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Gestão de Inovação na prática: como escalar tecnologia com resultado

Os orçamentos de tecnologia voltaram a crescer, a inteligência artificial domina as pautas do conselho e o governo brasileiro anuncia o maior ciclo recente de investimentos em ciência e inovação. Ao mesmo tempo, consultorias apontam que uma parcela relevante dos projetos de IA generativa iniciados até 2025 tende a ser abandonada por falta de estratégia, integração e governança. No meio desse paradoxo, cresce a sensação de que inovar virou obrigatório, mas ainda é difícil mostrar resultado consistente. É aqui que uma Gestão de Inovação profissionalizada faz diferença: transforma ideias, tecnologia e capital disponível em um fluxo previsível de iniciativas, indicadores e decisões, quase como um painel de controle de inovação alinhado ao negócio.

Por que a Gestão de Inovação é questão de sobrevivência em 2025

Dados recentes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que o Brasil vive um ciclo robusto de fomento a projetos de ciência, tecnologia e inovação, com bilhões de reais aprovados em crédito, incluindo recursos significativos para soluções de inteligência artificial. Esse movimento é reforçado por casas de investimento como a Franklin Templeton, que destacam empresas com agenda clara de automação, produtividade e inovação como candidatas naturais a captar parte desse capital. Em outras palavras, quem tiver capacidade de transformar recursos financeiros em novos produtos, processos e ganhos de produtividade sai na frente.

Ao mesmo tempo, análises de mercado como o estudo de tendências de TI para 2025 da GX2 lembram que aproximadamente 30% dos projetos de IA generativa tendem a ser abandonados por falta de estratégia ou de escalabilidade. Não basta comprar tecnologia ou montar um laboratório isolado: sem uma Gestão de Inovação estruturada, a empresa corre o risco de multiplicar provas de conceito sem nunca chegar à captura real de valor. O resultado é desgaste político interno, descrédito em relação à inovação e desperdício de orçamento.

Gestão de Inovação, nesse contexto, é o sistema que conecta visão de futuro, funding público e privado, tecnologias emergentes e mudanças na operação diária. Ela define onde a empresa vai apostar, como reduzir riscos, quais projetos escalar e quais encerrar rapidamente. Sem esse sistema, a organização fica refém de iniciativas pontuais, dependentes de heróis individuais, em vez de operar com um fluxo contínuo de oportunidades testadas, priorizadas e acompanhadas.

Pilares de uma Gestão de Inovação madura

Para sair do improviso, vale encarar a Gestão de Inovação como um sistema de gestão, e não como um conjunto de ações isoladas. Referenciais como a ISO 56001, que define requisitos para um sistema de gestão da inovação, ajudam a organizar essa visão e integrar inovação a outros sistemas já maduros, como qualidade e gestão ambiental. A partir daí, quatro pilares tendem a aparecer em organizações que conseguem inovar de forma consistente.

  • Governança e diretrizes: definição de papéis, comitês, critérios de decisão e alinhamento com a estratégia corporativa.
  • Portfólio e funding: mapeamento de todas as iniciativas, fontes de financiamento e equilíbrio entre projetos incrementais e mais disruptivos.
  • Processos e métodos: padronização de como surgem ideias, como são avaliadas, testadas, escaladas ou encerradas rapidamente.
  • Pessoas e cultura: desenvolvimento de competências, autonomia e incentivos claros para inovar em linha com o direcionamento estratégico.

Na prática, usar a ISO 56001 como referência não significa burocratizar a empresa, e sim tornar explícito o que já acontece de forma fragmentada. Um bom ponto de partida é realizar um diagnóstico rápido usando materiais como a análise da ISO 56001 publicada pela Ariol Consulting, identificando lacunas em governança, processos, métricas e competências. A partir desse diagnóstico, o time de inovação pode priorizar poucas ações estruturantes para os próximos meses, como estabelecer um comitê formal, definir um funil padrão de projetos e criar um modelo inicial de indicadores.

Quando esses pilares se combinam, a Gestão de Inovação deixa de ser um conjunto de iniciativas desconectadas e passa a funcionar como um sistema vivo, que aprende com cada ciclo e realimenta a própria estratégia da empresa.

Conectando Gestão de Inovação e Cultura Organizacional

Sem uma Cultura Organizacional favorável, qualquer estrutura formal de Gestão de Inovação vira letra morta. Cultura é o conjunto de comportamentos que se repetem no dia a dia, moldados por rituais, símbolos e recompensas. Se líderes punem o erro honesto e premiam apenas quem cumpre o plano original, ninguém vai se arriscar em experimentos que possam falhar.

A coluna de tecnologia da Falconi, voltada a CIOs e CTOs, reforça a importância de equilibrar inovação, controle de custos e práticas como FinOps e AIOps na gestão de nuvem e infraestrutura. Mais do que ferramentas financeiras, essas abordagens sinalizam uma cultura que valoriza experimentação com responsabilidade, acompanhando de perto o custo e o impacto de cada iniciativa digital. O recado para as equipes é claro: inovar faz parte do jogo, mas com visibilidade, disciplina e foco em resultado.

Forjar essa Cultura Organizacional pede ações práticas. Criar um comitê de inovação com participação de áreas de negócio, TI e finanças ajuda a alinhar prioridades e reduzir o distanciamento entre quem demanda e quem entrega. Estabelecer rituais periódicos de revisão de portfólio, reconhecimento a times que testaram hipóteses corajosas e ciclos de feedback rápido sobre ideias submetidas também envia o sinal de que a inovação deixou de ser discurso e entrou na rotina.

Outra alavanca poderosa é a capacitação. Iniciativas de upskilling e reskilling em tecnologia, como os programas corporativos sugeridos no artigo de tendências tech para 2025 da Alura, ajudam a reduzir o medo da mudança e colocam mais pessoas em condição de propor soluções. Quando Treinamento e mensagens claras de liderança caminham juntos, a Cultura Organizacional passa a sustentar, e não sabotar, a Gestão de Inovação.

Tecnologia, IA e automação: escolhendo as apostas certas

Ao olhar para o cardápio de tecnologias emergentes, é fácil se perder entre acrônimos e promessas. Relatórios de players como a TIVIT destacam 5G, internet das coisas, modernização de data centers e sustentabilidade como tendências centrais para 2025, mostrando que a base tecnológica está mudando rapidamente. Porém, Gestão de Inovação eficaz não começa pela ferramenta, e sim pelos problemas de negócio mais relevantes para resolver.

Na prática, IA e automação entram como meios para atacar gargalos claros, como redução de downtime em fábricas, aumento de conversão comercial, melhoria da experiência do cliente ou aumento de eficiência administrativa. Estudos como o da GX2 ressaltam que muitos projetos de IA generativa fracassam porque começam como demonstrações de laboratório desconectadas de indicadores concretos. É responsabilidade da Gestão de Inovação selecionar poucos casos de uso com alto impacto potencial, construir business cases realistas e planejar desde o início as etapas de Treinamento, Inferência e evolução do Modelo em produção.

Isso significa desenhar jornadas completas, que vão do desenho dos dados necessários ao monitoramento de desempenho em tempo real. Em projetos de IA, por exemplo, é comum separar as fases de Treinamento, Inferência e ajuste do Modelo, mas muitas vezes esquecemos que cada uma delas depende de pessoas com competências adequadas. Tratar Treinamento, Inferência e Modelo como uma cadeia contínua de aprendizado, e não como eventos isolados, é um diferencial competitivo.

Ao integrar essas dimensões ao processo formal de Gestão de Inovação, a empresa passa a enxergar tecnologia como alavanca de negócio, e não como fim em si mesma. Isso reduz a chance de apostas em modismos e aumenta a probabilidade de construir soluções escaláveis e sustentáveis.

Otimização, eficiência e melhoria contínua em portfólios de inovação

Se inovação não melhora otimização, eficiência e melhoria contínua da operação, ela dificilmente vai se sustentar. Por isso, Gestão de Inovação precisa falar a linguagem dos indicadores operacionais, de supply chain a produção, passando por atendimento e backoffice. O objetivo é mostrar, com dados, onde a empresa está ficando mais rápida, mais barata ou mais precisa graças às iniciativas em andamento.

O case da Neogrid sobre eficiência operacional na cadeia de suprimentos ilustra bem essa lógica, ao conectar analytics, planejamento e reposição inteligente para reduzir rupturas e estoques desnecessários. Quando projetos de inovação são desenhados com KPIs claros de acurácia, nível de serviço e capital empatado, fica mais simples mostrar resultado e priorizar o que realmente importa. O mesmo raciocínio vale para outras áreas, como manutenção preditiva em fábricas ou otimização de rotas logísticas.

Relatórios como o 100 Startups to Watch, da EloGroup, e casos corporativos como a gestão de inovação da Klabin mostram que empresas maduras combinam parcerias externas com governança interna forte. Imagine um comitê executivo de inovação reunido em um war room digital, olhando para um painel de controle de inovação que consolida pipeline, estágio de cada projeto e impacto em KPIs chave. Essa visualização torna concreto o que muitas vezes fica disperso em dezenas de planilhas, aproximando decisões de investimento dos resultados práticos em otimização, eficiência e melhoria.

Em termos práticos, vale selecionar um conjunto enxuto de métricas para esse painel de controle de inovação, como número de ideias qualificadas por trimestre, percentual de projetos em piloto avançando para escala, ganho financeiro estimado por iniciativa e impacto em indicadores operacionais críticos. O importante é que esses números sejam revisados periodicamente pelo comitê de inovação e pela alta liderança, garantindo que o portfólio siga relevante e alinhado às prioridades do negócio.

Treinamento, inferência e modelo: capacidades críticas para inovar com dados

Por trás de qualquer salto em Gestão de Inovação há um investimento consistente em pessoas. Plataformas de educação corporativa reforçam que requalificação e atualização técnica são condições essenciais para que times usem bem novas tecnologias. Sem Treinamento adequado, a melhor solução de IA ou automação fica subutilizada, e a frustração com o projeto cresce.

Pensar em Treinamento, Inferência e Modelo como competências organizacionais, e não apenas termos técnicos, ajuda a destravar esse potencial. Treinamento envolve tanto capacitar pessoas em temas como ciência de dados, produto digital e gestão de experimentos quanto preparar a liderança para tomar decisões baseadas em evidências. Inferência diz respeito à capacidade de colocar modelos em produção, acompanhar comportamento real e incorporar feedbacks do campo. Já o Modelo engloba tanto os algoritmos em si quanto os modelos mentais de negócio que orientam hipóteses e testes.

Empresas que se destacam em Gestão de Inovação costumam estruturar trilhas formais de desenvolvimento, comunidades de prática e laboratórios de dados acessíveis a várias áreas. Do ponto de vista financeiro, isso não é apenas custo: análises de casas como a Franklin Templeton mostram que organizações com agenda clara de inovação e produtividade tendem a capturar melhor o capital disponível no mercado. Quando o investimento em capacitação é descrito como parte do modelo de crescimento e não como linha isolada de RH, fica mais fácil mantê-lo nas discussões orçamentárias.

Um bom caminho é mapear as competências críticas para os principais projetos do portfólio e desenhar um plano de Treinamento incremental de 6 a 12 meses. Comece por pequenas turmas focadas em squads de projetos prioritários, com conteúdo diretamente aplicável aos desafios em andamento. Em seguida, amplie o alcance conforme novos casos de sucesso surgirem, usando essas histórias internas para reforçar a Cultura Organizacional voltada à inovação.

Gestão de Inovação deixou de ser um tema conceitual para se tornar um sistema de gestão tão crítico quanto finanças ou operações. Os sinais externos são claros: há capital público e privado disponível, tecnologias maduras entrando em produção e uma pressão crescente por ganhos concretos de produtividade. O que separa empresas que capturam esse movimento das que apenas assistem de longe é a capacidade de combinar governança, Cultura Organizacional, tecnologia e capacitação em um fluxo contínuo de apostas bem geridas. O próximo passo é simples e exigente ao mesmo tempo: usar os princípios descritos aqui para montar, nas próximas semanas, um diagnóstico objetivo, um painel de controle de inovação mínimo e um ciclo regular de decisões. A partir daí, cada nova iniciativa passa a ser mais uma oportunidade de aprender, otimizar e crescer.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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