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Quantum Computing no marketing: estratégias para ROI, segmentação e campanhas do futuro

Até pouco tempo, Quantum Computing parecia um tema distante do dia a dia de marketing. Em 2025, porém, relatórios de consultorias globais mostram que a tecnologia saiu do laboratório e entrou em roadmaps concretos de receita e produtos. Empresas como IBM, Google e Microsoft já divulgam planos públicos de milhares de qubits e casos de vantagem quântica em problemas específicos. Para quem vive de mídia paga, CRM e performance, isso ainda soa abstrato, mas o impacto em dados, segmentação e otimização de campanhas começa a aparecer.

Neste artigo, vamos traduzir o jargão técnico em decisões de negócio: o que líderes de marketing precisam entender agora sobre Quantum Computing, quais casos de uso fazem sentido no curto prazo e como estruturar um roadmap de experimentação alinhado a ROI, conversão e segmentação. Pense neste conteúdo como um “chip quântico” conceitual: compacto, porém capaz de abrir um novo espaço de possibilidades para o seu time.

Por que Quantum Computing é o próximo salto em performance

Mercado e atenção executiva já se deslocaram. Um relatório recente da McKinsey sobre tecnologias quânticas projeta que soluções de Quantum Computing podem chegar a dezenas de bilhões de dólares em receita global até 2035, com crescimento acelerado já nesta década. Grandes empresas e governos estão antecipando esse movimento, financiando ecossistemas de hardware, software e aplicações em escala.

Na prática, por que isso importa para marketing e performance? Diferentemente de servidores clássicos, que processam bits em 0 ou 1, Quantum Computing utiliza qubits em superposição, capazes de representar múltiplos estados ao mesmo tempo. Isso permite atacar problemas de otimização, simulação e busca em espaços combinatórios gigantescos, onde algoritmos tradicionais se tornam lentos ou economicamente inviáveis. O avanço Quantum Echoes anunciado pelo Google Quantum AI mostra ganhos de milhares de vezes em tarefas específicas de simulação, abrindo precedente para outras áreas intensivas em cálculo.

Para marketing, isso se traduz em poder testar muito mais combinações de canais, criativos, jornadas e regras de segmentação em janelas de tempo muito menores. Em vez de rodar apenas alguns cenários de orçamento por trimestre, Quantum Computing permite simular milhares de carteiras de mídia e estratégias de lances em minutos, especialmente em arquiteturas híbridas que combinam computação clássica e quântica. Há três regras práticas para decidir se o seu problema é “candidato” a esse salto de performance:

  • Envolve milhares ou milhões de combinações possíveis de decisão.
  • É repetitivo o suficiente para justificar automação e otimização contínua.
  • Já está esbarrando em limites de tempo de processamento ou custo computacional na infraestrutura atual.

O que muda em dados, segmentação e mensuração

Se dados são o combustível do marketing digital, Quantum Computing mexe diretamente na “motorização” que transforma esses dados em decisão. Relatório do MIT Sloan sobre o estado da computação quântica mostra um crescimento acelerado na oferta comercial de processadores quânticos, o que significa mais ferramentas para atacar problemas de alta dimensionalidade. Em vez de limitar a segmentação a algumas dezenas de variáveis, modelos quânticos e híbridos podem explorar interações complexas entre centenas de atributos comportamentais e contextuais.

Na prática, isso impacta diretamente sua estratégia de segmentação. Técnicas de machine learning quântico prometem encontrar clusters de audiência mais coesos, com maior probabilidade de conversão, em menos ciclos de treinamento. Isso é especialmente relevante em bases de CRM com milhões de clientes e milhares de eventos por usuário. Para quem trabalha com dados em clean rooms, CDPs e data lakes, Quantum Computing abre a possibilidade de análises mais sofisticadas sem necessariamente aumentar de forma explosiva o custo de processamento.

Na mensuração, o efeito está em modelagens como attribution e media mix models. Algoritmos quânticos ou quantum-inspired podem testar um número muito maior de especificações de modelo e restrições de negócio, melhorando a qualidade das estimativas de incremento de vendas por canal. Isso gera decisões mais precisas de alocação de verba, com impacto direto em ROI e performance. Ao mesmo tempo, a agenda de segurança de dados ganha peso: técnicas de criptografia pós-quântica e, no futuro, de comunicação quântica podem redefinir padrões de privacidade e proteção, exigindo que times de marketing conversem mais de perto com segurança da informação e jurídico.

Casos de uso de Quantum Computing para marketing e CRM

Para sair da teoria, vale olhar onde Quantum Computing já começa a tocar o funil de marketing e CRM. Matérias recentes da Network World sobre avanços quânticos em 2025 mostram pilotos em empresas como BMW e Amgen usando plataformas quânticas comerciais para problemas de otimização complexos. A lógica é a mesma que interessa a marketing: encontrar rapidamente a melhor combinação possível dentro de um espaço gigantesco de opções.

Imagine um time de marketing analisando, em tempo real, um painel de campanhas onde um motor de simulação quântico avalia milhões de cenários de investimento, frequência, criativo e jornada, destacando as carteiras de mídia com maior probabilidade de atingir suas metas de ROI e conversão. Esse cenário não está em produção massiva ainda, mas os blocos tecnológicos já existem em plataformas de Quantum Computing oferecidas via nuvem.

Alguns casos de uso que começam a aparecer em roadmaps corporativos:

  • Otimização de orçamento omnicanal: decidir quanto investir em cada canal, público e criativo, respeitando restrições de custo, alcance mínimo e metas de CPA ou ROAS.
  • Segmentação dinâmica e churn: modelos quânticos para identificar micro-segmentos com alto risco de abandono ou alta propensão à compra, alimentando regras de campanha em tempo quase real.
  • Recomendação e mix de produtos: explorar combinações de SKUs, preço e promoções em e-commerce e varejo físico, levando em conta estoques e logística.
  • Planejamento de jornadas: simular diferentes sequências de contatos e canais para maximizar LTV e satisfação do cliente, considerando limitações de contato e preferências de privacidade.

Hoje, muitos desses casos ainda são atacados com heurísticas avançadas e modelos tradicionais. Porém, à medida que serviços de Quantum Computing amadurecem, o ganho incremental tende a ficar em problemas com altíssima complexidade combinatória e grande valor por decisão tomada.

Ferramentas, plataformas e como começar a experimentar

A boa notícia é que você não precisa comprar um computador quântico para começar. Os principais provedores já oferecem Quantum Computing como serviço, acessível via APIs e SDKs. A IBM Quantum disponibiliza simuladores e processadores reais em nuvem, integrados ao framework aberto Qiskit. A Azure Quantum conecta diferentes hardwares quânticos e solvers inspirados em algoritmos quânticos ao ecossistema de dados da Microsoft. A Amazon Braket oferece acesso unificado a múltiplos tipos de QPU e simuladores dentro da infraestrutura AWS.

Para times de marketing e CRM, o caminho prático não é começar programando algoritmos quânticos do zero, mas sim estruturar um pipeline de experimentação em parceria com ciência de dados, TI e fornecedores especializados. Um fluxo típico inclui:

  1. Selecionar um problema de negócio de alta relevância em estratégia de campanha e performance, como otimização de orçamento ou segmentação de alto valor.
  2. Traduzir o problema em termos formais de otimização ou classificação, em conjunto com cientistas de dados.
  3. Prototipar o modelo em simuladores quânticos ou solvers quantum-inspired, conectando-o, ainda que de forma manual, às fontes de dados do CRM ou CDP.
  4. Validar resultados em experimentos controlados de campanha, comparando o desempenho com o melhor benchmark clássico atual.
  5. Só então considerar integração mais profunda com orquestradores de jornada, plataformas de mídia e ferramentas de automação.

Relatórios como o da The Quantum Insider sobre roadmaps de grandes players deixam claro que a próxima etapa é justamente simplificar essa camada de software, aproximando Quantum Computing de casos de uso de negócio por meio de bibliotecas e serviços mais abstratos.

Estratégia e governança: preparando pessoas, dados e parceiros

Tratar Quantum Computing apenas como curiosidade tecnológica é perder timing estratégico. A discussão precisa entrar na agenda de Estratégia, campanha e performance. O primeiro passo é mapear onde, no seu funil, existem problemas de decisão com grande impacto financeiro e forte componente de otimização ou simulação. Normalmente aparecem em alocação de verba, pricing, logística ligada à experiência do cliente e regras de segmentação.

Na frente de pessoas, não faz sentido criar de imediato um time dedicado apenas a Quantum Computing em marketing. Em vez disso, monte uma célula multidisciplinar com alguém de performance, alguém de CRM, um líder de dados e, idealmente, um parceiro externo com experiência em quântica. Incentive treinamentos introdutórios oferecidos por players como IBM, Microsoft e universidades que já estruturam trilhas voltadas a negócios, não só técnicas.

Em governança, três cuidados são críticos:

  • Alinhamento com segurança e privacidade: discuta impactos de criptografia pós-quântica e de novas formas de compartilhamento seguro de dados.
  • Gestão de portfólio de iniciativas: trate projetos ligados a Quantum Computing como bets de inovação com orçamentos limitados, milestones claros e critérios objetivos de continuidade.
  • Transparência com o board: eduque a liderança sobre horizontes de adoção e riscos de hype, usando referências de mercado confiáveis, como as análises de tendências da Moody’s para computação quântica.

Esse desenho permite testar, aprender e ajustar rota sem comprometer a operação atual nem cair na armadilha de investir pesadamente em uma tecnologia que ainda está em fase inicial de maturação comercial.

Medindo ROI, mitigando riscos e definindo o seu roadmap

Nenhuma decisão de tecnologia faz sentido em marketing sem clareza de ROI, conversão e segmentação impactadas. Em Quantum Computing, essa disciplina é ainda mais importante, porque a tecnologia está em fase inicial e o risco de hype é alto. Trate cada iniciativa como um experimento de negócio, não como projeto de TI.

Alguns princípios práticos:

  • Sempre compare o resultado do modelo quântico ou quantum-inspired com o melhor benchmark clássico disponível, em testes A/B ou testes sequenciais bem desenhados.
  • Meça tanto ganhos de receita (uplift de conversão, ticket médio, LTV) quanto redução de custos (CPM, CPA, custo de processamento, tempo de otimização).
  • Atribua valor explícito ao aprendizado: criação de ativos de dados, capacitação de time, entendimento de novas fronteiras de performance.

Um framework simples de roadmap para 24 meses pode seguir quatro fases:

  1. Meses 0 a 3: alfabetização quântica para lideranças de marketing e dados, mapeamento de problemas candidatos e avaliação de parceiros.
  2. Meses 3 a 9: provas de conceito usando simuladores e solvers avançados em um ou dois casos de uso de alto impacto, com metas claras de uplift.
  3. Meses 9 a 18: pilotos integrados, conectando serviços de Quantum Computing via nuvem a partes controladas do stack de dados e orquestração de campanhas.
  4. Meses 18 a 24: decisão de escala, priorizando casos onde o benefício incremental justifica a complexidade adicional, e revisão anual do portfólio de iniciativas.

Seguindo esse caminho, você protege o orçamento de marketing, captura ganhos reais de performance onde eles existem e constrói uma vantagem de aprendizagem em relação a concorrentes que só reagirão quando a adoção estiver mais disseminada.

Quantum Computing não vai substituir algoritmos tradicionais de marketing de um dia para o outro, mas já começou a redesenhar a fronteira do que é possível em otimização, segmentação e mensuração. Em 2025, o movimento estratégico não é comprar hardware exótico, e sim entender como essa nova camada de computação pode se conectar, aos poucos, às decisões críticas do seu funil.

Ao estruturar uma estratégia clara, escolher bem os primeiros casos de uso e medir com rigor o impacto em ROI e conversão, seu time ganha musculatura para aproveitar a onda quântica quando ela se tornar mainstream. A imagem de um time de marketing diante de um painel de campanhas alimentado por simulações quânticas pode parecer futurista hoje, mas as empresas que começarem a experimentar desde já terão boas chances de transformar esse cenário em vantagem competitiva concreta.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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