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Metaverso na Arquitetura: Tendências 2025, Oportunidades e Desafios Reais

Metaverso na Arquitetura: Tendências 2025, Oportunidades e Desafios Reais

Introdução

Depois do pico de hype em 2021 e do aparente “fracasso” em 2023, muitos decretaram o fim do Metaverso. Os dados mais recentes mostram outra história: o mercado global segue crescendo em ritmo acelerado e migrou do entretenimento raso para aplicações industriais e de negócios. Na arquitetura e no urbanismo, essa virada já é visível em projetos que permitem ao cliente “caminhar” pelo empreendimento antes de qualquer tijolo ser colocado.

Relatórios internacionais apontam centenas de mundos virtuais ativos e centenas de projetos corporativos em operação, com forte presença de setores como construção, varejo, educação e indústria. Conteúdos como a análise da Metacommunications sobre o mercado global de metaverso e estudos do Politécnico de Milão ajudam a separar ruído de realidade.

Este artigo organiza o cenário de 2025, mostra como o Metaverso está remodelando a prática arquitetônica e oferece um roteiro prático para você tirar seu primeiro projeto imersivo do papel, com foco em resultados concretos de negócio.

O que é o Metaverso em 2025 (e por que não morreu)

Em 2025, o Metaverso deixou de ser uma “cidade virtual única” para ser compreendido como um ecossistema de mundos imersivos, interconectados em maior ou menor grau, que combinam 3D em tempo real, avatares, dados e camadas de inteligência artificial. Na prática, são ambientes onde pessoas e sistemas interagem com espaços e objetos digitais com sensação de presença, usando telas, óculos de realidade virtual ou aumentada e dispositivos móveis.

Um relatório recente do Observatório de Inovação Digital do Politécnico de Milão destaca mais de 140 mundos virtuais mapeados e mais de 300 projetos corporativos implementados por mais de 200 empresas globais. Em paralelo, análises de mercado como a da Metacommunications mostram um setor ainda pequeno em comparação com a internet tradicional, mas com taxas de crescimento anuais robustas.

Se, por um lado, artigos como o da Key4biz reconhecem o “flop” do Metaverso de entretenimento focado em avatares genéricos, por outro apontam uma forte migração para casos de uso pragmáticos, como treinamento técnico, simulações industriais e planejamento 3D. Em síntese, o Metaverso não morreu. Ele apenas saiu do discurso genérico de “nova internet” e voltou para onde gera valor imediato.

Para líderes de arquitetura, urbanismo e construção, a principal mudança de mentalidade é tratar o Metaverso como um conjunto de ferramentas integráveis ao stack digital existente. Em vez de perguntar “qual é a nossa estratégia de Metaverso?”, a pergunta mais útil passa a ser: “onde experiências imersivas podem reduzir custo, acelerar decisão ou aumentar receita nos fluxos que já temos hoje?”.

Como o Metaverso está transformando a arquitetura e o urbanismo

Na arquitetura, o Metaverso deixa de ser conceito futurista e se torna extensão natural dos fluxos de modelagem 3D e BIM. Reportagem da Folha Vitória mostra clientes caminhando por projetos residenciais e comerciais antes da construção, com níveis de realismo que superam renders estáticos. Isso reduz dúvidas, acelera aprovação de layout e diminui retrabalho em fases avançadas da obra.

No contexto brasileiro, o portal da PUCRS destaca o uso combinado de modelagem 3D, realidade aumentada e automação para integrar o Metaverso a práticas de arquitetura e urbanismo. Estudantes e profissionais conseguem testar cenários de ocupação urbana, mobilidade e sustentabilidade em ambientes digitais interativos, com dados em tempo real alimentando simulações.

Operacionalmente, o fluxo típico é direto: o escritório cria o modelo em uma ferramenta BIM, como Autodesk Revit, exporta para um motor gráfico em tempo real, como Unreal Engine ou Unity, e a partir daí publica a experiência imersiva em uma plataforma de Metaverso escolhida. O mesmo modelo alimenta tanto vídeos e imagens estáticas quanto ambientes interativos acessíveis por web ou óculos VR.

O ganho vai além do “uau” visual. Em lançamentos imobiliários, tours imersivos bem desenhados tendem a aumentar taxa de conversão, reduzir o número de visitas presenciais improdutivas e diminuir alterações de projeto de última hora. Em urbanismo, experiências colaborativas permitem que cidadãos naveguem por propostas de requalificação de bairros, entendam impactos de iluminação, vegetação e mobilidade, e contribuam com feedback qualificado antes de decisões definitivas.

Pilares tecnológicos do Metaverso aplicado à arquitetura

Para que o Metaverso gere valor em arquitetura, é preciso alinhar quatro pilares: hardware, infraestrutura, software e dados. Análises de mercado como a da Metacommunications e conteúdos da XP Educação mostram que a maior fatia de investimento ainda está em dispositivos de realidade estendida, seguida por plataformas de software e infraestrutura de nuvem.

No pilar de hardware, óculos de realidade virtual e mista ganham destaque. Dispositivos mais avançados entregam rastreamento preciso de mãos e olhos, melhorando a sensação de presença. Para escritórios, a decisão prática é equilibrar custo, conforto e ecossistema de software suportado. Em muitos casos, uma combinação de estações fixas com VR em showroom e acesso via desktop/mobile para clientes remotos oferece o melhor custo-benefício.

Na infraestrutura, redes de alta velocidade, 5G e computação em nuvem são essenciais para experiências com baixa latência. A análise da Xpert Digital enfatiza o papel de 5G e cloud streaming para viabilizar VR sem quedas e sem exigir máquinas locais potentes. Arquitetos e gestores de TI precisam avaliar requisitos mínimos de banda, latência alvo e políticas de cache de ativos 3D.

No software, surgem três camadas principais: motores gráficos em tempo real, plataformas de colaboração imersiva e soluções de “digital twin”. Ferramentas como NVIDIA Omniverse se posicionam como hubs para integrar dados BIM, simulações e visualização 3D colaborativa, enquanto motores gráficos tradicionais dominam a renderização. Já na camada de dados, blockchain e identidades digitais começam a ser usados para registro de propriedade de ativos virtuais e controle de acesso a ambientes de Metaverso, conforme apontam análises de tendências tecnológicas como as da Casa do Desenvolvedor.

Stack mínimo para experiências imersivas de projeto

Um stack prático, para começar com baixo risco, tende a incluir:

  • Ferramenta BIM principal para modelagem arquitetônica.
  • Motor gráfico em tempo real com boa ponte de exportação BIM.
  • Plataforma de Metaverso ou colaboração VR que suporte multiusuário.
  • Hospedagem em nuvem otimizada para ativos 3D.
  • Ferramentas de medição de uso e analytics, integradas ao CRM.

Modelos de uso do Metaverso para escritórios de arquitetura e construtoras

O Metaverso não é um único produto. Para arquitetura e construção, faz mais sentido falar de modelos de uso específicos. A seguir, três formatos com ROI mais tangível para 2025.

Pré-venda imobiliária e marketing experiencial

No marketing de empreendimentos, o Metaverso amplia o conceito de stand decorado. O cliente explora o imóvel em escala real, muda acabamentos em tempo real, testa diferentes configurações de mobiliário e vê o entorno com simulações de iluminação natural. A experiência pode ser acessada em lojas físicas, plantões de vendas ou à distância, com link enviado pelo corretor.

Do ponto de vista operacional, isso exige integração entre modelos arquitetônicos, plataforma imersiva e CRM. Cada visita ao ambiente virtual pode gerar um registro de interação, enriquecendo o funil com dados como tempo de permanência, áreas mais visualizadas e preferências de configuração. Na prática, o Metaverso se torna um canal de mídia proprietário, mais rico do que um tour 360 comum.

Colaboração de projeto e engenharia

Em projetos complexos, o Metaverso funciona como sala de guerra tridimensional. Arquitetos, engenheiros e stakeholders entram com avatares em uma mesma maquete, analisam conflitos de instalações, discutem fluxos de circulação e tomam decisões de forma síncrona. Relatórios internacionais citados pelo Osservatori Digital Innovation já apontam uso extensivo de mundos virtuais para recursos humanos, treinamento e colaboração técnica.

A vantagem prática é encurtar o ciclo de revisão. Em vez de longas trocas de e-mails sobre um corte 2D, a equipe caminha pelo espaço, mede distâncias, testa alternativas e registra decisões com instantâneos do ambiente. Isso tende a reduzir o número de revisões formais e o risco de interpretações equivocadas de plantas.

Treinamento, educação e urbanismo participativo

Universidades e centros de pesquisa estão entre os principais laboratórios do Metaverso aplicado à arquitetura. A publicação da Università Cattolica / HTLab mostra como ambientes imersivos reduzem o tempo entre ideia e protótipo testado, especialmente em contextos educacionais. Estudantes podem prototipar espaços, testar fluxos e receber feedback instantâneo em sessões multiusuário.

No urbanismo, iniciativas como as destacadas pela PUCRS reforçam o potencial para participação cidadã. Moradores acessam propostas urbanas, avaliam alternativas de mobiliário, paisagismo e mobilidade, e registram opiniões em tempo real. Cidades ganham um canal mais didático para explicar projetos e obter apoio social.

Desafios de arquitetura de software, segurança e governança

As oportunidades do Metaverso vêm acompanhadas por desafios significativos de arquitetura de software, segurança cibernética e gestão de risco. Conteúdos como o da XP Educação destacam problemas recorrentes de latência, interoperabilidade e proteção de dados em ambientes XR. Para escritórios de arquitetura, isso significa que não basta contratar um fornecedor de realidade virtual. É necessário desenhar a solução como sistema de missão crítica.

Na camada técnica, o primeiro desafio é entregar experiência fluida. Ambientes muito pesados, com texturas gigantes e iluminação mal otimizada, geram náusea, quedas de frame e abandono rápido da sessão. Equipes precisam adotar boas práticas de otimização de ativos 3D, como redução de polígonos, uso de LODs e baking de iluminação quando possível.

A interoperabilidade é outro ponto sensível. Modelos BIM, engines gráficos e plataformas de Metaverso usam formatos diferentes. Sem uma estratégia clara de exportação e versionamento, o risco é manter versões divergentes do mesmo projeto. Vale considerar padrões abertos como IFC e fluxos estruturados de importação e checagem, evitando retrabalho.

Na segurança, a questão vai além da criptografia de tráfego. Ambientes de Metaverso podem conter dados sensíveis, desde plantas de empreendimentos ainda não lançados até informações de comportamento de clientes. A análise da Key4biz lembra que, conforme o volume de aplicações cresce, os riscos de privacidade e compliance também se ampliam. Políticas de autenticação forte, segmentação de ambientes, registro de auditoria e governança de acesso são tão importantes quanto o design da experiência.

Por fim, há o tema de governança de conteúdo. Em ambientes abertos, avatares e objetos podem ser criados por terceiros, trazendo riscos de reputação e exposição indevida de marca. Escritórios e incorporadoras devem definir claramente quais partes do Metaverso são controladas, quais são abertas e quais regras regem expressão visual, interação e coleta de dados.

Como tirar um projeto de Metaverso do papel em 90 dias

Sair da teoria e lançar uma experiência de Metaverso para arquitetura em 90 dias é realista, desde que o escopo inicial seja bem recortado. A seguir, um roteiro prático focado em escritórios e construtoras que já trabalham com modelagem 3D.

Dias 0 a 30 – Descoberta, diagnóstico e protótipo conceitual

Primeiro, escolha um único caso de uso com alto impacto e baixa complexidade técnica. Exemplos: tour imersivo de um apartamento decorado ou experiência de showroom de um lobby corporativo. Defina objetivos claros, como aumentar a taxa de fechamento em visitas virtuais ou reduzir o número médio de revisões de layout.

Na sequência, mapeie o stack atual: ferramentas BIM, motores de render, CRM, site e canais de mídia. Avalie quais plataformas de Metaverso ou colaboração imersiva se integram melhor a esse ecossistema e ao perfil de hardware disponível. Conteúdos como o da Casa do Desenvolvedor ajudam a entender os requisitos tecnológicos mínimos.

Por fim, produza um protótipo conceitual com recorte reduzido do projeto, como uma única unidade do empreendimento. O objetivo não é perfeição visual, mas validar fluxo de navegação, controles, performance e integração básica com CRM ou analytics.

Dias 31 a 60 – Piloto com clientes reais e ajuste fino

Com o protótipo funcional, selecione um grupo pequeno de clientes reais e corretores para um piloto controlado. Registre métricas como tempo médio de sessão, pontos do espaço onde os usuários passam mais tempo e dúvidas recorrentes levantadas durante a experiência. Compare taxa de conversão entre o grupo que usa o Metaverso e o grupo que vê apenas materiais tradicionais.

Nessa fase, ajuste elementos de usabilidade, como teleporte, menus, legendas e pontos de informação. Verifique também se o fluxo de dados está funcionando: visitas registradas no CRM, eventos enviados para ferramentas de analytics e feedbacks captados em formulários pós-experiência. Artigos como o da Xpert Digital reforçam a importância de reduzir fricção técnica para viabilizar adoção em escala.

Dias 61 a 90 – Escala, padronização e próximos passos

Após validar o piloto, avance para um modelo replicável. Documente o processo de exportação BIM, otimização de ativos, configuração de ambiente e publicação. Crie templates de ambientes para diferentes tipos de projeto, como residencial, corporativo ou varejo. Padronizar reduz custo marginal a cada novo empreendimento.

Também é o momento de olhar para diferenciação. A matéria da Casa e Mercado sobre o German Design Awards 2025 mostra como a combinação de metaverso e inteligência artificial já rende reconhecimento em premiações internacionais de arquitetura. Elementos como iluminação dinâmica, materiais responsivos a dados de clima e layouts gerados com apoio de IA podem elevar o nível da experiência.

Por fim, revise a estratégia de longo prazo: quais fluxos de negócio serão priorizados, quais parceiros tecnológicos serão mantidos e como o Metaverso se encaixará na jornada digital completa do cliente, da prospecção ao pós-obra.

Um futuro mais imersivo e pragmático para a arquitetura

A edição mais recente do German Design Awards mostra que projetos de Metaverso guiados por IA já conquistam espaço ao lado da arquitetura física. Universidades, como a Università Cattolica, e instituições brasileiras, como a PUCRS, reforçam que o caminho é integrar experiências imersivas ao ciclo completo de concepção, teste e comunicação de projetos.

Para escritórios e construtoras, o recado é claro. O Metaverso deixou de ser apenas buzzword de feira de tecnologia e passou a ser ferramenta concreta para vender melhor, projetar com mais precisão e envolver comunidades em decisões urbanas. Os riscos técnicos e de segurança existem, mas são administráveis com boa arquitetura de software, governança e parceiros qualificados.

O próximo passo está ao seu alcance. Comece identificando um projeto piloto com alto potencial de impacto, forme um pequeno time multidisciplinar unindo arquitetura, TI e marketing, e execute um ciclo de 90 dias de experimentação estruturada. O aprendizado gerado nesse período será a base para posicionar seu escritório na fronteira entre espaço físico e digital, onde o Metaverso deixa de ser promessa distante e passa a ser diferencial competitivo mensurável.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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