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Fintech Innovations em 2025: IA, pagamentos e escala sustentável

Fintech Innovations em 2025: IA, pagamentos e escala sustentável

O mercado de fintech entrou em 2025 em uma nova fase. O foco já não é apenas crescer a qualquer custo, mas combinar inovação tecnológica com eficiência, governança e retorno claro sobre o investimento.

Pense em um painel de controle em tempo real de uma fintech, exibindo fraudes evitadas, autorizações aprovadas, burn rate e receita recorrente em um único lugar. Ao lado, um squad de produto de uma fintech brasileira em São Paulo preparando o lançamento de uma nova plataforma de pagamentos instantâneos para a América Latina precisa decidir onde apostar: IA, tokenização, novos meios de pagamento ou Open Finance.

Este artigo mostra como as principais Fintech Innovations do momento se conectam a decisões práticas de produto, tecnologia e negócios. Você verá tendências baseadas em estudos globais, exemplos de implementação, orientações de código e arquitetura em alto nível, além de checklists para transformar buzzwords em resultados mensuráveis.

Por que Fintech Innovations estão redefinindo o setor financeiro

Relatórios recentes da BCG e do World Economic Forum indicam que as fintechs seguem crescendo acima do restante dos serviços financeiros, com receitas subindo mais de 20% ao ano em diversos segmentos, enquanto instituições tradicionais andam em torno de um dígito. O relatório da BCG sobre vencedores e novos disruptores em fintech projeta que a receita global do setor pode chegar a 1,5 trilhão de dólares até o fim da década. Já o Future of Global Fintech do World Economic Forum destaca que, após o pico de euforia da pandemia, o mercado entrou em um ciclo de crescimento mais sustentável.

Neste contexto, Fintech Innovations não são apenas novas funcionalidades, mas vetores estratégicos em três frentes:

  1. Criação de novas fontes de receita via pagamentos, crédito, investimentos e embedded finance.
  2. Redução de risco e custo através de automação, IA para fraude e regtech.
  3. Aumento de inclusão e engajamento com experiências digitais personalizadas.

O relatório da Thomson Reuters sobre tendências de fintech até 2025 mostra como blockchain, IA e Open Banking estão no centro da transformação, especialmente em KYC, prevenção à lavagem de dinheiro e pagamentos iniciados por terceiros. Em paralelo, o Pulse of Fintech da KPMG reforça que os investimentos se concentram em IA, infraestrutura de pagamentos e ativos digitais, mesmo em um cenário macroeconômico mais seletivo.

Na prática, qualquer líder de produto ou tecnologia em serviços financeiros precisa responder a três perguntas ao olhar para novas inovações:

  • Qual problema de negócio específico essa inovação resolve agora: receita, risco ou eficiência operacional?
  • Qual métrica mensurável será impactada em 3 a 6 meses, e em qual magnitude esperada?
  • Qual é o esforço real de código, implementação e tecnologia para sair de um piloto para produção estável e auditável?

Uma forma pragmática de priorizar é atribuir pontuações para impacto esperado, tempo de implantação e complexidade de risco/regulação. Inovações com alto impacto, implantação em até 6 meses e risco controlável entram na rota de curto prazo. As demais podem ir para um backlog estratégico com experimentos menores, em vez de grandes apostas de alto custo e pouca clareza.

Pagamentos inteligentes: o epicentro das Fintech Innovations

Entre todas as frentes de Fintech Innovations, pagamentos continuam sendo o epicentro. Um estudo da CoreSite indica que o mercado global de fintech pode chegar a quase 700 bilhões de dólares até 2030, com crescimento anual acima de 20%, puxado principalmente por diversificação de meios de pagamento e hiperpersonalização. A análise da empresa sobre tendências que moldam o futuro do setor destaca wallets digitais, BNPL, pagamentos em tempo real e integrações com cripto como aceleradores de receita.

O relatório da Plaid sobre tendências em fintech mostra que o uso de pagamentos instantâneos cresce de forma consistente, com aumento de mais de 10% no volume em poucos trimestres em sistemas como o FedNow, apoiado por mais de mil instituições. Esse movimento ecoa o sucesso do Pix no Brasil, criando uma base de usuários acostumada a liquidação imediata, QR Codes e pagamentos iniciados por aplicativos terceiros.

Ao mesmo tempo, a Juniper Research, em seu estudo sobre tendências de pagamentos, aponta a abertura do NFC em smartphones para carteiras de terceiros, o avanço de cartões virtuais em B2B e o uso de biometria comportamental como mecanismos de segurança quase invisíveis. Isso abre espaço para experiências de checkout extremamente rápidas e seguras, mas aumenta a pressão sobre a infraestrutura e os modelos de risco.

Para produtos e tecnologia, o caminho prático é desenhar uma arquitetura de pagamentos inteligentes em quatro passos:

  1. Mapear jornadas de pagamento prioritárias: onboarding, recarga de carteira, checkout de e-commerce, recorrência, chargebacks.
  2. Definir o mix de métodos para cada jornada: Pix, TED, cartões, BNPL, pay-by-bank, wallets digitais, boletos, link de pagamento.
  3. Integrar provedores e gateways que permitam roteamento inteligente, fallback automático e conciliação granular.
  4. Medir continuamente três métricas-chave: taxa de conversão por método, custo por transação e tempo de liquidação.

A inovação aqui não é apenas adicionar mais botões de pagamento, mas usar dados para decidir qual método oferecer, em qual ordem, para qual perfil de cliente. Uma carteira digital que entende o comportamento do usuário, o ticket médio e o risco de fraude consegue orquestrar a melhor combinação entre conveniência, margem e risco em tempo real.

IA aplicada a fraude, compliance e personalização em fintechs

A inteligência artificial deixou de ser apenas um laboratório de P&D e se tornou pilar operacional. O mercado de IA aplicada à gestão de fraude, por exemplo, deve crescer de mais de 13 bilhões de dólares em 2024 para perto de 16 bilhões em 2025, segundo o relatório de tendências de fintech da Plaid. Em paralelo, a Thomson Reuters destaca o uso de IA para acompanhar alterações regulatórias em tempo real e reduzir erros humanos em compliance.

O Technology Trends Outlook da McKinsey e o estudo da BCG sobre fintech indicam que a próxima onda vem de agentic AI: sistemas capazes de executar fluxos de trabalho quase autônomos, como investigar alertas de fraude, preparar dossiês de KYC ou simular cenários de crédito. Em vez de apenas sugerir, esses agentes combinam dados, regras de negócio e APIs para agir e registrar o que foi feito, sempre com trilhas de auditoria.

Três casos de uso de IA em fintechs já são padrão de mercado:

  1. Fraude e risco de crédito: modelos que avaliam transações em milissegundos, combinando dados de dispositivo, comportamento, histórico financeiro e sinais externos.
  2. Compliance e regtech: algoritmos que monitoram mudanças regulatórias, comparam-nas com políticas internas e sugerem ajustes em processos e controles.
  3. Personalização de experiência: mecanismos de recomendação que indicam limites, produtos e conteúdos sob medida, sobretudo para públicos como a Geração Z, em que mais de 80% esperam experiências personalizadas.

Do ponto de vista técnico, a implementação exige uma cadeia clara:

  • Dados: captura de eventos de uso, transações, logs de dispositivos e dados cadastrais com consentimento explícito.
  • Features: criação de variáveis derivadas relevantes para IA, como frequência de tentativas de login, distância entre geolocalização e endereço, ou padrão de gasto por categoria.
  • Modelos: uso de modelos clássicos (árvores de decisão, gradient boosting) combinados com deep learning e, em alguns casos, modelos generativos para análise de texto livre.
  • Monitoramento: acompanhamento de deriva de dados, performance preditiva, taxas de falso positivo e impacto real em métricas de negócio.

Para transformar IA em ativo estratégico, é fundamental que times de dados, engenharia e produto trabalhem juntos. Isso inclui documentar o objetivo de cada modelo, quais decisões ele influencia e quais salvaguardas humanas existem para casos de exceção. Só assim IA deixa de ser uma caixa-preta e passa a ser uma ferramenta confiável de otimização, eficiência e melhorias contínuas.

Tokenização, stablecoins e Open Finance: da visão ao código

Outra frente-chave de Fintech Innovations envolve ativos digitais, tokenização e Open Finance. O relatório da Thomson Reuters projeta que a tokenização pode representar até 10% do PIB global em poucos anos, enquanto estudos da KPMG e do Silicon Valley Bank apontam o avanço de stablecoins e ativos digitais regulados em mercados desenvolvidos. O relatório de indústria do Silicon Valley Bank sobre o futuro do fintech destaca que, mesmo com um cenário de funding mais seletivo, projetos ligados a infraestrutura de ativos digitais continuam atraindo capital.

Na prática, tokenização significa representar ativos do mundo real como registros digitais únicos, negociáveis e programáveis. Isso pode envolver desde recebíveis de cartões até cotas de fundos imobiliários, passando por antecipação de faturas em cadeias de suprimentos. Combinado a stablecoins, torna viável liquidar operações 24/7, reduzir custos de liquidação internacional e desenhar novos produtos de crédito.

Do ponto de vista técnico, transformar essa visão em realidade exige olhar para código, implementação e tecnologia desde o início. Alguns elementos estruturantes são:

  • Arquitetura de APIs que se conectem a provedores de infraestrutura blockchain ou DLT, mantendo a lógica de negócio em serviços desacoplados.
  • Camada de smart contracts responsável por representar direitos e obrigações, com eventos que possam ser conciliados com sistemas legados.
  • Integração com Open Finance para usar dados bancários e de investimentos do cliente como insumos de avaliação de risco e elegibilidade.
  • Módulos de compliance e risco que verifiquem KYC, AML e limites de exposição em tempo quase real.

O relatório Pulse of Fintech da KPMG mostra que stablecoins e ativos digitais regulados ganham tração à medida que os órgãos reguladores definem regras mais claras. Isso reduz incertezas para bancos e fintechs que queiram testar produtos nesse espaço. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de governança robusta sobre chaves, custódia, segregação de ativos e planos de contingência.

Para times de produto e tecnologia, uma abordagem pragmática é começar com casos de uso bem delimitados, como tokenização de recebíveis para funding de curto prazo. Nesses pilotos, vale definir desde o início como será feita a reconciliação com o core bancário, como os dados serão auditáveis e qual experiência o usuário final terá. Um piloto bem-sucedido, mesmo em pequena escala, cria base de aprendizado para novas camadas de complexidade.

Infraestrutura e Ferramentas para escalar com eficiência

Muita coisa em Fintech Innovations depende de uma base de infraestrutura moderna. O estudo da CoreSite mostra que data centers interconectados, cloud híbrida e edge computing são decisivos para atender a requisitos de baixa latência e alta disponibilidade em pagamentos e trading. O relatório da CoreSite sobre infraestrutura para fintech reforça que, sem uma base resiliente, inovações em IA e personalização acabam travadas por gargalos de rede e dados.

Para manter um painel de controle em tempo real de uma fintech sempre atualizado, é preciso combinar:

  • Pipelines de dados em streaming, com ferramentas de mensageria e processamento de eventos.
  • Lakes e warehouses modernos, que permitam análises históricas profundas.
  • Camadas de caching e APIs otimizadas, garantindo que dashboards e produtos digitais respondam em poucos milissegundos.

O Technology Trends Outlook da McKinsey indica que investimentos em cloud, edge e plataformas de dados voltam a crescer depois de um período de cautela, justamente porque são pré-requisito para capturar valor de IA e analytics avançado. Em fintechs, isso se traduz em arquiteturas orientadas a eventos, microsserviços, observabilidade de ponta-a-ponta e automação pesada de DevOps.

Do ponto de vista de ferramentas, três camadas são críticas:

  1. Plataformas de dados e analytics: bancos de dados transacionais escaláveis, lakes, ferramentas de BI e feature stores para IA.
  2. Plataformas de integração: API gateways, sistemas de fila, conectores com parceiros de pagamentos, bureaus de crédito e provedores de KYC.
  3. Plataformas de observabilidade e segurança: monitoramento de logs, métricas e traces, além de soluções de gestão de identidade, secrets e políticas de acesso.

Para evitar desperdício, vale aplicar práticas de FinOps e SRE, com metas claras de custo por usuário ativo, disponibilidade e latência. Em vez de apenas "subir tudo para a nuvem", o foco deve ser criar ciclos contínuos de otimização, eficiência e melhorias em cada camada da stack. Isso permite escalar transações e modelos de IA sem que a fatura de infraestrutura exploda.

Como bancos, fintechs e áreas de negócio podem agir agora

O Future of Global Fintech do World Economic Forum mostra que o setor entrou em uma fase de crescimento mais maduro, com menos euforia e mais foco em sustentabilidade e inclusão financeira. Já o relatório de indústria do Silicon Valley Bank sobre o futuro do fintech indica que empresas com governança sólida, burn controlado e produtos bem posicionados continuam atraindo capital e oportunidades de M&A.

Para bancos incumbentes, três movimentos são prioritários:

  • Parcerias estratégicas com fintechs em IA, tokenização e Open Finance, combinando escala e base de clientes com agilidade tecnológica.
  • Revisão da arquitetura de pagamentos e canais digitais, eliminando legados que impedem novos métodos ou encarecem integrações.
  • Investimento em regtech e automação de compliance, reduzindo custo unitário e melhorando a qualidade dos controles.

Para fintechs em fase de escala, o foco deve migrar de crescimento a qualquer custo para margem, eficiência e monetização inteligente. Isso inclui:

  • Escolher poucas apostas em IA e produtos de alto valor, em vez de lançar dezenas de features pouco usadas.
  • Revisar o portfólio de parceiros de pagamentos e crédito, renegociando tarifas com base em volume e dados de performance.
  • Criar rituais de governança de produto, com revisões trimestrais de roadmap atreladas a métricas de negócio.

Já para empresas não financeiras interessadas em embedded finance, o caminho passa por:

  • Definir o problema central: aumentar retenção, ticket médio ou novos fluxos de receita.
  • Escolher parceiros de Banking as a Service e orquestradores de pagamentos compatíveis com o perfil regulatório desejado.
  • Desenhar jornadas simples, em que a experiência financeira seja invisível, mas agregue muito valor ao core do produto.

Um checklist prático para os próximos 90 dias pode incluir:

  • Mapear duas ou três Fintech Innovations com impacto claro em receita, risco ou eficiência.
  • Definir um caso de uso de IA, um de pagamentos inteligentes e um de Open Finance ou tokenização.
  • Desenhar a arquitetura mínima necessária, com foco em segurança, compliance e observabilidade.
  • Planejar experimentos com metas e janelas de tempo claras, evitando pilotos eternos.

Ao alinhar estratégia, tecnologia e operação dessa forma, organizações financeiras e não financeiras conseguem transformar inovação em vantagem competitiva mensurável.

A combinação de IA, pagamentos inteligentes, tokenização e infraestrutura moderna está redesenhando o mapa competitivo dos serviços financeiros. Em 2025, a pergunta central já não é se vale a pena investir em Fintech Innovations, mas em quais frentes apostar primeiro e como executar sem comprometer governança e sustentabilidade.

Para o squad de produto daquela fintech em São Paulo, isso significa priorizar iniciativas com impacto claro no painel de controle em tempo real: menos fraude, mais conversão, melhor experiência e custo sob controle. Ao usar dados, arquitetura bem pensada e uma visão integrada de ferramentas, código, implementação e tecnologia, as inovações deixam de ser buzzwords e se tornam parte do dia a dia da operação.

O momento favorece quem consegue equilibrar ambição e foco. Comece escolhendo poucos casos de uso bem definidos, conecte-os a métricas de negócio e crie ciclos rápidos de aprendizado. Assim, sua empresa estará melhor posicionada para capturar o valor da próxima onda de inovação em fintech, em vez de apenas observá-la de longe.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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