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Product Discovery na gestão de marketing: de insight a performance medível

Em um cenário em que canais pagos encarecem, cookies desaparecem e a busca é mediada por IA, descobrir o que realmente faz o cliente dizer sim virou questão de sobrevivência. Para times de marketing, CRM e produto, Product Discovery é a bússola que conecta insights de comportamento, dados de campanha e decisões de roadmap em uma única direção: crescimento sustentável. Em vez de lançar features ou campanhas no escuro, você cria um sistema contínuo de aprendizado que reduz desperdício de mídia, aumenta conversão e acelera o tempo até o valor percebido pelo cliente. Neste artigo, você vai ver como estruturar Product Discovery sob a ótica de gestão: frameworks práticos, ferramentas, métricas e rituais para transformar descobertas em performance real.

O que é Product Discovery na gestão de marketing

Na prática, Product Discovery é o processo estruturado de entender problemas, contextos e motivações do cliente antes de investir pesado em entrega, mídia ou tecnologia. É onde marketing, produto e dados validam quais oportunidades merecem orçamento, quais mensagens geram tração e quais segmentos respondem melhor a cada proposta de valor.

Enquanto Product Delivery responde como vamos construir e escalar uma solução, Product Discovery responde o que vale a pena construir e testar. Em times orientados a performance, isso significa tratar hipóteses de campanha, novas ofertas, bundles e jornadas automatizadas como produtos em si, com ciclo de vida, métricas e backlog.

Na gestão, o líder atua como orquestrador: estabelece prioridades claras, define critérios de sucesso e garante que o aprendizado de Discovery circule entre mídia, CRM, UX, vendas e atendimento. Sem essa visão integrada, cada área otimiza o próprio KPI, mas o negócio perde foco em problemas reais de cliente.

Por isso, pense em Product Discovery menos como uma reunião ocasional e mais como um sistema de decisões recorrentes que orienta todos os investimentos da máquina de crescimento.

Por que Product Discovery é o motor de performance, ROI e conversão

Em ecommerce, relatórios de benchmarks como os benchmarks da Fast Simon mostram que a busca interna responde por mais de 40 a 60 por cento da receita em várias categorias, com taxas de conversão de busca bem acima da média do site. Quando você trata resultados de busca, coleções e recomendações como hipóteses de Product Discovery, cada ajuste de relevância vira experimento mensurável de impacto em receita.

O avanço da IA ampliou ainda mais esse impacto. O relatório do Business of Fashion sobre IA em descoberta de produtos destaca casos como o da Zalando, que atribuiu parte do ganho de lucratividade a assistentes de compra inteligentes e recomendações personalizadas, enquanto pesquisas como o relatório Connected Shoppers da Salesforce apontam que uma fatia relevante dos consumidores e mais da metade da Geração Z já usam IA para descoberta de produtos. Isso significa que Product Discovery hoje acontece dentro de mecanismos de busca, feeds, chatbots, LLMs e aplicativos, ao mesmo tempo.

Na perspectiva de ROI, benchmarks de ecommerce da WebFX mostram CACs médios elevados em vários segmentos e um peso crescente de mídia paga no P&L. Se seus esforços de Product Discovery não estão orientando a segmentação, as mensagens e as páginas que alimentam campanhas, você acaba pagando caro para colocar tráfego em experiências que não convertem.

Quando bem feita, a disciplina de Product Discovery reduz desperdício em mídia, encurta o tempo até a primeira conversão, aumenta retenção e melhora o LTV. Em gestão, isso se traduz em decisões mais sólidas sobre mix de canais, orçamento por segmento e prioridades de roadmap.

Um framework prático de Product Discovery orientado a campanhas

Visualize um war room de marketing: quadro branco cheio de jornadas, clusters de clientes e cards de hipóteses, com pessoas de mídia, CRM, produto e dados alinhando próximos testes. Essa cena é a materialização de um ciclo de Product Discovery bem gerido, em que a equipe usa dados e pesquisa para decidir o que vale experimentar na próxima sprint de campanhas.

Um framework simples para organizar esse ciclo pode ser dividido em cinco etapas: compreender, mapear, formular, priorizar e experimentar. Cada etapa gera entregáveis claros, evita discussões abstratas e ajuda a conectar descobertas a métricas de negócio.

1. Compreender o problema e o contexto

Comece reunindo evidências de múltiplas fontes: dados de analytics, funil de conversão, pesquisa NPS, tickets de suporte e entrevistas rápidas. Em vez de buscar respostas finais, formule perguntas melhores, como: o que impede este segmento de ativar, qual risco o cliente percebe nesta oferta, por que a busca interna é usada menos do que deveria.

Ferramentas de pesquisa online, sessões remotas gravadas e análises de funil ajudam a transformar intuição em insight documentado, acessível a todo o time. O objetivo dessa etapa é alinhar todos em torno de problemas concretos de cliente, e não em torno de soluções preferidas.

2. Mapear jornadas e pontos de fricção

Escolha uma jornada crítica por vez, como aquisição de novo cliente via campanha de performance ou reativação por CRM. Mapeie etapas, canais, mensagens e métricas associadas, desde o primeiro contato até o uso recorrente.

Use o mapa para destacar fricções: etapas com alta queda de conversão, mensagens pouco claras, páginas com baixa taxa de scroll ou cliques frequentes em elementos irrelevantes. Cada fricção vira uma oportunidade de Product Discovery, seja para redesenhar a experiência, seja para mudar a proposta de valor.

3. Formular hipóteses e experimentos

Transforme dores mapeadas em hipóteses estruturadas, no formato: se fizermos X para o segmento Y, esperamos obter Z impacto na métrica A em N dias. Por exemplo, se simplificarmos o fluxo de cadastro mobile para novos usuários de mídia paga, esperamos aumentar a taxa de ativação inicial em 20 por cento em duas semanas.

Associe a cada hipótese um experimento mínimo viável: teste A/B de landing page, nova oferta em um cluster específico, novo conteúdo de onboarding ou fluxo alternativo no app. O importante é que cada experimento tenha objetivo claro, escopo limitado e critério de sucesso definido previamente.

4. Priorizar com critérios de gestão

Forre a discussão com critérios explícitos, em vez de opiniões. Uma matriz de impacto versus esforço e aderência à estratégia ajuda a decidir o que entra na sprint de Discovery.

Como gestor, exija sempre três respostas: qual problema de cliente atacamos, qual a proxy de métrica de negócio e qual o custo de oportunidade se não fizermos este teste agora. Essa disciplina evita que campanhas sejam priorizadas apenas por urgência política ou pressão de canal.

5. Experimentar, aprender e decidir

Conduza experimentos com janela de tempo clara, amostras mínimas definidas e critérios de sucesso acordados antes do start. Ferramentas de experimentação e feature flags permitem lançar variações para percentuais controlados de usuários, reduzindo risco.

O ponto central é transformar aprendizado em decisão: matar hipóteses que não funcionam, pivotar mensagens ou promover experimentos bem-sucedidos para o roadmap oficial de campanhas e produto. Sem essa etapa de decisão, Product Discovery vira apenas um inventário de testes, e não um motor de estratégia.

Ferramentas de Product Discovery para times de marketing e produto

Ferramentas não resolvem Product Discovery sozinhas, mas sem uma stack mínima você fica cego ou lento demais. Pense em quatro blocos principais: coleta de insight qualitativo, análise comportamental, experimentação e apoio de IA.

Coleta de insights e voz do cliente

Para pesquisas rápidas, formulários e testes de conceito, plataformas como Typeform, SurveyMonkey ou ferramentas nativas de CRM ajudam a captar percepções em escala. Complementar a isso, sessões gravadas de navegação e entrevistas remotas estruturadas permitem enxergar onde a experiência quebra na prática.

Um hábito poderoso é centralizar essas evidências em um repositório vivo de insights, indexado por problema, segmento e jornada. Isso evita repetir pesquisas que já existem e acelera a formação de hipóteses de Product Discovery.

Análise de comportamento e produto

Ferramentas de analytics orientadas a produto, como as que embasam os relatórios de benchmarks da Amplitude, permitem construir funis avançados e cohorts para acompanhar ativação, engajamento e retenção por segmento. Esses relatórios mostram o abismo entre produtos medianos e top performers em métricas como aquisição e ativação, o que ajuda a calibrar ambição.

Complementarmente, soluções focadas em ecommerce e busca, como plataformas de search e merchandising que produzem estudos como os benchmarks da Fast Simon, oferecem dados práticos sobre o peso da descoberta via busca no faturamento. Isso traz o tema de Product Discovery diretamente para a mesa de decisão de performance.

Experimentação, personalização e IA

Para testar hipóteses com baixo risco, suites de experimentação A B e feature flags permitem lançar variações para parcelas controladas da base. Em paralelo, motores de recomendação e personalização baseados em IA, como os descritos em estudos da Lucidworks sobre tendências de busca e discovery, ajudam a entregar listas de produtos, coleções e conteúdos adaptados em tempo real ao comportamento do usuário.

LLMs também entram como ferramenta de trabalho de Product Discovery. Artigos da Product Management Society sobre uso de LLMs em Product Discovery mostram como usar modelos de linguagem para agrupar feedbacks, extrair temas de tickets de suporte, sintetizar entrevistas e até gerar hipóteses iniciais que depois serão validadas com dados. O segredo é tratar a IA como copiloto, não como oráculo.

Conectando Product Discovery à segmentação e à estratégia de campanha

Product Discovery eficaz não olha apenas para a média do funil. Ele enxerga que diferentes segmentos respondem de maneiras distintas à mesma oferta ou mensagem.

Trazer o olhar de segmentação para o centro do processo é o que transforma descobertas em estratégia de campanha com resultado mensurável. Uma boa prática é combinar segmentações clássicas, como RFM ou estágio no ciclo de vida, com sinais comportamentais recentes.

Usuários recorrentes com baixa propensão a recompra exigem mensagens diferentes de novos leads qualificados por conteúdo. Cada segmento relevante merece hipóteses específicas de proposta de valor, canal e timing, sempre ancoradas em dados.

Pesquisas recentes sobre atribuição de descobertas em LLMs, como os benchmarks de atribuição de LLM da Fairing, mostram que diferentes assistentes têm força distinta por categoria. Alguns são mais relevantes em lifestyle, outros em eletrônicos ou automotivo, o que reforça que segmentação agora também acontece por canal de descoberta e tipo de assistente, não só por perfil demográfico ou comportamental.

Relatórios de mercado como o relatório Connected Shoppers da Salesforce ainda indicam que gerações mais jovens adotam IA para descoberta em taxas muito superiores às demais. Em gestão, isso exige calibrar a estratégia de campanha por coorte geracional, otimizando presença tanto em mecanismos tradicionais quanto em respostas de IA e chatbots.

Na prática, inclua em cada squad de campanha uma etapa explícita de revisão de descobertas recentes: quais problemas ganham relevância, por quais segmentos, em quais canais. Só então avance para briefing criativo e planejamento de mídia. Assim, Product Discovery deixa de ser um relatório bonito e vira input direto para performance.

Medindo Product Discovery: KPIs, performance e rituais de gestão

Sem métricas claras, Product Discovery vira storytelling. Uma boa abordagem é combinar indicadores de fluxo de descoberta com métricas de negócio, criando um painel que responda tanto se estamos aprendendo quanto se isso gera resultado financeiro.

Organize seus KPIs em quatro grupos: alcance de descoberta, qualidade da interação inicial, ativação e retenção, e saúde dos experimentos. Em campanhas pagas, isso inclui impressões qualificadas, CTR, custo por visita qualificada e taxa de scroll ou interação nas páginas-chave. Na máquina de produto, olhe para tempo até o valor percebido, taxa de ativação em X dias, recorrência de uso e upgrades.

Benchmarks da Userpilot sobre métricas de produto ajudam a entender níveis saudáveis de ativação e tempo até o valor em produtos SaaS de diferentes portes, enquanto relatórios de players de analytics como os relatórios de benchmarks da Amplitude mostram percentis de aquisição e retenção para B2B. Use esses números para definir faixas-alvo realistas, mas ambiciosas, por tipo de produto e modelo de aquisição.

Em ecommerce, dados de plataformas de busca como os benchmarks da Fast Simon mostram que a parcela de receita atribuída à busca interna e a taxa de conversão desses usuários são proxies diretas da qualidade da descoberta. Já estudos de marketing digital como os benchmarks de ecommerce da WebFX trazem CACs, ROAS e médias de conversão por canal que ajudam a avaliar se as descobertas estão de fato melhorando eficiência de mídia.

Com a ascensão de IA generativa e resultados zero clique, surge ainda um novo bloco de métricas: presença da marca em respostas de assistentes, share de menções em LLMs por categoria e tráfego assistido por experiências conversacionais. Estudos como os benchmarks de atribuição de LLM da Fairing e análises da agência DEPT sobre zero-click searches mostram que grande parte das transações influenciadas por LLMs não aparece em modelos de last click, o que exige combinar tracking tradicional com pesquisas de atribuição, códigos dedicados e testes de incremento.

Finalmente, transforme dados em rotina de gestão. Estabeleça rituais quinzenais ou mensais de revisão de experimentos de Product Discovery, com foco em decisões: o que vamos escalar, matar ou reaprender. Um comitê leve com liderança de marketing, produto e dados garante que as descobertas influenciem roadmap, orçamento e metas de performance, em vez de ficarem presas em dashboards.

Próximos passos para maturar o seu Product Discovery

Product Discovery não é um luxo acadêmico, e sim o mecanismo que permite que sua máquina de crescimento pare de desperdiçar dinheiro em apostas aleatórias. Ao tratá-lo como uma disciplina de gestão, você conecta dados, pesquisa, ferramentas e rituais para tomar decisões melhores sobre campanhas, produto e experiência do cliente.

Um bom primeiro passo nos próximos 30 dias é escolher uma jornada crítica, montar um pequeno war room com pessoas-chave e aplicar o framework descrito aqui para rodar de dois a três experimentos de alto impacto. Em seguida, ajuste seus painéis para acompanhar KPIs de descoberta e inclua a revisão de aprendizados na cadência executiva.

Com o tempo, sua bússola de Product Discovery ficará mais precisa: você saberá quais segmentos priorizar, quais mensagens realmente destravam conversão e quais canais entregam ROI acima da média. É essa clareza que separa times que apenas reagem à mídia daqueles que constroem, de forma intencional, a próxima curva de crescimento.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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