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Digital Asset Management na prática: IA, gestão e roadmap de produto

Digital Asset Management na prática: IA, gestão e roadmap de produto

Encontrar o arquivo certo, na versão certa, no momento certo, virou questão de sobrevivência competitiva. Entre imagens, vídeos, apresentações, PDFs e peças de mídia social, o volume de ativos digitais explodiu. Em muitas empresas, porém, isso ainda está espalhado em pastas de rede, e-mails e drives pessoais.

É nesse contexto que o Digital Asset Management deixa de ser luxo de grandes marcas e passa a ser infraestrutura básica de gestão. Mais do que um repositório, ele se torna um painel de controle digital que organiza, governa e orquestra o uso de todos os ativos. Neste artigo, conectamos Digital Asset Management, gestão, Product Management, roadmap e features de IA em um plano concreto para aumentar eficiência e ROI.

Digital Asset Management: conceito, escopo e impacto na gestão

Digital Asset Management é o conjunto de processos, práticas e plataformas usados para centralizar, organizar, localizar, distribuir e governar ativos digitais. Na prática, é o sistema que garante que marketing, vendas, produto e parceiros trabalhem sempre com a versão correta de cada arquivo.

Enquanto um drive comum apenas armazena, uma solução de Digital Asset Management adiciona metadados ricos, controle de versões, direitos de uso, aprovações, automações e integrações com ferramentas como CMS, CRM e plataformas de mídia paga. Isso transforma o acervo de arquivos em um verdadeiro ativo estratégico de gestão.

Relatórios recentes, como o estudo da MarcomCentral sobre o estado do digital asset management em 2025, apontam que o mercado global de DAM deve crescer de cerca de 4 bilhões de dólares em 2023 para mais de 16 bilhões em 2032, puxado por IA, cloud e colaboração remota. Esse crescimento mostra como o tema já está na agenda de alta gestão e não só de TI.

Na operação, o impacto é direto. Sem Digital Asset Management, é comum ver equipes gastando 20 ou 30 minutos para encontrar um único arquivo, recriando peças já existentes ou publicando materiais desatualizados. Com uma stack de DAM bem implementada, o objetivo é reduzir esse tempo para menos de dois minutos, com buscas por palavra-chave, filtros por campanha, idioma, canal e status de aprovação.

Para o C-level, isso se traduz em menos retrabalho, time to market mais curto e redução de risco de marca. Em vez de ficar discutindo “onde está o arquivo”, a discussão passa a ser “qual a melhor estratégia de uso deste ativo em cada etapa da jornada”.

Pilares de uma estratégia de Digital Asset Management bem estruturada

Antes de falar de features ou de escolher ferramenta, é preciso desenhar a estratégia de Digital Asset Management. A experiência de players globais como Frontify, que publica um detalhado checklist de gestão de ativos digitais, mostra que iniciativas bem-sucedidas costumam se apoiar em quatro pilares.

O primeiro pilar é governança. Quem é o dono do DAM na organização. Quais áreas participam da gestão. Quem pode subir ativos, aprovar, arquivar ou apagar. Definir claramente papéis como owner, administradores, contribuidores e consumidores evita que o sistema vire uma “terra de ninguém”.

O segundo pilar é taxonomia e metadados. Isso inclui decidir quais campos serão obrigatórios no cadastro de cada ativo, como tipo de conteúdo, canal, idioma, campanha, persona, estágio do funil, direitos de uso, data de expiração e outras tags específicas do negócio. Empresas que se apoiam em guias como o checklist da Frontify conseguem reduzir duplicidades logo nos primeiros meses.

O terceiro pilar são processos e workflows. Quais etapas um novo ativo precisa percorrer até ficar disponível no Digital Asset Management. Quem revisa o conteúdo, quem aprova o uso de imagem, quem valida a adequação à brand book. Plataformas modernas permitem configurar fluxos visuais de aprovação, notificações automáticas e regras de expiração alinhadas ao calendário de campanhas.

O quarto pilar é a arquitetura de integrações. Um bom DAM conversa com CMS, ferramentas de automação de marketing, plataformas de mídia e sistemas internos de produto. Estudos como o da MarcomCentral e análises de tendências de DAM divulgadas pelo The Digital Project Manager mostram que APIs abertas e conectores nativos são diferenciais críticos na escolha de fornecedores.

Uma regra prática de gestão é: só escolha tecnologia depois de ter documentado pelo menos 80% dos requisitos de negócio, governança e taxonomia. Ferramenta sem esses pilares vira um drive sofisticado, não um sistema de gestão.

Como tratar Digital Asset Management como produto: Product Management, roadmap e features

Cada vez mais empresas estão tratando o Digital Asset Management como um produto interno, com backlog, roadmap e gestão ativa de features. Isso significa aplicar princípios de Product Management para garantir que o DAM evolua junto com as necessidades do negócio.

Avaliações de vendors de intelligent DAM, como o estudo recente da IDC, mostram que os líderes de mercado têm roadmaps publicados que priorizam continuamente novas capacidades de IA, segurança e experiência do usuário. Um exemplo é o roadmap de produto da MediaValet, que explicita como pretende incorporar IA em todas as etapas do ciclo de vida dos ativos digitais.

Na prática, isso exige um Product Manager responsável por Digital Asset Management, com mandato claro. Essa pessoa precisa equilibrar demandas de times de marca, performance, vendas, jurídico e TI, transformando pedidos soltos em epics e features priorizadas. Pedidos como “precisamos achar arquivos mais rápido” viram problemas concretos, como “reduzir o tempo médio de busca de 10 para 2 minutos em seis meses”.

Uma abordagem eficiente para construir o roadmap de DAM passa por quatro passos. Primeiro, mapear “jobs to be done” dos principais usuários, como criar campanha global, adaptar conteúdo para mercados locais, montar propostas comerciais ou treinar o time de vendas. Segundo, traduzir esses jobs em fluxos na plataforma, identificando pontos de atrito.

Terceiro, desenhar features que removam esses atritos. Exemplos incluem pastas dinâmicas por campanha, filtros por persona e estágio da jornada, portais de autoatendimento para parceiros, templates bloqueados com áreas editáveis, ou ainda bibliotecas específicas por time. Tendências destacadas em relatórios de ferramentas como ImageKit reforçam a demanda por busca multimodal e recursos avançados de organização.

Quarto, priorizar e organizar essas features em um roadmap trimestral, equilibrando ganhos rápidos com evoluções estruturais. Técnicas como RICE ou value vs effort ajudam a manter a conversa de gestão em termos de impacto, não só em “quem grita mais alto”. O resultado é um Digital Asset Management que amadurece continuamente, em vez de ser um projeto pontual que fica desatualizado em dois anos.

IA no Digital Asset Management: da automação à inteligência aplicada

Relatórios recentes convergem em um ponto: a próxima geração de Digital Asset Management será intensivamente suportada por IA. Estudos como o da ImageKit, focado em tendências de DAM para 2025, e análises do The Digital Project Manager apontam que executivos já veem IA como principal alavanca de eficiência em gestão de ativos.

Na operação, a primeira camada é automação. Plataformas de Digital Asset Management já oferecem recursos de auto-tagging com visão computacional, extração de texto, reconhecimento de rosto, detecção de logotipos e classificação automática por tipo de cena. Isso reduz drasticamente o esforço manual de catalogação, que costuma ser um gargalo de adoção.

A segunda camada é inteligência aplicada. Com metadados mais completos, o sistema consegue sugerir ativos ideais para cada campanha, público ou estágio de funil, identificar conteúdos obsoletos e sinalizar lacunas no acervo. Estudos de vendors avaliados pela IDC mostram o avanço de recursos de personalização dinâmica e predição de performance em soluções de intelligent DAM.

Uma terceira fronteira é o uso de IA generativa dentro da própria plataforma. Alguns fornecedores, citados em análises de tendências de 2025, já permitem gerar variações de criativos, adaptar dimensões, criar versões localizadas de peças e até redigir textos complementares sem sair do DAM. A regra de gestão aqui é clara: IA como copiloto, não como piloto.

Para manter equilíbrio entre eficiência e controle de marca, recomenda-se um workflow em quatro passos. Primeiro, ingestão do ativo bruto. Segundo, enriquecimento automático com IA. Terceiro, revisão humana com guidelines claros de branding e compliance. Quarto, publicação com trilha de auditoria. Isso combina otimização, eficiência e melhorias contínuas sem abrir mão de governança.

Por fim, é importante incluir critérios específicos de IA no roadmap do produto de Digital Asset Management. Quais recursos de IA são críticos agora. Quais são experimentais. Quais dependem de maturidade de dados e processos. Assim, a adoção é dirigida por objetivos de negócio, não apenas por hype tecnológico.

Métricas, eficiência e otimização contínua do DAM

Sem métricas claras, Digital Asset Management vira um projeto caro de difícil defesa em comitês de orçamento. Materiais como o checklist de DAM da Frontify e guias de implementação de consultorias especializadas reforçam a importância de medir ganhos concretos de eficiência ao longo do tempo.

Uma forma prática de organizar indicadores é em três grupos. O primeiro grupo é adoção e engajamento. Exemplo: usuários ativos mensais, uploads por mês, buscas realizadas, número de coleções ou pastas dinâmicas criadas, taxa de login de áreas-chave como vendas e parceiros.

O segundo grupo é eficiência operacional. Métricas como tempo médio para encontrar um ativo, tempo entre briefing e publicação, percentual de réplicas evitadas, número de requisições de arquivo via e-mail ou chat que foram substituídas por autoatendimento no DAM. Muitas empresas começam medindo amostras manuais e depois automatizam relatórios.

O terceiro grupo é valor de negócio. Aqui entram indicadores como taxa de reutilização de ativos entre campanhas, redução de custos de produção de conteúdo, impacto em conversão quando peças alinhadas à brand book são usadas de forma consistente. Estudos de consultorias como a Great Minds Consulting mostram que iniciativas maduras de Digital Asset Management começam a conectar dados de uso de ativos com métricas de geração de receita.

Para tirar essas métricas do papel, é essencial configurar analytics dentro da própria plataforma de DAM, quando disponível, e complementar com dados de sistemas integrados, como CMS e ferramentas de automação. Muitos fornecedores listados em relatórios de mercado, como MarcomCentral, já oferecem dashboards nativos de performance de ativos.

No dia a dia de gestão, uma boa prática é rodar ciclos trimestrais de otimização, com rituais inspirados em Product Management. A cada três meses, o time revê métricas, identifica gargalos, prioriza melhorias de experiência e de features e atualiza o roadmap. Assim, o Digital Asset Management passa por um processo contínuo de otimização, eficiência e melhorias, e não só correção de problemas pontuais.

Riscos, compliance e o que aprender do mercado financeiro de digital assets

Embora Digital Asset Management lide principalmente com conteúdos de marketing, produto e comunicação, há aprendizados valiosos na forma como o mercado financeiro vem tratando digital assets em tesouraria e investimentos. Pesquisas da EY com investidores institucionais e análises de players como State Street mostram o peso crescente da governança nesse campo.

Estudos sobre tesourarias de digital assets publicados por escritórios como DLA Piper abordam temas como segregação de funções, trilhas robustas de auditoria, políticas de risco, regras de acesso e exigências regulatórias. Esses princípios são facilmente traduzidos para o universo de Digital Asset Management orientado a marketing.

Na prática, o paralelismo é claro. No mundo financeiro, liberar acesso irrestrito a carteiras digitais é inaceitável. No ambiente de DAM, permitir que qualquer usuário baixe, edite ou publique ativos críticos sem controle é igualmente arriscado para a marca. A resposta é a mesma: políticas, perfis e trilhas bem definidos.

Algumas decisões de gestão inspiradas nesses mercados incluem políticas claras de retenção e descarte de ativos, classificação de sensibilidade de conteúdo, revisão periódica de permissões, exigência de dupla aprovação para publicações sensíveis e auditorias regulares em campanhas de alto impacto.

Outro ponto de atenção é a conformidade regulatória. Em setores como finanças, saúde e governo, um Digital Asset Management precisa ajudar a garantir aderência a normas de privacidade, uso de dados pessoais e comunicação obrigatória. Isso implica configurar metadados específicos, templates padronizados e controles de versão rígidos.

Ao trazer boas práticas de governança de digital assets financeiros para o universo de arquivos de marketing, o gestor eleva o nível da conversa com jurídico, compliance e alta liderança. Digital Asset Management passa a ser visto como parte da infraestrutura de controle e não apenas uma ferramenta de design.

Plano de 90 dias para iniciar ou evoluir seu Digital Asset Management

Muitos times sabem que precisam de Digital Asset Management, mas travam na pergunta “por onde começar”. Experiências compiladas em guias de implementação, como os da Great Minds Consulting e da Frontify, apontam que um plano de 90 dias é suficiente para sair da inércia com resultados visíveis.

Nos primeiros 30 dias, o foco é diagnóstico e alinhamento. Faça um inventário de ativos críticos, identifique fontes atuais de armazenamento, levante dores com entrevistas rápidas com usuários-chave e defina objetivos de negócio mensuráveis. Por exemplo, reduzir em 50% o tempo de busca por ativos em seis meses ou diminuir em 30% a produção duplicada.

Entre os dias 31 e 60, o foco é desenho e prova de conceito. Defina taxonomia e metadados mínimos viáveis, mapeie workflows principais, escolha uma ferramenta de Digital Asset Management alinhada à sua realidade e implemente um piloto com um time ou uma linha de produto. Use esse período para ajustar processos, testar integrações e validar governança.

Dos dias 61 a 90, o foco é rollout controlado e roadmap. Expanda o uso do DAM para outras áreas, sempre com treinamento prático e materiais simples, como tutoriais e checklists. Em paralelo, consolide um backlog estruturado e organize as melhorias em um roadmap trimestral, tratando o DAM explicitamente como produto.

Um elemento crítico nesse plano é definir desde o início o responsável por Product Management do Digital Asset Management. Essa pessoa liderará a priorização de features, a interlocução com o fornecedor, a análise de métricas e a negociação de capacidades de IA. Sem esse papel, o risco é o DAM virar “sistema de ninguém”.

Por fim, lembre-se de que o plano de 90 dias não é o fim do projeto, mas o início de um ciclo contínuo de otimização, eficiência e melhorias. A partir daí, a maturidade cresce com novos casos de uso, integrações profundas e avanços em IA, sempre ancorados em objetivos de negócio.

Fechamento e próximos passos

Digital Asset Management deixou de ser um tema puramente técnico e passou a ser disciplina central de gestão, marketing e Product Management. Com o crescimento do volume de ativos digitais e a pressão por personalização em escala, não há mais espaço para improviso com pastas soltas e versões perdidas.

Ao combinar uma estratégia clara de gestão, um roadmap de produto bem definido e features inteligentes de IA, sua empresa transforma o acervo de arquivos em um verdadeiro motor de eficiência e geração de valor. O painel de controle repleto de thumbnails deixa de ser apenas uma vitrine bonita para se tornar o centro nervoso das operações de comunicação.

O próximo passo é simples e direto. Faça um diagnóstico rápido em até 30 dias, nomeie um responsável por Digital Asset Management, defina métricas de sucesso e comece um piloto focado em um caso de alto impacto. A partir daí, use dados e feedback reais para evoluir o produto, refinando continuamente sua estratégia de gestão, roadmap e features.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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