Operações de TI deixaram de ser apenas 'manter a luz acesa'. Em 2025, com o investimento global em tecnologia passando de 5,4 trilhões de dólares e uma adoção massiva de IA e automação, a forma como você opera infraestrutura, aplicativos e dados define diretamente a velocidade do seu roadmap de produto e a experiência do cliente. Em muitas empresas brasileiras, o time de operações de TI já está no centro das decisões estratégicas.
O problema é que, na prática, Product Management e operações de TI ainda trabalham em silos. O roadmap promete novas features todo trimestre, mas o ambiente produtivo não acompanha, os riscos não são modelados e a pressão por entregas gera incidentes, indisponibilidades e retrabalho. A sensação recorrente é de que o produto acelera enquanto as operações puxam o freio de mão.
Este artigo mostra como transformar operações de TI em um motor previsível do roadmap, conectando gestão, roadmap e features. Você vai ver tendências-chave, um workflow prático ponta a ponta, tecnologias para otimização e eficiência e um conjunto de métricas de melhorias contínuas para guiar decisões de negócio, não apenas decisões técnicas.
Por que operações de TI viraram peça central da gestão em 2025
Nos últimos anos, relatórios como os de tendências de TI para 2025 da Euax e DataCenterDynamics Brasil mostraram o mesmo padrão: o pilar de geração de valor em TI migrou do 'projeto' para a 'operação contínua'. De nada adianta lançar uma grande feature se sua disponibilidade é baixa, o tempo de resposta é alto ou a segurança está fragilizada.
Pense nas suas operações de TI como um painel de controle de cockpit. É ali que você enxerga, em tempo real, consumo de recursos, saúde de aplicativos, incidentes e riscos de segurança. Quando esse painel é opaco, o Product Management toma decisões de roadmap com base em feeling, não em dados operacionais. Quando ele é claro, cada decisão de produto considera capacidade, risco e custo real.
Agora imagine uma sala de guerra de operações de TI durante um incidente crítico em plena Black Friday. Essa sala decide, em minutos, quais produtos vão receber prioridade de banda, quais funcionalidades serão degradadas e quais releases podem ser revertidos. Em 2025, essa mesma lógica precisa estar presente no dia a dia, não apenas em crises: operações de TI se tornam um mecanismo de gestão em tempo real do portfólio digital.
Tendências como hiperautomação, nuvem distribuída e XaaS, destacadas por Axians e TTG, reforçam esse papel. Quanto mais serviços e infraestrutura são consumidos sob demanda, mais a gestão do dia a dia das operações de TI impacta custo, risco e receita.
Alinhando operações de TI, Product Management e roadmap de features
O primeiro passo é tratar operações de TI e Product Management como partes de um mesmo sistema de gestão. Em vez de um time 'pedir' ao outro, ambos codeterminam o roadmap a partir de restrições técnicas e oportunidades de negócio.
Uma forma prática de fazer isso é criar um quadro único de priorização, onde cada item do backlog possui três dimensões: valor de negócio, esforço de desenvolvimento e impacto em operações de TI. Dados operacionais de capacidade, risco e dívida técnica alimentam essa terceira dimensão. Materiais como os da GX2 sobre tendências de TI e automação mostram que integrações bem feitas podem aumentar a produtividade em até 25%, justamente porque reduzem retrabalho operacional.
No nível tático, defina regras claras de governança entre gestão, roadmap e features:
- Nenhuma iniciativa estratégica entra no roadmap trimestral sem estimativa de impacto operacional (capacidade, segurança, observabilidade).
- Features com alto potencial de receita, mas também alto risco operacional, exigem plano de mitigação explícito e aceite de risco pelo negócio.
- Dívida técnica relevante em operações de TI (por exemplo, falta de automação em deploys críticos) entra no roadmap de produto como 'enabler', com dono, prazo e resultado esperado.
Referências como o artigo da SolvePlan sobre tendências de tecnologia e negócios reforçam a importância de governança de IA e dados para reduzir incidentes éticos e operacionais. Esse tipo de discussão não é apenas de TI: precisa estar conectado ao Product Management desde a concepção da feature.
Workflow operacional: do backlog ao monitoramento em produção
Para que operações de TI realmente sustentem o roadmap, é necessário um workflow claro ponta a ponta, com responsáveis definidos e handoffs minimizados. Um fluxo recomendado é:
Descoberta e ideação
Product Management mapeia problemas de cliente e oportunidades. Operações de TI participa cedo, validando restrições técnicas, compliance, dados e observabilidade necessários.Análise de impacto operacional
Para cada épico, operações de TI estima impacto em capacidade (CPU, memória, licenças), segurança, continuidade e suporte. Essa análise vira um campo obrigatório no ticket de roadmap.Arquitetura e desenho de solução
Times de arquitetura e SRE desenham como a solução será operada: padrões de logging, alertas, SLOs, rollback, uso de nuvem ou edge. Boas práticas de infraestrutura inteligente descritas pela DataCenterDynamics ajudam a balizar escolhas.Implementação com automação desde o início
Pipelines de CI/CD, infraestrutura como código e testes automatizados são construídos junto com a feature, não depois. A hiperautomação discutida pela Axians e pela ManageEngine reduz erros manuais e tempo de ciclo.Go-live com critérios objetivos
A entrada em produção depende de checagens automáticas e critérios de qualidade acordados previamente: cobertura de testes, riscos aceitos, plano de rollback, monitoria configurada.Monitoramento e feedback operacional
Após o deploy, métricas de disponibilidade, performance e incidentes são ligadas diretamente às features. Painéis de operações de TI mostram, por produto e por funcionalidade, como o comportamento real está aderente aos SLOs.Loop de melhorias contínuas
Sprints incluem itens de melhoria operacional (reduzir MTTR, automatizar playbooks, refatorar componentes frágeis) com base em dados históricos. Não é 'tarefinha de TI', mas parte formal do roadmap.
Quando esse workflow é explícito, operações de TI deixa de ser o time que barra entregas e passa a ser a engrenagem que garante que cada feature realmente gera valor sustentável.
Tecnologias-chave para otimização e eficiência em operações de TI
Várias tendências apontadas por fontes como ComputerWeekly Brasil, Datainfo e EInstitute convergem para um mesmo ponto: usar IA e automação para aumentar eficiência operacional sem perder governança. Três blocos tecnológicos merecem atenção prioritária no seu roadmap.
AIOps e observabilidade inteligente
Plataformas de AIOps correlacionam logs, métricas e traces para detectar anomalias e prever incidentes antes que clientes percebam. Isso reduz MTTR e libera o time para atuar em melhorias estruturais. O ideal é começar por um domínio crítico, como pagamentos, e medir a redução de alertas falsos positivos e o ganho de tempo do time de operações de TI.Hiperautomação e RPA em rotinas de baixa complexidade
Robôs de processo apoiados por IA executam tarefas repetitivas, como reset de senha, abertura de chamados padrão ou coleta de evidências de conformidade. Estudos citados por GX2 mostram ganhos relevantes de produtividade quando RPA é usado com boa governança. A regra aqui é clara: automatize primeiro o que é frequente, padronizável e com risco baixo.XaaS, nuvem híbrida e edge computing
Modelos 'Tudo como Serviço', descritos pela TTG, permitem escalar infraestrutura e plataformas sem grandes desembolsos iniciais. Combine isso com nuvem híbrida e edge para manter dados sensíveis próximos da operação e, ao mesmo tempo, se beneficiar da elasticidade da nuvem pública. Operações de TI assume um papel de orquestrador desses ambientes, negociando SLOs com fornecedores e times internos.
Ferramentas de IA generativa também começam a apoiar o diagnóstico de incidentes e a documentação de runbooks, como apontam artigos da ManageEngine. O ponto crítico é garantir governança: quem valida as ações sugeridas pela IA, quais dados podem ser usados e quais riscos regulatórios estão envolvidos.
Métricas e governança para sustentar melhorias contínuas
Sem um conjunto de métricas bem definidas, operações de TI volta rapidamente ao modo reativo. Em vez de medir apenas uptime global, conecte indicadores operacionais a produtos e features específicos, de forma alinhada à gestão e ao Product Management.
Algumas métricas-chave para operações de TI em 2025:
- Lead time de mudança por produto: tempo entre o commit e a entrada em produção de uma feature.
- Taxa de falha de mudanças: percentual de deploys que causam incidentes ou rollback.
- MTTR (Mean Time To Recovery): tempo médio de recuperação após incidentes críticos.
- Disponibilidade por jornada: uptime dos serviços mais críticos para cada jornada de cliente.
- Custo operacional por transação ou por pedido: combinando consumo de infraestrutura, licenças e suporte.
Relatórios como os da ComputerWeekly Brasil e da Euax mostram que empresas que amadurecem operações de TI medem não só eficiência interna, mas também impacto em risco, receita e satisfação do cliente.
No campo da governança, adote algumas práticas:
- Comitês de mudança multidisciplinares: com TI, negócio e segurança avaliando riscos relevantes, não apenas checklist técnico.
- SLOs negociados com o negócio: acordos de nível de serviço por produto, com orçamentos de erro explícitos.
- Backlog dedicado a melhorias operacionais: percentual do roadmap reservado a iniciativas de redução de risco e aumento de eficiência.
- Políticas de IA e dados: alinhadas às recomendações de governança discutidas por publicações como a SolvePlan.
Com métricas e governança bem definidas, operações de TI deixa de ser centro de custo e passa a ser um mecanismo de orquestração de valor, com visibilidade direta para diretoria e conselho.
Resumo tático e próximos passos para seu roadmap de operações de TI
Ao olhar para as principais tendências destacadas por fontes como Datainfo, EInstitute e ManageEngine, a mensagem é clara: operações de TI precisa ser tratada como ativo estratégico, profundamente integrada ao Product Management e ao planejamento de negócio. Quem continuar vendo operações apenas como manutenção ficará preso a ciclos de crise e retrabalho.
Para transformar essa visão em prática, você pode começar com um plano de 90 dias:
- Mapeie seu painel de controle atual: que dados de operações de TI chegam hoje às decisões de roadmap e de gestão?
- Escolha um produto crítico: aplique nele o workflow ponta a ponta descrito neste artigo, com suporte de SRE e arquitetura.
- Defina 3 a 5 métricas operacionais ligadas ao negócio: por exemplo, MTTR, taxa de falha de mudanças e disponibilidade da jornada de checkout.
- Teste uma iniciativa de AIOps ou hiperautomação: em um domínio bem delimitado, medindo os ganhos de eficiência e qualidade.
- Ajuste a governança: formalize a participação de operações de TI na priorização de features e na aceitação de riscos.
Ao final desse ciclo, você terá evidências concretas de como operações de TI pode acelerar a entrega de valor, reduzir riscos e apoiar decisões estratégicas de gestão. A partir daí, a expansão para outros produtos e áreas deixa de ser um salto de fé e passa a ser uma decisão baseada em resultados.