Cobrar por hora parece simples, mas a maioria dos profissionais acerta o valor errado: divide a remuneração pelas horas da semana e esquece que boa parte do tempo não é faturável. A calculadora monta o custo da sua hora com remuneração, impostos, custos fixos e margem, e transforma as horas de um projeto em preço e prazo.
Cobrar por hora ou por projeto
A hora é a unidade de custo; o projeto é a unidade de venda. Você precisa saber o valor da hora para estimar, mas o cliente costuma preferir um preço fechado. A hora técnica é o piso: nenhum projeto deveria ser vendido abaixo do que as horas estimadas custam.
A fórmula
Hora técnica = (remuneração desejada + custos fixos mensais) ÷ horas faturáveis no mês. Depois, para chegar ao valor de venda, divida por (1 − impostos − margem), porque os dois saem do que você fatura.
- Horas de trabalho no mês = horas por semana × semanas trabalhadas no ano ÷ 12.
- Horas faturáveis = horas de trabalho × percentual faturável.
- Valor por dia = valor da hora × 8; faturamento mensal = valor da hora × horas faturáveis.
Exemplo numérico
Uma designer quer receber R$ 8.000 por mês e paga R$ 1.550 de custos fixos (software, contador, coworking, equipamento e internet). Trabalha 40 horas por semana, 46 semanas por ano, e fatura 50% da jornada. Impostos são 6% e a margem de reserva, 10%.
Horas de trabalho: 40 × 46 ÷ 12 = 153,3 por mês. Faturáveis: 76,7. Custo por hora: R$ 9.550 ÷ 76,7 = R$ 124,57. Valor de venda: 124,57 ÷ (1 − 0,06 − 0,10) = R$ 148,29 por hora, ou R$ 1.186,34 por dia de 8 horas. O faturamento necessário é de R$ 11.369,05 por mês.
Horas faturáveis: o erro mais comum
Quem divide R$ 8.000 por 160 horas encontra R$ 50 e se sente confortável. Só que reuniões comerciais, propostas, cobrança, estudo e prospecção ocupam metade do tempo e ninguém paga por elas. Com 20% de horas faturáveis, a mesma conta pede R$ 370,73 por hora; com 40%, R$ 185,36. Faturar mais de 80% da jornada é irrealista e a calculadora avisa.
Buffer de risco
Estimativas de horas costumam falhar para baixo. Some um buffer de 10% a 30% sobre as horas para retrabalho, revisões e mudanças de escopo. No exemplo, 60 horas estimadas com 15% de buffer viram 69 horas; a R$ 148,29, o trabalho custa cerca de R$ 10.232. Os custos diretos (terceiros, banco de imagens, impressão) entram à parte: repassados sem margem ou incluídos na base, quando o imposto incide sobre a fatura inteira.
Quando cobrar por valor, não por horas
- Quando o resultado para o cliente é muito maior que o seu esforço, como uma identidade que sustenta uma marca por anos.
- Quando você é mais rápido que o mercado: cobrar por hora pune a eficiência.
- Quando o projeto tem escopo claro e entregas mensuráveis, que permitem pacotes com preço fechado.
Use a hora técnica como piso e o preço de mercado como referência, não como teto.
Aviso sobre impostos
Alíquotas e regime tributário (Simples, Presumido, MEI) variam. Use o percentual que o contador indicar e confirme antes de enviar a proposta.
Para precificar produtos, veja a calculadora de preço de venda; para saber quanto precisa faturar, o ponto de equilíbrio; e para testar a disposição a pagar, a análise Van Westendorp.