketing Cloud, RD Station CRM ou soluções de engajamento como MoEngage

A arquitetura precisa garantir alguns princípios de tecnologia:

  1. Identificador único de cliente em todos os sistemas
  2. Catálogo de produtos e estoques unificado para todos os canais
  3. Modelo de dados de eventos padronizado (ex: CustomerCreated, ProductViewed, CartAbandoned, OrderPlaced)
  4. Baixo acoplamento entre canais e sistemas de negócio por meio de APIs ou filas de eventos

Sem esse desenho, qualquer esforço de omnichannel vira um conjunto de remendos pontuais, difíceis de escalar e de otimizar.

Camada de código e integrações para uma implementação eficiente

Depois de definida a arquitetura, entra o trabalho de código e integrações. É aqui que times de desenvolvimento e engenharia garantem que os canais falem com o hub de dados omnichannel e com os sistemas legados de forma resiliente e rastreável.

As integrações mais críticas tendem a seguir três padrões:

  1. APIs REST ou GraphQL para leitura e escrita de dados de cliente, pedido e estoque
  2. Eventos assíncronos em filas ou streams (Kafka, Pub/Sub, Kinesis) para tudo que ocorre em alta frequência
  3. Webhooks para notificar sistemas externos sobre mudanças importantes de estado

Padrão de eventos

Comece definindo um contrato de evento simples em JSON, que todos os canais conseguem produzir. Por exemplo, um evento de abandono de carrinho:

{
  "event": "CartAbandoned",
  "customer_id": "12345",
  "cart_id": "abc-999",
  "items": [
    { "sku": "CAMISA-101", "qty": 1, "price": 129.9 }
  ],
  "channel": "mobile_app",
  "timestamp": "2025-12-27T18:30:00Z"
}

Esse evento é enviado pela app, site ou PDV para o hub. A partir daí, a engine de decisão avalia regras, como “tempo desde o último pedido” ou “valor do carrinho”, e dispara ações: push com cupom, email com produtos similares, notificação para o vendedor da loja.

Orquestração de jornadas

Com os eventos padronizados, você pode orquestrar jornadas em ferramentas de marketing e CRM. Plataformas que implementam as tendências de personalização com IA permitem treinar modelos que recomendam o melhor canal, horário e oferta para cada perfil.

O segredo de código aqui não é a sofisticação algorítmica, e sim a disciplina de engenharia: versionar contratos de APIs, documentar eventos, criar testes automatizados para regras críticas e monitorar latência e falhas. Sem isso, a Implementação vira um mosaico frágil difícil de manter.

Roadmap de implementação omnichannel em fases controladas

Mudar toda a operação de uma vez tende a ser arriscado demais. A literatura de cases reais de omnichannel com IA mostra que os ganhos de 20 a 30% em retenção aparecem quando as empresas escalam após pilotos bem desenhados.

Uma forma prática de organizar a Implementação é dividindo em quatro fases:

  1. Diagnóstico e arquitetura alvo (4 a 8 semanas)

    • Mapear canais, sistemas, integrações e dados disponíveis
    • Desenhar o hub de dados omnichannel, definindo quais componentes serão comprados e quais serão construídos
    • Escolher uma jornada prioritária para o MVP, como onboarding ou recompra
  2. MVP de jornada crítica (8 a 12 semanas)

    • Conectar 2 ou 3 canais chave (por exemplo, app, site e email) ao hub de dados
    • Implementar regras simples de personalização e retargeting de abandono
    • Medir impacto em métricas específicas, como ativação de novos clientes ou redução de abandono
  3. Escala por domínios de negócio (3 a 9 meses)

    • Expandir a arquitetura para logística, SAC, fidelidade e marketplaces
    • Unificar catálogo e estoques e liberar opções como BOPIS e ship-from-store
    • Sincronizar campanhas com as tendências apontadas em relatórios como o relatório de varejo omnichannel
  4. Otimização contínua e IA (permanente)

    • Introduzir modelos de churn, next-best-offer e recomendação de canal
    • Automatizar testes A/B e experimentos de jornada
    • Revisitar a arquitetura a cada 6 ou 12 meses, buscando simplificação e eficiência de custos

Cada fase precisa de objetivos claros, donos definidos e critérios de saída. A pior armadilha é tentar abraçar todas as tendências ao mesmo tempo e terminar com uma arquitetura complexa que poucos entendem.

Otimização, eficiência e melhorias contínuas orientadas a métricas

Omnichannel só faz sentido se aumentar eficiência e resultado. Isso significa, na prática, reduzir custo por contato útil, elevar taxa de conversão e melhorar indicadores de satisfação. É aqui que uma boa governança de métricas separa operações maduras de experimentos caros.

Comece definindo um conjunto pequeno de métricas por jornada:

  • Aquisição: custo por lead qualificado, taxa de ativação em 7 ou 30 dias
  • Conversão: taxa de compra por canal, valor médio de pedido, abandono de carrinho
  • Retenção: repetição de compra, tempo médio entre pedidos, churn
  • Experiência: NPS por canal, tempo de atendimento, promessas de entrega cumpridas

Estudos com exemplos de omnichannel marketing em diferentes indústrias mostram ganhos consistentes quando empresas deixam de otimizar canais isolados e passam a olhar a jornada inteira. Em vez de perseguir apenas abertura de email ou cliques em push, times maduros otimizam a combinação de canais que gera a maior margem por cliente.

Para capturar esses ganhos, você pode criar rotinas de melhorias:

  • Rodadas quinzenais de revisão de métricas por jornada, reunindo times de Marketing, Produto e TI
  • Backlog de experimentos omnichannel, priorizado por impacto esperado em receita ou economia
  • Uso de dados de tendências como os da Feedonomics para decidir onde investir mais – mobile, social commerce, marketplaces ou direct mail

Otimização é um processo contínuo, não um projeto com data para acabar. Quanto mais disciplinado o ciclo de medir, aprender e ajustar, maior a Eficiência e a probabilidade de sustentar resultados.

Padrões globais e checklist tecnológico para seu time

Os grandes cases de omnichannel no varejo de moda, farmácia, serviços financeiros e telecom compartilham alguns padrões. Empresas líderes combinam arquitetura bem desenhada com disciplina de código e uma visão clara de tecnologia como alavanca de negócio, não só como custo.

Relatórios sobre tendências de unified commerce e estudos de varejo apontam boas práticas em comum:

  • Estoque único visível em todos os canais
  • Preços e promoções governados por uma única fonte de verdade
  • Perfis de cliente unificados com consentimento e preferências registradas
  • Engine de decisão central que orquestra regras de canal e modelos de IA
  • Jornada contínua do discovery no social commerce até a recompra em app ou loja

Para transformar isso em ação, use este checklist tecnológico:

  1. Identidade

    • Já existe um identificador único de cliente usado em todos os sistemas?
    • Há plano para resolver duplicidades de cadastro e unificar perfis?
  2. Dados e hub omnichannel

    • Que plataforma será o seu hub de dados omnichannel: CDP, data lake, solução proprietária?
    • O modelo de dados cobre clientes, pedidos, produtos, estoques e eventos de interação?
  3. Canais e integrações

    • Quais canais já em uso serão integrados na primeira fase?
    • As APIs dos canais seguem padrões consistentes, com versionamento, logs e monitoramento?
  4. Ferramentas de ativação

    • Suas ferramentas atuais de CRM e automação, como RD Station CRM, suportam jornadas omnichannel reais ou apenas campanhas por canal?
    • Quais integrações nativas existem com plataformas de ecommerce como Shopify ou com apps próprios?
  5. IA e personalização

    • Há dados suficientes para treinar modelos simples de churn e recomendação?
    • Quem é responsável por monitorar performance e viés desses modelos?

Esse checklist ajuda a direcionar investimentos e priorizar esforços, alinhando Marketing, CRM e TI ao redor de uma visão única de Omnichannel.

Ao longo deste texto, você viu que Omnichannel é menos sobre “estar em todos os canais” e mais sobre ter uma base sólida de arquitetura, código e dados que permita entregar experiências consistentes. O hub de dados omnichannel é a espinha dorsal que conecta canais, sistemas e inteligência.

O próximo passo é escolher uma jornada crítica e começar pequeno, com um MVP muito bem medido. A partir daí, escale a arquitetura, amadureça as integrações, traga IA para as decisões e trate a otimização como parte da rotina. Com uma estratégia clara, apoio dos times de Tecnologia e foco em Eficiência, Omnichannel deixa de ser promessa de tendência e passa a ser um motor concreto de crescimento e lealdade.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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