Quem já viu uma campanha de Search gastar boa parte da verba na Rede de Display conhece o problema: a automação decide onde o dinheiro vai, e o anunciante descobre depois. Em 14 de outubro de 2026, o Google anunciou dois controles que devolvem parte dessa decisão a quem compra mídia: prioridade por canal e alocação de orçamento por canal.
O que foi anunciado
Segundo o blog oficial do Google Ads, em texto assinado por Tal Akabas, diretor de produto:
- O anunciante classifica canais como “High priority” ou “Low priority”. Os de alta prioridade são financiados primeiro, dentro da meta de CPA desejado ou ROAS desejado, e só depois a verba restante vai para os de baixa prioridade.
- Em campanhas de Search, Rede de Pesquisa do Google, parceiros de pesquisa e Rede de Display podem receber prioridades diferentes. Em Performance Max e Demand Gen, Search, YouTube, Maps, Gmail e Discover são tratados juntos como “canais do Google”.
- Para um canal de baixa prioridade, é possível definir um percentual máximo do orçamento diário. O Google diz que o sistema trabalha “on a best-effort basis”, ou seja, tenta respeitar o limite sem garantia.
- Os controles valem no nível da conta, da campanha e de orçamentos compartilhados, e chegam a Search, Shopping, Performance Max e Demand Gen globalmente “nos próximos meses”.
- A partir de fevereiro de 2027, campanhas de Search com a Rede de Display ligada perdem a configuração atual de distribuição de gasto. A orientação do Google é definir a Display como baixa prioridade, com alocação de 50% do orçamento.
Por que isso importa para quem faz marketing
A alocação por percentual resolve um caso específico citado pelo próprio Google: campanhas com CPA ou ROAS desejado que não estão limitadas por orçamento. Nelas, a prioridade sozinha pouco muda, porque sobra verba para todos os canais. Com um teto, dá para testar parceiros de pesquisa e Display em escala controlada, em vez de escolher entre ligar tudo ou desligar de vez. É uma camada nova sobre o orçamento de anúncios, que deixa de ser um número único por campanha.
O que isso significa para o mercado
Na leitura do Club Martech, o Google reconhece um limite das campanhas automatizadas: o anunciante quer automação no lance, mas controle sobre a exposição. A mudança aproxima o Google Ads de uma lógica de portfólio, em que o canal principal recebe prioridade e os canais de descoberta entram como teste com teto. O movimento segue a linha de outras plataformas que abriram mais controle de experimento, como mostramos em Microsoft Advertising amplia experimentos de otimização.
Há uma ressalva: “best-effort” não é limite rígido. O gasto real por canal continua precisando de acompanhamento nos relatórios de segmentação por rede.
O que fazer na sua conta
- Listar campanhas de Search com Display ligada. São elas que mudam em fevereiro de 2027. Decida antes se a Display fica, com qual teto, ou sai.
- Separar canal principal de canal de teste. Defina o que é prioridade pelo papel no funil, não pelo hábito da conta.
- Medir antes de mudar. Registre a distribuição atual de gasto e conversões por rede para comparar depois da nova configuração.
- Acompanhar a liberação. A disponibilidade é gradual. Confira se os controles já aparecem na sua conta antes de planejar a mudança.
E agora?
Os controles chegam aos poucos ao longo dos próximos meses, e o prazo que pede ação é fevereiro de 2027. Até lá, vale usar o período de festas de fim de ano para observar onde a verba realmente vai e chegar à mudança obrigatória com dados próprios, em vez de aceitar o padrão sugerido.
