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Como usar Opportunity Solution Tree para priorizar produtos e projetos certos

Times de produto, marketing e CX vivem o mesmo dilema: dezenas de ideias, um backlog infinito e pouca clareza sobre o que realmente gera impacto. Sem uma conexão explícita entre métricas de negócio, dores reais dos clientes e soluções testáveis, a gestão vira disputa de opinião.

Opportunity Solution Tree surge como um quadro visual simples e poderoso para organizar essa complexidade. A árvore conecta um único resultado mensurável a oportunidades descobertas na base de clientes, alternativas de solução e experimentos que cabem em ciclos curtos. Em vez de discutir features soltas, você passa a discutir caminhos para resultados.

Neste artigo, você vai entender como funciona a Opportunity Solution Tree, como construí-la passo a passo, quais Ferramentas e tecnologias usar, como ligá-la ao seu processo de gestão e quais erros evitar para manter a árvore viva no dia a dia.

O que é Opportunity Solution Tree e por que importa na gestão

Opportunity Solution Tree é um modelo visual de discovery popularizado por Teresa Torres no blog do Product Talk. Ele organiza, em formato de árvore, a jornada que vai de um resultado de negócio desejado até experimentos concretos, passando por oportunidades e soluções.

Na prática, a árvore é composta por quatro níveis:

  • Resultado (outcome): um objetivo de negócio mensurável, como aumentar ativação de 22% para 30% ou elevar o NPS em 15 pontos.
  • Oportunidades: dores, necessidades e desejos dos clientes identificados em pesquisas, dados de uso e canais de atendimento.
  • Soluções: ideias de como atacar uma oportunidade específica, como um novo fluxo, funcionalidade, mensagem ou processo.
  • Experimentos: versões enxutas para testar rapidamente se determinada solução realmente melhora o resultado.

Pense na Opportunity Solution Tree como um mapa de metrô da sua estratégia. O resultado é a estação final que você quer alcançar, enquanto as linhas e estações intermediárias representam as oportunidades, soluções e testes que podem levar até lá. Em vez de se perder em caminhos aleatórios, você enxerga rotas explícitas e pode comparar qual trajeto faz mais sentido.

Para quem lidera áreas de Gestão, o valor está em três entregas concretas: alinhamento entre times, foco nas oportunidades de maior impacto e transparência sobre o porquê de cada teste que entra no roadmap. Guias como o glossário da ProductPlan e os exemplos da PM3 mostram como isso reduz decisões baseadas apenas em hierarquia ou pressão de stakeholders.

Use uma Opportunity Solution Tree quando:

  • Você tem um desafio estratégico claro, mas muitas ideias concorrentes de solução.
  • Os times questionam prioridades e não enxergam a relação entre backlog e resultado.
  • A empresa precisa conectar discovery contínuo com planejamento trimestral ou anual.

Da métrica ao experimento: anatomia prática da árvore

A força da Opportunity Solution Tree está em partir sempre de um único outcome mensurável. Em vez de 'melhorar engajamento', defina algo como 'aumentar a taxa de ativação de 22% para 30% até o fim do trimestre' ou 'elevar a satisfação em 15 pontos no NPS', como exemplifica a Product School.

Com o resultado claro, você passa a mapear oportunidades. São problemas observáveis do ponto de vista do cliente, por exemplo:

  • Usuários não conseguem completar o cadastro no primeiro acesso.
  • Leads não entendem a proposta de valor ao chegar na página de preços.
  • Atendentes de suporte precisam abrir cinco telas diferentes para responder um único chamado.

Essas oportunidades nascem de entrevistas, análises de funil, mapas de jornada, tickets de suporte e pesquisas qualitativas. Guias como o da Mambo reforçam que a árvore deve ser atualizada continuamente à medida que novas evidências surgem.

Para cada oportunidade, o time lista possíveis soluções. Por exemplo, para 'usuários não completam o cadastro', você pode considerar: simplificar o formulário, permitir login social ou criar um walkthrough interativo. A seguir, converte cada solução em experimentos enxutos:

  • Experimento 1: teste A/B com formulário em duas etapas para 20% do tráfego.
  • Experimento 2: habilitar login social para um segmento específico de novos usuários.
  • Experimento 3: testar um tour guiado apenas no mobile.

Os experimentos carregam seu próprio microresultado, sempre ligado ao outcome de topo: aumento na taxa de conclusão de cadastro, redução de abandono de página, crescimento da ativação na primeira semana. Playbooks de discovery como o da Amplitude mostram como essa estrutura acelera ciclos de aprendizado e torna o processo de decisão muito mais objetivo.

Uma boa prática é escrever cada nó da árvore em linguagem simples, que qualquer pessoa do negócio entenda, e sempre com um verbo de ação ou um insight de cliente. Isso torna a Opportunity Solution Tree um artefato de gestão, não apenas um quadro de produto.

Passo a passo para construir sua primeira Opportunity Solution Tree

Se você nunca usou a ferramenta, vale seguir um roteiro enxuto, inspirado em guias recentes como o da Insight7.

1. Defina um único resultado mensurável

Comece respondendo: qual métrica realmente precisa mudar nos próximos 3 meses? Pode ser churn, ativação, conversão, ticket médio, NPS ou tempo de resolução de chamados.

Descreva o resultado em formato de frase: 'Aumentar a taxa de upgrade de 12% para 18% até o fim do Q3' ou 'Reduzir o tempo médio de onboarding de 14 para 7 dias'. Essa clareza é o topo da sua Opportunity Solution Tree e evita que a árvore vire um mural genérico de problemas.

2. Colete evidências e mapeie oportunidades

Antes de escrever qualquer oportunidade, mergulhe nos dados. Algumas ações práticas:

  • Revise os principais relatórios de produto, marketing e CX dos últimos 60 dias.
  • Analise conversas recentes de vendas e tickets de suporte.
  • Rode de 5 a 10 entrevistas rápidas com clientes e ex-clientes.

Liste frases e padrões recorrentes. Em seguida, transforme-os em oportunidades escritas do ponto de vista do cliente, como 'clientes não entendem qual plano escolher' ou 'gestores não conseguem comprovar ROI do produto para a diretoria'. A literatura de discovery de Product Talk reforça esse foco em necessidades, não em features.

3. Agrupe e priorize oportunidades

Com um volume maior de oportunidades, você precisa organizar o mapa. Comece agrupando itens similares em clusters. Depois, priorize usando uma régua simples, como impacto x facilidade:

  • Impacto: quanto essa oportunidade influencia diretamente o outcome definido?
  • Esforço: qual esforço estimado de diagnóstico e solução?

Dê notas de 1 a 5 e foque primeiro nas oportunidades de alto impacto e esforço baixo ou médio. A árvore continua registrando as demais, mas o time sabe por onde começar. Materiais de players como Mambo e ProductPlan mostram que essa disciplina aumenta a clareza e reduz retrabalho.

4. Gere soluções em largura, não em profundidade

Agora sim é hora de ideias. Reúna pessoas de produto, design, dados, conteúdo, vendas e atendimento para uma sessão de 60 a 90 minutos. Escolha uma única oportunidade priorizada e gere o máximo de soluções possíveis para atacá-la.

Trabalhe com timeboxes curtos, em silêncio primeiro e depois em discussão, para evitar que as primeiras opiniões dominem a conversa. Ferramentas de quadro digital como o Miro ajudam a visualizar rapidamente quais soluções se concentram em onboarding, comunicação, UX ou modelo de negócio.

O segredo é explorar em largura: muitas alternativas para cada oportunidade, sem cair na armadilha de detalhar em excesso uma solução antes da hora.

5. Transforme soluções em experimentos e plano de ação

Por fim, transforme as soluções em experimentos testáveis. Para cada uma, responda:

  • Hipótese: o que você acredita que vai acontecer?
  • Métrica: qual indicador principal o experimento precisa mover?
  • Escopo: qual o menor recorte possível para aprender rápido?
  • Próximo passo: o que precisa ser feito já na próxima sprint?

Registre esses elementos como nós de experimento na Opportunity Solution Tree e, em paralelo, crie os itens correspondentes no seu board de delivery. Assim, discovery e execução ficam conectados. Times que seguem essa disciplina, como relatam estudos da Product School, conseguem reduzir tempo de ciclo e aumentar a taxa de acerto de novos lançamentos.

Aplicando Opportunity Solution Tree em produto, marketing e CX

Uma das vantagens da Opportunity Solution Tree é funcionar como artefato compartilhado entre áreas. Em vez de cada time ter seu próprio backlog desconectado, todos enxergam como contribuem para o mesmo outcome.

Produto digital e growth

Em um SaaS B2B, por exemplo, o resultado pode ser 'reduzir churn de 4% para 3% ao mês'. A árvore de oportunidades vai trazer causas como 'clientes não chegam ao momento aha', 'não envolvem o time executivo' ou 'não configuram integrações críticas'.

O time de produto pode propor soluções como um novo fluxo de onboarding, checklists guiados ou templates de uso. Já growth pode atuar em comunicações automatizadas, campanhas in-app e testes de pricing. Roadmaps orientados por outcome, como os sugeridos em workshops da Amplitude, nascem diretamente dessas escolhas.

Marketing e CRM

Em marketing, uma Opportunity Solution Tree ajuda a sair da lógica de campanhas soltas e entrar na lógica de hipóteses. Se o resultado é 'aumentar a conversão para o plano pago', oportunidades podem incluir 'lead não entende a proposta de valor na landing page', 'sequência de e-mails não responde objeções financeiras' ou 'mensagem nas mídias pagas não conversa com o produto real'.

Cada oportunidade gera soluções de copy, segmentação, canais e ofertas, que viram experimentos de criativos, subject lines, fluxos de automação e personalização de site. Para equipes de CRM, isso conecta diretamente com regras de segmentação, nutrição e reengajamento, sempre ancoradas em métricas.

Atendimento e sucesso do cliente

Na frente de CX, a Opportunity Solution Tree evita que o time de atendimento vire apenas 'caixa de entrada' de problemas. Um exemplo clássico, explorado em conteúdos da PM3, é usar a árvore para organizar recorrências de tickets.

O resultado pode ser 'reduzir o volume de chamados por cliente ativo' ou 'aumentar o CSAT pós-atendimento'. A partir daí, você mapeia oportunidades como 'clientes não encontram respostas na central de ajuda', 'o chat é lento' ou 'políticas de reembolso são confusas'. Cada uma puxa soluções de UX, conteúdo de ajuda, treinamento de time e automações.

Imagine um squad de produto em um war room usando um board do Miro projetado na tela enquanto prioriza oportunidades com representantes de marketing, vendas e suporte. A Opportunity Solution Tree vira a peça central da conversa, garantindo que cada sugestão de solução esteja ligada a uma oportunidade e a um outcome claro.

Ferramentas, templates e tecnologia para manter a árvore viva

Você pode começar sua Opportunity Solution Tree em um quadro físico, mas rapidamente vai sentir a necessidade de colaboração e histórico. É aí que entram as Ferramentas digitais.

Quadros virtuais como o Miro oferecem templates prontos de Opportunity Solution Tree, suporte a colaboração em tempo real e até recursos de IA para sugerir agrupamentos e ideias. Já o ecossistema da Lucid facilita criar diagramas mais estruturados, ótimo quando você precisa apresentar a árvore para diretoria ou stakeholders menos próximos do dia a dia.

Plataformas de discovery como a Amplitude ajudam a ligar diretamente dados de produto à árvore, permitindo que você valide se cada experimento realmente moveu a métrica. E soluções focadas em Opportunity Solution Tree, como a da Vistaly, permitem anexar evidências, criar filtros e sincronizar a árvore com roadmaps e relatórios, superando o limite de quadros estáticos.

Conteúdos de players como Insight7 mostram ainda como recursos de IA podem ajudar a identificar padrões em entrevistas e pesquisas, sugerindo oportunidades ou soluções que o time talvez não enxergasse sozinho.

Na prática, escolha a ferramenta considerando:

  • Onde seu time já trabalha hoje (Jira, Notion, Figma, suites colaborativas).
  • Qual nível de rastreabilidade de evidências vocês precisam.
  • Se há necessidade de integrações com dados de analytics, CRM ou suporte.

Em áreas de código,implementação,tecnologia, faz sentido aproximar a Opportunity Solution Tree do workflow de desenvolvimento, conectando nós de solução e experimento diretamente a épicos e tarefas. Assim, o que entra na sprint sempre tem um motivo claro na árvore.

Erros comuns e boas práticas de otimização do seu OST

Como qualquer ferramenta de gestão, Opportunity Solution Tree pode ser mal usada. Alguns erros aparecem com frequência:

  • Começar pela solução, não pelo outcome e pelas oportunidades.
  • Tratar opiniões internas como oportunidades sem evidência de cliente.
  • Basear toda a árvore em uma ou duas entrevistas isoladas.
  • Desenhar a árvore uma vez por ano e nunca mais revisá-la.
  • Usar a árvore apenas como material de apresentação, sem conexão com o dia a dia.

Para evitar isso, adote algumas boas práticas:

  • Marque rituais fixos para atualizar a árvore, pelo menos uma vez por mês.
  • Documente sempre a fonte de cada oportunidade (entrevista, dado, ticket, pesquisa).
  • Limite o número de oportunidades em foco por ciclo, para não dispersar o time.
  • Revise se cada experimento da árvore está realmente conectado a um outcome.

Pense na gestão da sua Opportunity Solution Tree como um processo contínuo de Otimização,Eficiência,Melhorias. A cada ciclo, você deve conseguir responder com mais clareza por que está apostando em determinados testes e o que aprendeu com eles. Relatórios como os da Mambo e de escolas de produto mostram que esse hábito aumenta a velocidade de aprendizado e reduz apostas grandes com pouco fundamento.

Para líderes, uma boa regra de bolso é: nenhuma iniciativa relevante entra no roadmap sem estar ligada a um nó claro da árvore. Isso evita programas paralelos, desalinhados e difíceis de medir.

Próximos passos para escalar Opportunity Solution Tree no seu time

Adotar Opportunity Solution Tree não exige uma grande transformação organizacional. Comece pequeno, com um único outcome relevante e um squad disposto a experimentar.

Um plano prático pode ser:

  • Escolher um resultado crítico do próximo trimestre.
  • Convidar representantes de produto, design, engenharia, dados, marketing e CX.
  • Rodar um workshop de 2 a 3 horas para mapear oportunidades, soluções e experimentos.
  • Registrar tudo em uma ferramenta colaborativa e conectar os primeiros experimentos ao board de delivery.

Nas semanas seguintes, use a árvore como referência em dailies, weeklies e reuniões de planejamento. Atualize oportunidades, promova ou descarte soluções de acordo com o aprendizado. Aos poucos, a Opportunity Solution Tree tende a se tornar a 'fonte única da verdade' para decisões de produto, marketing e experiência do cliente.

Quando isso acontece, discussões deixam de ser sobre quem grita mais alto e passam a ser sobre qual caminho tem mais evidências para mover a métrica que importa. Esse é o verdadeiro ganho de gestão que a Opportunity Solution Tree pode trazer para sua organização.

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Foto de Dionatha Rodrigues

Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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