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Operações de Segurança em 2025: gestão orientada a produto para ganhar eficiência

Para muitas empresas brasileiras, Operações de Segurança ainda significam apagar incêndios de madrugada. Enquanto isso, ataques crescem em volume e sofisticação, e o custo médio de um incidente já passa facilmente da casa do milhão de reais, segundo estudos recentes sobre tendências de cibersegurança no país.

O problema não é falta de tecnologia, e sim de gestão. Sem visão de produto, roadmap e métricas claras, o SOC vira um centro de custo que reage aos incidentes em vez de preveni-los.

Neste artigo, vamos mostrar como tratar suas Operações de Segurança como um produto digital: com backlog, features, priorização por risco e ciclos de melhoria contínua. O objetivo é ajudar você a sair da operação heróica para uma operação previsível, eficiente e alinhada à estratégia do negócio.

Por que Operações de Segurança precisam de gestão orientada a produto

Nos últimos anos, tanto órgãos públicos quanto empresas privadas vêm estruturando roadmaps de cibersegurança mais claros, como o roadmap de cibersegurança 2024-2026 da CISA. A mensagem é direta: Operações de Segurança precisam deixar de ser puramente reativas e se tornar parte central da estratégia de resiliência.

Quando a área de segurança é tratada apenas como suporte, o foco fica em projetos isolados e na compra de ferramentas pontuais. Sem uma abordagem de gestão, os times sofrem com filas intermináveis de demandas, sobrecarga operacional e pouca visibilidade dos resultados para a diretoria.

Já ao encarar Operações de Segurança como um produto, você passa a ter clientes internos claros, problemas de usuário bem definidos e hipóteses de solução que podem ser testadas, medidos e melhoradas. Isso é exatamente o que disciplinas modernas de Product Management trazem para times de tecnologia.

Um diagnóstico simples pode indicar se você está mais perto de um modo reativo ou de gestão orientada a produto. Responda para sua realidade atual:

  • Você tem uma visão escrita do que seu SOC entrega para o negócio?
  • Existe um roadmap público com as prioridades de segurança para os próximos 12 a 24 meses?
  • Os principais stakeholders (negócio, TI, jurídico, compliance) participam da priorização de iniciativas?
  • Há indicadores mensais que mostram claramente se sua postura de segurança está melhorando?

Se a maioria das respostas for não, o caminho de tratar Operações de Segurança como produto provavelmente trará ganhos rápidos de eficiência e de alinhamento estratégico.

Fundamentos de Operações de Segurança modernas

Antes de falar de roadmap e backlog, é importante alinhar o que compõe Operações de Segurança em uma organização moderna. Em geral, essa função engloba detecção, resposta a incidentes, gestão de vulnerabilidades, monitoramento de identidade e acesso, além da coordenação com times de risco, infraestrutura e desenvolvimento.

Uma boa forma de visualizar essa engrenagem é imaginar um painel de controle de operações de segurança. Nele, você enxerga em tempo real alertas de detecção, incidentes em tratativa, vulnerabilidades em aberto, SLAs de resposta e indicadores de exposição de risco por unidade de negócio.

Em momentos críticos, esse painel se torna o centro de uma war room de segurança com um time acompanhando incidentes em tempo real. É ali que decisões rápidas são tomadas com base em dados: priorizar o isolamento de um segmento de rede, escalar um incidente para a diretoria ou acionar o plano de resposta a crise de comunicação.

Pessoas, processos e tecnologia na prática

Operações de Segurança modernas se sustentam em três pilares:

  • Pessoas: analistas, engenheiros, SREs de segurança, gestores e parceiros externos, como provedores de SOC terceirizado.
  • Processos: runbooks de resposta, fluxos de escalonamento, playbooks para tipos específicos de incidente, política de gestão de vulnerabilidades.
  • Tecnologia: SIEM, SOAR, EDR, soluções de identidade, scanners de vulnerabilidades, além das integrações com ferramentas de TI e negócio.

Esses elementos precisam conversar entre si. Por exemplo, seu fluxo de abertura de incidentes deve integrar o SIEM com a ferramenta de ITSM e com o repositório de conhecimento. Recomendações de roadmap estratégico de TI mostram que a integração entre TI e segurança é um dos fatores que mais reduzem tempo de resposta em crises.

Para consolidar esses fundamentos, use uma visão simples de capacidades essenciais:

CapacidadeObjetivo operacional
Detecção de ameaçasIdentificar eventos suspeitos com rapidez
Resposta a incidentesConter, erradicar e recuperar com previsibilidade
Gestão de vulnerabilidadesReduzir a superfície de ataque continuamente
Gestão de identidadesGarantir acesso mínimo necessário
Monitoramento de complianceComprovar aderência a normas e políticas

Essa visão servirá de base para o backlog e para o roadmap nos próximos passos.

Como aplicar Product Management em Segurança

Levar Product Management para Operações de Segurança não significa transformar o SOC em uma equipe de desenvolvimento de software. Significa aplicar práticas de descoberta, priorização e entrega contínua de valor para as capacidades de segurança.

Comece definindo uma visão de produto de segurança em uma única frase clara. Por exemplo: "Permitir que o negócio cresça com segurança, reduzindo tempo de detecção e impacto financeiro de incidentes". Essa visão orienta todas as decisões de priorização.

Em seguida, estruture um backlog de segurança com itens agrupados em temas, como:

  • Detecção e monitoramento
  • Automação de resposta
  • Resiliência e continuidade
  • Governança e compliance
  • Experiência do usuário interno (por exemplo, jornadas de MFA mais simples)

Ferramentas de gestão, como plataformas de IRM e de ferramentas de gestão de riscos, ajudam a transformar esse backlog em planos concretos. Você pode registrar riscos, controles, owners e prazos, conectando cada item a indicadores mensuráveis.

Trate as principais demandas do backlog como features de produto:

  • Uma nova integração que reduz esforço manual no tratamento de alertas.
  • Um dashboard que dá visibilidade para a diretoria sobre exposição de risco por área.
  • Um processo de onboarding seguro que diminui fraudes em novos clientes.

Cada feature deve ter um problema de usuário bem definido, um resultado esperado e um conjunto mínimo de métricas para validar se gerou valor.

Construindo um roadmap de segurança com foco em valor de negócio

Com o backlog estruturado, chega a hora de organizar o caminho. Um roadmap de Operações de Segurança robusto precisa ser realista, comunicar prioridades e permitir ajustes táticos ao longo dos ciclos.

Abordagens como o método apresentado em conteúdos sobre como estruturar um roadmap de segurança com valor de negócio mostram que a ancoragem em risco e em retorno para o negócio é essencial. Em paralelo, guias internacionais de roteiro proativo de cibersegurança para 2025 reforçam a importância de ciclos de 1 a 3 anos com revisões frequentes.

Um passo a passo prático para montar seu roadmap:

  1. Consolidar diagnóstico: inventário de ativos críticos, principais ameaças, incidentes recentes e maturidade atual.
  2. Mapear riscos prioritários: combinação de probabilidade, impacto financeiro e impacto regulatório.
  3. Traduzir riscos em temas de segurança: Zero Trust, proteção de identidade, resiliência de backups, monitoramento de terceiros.
  4. Quebrar temas em iniciativas: projetos, automações, integrações, melhorias de processo.
  5. Sequenciar por trimestre, levando em conta dependências de infraestrutura e disponibilidade de orçamento.

Uma forma simples de visualizar o roadmap de Operações de Segurança é por fases:

Fase do roadmapHorizonte típicoResultado esperado
Estabilizar0 a 6 mesesReduzir incidentes críticos e fechar gaps óbvios
Otimizar6 a 18 mesesGanhar eficiência com automação e padronização
Inovar e escalar18 a 36 mesesIncorporar novas tecnologias e ampliar cobertura

Listas de prioridades de cibersegurança para 2025 podem ajudar a validar se seu roadmap cobre os temas mais relevantes para o cenário atual, como Zero Trust, proteção de endpoints e monitoramento de nuvem.

Métricas de eficiência e ciclo de melhorias contínuas

Sem métricas, Operações de Segurança ficam presas a narrativas subjetivas. Com métricas bem definidas, a gestão consegue mostrar impacto, justificar investimentos e priorizar melhorias com base em dados.

Alguns indicadores fundamentais para seu painel de controle de operações de segurança:

  • MTTA (Mean Time to Acknowledge): tempo médio até reconhecer um alerta.
  • MTTR (Mean Time to Resolve): tempo médio para conter e encerrar incidentes.
  • Tempo de correção de vulnerabilidades críticas.
  • Taxa de falsos positivos em alertas do SIEM ou EDR.
  • Percentual de cobertura de logs em ativos críticos.

Um exemplo de uso dessas métricas em um ciclo de melhoria:

  1. Medir o MTTR atual de incidentes de ransomware simulado.
  2. Identificar gargalos: falta de automação, ausência de playbook, aprovações lentas.
  3. Priorizar uma feature de automação no SOAR que execute tarefas repetitivas.
  4. Treinar o time no novo fluxo e revisar o playbook.
  5. Repetir o teste após 30 dias e comparar o MTTR.

Caso a mudança não gere a redução esperada, o item volta ao backlog para nova abordagem. Esse ciclo de descoberta, entrega e aprendizagem é a essência da combinação entre Operações de Segurança e Product Management, integrada com um mindset de otimização, eficiência e melhorias contínuas.

Um checklist prático de métricas para acompanhar mensalmente:

  • Quantidade de incidentes por tipo e por unidade de negócio.
  • Volume de alertas tratados automaticamente.
  • Percentual de vulnerabilidades críticas corrigidas dentro do SLA.
  • Número de testes de resposta a incidentes realizados no período.
  • Horas médias gastas em atividades manuais de analistas.

Capacidades emergentes para seu roadmap 2025-2026

O cenário de ameaças para 2025 e 2026 traz novas variáveis que precisam entrar no roadmap de Operações de Segurança. Entre elas, destacam-se a adoção de inteligência artificial, a consolidação de arquiteturas Zero Trust e a preparação para criptografia pós-quântica.

Relatórios de previsões de cibersegurança da Palo Alto Networks para 2025 apontam a chegada de co-pilotos de segurança baseados em IA, capazes de acelerar análise de alertas e investigações. Isso traz ganhos de eficiência, mas também exige governança sobre uso de dados sensíveis e verificação de decisões automatizadas.

Em paralelo, análises sobre roadmap para 2025 e além destacam a necessidade de repensar operações com apoio de agentes de IA e processos mais data-driven. Para Operações de Segurança, isso significa investir em arquitetura de dados de segurança bem estruturada, com telemetria consistente e acessível.

Algumas capacidades emergentes que tendem a entrar no backlog de segurança:

  • Plataformas de detecção e resposta com IA nativa e explicável.
  • Automação de resposta com playbooks gerados ou otimizados por IA.
  • Projetos de adoção gradual de criptografia pós-quântica para sistemas críticos.
  • Ferramentas de simulação de ataques e caos engineering para testar resiliência.
  • Monitoramento contínuo de provedores terceirizados e cadeia de suprimentos.

Na prática, o desafio é encaixar essas capacidades em um roadmap já pressionado por demandas de compliance, legado e incidentes do dia a dia. Por isso, a priorização por risco financeiro e regulatório ajuda a decidir quais dessas features precisam vir primeiro.

Plano 30-60-90 dias para transformar suas Operações de Segurança

Estratégias de longo prazo só ganham tração quando começam a se traduzir em mudanças concretas em poucas semanas. Um plano de 30-60-90 dias ajuda a transformar a visão de Operações de Segurança orientadas a produto em ações coordenadas.

Nos primeiros 30 dias, o foco é entender o estado atual:

  • Mapear stakeholders chave: CIO, CISO, líderes de negócio, jurídico e compliance.
  • Levantar processos existentes de detecção, resposta e gestão de vulnerabilidades.
  • Reunir dados básicos de incidentes, tempos de resposta e principais dores do time.
  • Criar uma primeira versão do painel de controle de operações de segurança, ainda que simples.

Entre 31 e 60 dias, comece a estruturar gestão e roadmap:

  • Facilitar workshops com stakeholders para priorizar riscos e dores do negócio.
  • Transformar problemas identificados em itens de backlog organizados por tema.
  • Definir as primeiras métricas de sucesso e criar um quadro visual com esses indicadores.
  • Montar um rascunho de roadmap de 12 meses, inspirado em boas práticas de roadmap de TI que incorpora segurança e nas prioridades globais citadas.

Dos 61 aos 90 dias, é hora de entregar valor tangível:

  • Implementar 1 ou 2 automações de alto impacto, reduzindo trabalho manual no SOC.
  • Rodar ao menos um exercício de resposta a incidentes com as áreas críticas.
  • Comunicar para a diretoria os primeiros resultados, conectando melhorias a risco reduzido.
  • Revisar roadmap e backlog à luz do que foi aprendido nesses ciclos iniciais.

Ao final dos 90 dias, você terá criado os fundamentos para uma gestão mais madura de Operações de Segurança: visão compartilhada, backlog priorizado, roadmap inicial e métricas para orientar decisões futuras.

Da operação reativa à vantagem competitiva em segurança

Operações de Segurança farão cada vez mais a diferença entre empresas que apenas sobrevivem a incidentes e aquelas que os usam como oportunidade de fortalecer sua resiliência. O movimento global aponta para roadmaps estruturados, forte integração com o negócio e uso intenso de dados para tomada de decisão.

Ao adotar práticas de Product Management, você transforma o SOC em um produto interno com clientes claros, backlog organizado, features priorizadas por risco e resultado para o negócio. O painel de controle de operações de segurança deixa de ser apenas um conjunto de gráficos para se tornar o coração da gestão diária.

Os próximos passos estão ao seu alcance: medir o estado atual, envolver stakeholders, estruturar um roadmap pragmático e iniciar ciclos curtos de entrega e aprendizagem. Com isso, suas Operações de Segurança evoluem de centro de custo imprevisível para ativo estratégico, capaz de proteger o crescimento e gerar vantagem competitiva sustentável.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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