A Conversions API (CAPI) é a forma de a Meta receber eventos de conversão direto do servidor do anunciante, em vez de depender só do navegador do cliente. Na documentação oficial, ela foi criada para conectar os dados de marketing do anunciante aos sistemas de mensuração e otimização da Meta. No Centro de Ajuda em português, o nome aparece como “API de Conversões”.
Pense numa loja com uma câmera na porta e um livro-caixa no escritório. A câmera vê quem entrou, mas falha se a lente suja ou a energia cai. O livro-caixa registra a venda mesmo quando a câmera não pegou nada. O Pixel é a câmera, que roda no navegador. A CAPI é o livro-caixa, que roda no servidor. Um cobre o que o outro não alcança.
Neste artigo, a gente explica como a CAPI funciona, como ela se combina com o Pixel sem contar a mesma venda duas vezes, o que enviar em cada evento, quais caminhos de implementação existem e quais cuidados valem para consentimento e dados sensíveis. Os dados técnicos foram conferidos na documentação oficial da Meta em 4 de novembro de 2026.
O que é a Conversions API (CAPI)
Eventos enviados pela CAPI são processados como os eventos do Pixel e dos SDKs da Meta, e servem para mensuração, relatórios e otimização de anúncios. Quem já usa o Pixel pode ativar a CAPI pelo Events Manager em um clique, sem escrever código, segundo a documentação.
A API não se limita ao site. A documentação trata de eventos de web, de aplicativo, de mensageria e offline, como vendas em loja física ou fechamentos que acontecem no CRM. Em todos os casos, a lógica é a mesma: o sistema que sabe que a conversão aconteceu envia a informação à Meta.
O erro comum é tratar a CAPI como substituta do Pixel. A recomendação oficial é usar os dois, e as próximas seções mostram por quê.
Pixel × CAPI e deduplicação: o que muda na prática
Quem procura a CAPI costuma partir de uma diferença: o checkout mostra mais vendas do que o Gerenciador de Anúncios. Parte dessa diferença nasce no navegador, onde o evento depende de a página carregar e de a conexão se manter até o disparo.
| Critério | Pixel | CAPI |
|---|---|---|
| Onde roda | No navegador do cliente | No servidor do anunciante |
| Depende de | Carregamento da página e conexão do usuário | Sistema do anunciante enviar o evento |
| Eventos offline | Fora do alcance do navegador | Canal recomendado pela Meta para eventos offline e de loja física |
| Quem implementa | Marketing, com tag | Desenvolvimento, parceiro ou ferramenta de integração |
| Uso recomendado | Junto com a CAPI | Junto com o Pixel |
A documentação de boas práticas da Meta diz que a CAPI pode capturar eventos que o Pixel perde por problemas de conexão ou de carregamento da página, além de eventos offline ou atrasados. Por isso o desenho recomendado é redundante: os mesmos eventos, como Purchase, InitiateCheckout e Contact, saem pelos dois canais.

Falta resolver um detalhe: se o Pixel e a CAPI enviam a mesma compra, a Meta precisa saber que se trata de um único evento. O método recomendado pela documentação é a deduplicação por identificador: o eventID do Pixel precisa ser igual ao event_id da CAPI, o nome do evento também, e os dois devem usar o mesmo Pixel ID.
Quando os eventos chegam em até 48 horas um do outro com o mesmo event_id, a Meta descarta os eventos posteriores. Existe um segundo método, que usa o mesmo nome de evento com fbp e/ou external_id nos dois canais, mas ele em geral só funciona se o evento do navegador chegar primeiro.
Para conferir, abra a aba “Event Deduplication” no Events Manager. Ela mostra a taxa de eventos deduplicados e a taxa de uso da chave de deduplicação. Se os eventos chegam por um canal só, não há o que deduplicar.
Uma pergunta ajuda a diagnosticar: “o event_id que o site manda no navegador é exatamente o mesmo que o servidor manda para a Meta?” Se ninguém sabe responder, a contagem em dobro é provável.
O que enviar em cada evento
Quatro parâmetros são obrigatórios em qualquer evento da CAPI: event_name, event_time, user_data e action_source. Para eventos de site, a documentação também exige event_source_url e client_user_agent. Em eventos de compra, currency (código ISO 4217) e value são obrigatórios.
- Horário: o
event_timepode ter até 7 dias antes do envio. Se um único evento da requisição passar disso, a requisição inteira falha. Eventos offline podem ser enviados em até 62 dias da conversão. - Volume: cada requisição aceita até 1.000 eventos.
- Dados do cliente com hash: e-mail, telefone, nome, sobrenome, data de nascimento, gênero, cidade, estado, CEP e país passam por hash SHA-256 antes do envio, depois de normalizados: e-mail sem espaços e em minúsculas, telefone com código do país e sem símbolos.
- Dados sem hash: endereço IP, user agent,
fbcefbpseguem sem hash.
Hash feito sem normalizar é um erro que costuma passar despercebido. O e-mail “Maria@Empresa.com ” e o “maria@empresa.com” geram códigos diferentes, e o evento perde a chance de ser reconhecido.

Event Match Quality: como saber se os dados estão bons
A Meta mostra uma nota de qualidade de correspondência de eventos no Events Manager. Segundo a documentação de verificação, a Event Match Quality é pontuada de 1 a 10, e a recomendação é buscar 6,0 ou mais. Clicar na nota abre detalhes e sugestões.
A lógica é direta: quanto mais parâmetros de cliente o evento traz, maior a chance de correspondência. Entre os exemplos de alta qualidade, a documentação cita e-mail, endereço IP, nome e telefone. Só eventos correspondidos servem para atribuição e otimização de entrega; os não correspondidos ficam restritos à mensuração básica.
A escala e os rótulos da nota aparecem de formas diferentes entre a documentação e materiais de terceiros: a página de verificação fala em 1 a 10, enquanto alguns blogs descrevem 0 a 10 com faixas como “pobre” e “ótimo”. Use o valor e as recomendações que o seu Events Manager mostra, e não uma tabela de faixas copiada de outro site.
Como implementar: caminhos possíveis
Não há um único jeito. A escolha depende de quem na equipe tem acesso ao servidor e de quanto se quer manter.
- Integração direta: o servidor envia um POST para
graph.facebook.com/{versão}/{pixel_id}/eventscom um token de acesso. A documentação consultada traz exemplos na versão v26.0, e a Meta lança versões novas a cada cerca de quatro meses. Use otest_event_codepara testar e retire-o antes de ir para produção. - Parceiros e plataformas: plataformas de e-commerce e integrações oferecem a CAPI pronta, com requisitos próprios.
- Conversions API Gateway: opção do Events Manager que roda na nuvem do próprio negócio, em AWS ou GCP, e recebe eventos do navegador para repassar à Meta. O custo vem dos recursos de nuvem ou do parceiro.
- GTM server-side: a Meta publica um guia oficial com a tag “Conversions API” no contêiner de servidor do Google Tag Manager. Se você está avaliando essa arquitetura, vale ler o comparativo entre Google Tag Gateway e GTM Server-Side.
- CAPI para CRM: envia de volta à Meta os estágios do funil que acontecem no CRM, para otimizar anúncios de lead. A documentação recomenda guardar o Lead ID no CRM.
Quem vende por WhatsApp encontra um caso específico em WhatsApp Tracking no Meta Ads, com conversões offline.
Consentimento, dados sensíveis e promessas de ganho
Enviar dados pelo servidor não dispensa o consentimento. Os Termos de Ferramentas de Negócios da Meta exigem aviso claro sobre a coleta e, onde a lei pedir consentimento informado, como na União Europeia, que o anunciante garanta esse consentimento antes de usar as ferramentas. Os mesmos termos proíbem o compartilhamento de dados de saúde, financeiros e de outras categorias sensíveis, e isso vale também para os nomes de eventos e públicos.
Este artigo não é aconselhamento jurídico. Para o contexto brasileiro, o ponto de partida é o verbete sobre LGPD e a leitura de como captar contatos com consentimento. A gente não localizou, nesta pesquisa, uma fonte jurídica que detalhe a posição da LGPD sobre a CAPI, então a decisão cabe ao seu jurídico.
Materiais da Meta e do Blueprint citam uma melhora de cerca de 13% no custo por resultado ao usar Pixel e CAPI juntos.
Esse número é uma afirmação do fornecedor, atribuída a testes internos da Meta. A gente não encontrou o estudo original com metodologia, amostra e período, então ele não prova que o mesmo ganho vai aparecer na sua conta. Trate como hipótese a testar.
E nas outras plataformas?
O desenho servidor a servidor se repetiu em outras plataformas, cada uma com nome próprio. A tabela resume o que as documentações oficiais consultadas descrevem.
| Plataforma | Nome oficial | O que faz |
|---|---|---|
| Google Ads | Enhanced conversions (web e leads) | Envia dados próprios com hash SHA-256 junto da conversão, para melhorar a mensuração |
| Google Analytics 4 | Measurement Protocol | Envia eventos por HTTP direto aos servidores do GA, complementando a tag |
| TikTok | Events API | Conexão servidor a servidor, recomendada junto do Pixel, com deduplicação |
| Conversions API | Conexão direta do servidor do anunciante com a LinkedIn | |
| Snap | Conversions API | Eventos de web, app e offline, junto do Snap Pixel |
| X | Conversion API | Eventos de site pelo servidor, com chave própria de deduplicação |
O Pinterest também tem uma API para conversões, mas a gente não conseguiu confirmar os detalhes em página oficial no dia da consulta, então ela ficou fora da tabela. Antes de implementar qualquer uma delas, confira a documentação atual: nomes, versões e prazos mudam, e a do Google já direciona novas integrações para a Data Manager API.
Próximos passos para colocar a CAPI no ar
Comece pelo que já existe. Abra o Events Manager, liste os eventos que o Pixel envia hoje e escolha os dois mais ligados à receita, como Purchase e Lead. Ative a CAPI para esses eventos, garanta que o navegador e o servidor mandem o mesmo event_id e teste com o test_event_code.
Depois, acompanhe por duas semanas a aba de deduplicação e a nota de qualidade de correspondência. Leve ao time técnico uma pergunta objetiva: “quais parâmetros de cliente estamos enviando em cada evento, e quais ainda podemos incluir com consentimento?”
Se você já executa e quer escolher o caminho, não só seguir, conheça a Formação Club Martech, onde a gente trata de mensuração, dados e operação de marketing com critério.


