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Como desenhar uma estratégia de produto orientada a resultados em 2025

Em 2025, quase toda empresa diz ser digital, mas poucas têm uma estratégia de produto realmente clara. Squads produzem features em alta velocidade, mas o impacto no negócio e na experiência do cliente nem sempre é visível. Sem uma direção explícita, o roadmap vira lista de pedidos de stakeholders, e o time de Product Management passa mais tempo apagando incêndios do que construindo vantagem competitiva.

Neste artigo, vamos destrinchar como desenhar uma estratégia de produto que funciona no dia a dia: conectada ao plano da empresa, traduzida em um roadmap vivo, apoiada por dados e potencializada por IA. A ideia é que você saia com frameworks práticos, decisões de priorização mais claras e rituais de gestão que aumentem eficiência, otimizem o uso do time e garantam melhorias consistentes no produto.

O que é estratégia de produto na prática em 2025

Estratégia de Produto é o conjunto de escolhas coordenadas sobre quais problemas resolver, para quais segmentos de clientes, por quais diferenciais e com quais resultados esperados. Ela guia o que entra (e o que não entra) no roadmap, conecta objetivos de negócio com necessidades de usuários e define os critérios para priorizar features.

Diferente da visão de produto, que é aspiracional, a estratégia é mais concreta: define apostas, recortes e métricas. E diferente do roadmap, que é a linha do tempo de entregas, a estratégia existe em um nível acima, como uma bússola de navegação que orienta o caminho, mesmo quando o cenário muda.

Uma boa estratégia de produto responde, de forma objetiva, a pelo menos quatro perguntas:

  1. Quem é o cliente crítico que precisamos servir melhor nos próximos 12 a 24 meses?
  2. Que problemas esse cliente tem hoje que impactam diretamente o negócio?
  3. Qual proposta de valor vamos entregar para resolver esses problemas de maneira diferenciada?
  4. Como vamos medir se estamos vencendo nessas frentes (métricas de resultado, não só de entrega)?

Imagine um squad de produto em uma scale-up SaaS brasileira planejando o roadmap do próximo trimestre. Sem essas respostas, o time tende a reagir aos pedidos mais barulhentos. Com uma estratégia de produto clara, o squad tem critérios explícitos para dizer "sim", "não" ou "agora não" a cada nova demanda.

Use este checklist rápido para avaliar se sua estratégia de produto existe de fato ou só no discurso:

  • Você consegue explicar a direção do produto em 2 minutos, sem falar de features?
  • O time consegue dizer quais problemas de cliente são prioritários hoje?
  • Existe uma métrica principal (North Star) que orienta decisões?
  • Há coisas que vocês conscientemente decidiram não fazer neste ciclo?

Se a resposta for "não" para a maioria, você não tem ainda uma estratégia de produto funcional.

Da visão ao roadmap: conectando negócio, cliente e tecnologia

O primeiro passo para uma estratégia de produto sólida é transformar visão em escolhas concretas. A visão de produto descreve o futuro desejado; a estratégia escolhe as apostas para chegar lá; o roadmap organiza essas apostas no tempo.

Conteúdos como o artigo da Gyaco sobre o poder da visão de produto na criação do roadmap mostram bem esse encadeamento: visão como filtro, estratégia como recorte e roadmap como plano de execução. A partir daí, o time consegue evitar o acúmulo de iniciativas que não conversam entre si.

Um workflow simples em 5 passos para conectar visão ao roadmap é:

  1. Clarificar a visão de produto em uma frase que fale de cliente, problema e impacto.
  2. Derivar 3 a 5 objetivos estratégicos de produto para 12 a 24 meses (por exemplo: aumentar retenção em X%, expandir ARPU em Y%).
  3. Mapear temas estratégicos que sustentam esses objetivos (ex.: onboarding, personalização, expansão de receita, eficiência operacional).
  4. Quebrar temas em épicos e problemas de usuário que podem ser endereçados por features ou fluxos.
  5. Transformar épicos em roadmap com horizontes de curto, médio e longo prazo.

Materiais como o da PM3 sobre como criar um roadmap de produto efetivo reforçam a importância de ligar cada item de roadmap a objetivos claros e métricas específicas. Já a Tech Strategist destaca o roadmap como ferramenta de governança em seu artigo sobre a importância da definição do roadmap de produto, mais do que uma simples linha do tempo.

Na prática, a decisão-chave aqui é: todo item do roadmap precisa estar associado a pelo menos um objetivo estratégico de produto. Se você não consegue traçar esse fio, é sinal de que está atendendo a uma demanda tática desconectada.

Pilares de uma estratégia de produto eficiente

Uma estratégia de produto realmente eficiente tende a se apoiar em quatro grandes pilares: foco em outcomes, entendimento profundo de clientes, alinhamento com negócios e viabilidade técnica.

  1. Foco em outcomes, não em output

    A pergunta não é "quantas features entregamos", e sim "que mudança geramos no comportamento do usuário ou no resultado de negócio". Isso muda o jeito de planejar: em vez de começar por soluções, você começa por resultados desejados.

    Decisão prática: para cada iniciativa de roadmap, defina uma métrica antes de desenhar a solução, por exemplo: reduzir tempo de ativação em 30%, aumentar taxa de upgrades em 15%, diminuir churn em 20% no segmento X.

  2. Entendimento profundo de clientes e contexto

    Estratégia de Produto sem pesquisa vira chute mais elaborado. Aprofunde a compreensão de jornada, jobs to be done e barreiras reais antes de propor soluções. Isso vale tanto para produto B2B quanto B2C.

    Rituais úteis: entrevistas recorrentes com clientes-chave, análise estruturada de tickets, escuta ativa com equipe de atendimento e vendas. O objetivo é transformar feedback disperso em insumo estratégico.

  3. Alinhamento com estratégia de negócio

    O produto precisa contribuir diretamente para alavancas estratégicas da empresa: crescimento, margem, retenção, expansão de ticket. Conteúdos como o artigo da DBC Company sobre roadmap de produtos digitais e estratégias de execução reforçam o papel do produto como ponte entre visão e entrega.

    Regra de bolso: se uma iniciativa relevante de produto não tem impacto mensurável em OKRs ou metas de negócio, reavalie ou corte.

  4. Viabilidade técnica e operacional

    Não basta ser desejável para o cliente e viável para o negócio; precisa ser possível e sustentável para a tecnologia e para a operação. É aqui que arquitetura, dívidas técnicas e capacidade de time entram como insumos estratégicos, não apenas como restrições.

Um bom exemplo é o cenário do nosso squad de produto na scale-up SaaS. Se a empresa quer aumentar o LTV em 25%, o produto pode focar em melhorar onboarding e ativação. Mas se a arquitetura não suporta facilmente experimentos rápidos, pode ser mais estratégico priorizar melhorias de plataforma antes de funcionalidades avançadas de personalização.

Use esta matriz simples de decisão para priorizar temas estratégicos:

  • Eixo X: impacto no objetivo de negócio (baixo / médio / alto)
  • Eixo Y: viabilidade técnica no horizonte de 6 a 12 meses (baixa / média / alta)

Priorize o quadrante alto impacto / alta ou média viabilidade para o próximo ciclo e trate alto impacto / baixa viabilidade como apostas de longo prazo que exigem investimento de plataforma.

Como montar um roadmap que traduz a estratégia de produto

Com os pilares claros, o próximo passo é transformar a Estratégia de Produto em um roadmap prático, compreensível para todo mundo. Isso significa organizar os grandes temas em entregas progressivas, com horizontes realistas e uma história coerente.

Ferramentas de visualização, como o modelo de roadmap de produto ágil da Miro, ajudam a dar visibilidade ao plano, especialmente em contextos remotos ou híbridos. O objetivo é que o roadmap seja compreendido igualmente pelo squad, pela liderança e por áreas parceiras.

Workflow em 6 passos para construir o roadmap

  1. Escolha o horizonte de planejamento: normalmente 3 a 6 meses tático, 12 meses estratégico.
  2. Liste os temas estratégicos de produto derivados da visão e dos objetivos.
  3. Quebre temas em épicos e problemas de usuário claros, sem falar ainda em soluções específicas.
  4. Atribua métricas-alvo a cada épico, vinculadas a outcomes de negócio e de usuário.
  5. Priorize usando um método transparente, como RICE, MoSCoW ou um filtro baseado em visão.
  6. Organize em releases ou trimestres, deixando espaço intencional para ajustes e descobertas.

O artigo da PM3 sobre roadmap mostra como frameworks de priorização como RICE e MoSCoW podem ser aplicados de forma objetiva no dia a dia. Já a DB1 explora no seu conteúdo sobre roadmap de produto e IA como a inteligência artificial pode apoiar essa priorização, simulando cenários e refinando backlog.

Uma regra prática para gestão de roadmap e features:

  • 70% do roadmap dedicado a iniciativas claramente ligadas aos objetivos estratégicos atuais
  • 20% reservado a melhorias contínuas e dívidas técnicas
  • 10% para apostas e experimentos com alto potencial, mas incerteza maior

Ao explicitar esse portfólio, você reduz disputas de espaço e torna transparente como a Estratégia de Produto se materializa em entregas.

Usando IA para otimizar Product Management e decisões de roadmap

A grande mudança de 2025 é que IA deixou de ser só buzzword e virou ferramenta concreta para acelerar Product Management. Em vez de substituir o papel estratégico, a IA atua como copilot, ajudando a encontrar padrões, explorar cenários e ganhar eficiência em tarefas repetitivas.

O artigo da Tera sobre tendências de IA e o futuro dos produtos digitais detalha como a IA pode apoiar análise de dados, personalização e automação de jornada, especialmente em contextos digitais complexos. Já a DB1 mostra, com seu conteúdo sobre uso de IA do backlog à inovação, cases em que a documentação de requisitos foi reduzida em até 80% com apoio de agentes de IA, sem perda de qualidade.

Dois relatórios recentes de players globais reforçam essa direção: análises da Gartner sobre o roadmap de Product Management em 2025 apontam para adoção crescente de IA em priorização e planejamento, enquanto artigos da McKinsey sobre estratégia de produto na era da IA mostram empresas reduzindo tempo de lançamento em cerca de 25% quando usam modelos preditivos para simular impacto de features.

Na prática, use a IA em pelo menos quatro frentes da sua Estratégia de Produto:

  1. Exploração de problemas e oportunidades

    Use modelos de linguagem para sintetizar grandes volumes de feedbacks, tickets e entrevistas em clusters de problemas recorrentes. Isso ajuda a enxergar temas estratégicos que não aparecem em casos isolados.

  2. Refino de backlog e histórias de usuário

    A IA pode ajudar a transformar problemas em user stories mais claras, com critérios de aceitação bem definidos. Isso economiza tempo de analistas e PMs, sem tirar deles a responsabilidade pela decisão.

  3. Simulação de cenários de roadmap

    Combine dados históricos (impacto de features, esforço médio, comportamento de métricas) com modelos de IA para testar quais combinações de iniciativas tendem a gerar maior resultado no horizonte desejado.

  4. Suporte à descoberta contínua

    Use IA para gerar hipóteses iniciais de soluções, variações de teste A/B, mensagens e fluxos de onboarding, sempre validadas por experimentos reais. Isso acelera o ciclo de melhoria e otimização.

O ponto central é tratar a IA como multiplicador de eficiência e qualidade, não como oráculo. Estratégia de Produto continua sendo um trabalho humano de escolha, priorização e trade-offs; a tecnologia apenas amplia a capacidade de análise e experimentação.

Governança, alinhamento e métricas: garantindo execução da estratégia

Nenhuma Estratégia de Produto sobrevive se ficar restrita a um slide bonito ou a um mural de Miro. Ela precisa ser sustentada por um sistema de governança: rituais, métricas e fóruns de decisão que garantam alinhamento contínuo.

Programas como o curso de gestão de tecnologia, roadmap e desenvolvimento do MIT Professional Education reforçam a importância de conectar estratégia a processos de decisão estruturados, especialmente em mercados competitivos.

Um modelo de governança simples, mas eficaz, para squads de produto é:

  • Revisão trimestral de estratégia de produto: revalia objetivos, temas estratégicos e grandes apostas, à luz de resultados e contexto de mercado.
  • Planejamento trimestral de roadmap: detalha épicos e entregas para os próximos 3 meses, mantendo 10% do espaço livre para surpresas.
  • Check-in quinzenal de roadmap: revisa andamento, riscos e oportunidades de ajuste, sem reescrever a estratégia a cada nova demanda.
  • Rotina semanal de métricas: acompanha indicadores principais (North Star, ativação, retenção, receita, uso de features críticas).

Materiais como o da DBC Company sobre execução de roadmap e o da Tech Strategist sobre governança de produto mostram que empresas mais maduras tratam o roadmap como contrato vivo entre times de produto, tecnologia e negócio, não como planilha estática.

Para amarrar Product Management, engenharia e negócio, defina claramente:

  • Quem decide o quê (por exemplo, PM decide priorização de problemas; stakeholders trazem contexto e restrições; liderança define objetivos de negócio).
  • Quais decisões exigem fórum ampliado (mudança de objetivos estratégicos, grandes apostas de longo prazo).
  • Que métricas acionam revisão de estratégia (por exemplo, cair abaixo de determinado nível de retenção ou NPS, ou não atingir metas de expansão por dois trimestres seguidos).

Ao tratar sua Estratégia de Produto como um sistema de gestão, não como um documento isolado, você evita oscilações caóticas de prioridades e cria previsibilidade sem perder flexibilidade.

Colocando sua estratégia de produto em movimento

Estratégia de Produto não é algo que você "tem" ou "não tem"; é algo que você constrói e revisa continuamente. Em um cenário de mudanças rápidas e pressão por resultados, ter uma bússola clara é o que permite ao squad navegar sem se perder em meio a pedidos urgentes, tendências de mercado e limitações técnicas.

Se você quer começar a fortalecer sua estratégia ainda neste trimestre, siga este plano mínimo:

  1. Escreva, em uma frase, a visão do seu produto para os próximos 2 anos.
  2. Defina 3 a 5 objetivos estratégicos de produto ligados diretamente às metas da empresa.
  3. Mapeie 3 temas estratégicos prioritários e associe a eles métricas de resultado.
  4. Desenhe um roadmap de 3 a 6 meses que reflita esses temas, usando um modelo visual colaborativo.
  5. Escolha um caso de uso concreto para aplicar IA no seu processo de Product Management, como análise de feedbacks ou refino de backlog.

Ao tratar o roadmap como expressão viva da sua Estratégia de Produto, apoiado por rituais de gestão, ferramentas adequadas e uso inteligente de IA, você aumenta a eficiência do time, melhora a qualidade das decisões e cria um fluxo contínuo de melhorias com impacto real no negócio e no cliente.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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