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Benchmark de agentes de IA: OSWorld, GAIA e ARC-AGI

Benchmark de agentes de IA mede se o modelo consegue concluir trabalho — operar computador, navegar, usar ferramentas, atender uma solicitação de...

Benchmark de agentes de IA mede se o modelo consegue concluir trabalho — operar computador, navegar, usar ferramentas, atender uma solicitação de ponta a ponta — e não apenas responder bem. É a categoria onde os números mais contradizem o discurso de mercado. O exemplo mais eloquente: no OSWorld, benchmark de uso de computador, o melhor modelo faz 86% na versão 1 e cai para 44,3% na release mais recente da versão 2 (31,4% na de 08/08 e 20,6% na original). Mesma família de teste, mesma capacidade avaliada. A diferença é o horizonte da tarefa: a v2 usa tarefas que levam cerca de 1,6 hora para uma pessoa concluir, com média de 318 chamadas de ferramenta. Automação longa continua sendo problema aberto, e este artigo mostra com dado onde está o limite.

OSWorld — o colapso entre as versões (%)

Mesma família de teste, horizonte de tarefa diferente.

v1 Verified — Fable 586% v1 Verified — Opus 583.4% v2.1 — Opus 5 (max)44.3% v2 08/08 — Opus 5 (max)31.4% v2 08/08 — GPT-5.6 Sol (max)27.3% v2 orig. — Opus 4.8 (batched)20.6%

A v2 tem 108 tarefas com mediana de ~1,6 h para humanos e média de 318 chamadas de ferramenta; a release 2.1, hoje a recomendada, mantém as 108. As releases são conjuntos de tarefas diferentes, então a comparação entre elas é aproximada. Na de 08/08, o Opus 5 é a média de 7 execuções e o GPT-5.6 Sol, de 2. No recorte dos autores para a versão original, ninguém passa de 10% em tarefas acima de 137 minutos.

Fonte: XLang Lab (v2) · OSWorld-Verified (v1) · leitura de 03/10/2026

O colapso é função do tempo de tarefa

Os autores do OSWorld 2.0 publicaram o recorte que explica tudo (feito na versão original, com GPT-5.5 e Opus 4.7). Nas 108 tarefas da versão, distribuídas em 31 sites auto-hospedados e com 27 pontos de verificação em média:

  • Em tarefas de menos de 45 minutos, os modelos ficam entre 20% e 24%
  • Na faixa de 137 a 163 minutos, ninguém passa de 10%
  • Acima de 163 minutos, o resultado é zero — nenhum modelo conclui

E 69,6% das tarefas levam mais de uma hora. Ou seja: o benchmark foi desenhado para medir exatamente onde os agentes falham. Os modelos mais novos avançaram — o Opus 5 passa de 44% na release 2.1 —, mas a leitura prática continua clara para quem planeja automação: quebre o processo em etapas curtas verificáveis em vez de delegar o fluxo inteiro.

Uma nota de método sobre a versão 1: as submissões podem excluir 8 tarefas de Google Drive, rodando 361 em vez de 369. É permitido oficialmente, mas significa que o denominador varia entre submissões — comparar percentuais exige checar a base. E o topo da v1 não é só de modelo: há agentes especializados acima, como o Intelligence-Indeed Agent, com 90,19%.

ARC-AGI-3 — a fronteira real (%)

Exige adaptação a ambientes interativos inéditos. Em violeta, o líder; o resultado depende do harness.

GPT-6 Astra (high) — Adapter99.9% GPT-6.1 Sol (xhigh) — Adapter96.4% GPT-6 Astra (max) — padrão62.7% GPT-6.1 Sol (max) — padrão52.7% Gemini 3.8 Flash — Adapter35% Claude Opus 5 (high)30.2%

O ARC-AGI-1 está saturado (98,5%) e o 2 chegou a 95%. O 3 ainda separa os modelos, mas o resultado depende do harness: o Provider Adapter preserva o estado de raciocínio entre chamadas, e o mesmo Gemini 3.8 Flash (high) faz 10,4% no padrão e 35% no Adapter.

Fonte: ARC Prize Foundation · resultados por modelo · leitura de 03/10/2026

ARC-AGI: onde a fronteira se moveu

A série ARC-AGI mede adaptação a problemas inéditos, e a evolução entre versões conta a história do ano:

VersãoTopo atualSituação
ARC-AGI-198,5%Saturado — não discrimina mais
ARC-AGI-295,0%Caiu rápido em 2026; deixando de ser fronteira
ARC-AGI-362,7% (harness padrão) · 99,9% (Provider Adapter)Fronteira — exige adaptação em ambiente interativo, e o resultado depende do harness

No ARC-AGI-3 o líder mudou em setembro: o GPT-6 Astra faz 62,7% com o harness padrão, contra os 30,2% do Claude Opus 5, que liderava desde julho. Com o Provider Adapter o Astra chega a 99,9%, e o GPT-6.1 Sol a 96,4%. Fora da família GPT-6, o Gemini 3.8 Flash (35%, no Adapter) já passa o Opus 5, e o resto fica abaixo de 8%.

Dois detalhes que merecem atenção. O nível de esforço muda tudo: o GPT-6.1 Sol vai de 3,9% na configuração mínima a 52,7% na máxima, no harness padrão. E o custo continua brutal — o melhor resultado padrão do Astra custou US$ 26.098 e o do Adapter, US$ 18.817, o que torna esses números demonstração de capacidade, não indicação de uso viável.

τ³-bench: o teto do agente empresarial

Se existe um benchmark que espelha o caso de uso corporativo, é este. O τ³-Banking simula atendimento bancário sobre uma base de cerca de 700 documentos, medindo consistência em múltiplas tentativas.

ModeloResultadoTipo
Qwen 3.8 Max55,2%pesos abertos
Claude Opus 548,7%proprietário
Grok 4.547,9%proprietário
GPT-5.6 Sol46,9%proprietário
Kimi K337,1%pesos abertos

Duas conclusões. Primeira: um modelo de pesos abertos lidera com 6,5 pontos de folga sobre o melhor proprietário. Segunda, e mais importante para expectativa: mesmo o líder falha em cerca de 45% das tarefas. Esse é o teto real de agente de atendimento confiável hoje — quem promete automação total está vendendo o que o benchmark não sustenta.

Nota de endereço: o projeto migrou para taubench.com, e a versão τ³ acrescentou tarefas intensivas em conhecimento e agentes de voz.

Os outros testes da categoria

  • GAIA — 466 questões, 300 retidas para o ranking, em três níveis de dificuldade; combina raciocínio, multimodalidade, navegação e ferramentas. O contraste original é didático: humanos acertavam 92% contra 15% do GPT-4 com plugins. Não consegui ler o ranking atual — a plataforma que o hospeda está bloqueada nesta sessão.
  • AutomationBench-AA — 657 tarefas de fluxo em software de gestão, avaliadas por conclusão objetiva com conformidade a regras: violar uma regra zera a tarefa. Entra no índice composto da Artificial Analysis (v4.3.2) com peso de 5% na categoria Agentes.
  • WebArena — de 2023, hoje considerado superado pelo OSWorld 2.0 e pelo τ³. Vale como referência histórica.

⚠️ Uma correção que vale registrar

Circula a informação de que a correção de bugs do OSWorld-Verified teria sido reportada por um fabricante específico. Fui verificar: os agradecimentos do projeto listam a empresa entre as instituições que deram retorno, mas nenhuma correção é atribuída exclusivamente a ela. A fonte não sustenta a afirmação — e é o tipo de detalhe que se propaga sem checagem.

Casos de uso e o que esperar

  • Atendimento com consulta a base de conhecimento — τ³ é o teste certo. Planeje com escalonamento humano: o teto é ~55%.
  • Automação de tarefa repetitiva curta — viável. É a faixa em que o OSWorld 2.0 mostra 20% a 24%, e tarefa curta com verificação melhora muito na prática.
  • Fluxo longo de ponta a ponta — não delegue inteiro. Acima de duas horas de trabalho equivalente, o resultado medido pelos autores é zero (recorte da versão original).
  • Uso de computador em interface visual — OSWorld, sempre checando qual versão e qual release o número cita.
  • Pesquisa com múltiplas fontes — GAIA e BrowseComp, este último tratado no artigo de texto e raciocínio.

A regra que sintetiza a categoria: agentes funcionam bem em tarefa curta e verificável, e mal em processo longo. Desenhar o fluxo em torno disso é a diferença entre automação que funciona e piloto que morre.

Fontes

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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