Métricas de classificação: 99% de acurácia sem servir para nada

Acurácia, precisão, recall e F1 saem da matriz de confusão. Se 1% converte, prever que ninguém converte dá 99% de acurácia.

**Acurácia, precisão, recall e F1-score** são as métricas que medem um modelo de classificação — aquele que responde “sim ou não”, “converte ou não converte”, “é spam ou não”. Todas derivam da mesma tabela de quatro células, a **matriz de confusão**, que cruza o que o modelo previu com o que de fato aconteceu. Entender essa origem comum é o que separa quem lê um relatório de modelo de quem é enganado por ele. E há uma armadilha específica que atinge [marketing](https://comecandonaweb.com.br/marketing-digital/) com força: **num problema desbalanceado, a acurácia mente**. Como registra um guia metodológico acadêmico, um classificador que sempre responde a mesma coisa, ignorando a entrada, **teria 90% de acurácia num conjunto 90/10 — sendo completamente inútil**. Se apenas 1% dos seus leads converte, prever que *ninguém* converte dá **99% de acurácia**.## A matriz de confusão e o que sai delaQuatro células, e todo o resto é aritmética sobre elas:

AconteceuNão aconteceu
**Modelo disse que sim**Verdadeiro positivo⚠️ Falso positivo
**Modelo disse que não**⚠️ Falso negativoVerdadeiro negativo
  • **Acurácia** — quanto o modelo acertou no total. Enganosa quando as classes são desbalanceadas.
  • **Precisão** — dos que o modelo apontou, quantos eram de verdade. Responde: *posso confiar quando ele diz que sim?*
  • **Recall** — dos que realmente eram, quantos ele encontrou. Responde: *quantos escaparam?*
  • **F1-score** — média harmônica entre precisão e recall, para quando se quer um número só.

## ⚠️ E precisão e recall não são estritamente opostosCircula que “aumentar um sempre reduz o outro”. A documentação técnica de referência **contradiz essa formulação**: baixar o limiar de decisão pode aumentar o recall, mas também pode **deixar o recall inalterado enquanto a precisão oscila** — e a conclusão literal é que **a precisão não decresce necessariamente com o recall**.Há uma explicação simples para isso: o denominador do recall **não depende do limiar**; o da precisão depende. Existe tensão entre as duas — não uma relação inversa garantida. Quem afirma a versão rígida está simplificando um comportamento que precisa ser medido caso a caso.## O que isso muda na práticaA pergunta que decide qual métrica olhar é: **qual erro custa mais caro no seu caso?**

SituaçãoErro que dóiMétrica que manda
Time comercial pequeno, poucas ligações possíveisFalso positivo — perder tempo com quem não compra**Precisão**
Detectar risco de cancelamentoFalso negativo — deixar o cliente sair [sem](https://clubmartech.com.br/blog/sem-avancado-estrategia-roi/) tentar**Recall**
Moderar [conteúdo](https://clubmartech.com.br/blog/conteudo-longo-prazo-anos/) ofensivoDepende da política da marcaDefinir antes, não depois

Três regras que evitam o erro mais comum:

  • **Nunca aceite só a acurácia.** Se o fornecedor apresenta um número isolado e não mostra a matriz de confusão, peça. A ausência dela costuma esconder desbalanceamento.
  • **Pergunte a taxa base.** Se 2% converte, qualquer acurácia abaixo de 98% é *pior que não fazer nada*. Esse é o piso de comparação, não zero.
  • **Escolha a métrica antes de treinar.** Definir o que importa depois de ver o resultado é escolher a métrica que favorece o modelo que se quer aprovar.

Vale a conexão: a média também esconde falha concentrada em subgrupo, como mostra o verbete de

viés algorítmico

. E o erro de avaliação que mais custa em modelos de propensão está em

validação cruzada

.## Fontes

*Leitura das fontes em 17/08/2026.*

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