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Valor percebido e valor entregue: por que o cliente não vê tudo

O cliente nem sempre enxerga o que a empresa entrega. O artigo separa o que Zeithaml, Camerer, Loewenstein, Weber e Mayer mediram do que é leitura do Club Martech, e mostra como comparar a sua lista de entregas com a que o cliente faria.

O valor percebido é a avaliação que o cliente faz do que recebe em troca do que dá, seja dinheiro, tempo ou esforço. Ele pode ficar abaixo do valor entregue, aquilo que a empresa de fato produz para o cliente, sem que nada tenha dado errado na entrega.

Pense numa reforma em que o pedreiro refez a fiação e a tubulação por dentro da parede. Quando a obra termina, o morador vê parede lisa e tinta nova, e a conta parece alta para o que aparece. Em serviço, software e consultoria, parte do que a gente entrega acontece dentro da parede.

A seguir, a gente separa o que a pesquisa diz sobre o valor percebido do que é leitura do Club Martech e termina com o que fazer antes da próxima reunião com um cliente.

Por que o valor percebido decide renovação e indicação

O sintoma é conhecido: o cliente cancela dizendo que não viu resultado, enquanto o painel mostra tudo entregue no prazo. Na leitura do Club Martech, é a distância entre valor entregue e valor percebido. A empresa mede o que produziu; o cliente decide renovar ou indicar pelo valor percebido. O artigo sobre motivo de cancelamento lembra que o motivo declarado nem sempre é o real; o guia de Customer Success trata do acompanhamento depois da venda, quando essa distância aparece.

O raciocínio é nosso e vale como hipótese: se a receita futura depende de renovação, o valor percebido pesa tanto quanto a qualidade da entrega, porque é ele que chega à reunião de orçamento. Não há número do Club Martech por trás disso.

“Se o seu melhor cliente listasse o que a gente entregou no último trimestre, quantos itens da sua própria lista ele citaria?”

O que Zeithaml chamou de valor percebido

A definição usada aqui vem de Zeithaml, no Journal of Marketing de 1988. Valarie Zeithaml propõe que o valor percebido é a avaliação global do consumidor sobre a utilidade de um produto, a partir do que ele acha que recebe e do que acha que dá. O que se recebe varia (volume, qualidade, conveniência) e o que se dá também (dinheiro, tempo, esforço). O valor percebido, portanto, é a troca entre os itens que ficaram salientes para aquela pessoa.

A autora combinou a literatura com um estudo exploratório sobre bebidas: entrevistas numa empresa, um grupo de discussão e 30 entrevistas em profundidade com consumidoras em três regiões dos Estados Unidos. Elas deram quatro definições de valor: preço baixo; tudo o que se quer num produto; a qualidade obtida pelo preço pago; e o que se recebe pelo que se dá. O texto separa ainda qualidade percebida de objetiva.

É um modelo conceitual de 1988, apoiado em literatura e numa amostra qualitativa de 30 consumidoras, só de bebidas, sem serviço nem compra B2B. A gente leu o resumo no Crossref e o texto completo numa cópia em PDF de uma universidade, porque a página do periódico bloqueou o acesso. Serve como definição e lembrete de que o valor percebido é pessoal, não como medida de quanto ele se afasta da entrega.

Na prática, vale a segunda metade. Se o “dar” inclui tempo e esforço, a entrega que poupa trabalho só vira valor percebido se o cliente souber quanto foi poupado. Para cada entrega, escreva duas colunas: o que o cliente recebe e o que ele deixa de dar.

Balança do valor percebido segundo zeithaml: de um lado volume, qualidade e conveniência que o cliente recebe; do outro, dinheiro, tempo e esforço que ele dá
Definição de valarie zeithaml (journal of marketing, 1988). A faixa inferior é leitura do club martech.

Maldição do conhecimento: a mensagem clara só para quem a escreveu

Quem sabe demais não consegue desligar o que sabe. Na tese The rocky road from actions to intentions (1990), Elizabeth Newton, de Stanford, juntou 80 universitários em duplas. Cada “batedor” escolhia três músicas de uma lista de 25 e batucava o ritmo na mesa; o “ouvinte” tentava descobrir qual era. Os batedores estimaram em média 50% de chance de acerto. Houve 3 acertos em 120 tentativas, 2,5%.

É uma tese, não um artigo revisado por pares, com 80 universitários e uma tarefa de laboratório. O resumo da própria tese fala em dois acertos em 150 músicas, e o corpo traz 3 em 120; a gente usou o corpo, onde a tabela confere. Mostra um viés de comunicação, não quanto clientes entendem relatórios.

O nome do fenômeno vem de outro trabalho. Em Camerer, Loewenstein e Weber (Journal of Political Economy, 1989), 51 estudantes da Wharton previram o lucro de oito empresas de 1980 lendo um relatório de investimento; depois, participantes que já conheciam o lucro real tentaram prever o que o primeiro grupo havia previsto, e não conseguiram ignorar o que sabiam. Em mercados experimentais, o efeito caiu cerca de 50%, sem desaparecer.

É um experimento de economia com estudantes e previsão de lucros, não uma pesquisa sobre apresentação comercial; levar o efeito para a sala de reunião é analogia. A gente leu o texto na cópia hospedada no site do coautor George Loewenstein, na Carnegie Mellon.

Na leitura do Club Martech, o time que viveu o projeto é o pior juiz da clareza do relatório. Teste com os seus dados: entregue o relatório a alguém de outra área e peça que explique em duas frases o que ele diz. Depois compare com o que você quis dizer.

Confiança: o filtro por onde o valor percebido passa

Mesmo com mensagem clara, o valor percebido depende de acreditar em quem fala, e, na leitura do Club Martech, sem confiança o melhor produto não avança. Mayer, Davis e Schoorman, na Academy of Management Review de 1995, definem confiança como a disposição de uma parte de ficar vulnerável às ações de outra, esperando que ela faça algo importante para quem confia, sem poder monitorá-la ou controlá-la. E propõem três características percebidas em quem recebe a confiança: habilidade (competências num domínio específico), benevolência (querer o bem do cliente, além do lucro próprio) e integridade (seguir princípios que o cliente considera aceitáveis).

Dois detalhes importam aqui. A habilidade é específica: o cliente pode confiar na sua mídia e duvidar do seu relatório financeiro. E, ao discutir integridade, os autores citam a consistência das ações passadas e a coerência entre o que a parte diz e o que faz. Na leitura do Club Martech, a cada reunião o cliente confere se o discurso bate com a entrega, e o valor percebido acompanha esse resultado.

É um modelo teórico, sem medição própria, com proposições para pesquisas futuras; a gente leu o texto completo numa cópia em PDF fora do periódico. Os autores tratam de confiança em geral, não de compra de serviço. Aplicar as três características a um contrato de marketing é leitura do Club Martech.

Um relatório que mostra o limite do resultado trabalha a integridade, um aviso antecipado de risco trabalha a benevolência e a explicação de uma decisão técnica trabalha a habilidade. A apresentação que só celebra vitórias não alimenta nenhuma. Leve ao seu time: “Qual das três características o último relatório que a gente mandou alimentou?”

Quem ouve define a linguagem: um mesmo resultado, três públicos

Dentro do mesmo cliente, o resultado chega a pessoas diferentes, e o valor percebido muda com o papel. O product marketing traduz produto em motivo para o mercado se importar; aqui o foco é quem já é cliente e precisa reconhecer o que recebeu. A tabela é leitura do Club Martech, sem medição por trás, e o Jobs to be Done ajuda a descobrir o trabalho que cada papel contratou.

PapelO que precisa ouvirO que conta como "dar"Linguagem que atrapalha
Usuário do dia a diaQue o trabalho dele ficou mais simplesTempo e esforço de aprender e operarTermos do projeto que ele nunca aprendeu
Comprador ou gestor da áreaQue a meta combinada andouOrçamento e credibilidade internaLista de tarefas no lugar de resultado
FinanceiroQuanto custou, o que voltou e quando se pagaCaixa e previsibilidadeMétrica sem ligação com receita ou custo

A divisão em três papéis simplifica: numa empresa pequena a mesma pessoa ocupa os três, numa grande cada um se subdivide. O que cada um valoriza só se descobre perguntando, e a pergunta tem viés. Na próxima reunião, faça esta conta: “Quem, entre essas três pessoas, está na sala, e que palavra ela usaria para o nosso resultado?”

Sobre relevância e coerência, há um dado público. Numa pesquisa da Gartner com 632 compradores B2B, feita em agosto e setembro de 2024, 73% disseram evitar fornecedores que enviam contato irrelevante, e 69% relataram incoerência entre o site do vendedor e o que os representantes informam.

A Gartner vende pesquisa a líderes de vendas, e o comunicado não traz margem de erro nem países. “Irrelevante” e “incoerência” são percepção declarada pelo comprador, não medida, e o tema é prospecção, não cliente ativo. Para ler relatórios assim, use o filtro de como avaliar relatórios de martech sem hype.

Antes da reunião, identifique a área de quem vai ouvir e troque a sigla do seu time pela palavra dele; tire do material o que passa do necessário para aquele público. Marketing falando com o financeiro precisa de custo e retorno, não de taxa de abertura.

Como se diz também conta, mas sem o mito dos 7%, 38% e 55%

Tom de voz, ritmo e postura entram na mensagem. O problema é a regra, comum em treinamentos, segundo a qual só 7% do sentido viria das palavras. A origem é Albert Mehrabian. Na página em que ele descreve o livro Silent Messages (1981), o autor mostra a equação de 7% verbal, 38% vocal e 55% facial e avisa que ela vem de experimentos sobre sentimentos e atitudes, de gostar ou não gostar, e que fora disso as equações não se aplicam.

A fonte é o autor descrevendo o próprio livro, não os experimentos originais, que a gente não leu; ela confirma o limite de uso, sem detalhar amostra nem método. Por isso nenhum percentual aqui vira argumento.

Na leitura do Club Martech, a forma pesa quando contradiz o conteúdo: dizer que está tudo sob controle com a voz hesitante faz a plateia duvidar da palavra. Assertividade, é dizer com clareza o que se sabe, o que não se sabe e o que se pede, sem atacar a outra pessoa, e agressividade é vencer a discussão e perder a conversa.

Quando comunicar melhor não resolve

Comunicar melhor não substitui entregar. Se o valor entregue é baixo, melhorar o valor percebido só faz o cliente enxergar o problema mais cedo, e, na leitura do Club Martech, narrativa bonita sem entrega gasta a confiança: some a coerência entre palavra e ação que Mayer, Davis e Schoorman descrevem como parte da integridade. O custo escondido é de horas: três versões do mesmo relatório para três públicos dão trabalho, que precisa caber no escopo.

Perguntar sobre o valor percebido também tem limite. Quem responde ao próprio fornecedor pode ser cortês, e a nota alta pode ser delicadeza, não valor percebido. A percepção varia entre usuário, comprador e financeiro, e a média mistura quem enxerga coisas diferentes. E se o valor percebido é baixo e o cliente tem razão, o que falta é entrega. O verbete de pesquisa com clientes traz os métodos para ouvir quem já é cliente; para separar os dois casos, na leitura do Club Martech, vale perguntar por episódios, não só por nota.

Matriz que cruza valor entregue e valor percebido em quatro quadrantes: entrega reconhecida, entrega dentro da parede, narrativa sem entrega e cliente com razão
Leitura do club martech, sem medição por trás.

Próximos passos para medir o valor percebido do seu cliente

Para medir o valor percebido, comece esta semana, antes da próxima reunião com um cliente importante:

  1. Liste de 5 a 8 itens que você acha que entregou no último ciclo, na linguagem do cliente, com o que ele recebe e o que deixou de dar.
  2. Identifique o papel de cada pessoa na sala e a palavra que cada uma usa para o mesmo resultado.
  3. Peça ao cliente a mesma lista: "o que você diria que a gente entregou?". Não mostre a sua antes. Compare as duas e marque o que ele não citou.
  4. Pergunte por episódios, não só por nota: o que mudou na rotina e onde ainda há esforço.
  5. Corte da apresentação o que não responde ao público daquele dia e inclua um limite ou risco honesto.

Comece pelo passo 3: custa uma conversa curta, e a diferença entre as duas listas mostra se o seu problema é de entrega, de comunicação ou de valor percebido.

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Dionatha Rodrigues

Dionatha é bacharel em Sistemas de Informação e especialista em Martech, com mais de 17 anos de experiência na integração de Marketing e Tecnologia para impulsionar negócios, equipes e profissionais a compreenderem e otimizarem as operações de marketing digital e tecnologia. Sua expertise técnica abrange áreas-chave como SEO técnico, Analytics, CRM, Chatbots, CRO (Conversion Rate Optimization) e automação de processos.

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